domingo, novembro 16, 2025

O tempo em que as pessoas se uniam e associavam para resolver os seus principais problemas...


Quando somos convidados para falar sobre a história do associativismo almadense e da Incrível Almadense (anda por cá há três séculos, desde 1848...), não é possível fugir do país que existia há 150, 100 ou 60 anos. E não é difícil concluir que a nossa sociedade evoluiu mais nas últimas cinco décadas, que em século e meio.

Mudámos para melhor em todos os aspectos. 

Olhamos para trás e descobrimos um país tão diferente, em que as pessoas estavam entregues a elas próprias, sem que existisse Estado para o que quer que fosse.

Discute-se tanto a falta de habitação, e há menos de um século, a maior parte dos bairros cresciam clandestinamente, num tempo em que a electricidade, a água canalizada e o saneamento, eram um luxo, ao alcance de uma minoria de portugueses.

Da saúde nem vale a pena falar. Apenas em Lisboa, no Porto e em Coimbra existiam unidades de saúde dignas desse nome. O resto do país socorria-se dos médicos particulares, de pequenas únidades de saúde e das associações de mutualidade.

E a educação? Se excluirmos os três centros urbanos referidos anteriormente, os liceus existentes de Norte a Sul contavam-se pelos dedos das duas mãos. Mais de metade dos portugueses nem sequer pisavam um estabelecimento escolar. E daqueles que se inscreviam na primeira classe, uma boa parte desistia a meio. Há cem anos, as pessoas que sabiam ler e escrever ultrapassavam ligeiramente os 25% da população...

Mas a grande mudança que Abril nos trouxe, foi a alteração do papel da mulher na sociedade, deixou de estar atrás (pelo menos na Constituição...) e passou a estar ao lado do homem, no que toca a direitos e deveres.

O problema, é que entre a assistência destes encontros, raramente se encontra um jovem com menos de quarenta anos...

E para estes, o país que existia em 1850, 1900, 1950 ou 1974, pouco lhes interessa. As diferenças que existem são tantas, que ao ouvirem-nos até são capazes de pensar que estamos a inventar...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


1 comentário:

  1. Até os nossos governantes mais novos ou mais velhos desconhecem essa realidade de tal forma estão alheados do que se passa à sua volta.

    Abraço

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