quarta-feira, julho 31, 2024

Temos é de fechar bem os olhos...


Estava a ouvi-lo e a ver-me ao espelho. 

Lá estava eu a enredar-me na "teia de contradições", que é a nossa vida... 

Ambos gostamos de escrever ficção. Adoramos ouvir histórias de e com pessoas, E depois, não consegumos acreditar em "estórias da carochinha"...

Quando ele disse, «sei que o meu forte nunca foi ter uma mente muito aberta», sorri. Continuou a baralhar-me ao acrescentar que, «nunca consegui acreditar em milagres, com ou sem santinhos.» E depois concluiu, «provavelmente o problema é meu...»

Claro que sim. O problema é nosso. 

Se fecharmos bem os olhos, até é possível termos direito a uma dessas visões milagreiras, temos é de fechar bem os olhos...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, julho 30, 2024

A Maior Festa do Desporto Mundial na Televisão


Quem gosta de desporto, tem neste Verão a possibilidade de acompanhar os Jogos Olímpicos de Paris, de uma forma bastante completa, algo não acontecia há já alguns anos.

Não sei o que é que a RTP fez, para contornar o "negócio", mas o que fez fez bem.

De manhã à noite a RTP2 transmite praticamente todas as modalidades do programa olímpico, possibilitando-nos a oportunidade de perceber o equilíbrio que existe entre a maior parte dos atletas, com as vitórias e as derrotas a serem decididas por detalhes e também por alguma sorte, a tal coisa que, pelo menos no desporto, "dá muito trabalho"...

O comportamento dos portugueses não me tem desiludido nem iludido. Mostra a nossa realidade desportiva. Tirando meia-dúzia de grandes talentos que poderão realmente disputar medalhas, os outros atletas limitam-se a tentar fazer o melhor possível...

O único reparo que faço é a mania de fazer entrevistas mal os atletas acabam as provas, quando eles ainda estão a "digerir" as vitórias ou as derrotas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, julho 29, 2024

«Felizmente a esperança é uma adolescente»


Estávamos a conversar sobre a quantidade de jovens que sabem cantar e andam por aí, fora de mão, ao contrário dos "artistas da cassete pirata" que animam os arraiais nos fins de semana televisivos. 

O custo zero merecia mais que que a pinderiquice das roupas, das danças, o mau gosto das letras e, claro, o "play baçk" musical.

O Ruca disse uma coisa bonita e certa: «Felizmente a esperança é uma adolescente.»

E é mesmo. Quando somos jovens não desistimos dos nossos sonhos às primeiras e às segundas, e ainda bem.

Só há um problema, que muitas vezes se descobre tarde demais: no nosso país a qualidade nunca foi o requisito mais importante, para o que quer que seja...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, julho 28, 2024

Os loucos que nos estão a levar à loucura...


Este mundo está a tornar-se um "paraíso" para todos aqueles que têm poder e se afastam, sempre que podem, do que entendemos por racionalidade. Começam pelo uso das palavras (são capazes de dizer  as coisa mais estúpidas e grotescas, com o ar mais sério do mundo), mas se alguém lhe der "a mão, rapidamente fica sem braço". 

Há cada vez mais exemplos de gente louca, que não só pensa, como faz aquilo que mais lhe convém, com a conivência de uma "corte de vassalos", sem vontade própria, que fingem ter serradura na cabeça.

Talvez Putin, seja a personagem principal deste "filme de terror". Talvez. Mas cuidado com as outras personagens, pouco secundárias como são Trump, Maduro, Netanyahu, Jimping ou Jong-il. 

É tudo gente capaz de aliar à paranóia, o gosto pelos "jogos de guerra". 

Se não os conseguirmos "destruir" vai ser difícil escapar ao que eles andam a "escrever nas estrelas"...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve) 


sábado, julho 27, 2024

A arte hoje é quase o que cada homem ou mulher quiser...


Ao ver a alegria de uma família, de três gerações, a reduzirem o seu tamanho, de forma a caberem todos na fotografia, a famosa "selfie", que quase ficou com os direitos de autor do Presidente da República, fiquei a pensar nesta espécie de "democratização" (talvez não seja a melhor palavra...) da imagem, que invadiu o planeta.

Tudo ficou mais próximo e mais fácil, com os avanços tecnológicos, com a facilidade com que se tiram fotografias e se fazem filmes. 

E de repente é só "artistas" à nossa volta, com mais ou menos jeito para enquadrar as pessoas nas paisagens. É tudo tão fácil, que o fotógrafo ou o realizador perdeu importância, tanto no campo artístico como no comercial.

Só alguns teimosos é que mantém aberto o seu estúdio de fotografia e vídeo, mas quase só virado para os os casamento e baptizados...

Este "deslumbramento artístico" acaba por ser normal. A evolução tecnológica facilitou a existência de um "artista genial" em cada esquina, difícil, difícil é tirar uma fotografia feia, nos nossos dias... 

E não tentem dizer a estas pessoas que a Arte é outra coisa. Até porque os tempos mudaram muito,  ao ponto de  a arte hoje ser quase o que cada homem ou mulher quiser...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, julho 26, 2024

"Universos" pouco paralelos...


Estava a começar a trabalhar, ainda antes das nove da manhã (não sei se é por os dias ser maiores, de Verão deito-me mais tarde e continuo a levantar-me cedo...) e ao ler uma frase, lembrei-me de outras coisas (acontece-me tantas vezes...).

Lembrei-me das pessoas que pertencem a um campo artístico, mesmo que andem às voltas por outros lugares. Algumas pessoas nem sequer o disfarçam, não dão tréguas e passam a vida a recusar convites para fazer isto e aquilo.

Ainda não perceberam, mas eu estou a falar de cinema. De actores e actrizes que são só da sétima arte. O Pedro Hestnes foi o extremo, mas há outros casos especiais como a Beatriz Batarda (embora ela goste e seja boa nos palcos, telenovelas é que não...). Laura Soveral e Isabel Ruth, são duas senhoras que pertencem ao cinema. Ponto final. As outras coisas que fizeram, nunca tiveram o brilho do ecrã que enchia a parede branca grande da esplanada de Verão do "Roscas"...

Até mesmo o Rogério Samora e a Alexandre Lencastre, sempre foram "cinema", a televisão era a forma mais fácil de terem dinheiro para comerem lagosta, se lhes apetecesse...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, julho 25, 2024

(acabei de ler um livro de poesia que não é de poesia)


Acabei de ler um livro de poesia que não é de poesia.

A poesia é outra coisa, pertence a um universo bem distante da prosa, entre outras coisas, por ser mais sentida e menos vivida.

Sei que há muito boa gente que não percebe - nem nunca irá perceber... -, esta diferença, por mais poemas que escreva.

Por escreverem com métrica e de forma rimada, não quer dizer que se tenham afastado dos "mundos" da prosa e estejam a caminhar nos "jardins" da poesia.

Não estou a dizer que o livro é mau. Estou apenas a dizer que o livro não é de poesia...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, julho 24, 2024

Os nossos olhos às vezes enganam-se. Mas é só às vezes...


Os nossos olhos às vezes enganam-se. Mas é só às vezes...

Não são eles que definem o que é uma boa e uma má pessoa, são sobretudo as acções dessas pessoas...

Podemos nunca ter falado com uma ou outra pessoa e sabermos que se trata de alguém bem formado, capaz de ajudar os outros, mesmo desconhecidos...

Claro que há quem pense de forma diferente de mim, e ache que precisamos de conhecer uma pessoa, antes de darmos palpites, de que se trata de alguém bom ou não...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


terça-feira, julho 23, 2024

Três traços comuns...


Escrevo muitas vezes sobre os meus amigos, mas por serem coisas pessoais, ficam quase esquecidas mas minhas espécies de diários (são dezenas de cadernos...).

Publico aqui uma ou outra coisa, mas são quase sempre "suaves", nunca vou ao "osso". 

E hoje, para não variar, faço o mesmo.

Durante anos e anos, pensei que o meu Pai era o homem mais livre do mundo (muito graças ao amor e generosidade da minha Mãe, que o deixava fazer o que queria e ser quem era...).

Mas hoje quando penso em Liberdade, daquela que a sua defesa e luta, davam prisão, sinto que alguns dos bons amigos que conheci em Almada, podem não ter sido tão livres como o Pai, mas amavam-na muito mais que ele... e as coisas em que se meteram para a defender antes e depois de Abril...

Claro que nem todos foram - e são comunistas (mas a maioria é) -, poucos foram presos, mas nenhum escapou de ter ficha na PIDE, de ser incomodado no trabalho, nas associações e até nas ruas.

Quando temos amigos como o Henrique, o Fernando, o Orlando, o Carlos (é quase um colectivo, são quatro...), o Chico, o Jaime, o Zé ou o Mário, tornamo-nos, naturalmente, melhores pessoas.

Com tudo isto quase que me esquecia de referir os seus três traços comuns: a Dignidade, a Generosidade, e claro, a Liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, julho 22, 2024

O que se pensa com quarenta graus à sombra...


O normal é nós pensarmos coisas diferentes, quando enfrentamos os mesmos problemas.

Pensei nisso quando estava à sombra, a sentir a brisa quente e suave que passava, capaz de quebrar em segundos qualquer pedra de gelo.

Talvez muitas pessoas pensassem que boa ideia era entrar em qualquer loja, com o ar condicionado ligado e ficar ali, a fingir que queria comprar qualquer coisa...

E eu ali sentado, armado em ambientalista, a pensar em todas as coisas parvas que continuamos a fazer, enquanto fingimos que este planeta aguenta tudo e que estes quarenta graus à sombra é uma coisa passageira...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, julho 21, 2024

«Quando pensamos nos outros, fica mais fácil tomar decisões que sejam boas para todos»


Quando dizemos coisas simples e que têm sentido, é quase normal fazer-se referência a "La Palisse", como se ele fosse o "rei" dos lugares-comuns e das frase certeiras.

Mesmo que possa parecer quase um "hino religioso" (que deve ser dito nas milhares de capelas de culto, de todos os credos...), ninguém duvida da verdade que está dentro frase que escolhi para título destas palavras, da mesma forma que ninguém a leva a sério.

O que é certo é que ninguém chega ao poder, a defender coisas tão simples e essenciais, como a paz, o amor e a união entre os povos.

Os EUA são apenas mais um exemplo, em que a construção de muros e a expulsão de imigrantes, dão mais votos, que as políticas que facilitem a sua integração na sociedade.

Isso explica que embora a frase «quando pensamos nos outros, fica mais fácil tomar decisões que sejam boas para todos», esteja certa, ninguém a segue, muito menos ganha eleições com ela...

Mas este problema não é de agora, tem milhares de anos. É por isso que o planeta Terra sempre foi um lugar estranho para se viver...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, julho 20, 2024

Não há sistemas perfeitos e talvez o nosso ainda seja mais "imperfeito" que os outros...


Estava sentado a ver "o mundo passar" na esplanada de um restaurante no centro de Almada, no começo da noite. Saboreava o café, distraído com coisas mais lunares que terrestres, quando a minha companheira, reparou num facto, cada vez mais evidente nas nossas ruas: mais de metade das pessoas que passavam por ali eram oriundas de outros países. Pela forma como se expressavam percebia-se que a maioria tinha vindo do Brasil.

Claro que não concluímos que a população imigrante já ultrapassara os locais. Havia pelo menos duas razões para que fossem estas pessoas a passearem nas ruas e não os almadenses. A primeira dizia-nos que somos uma população envelhecida que sai cada vez menos à rua à noite (já o éramos antes da chegada destas gentes das américas e das índias, cuja maioria contribui de uma forma positiva para a nossa economia...). A segunda era que estas pessoas muitas vezes partilham casa e com estas temperaturas elevadas deve ser um suplício ficar dentro de quatro paredes em casas superpovoadas.

Depois passou por nós um vizinho carregado com dois sacos de mercearias. E lá voltei a ser "acordado"... Tratava-se de um chefe de família que sempre vivera de expedientes. De repente descobriu-se "velho e cansado", com mais duas bocas em casa para alimentar (a esposa que nunca trabalhou para fora e uma filha deficiente...), e teve de se "agarrar" com unhas e dentes ao Estado e a todas as Instituições que ajudam pessoas que dificuldades.  Corria o boato de que vendia muitos destes produtos, para arranjar umas moedas para o tabaco e para as cervejolas. 

Ao contrário da minha esposa, encarei o caso com normalidade, por ele ser quem era e por não existirem sistemas perfeitos. Até porque tudo indicava, que o nosso ainda fosse mais "imperfeito que os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)