quarta-feira, maio 31, 2023

Olhar da Minha Janela do Quarto...


Levanto-me de manhã, se for espreitar à janela, o que vejo?

O mesmo que qualquer habitante de uma cidade... Prédios encavalitados uns nos outros, a várias alturas.

As cidades são assim. É apenas uma cidade igual a tantas outras, com mais ou menos betão...

Ao longe encontro três torres, duas de igrejas, num outro canto, um castelo que não é castelo (talvez tenha sido, há alguns séculos...), mas de tanto lhe chamarmos uma coisa que não é passa a ser, e não o forte militar, que continua a ser.

Quase na linha do horizonte desta minha janela-varanda, aparece o Cristo-Rei e a parte superior de um dos pilares da Ponte 25 de Abril.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, maio 30, 2023

Eles fingem que não percebem que são governantes de todos e não de apenas alguns...


Uma boa parte dos governantes fingem que não percebem (esta estupidez pouco natural ainda se nota mais no Poder Local...), que depois de serem eleitos, são governantes de todos, e não de apenas aqueles que votaram no seu partido.

Acho que esse é um dos principais problemas dos nossos políticos, nunca se conseguem libertar da teia de interesses que os rodeia e que finge que os levou ao colo até ao poder.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, maio 29, 2023

O almoço à segunda-feira continua povoado de gente...


Somos só dois, na mesa que já foi de uma dúzia.

Não é por teimosia que continuamos a almoçar todas as segundas, o nosso "bacalhau com grão". É por gosto. Gostamos de conversar e de viajar pela história de Almada e da nossa Incrível. 

É normal convocarmos alguns dos nossos amigos ausentes, normalmente os mais opiniosos, como era o Orlando e os dois Carlos. Lembramos a "memória de elefante" do nosso Jaiminho, que devia gostar de aparecer para matar saudades, ao mesmo tempo que tirava algumas dúvidas ao Chico (era ele que costumava "desempatar" quando o Orlando e o Chico andavam pelas ruas e portas erradas da nossa Rua Direita).

Normalmente é depois do café que a conversa se torna mais interessante e enchemos a toalha de papel de rabiscos (disse ao Chico que já devia ter mais de cinquenta pedaços de toalhas...), povoados de "personagens" e de "lugares" de Almada.

Desta vez andámos pelo teatro. Eu já sabia o porquê de muitos amadores não aceitarem algumas propostas de companhias profissionais, A nossa conversa acabou por reforçar o que pensava, com dois ou três exemplos dados pelo Chico. A sua geração preferiu levar o "teatro a brincar", porque tinham bons empregos e não queria apostar no risco. Se hoje esta profissão continua a ser precária, há sessenta e setenta anos, não era melhor. E havia ainda outro problema, era uma actividade "mal vista" socialmente... 

Era comum ouvir-se dizer, que as pessoas sérias e decentes não escolhiam a vida dos palcos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 28, 2023

Ultrapassagem do e pelo Tempo...


Claro que sim.

Acontece a todos.

Mais tarde ou mais cedo, acabamos ultrapassados pelo "tempo", esse bom e mau conselheiro...

Apesar de ser ideologicamente progressista, reconheço-me conservador em muitas outras coisas, como na arte, por exemplo. Há "instalações" e "abstrações", que não me entram na cabeça, por mais que me esforce...

E dessa coisa chamada "inteligência artificial", também espero continuar a léguas de distância por mais "promoções" que façam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 27, 2023

Rastos de Indignação e Incompreensão...


Já quase ninguém fala da menina inglesa, que desapareceu no Algarve, há dezasseis anos. 

Nem mesmo a insistência de alemães e ingleses, em querer colar este rapto a um bandido germânico, voltando a lugares que podem ser de crime, provoca qualquer tipo de alarido ou estados de alma, apesar das horas oferecidas pelas televisões que se alimentam sobretudo de sangue.

Quem não perdoa estes desperdícios de milhões são os familiares de desaparecidos portugueses, que nunca contaram com um milésimo do tempo perdido pelas nossas polícias. Foi por isso que percebi a indignação e incompreensão de um avô, que continua sem saber o que aconteceu à neta, que com dezasseis anos, desapareceu. Saiu de casa de manhã para não mais voltar. Ele tem uma secreta esperança que ela possa estar, viva, em qualquer parte do mundo... Mas sabe que a GNR tratou muito mal da investigação, desde o início, tal como a Judiciária. 

Disseram que ela tinha fugido e esqueceram o caso...

"Sim, poderia ter fugido. Mas porque razão nunca mais deu qualquer sinal de vida?" Era a questão que ninguém era capaz de responder a esta família (e provavelmente a muitas outras...).

Mas que se trata de um drama inultrapassável, ninguém deverá ter dúvidas. Nunca se consegue preencher este vazio que fica...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, maio 26, 2023

É comum dizer-se que os cães com o tempo começam a parecer-se com os donos e os donos com estes seus animais de estimação...


O homem disse uma vez "estúpido", repetiu, "estúpido", insistiu, "estúpido". E o cão, cada vez que o homem dizia esta palavra, vinha até ele e depois continuava a correr, para voltar assim que o homem dizia a palavra "estúpido".

Embora o homem fosse livre de dar o nome que quisesse, ao seu animal de estimação, "estúpido" era no mínimo absurdo, para não lhe chamar outra coisa.

Foi quando pensei que é comum dizer-se que os cães com o tempo começam a parecer-se com os donos e os donos com estes seus animais de estimação...

Pois é, e ninguém me tira da cabeça, que se havia ali alguém estúpido, era o "animal de duas patas".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, maio 25, 2023

Todos sabemos que a honestidade ainda é uma virtude, mesmo que nem sempre nos dê jeito...»


Estávamos quase numa disputa, com algumas pessoas cheias de vontade de empurrarem a "honestidade" para debaixo do tapete (que nem sequer existia por ali...).

Era provável não chegarmos a lado nenhum. E tudo por causa do "tutti-frutti" (os criativos da justiça quase que rivalizam com os dos média...), mais uma notícia requentada (já com oito anos...) - e com encomenda -, igual a tantas outras que de vez em quando aparecem nas televisões e jornais, para darem lugar a mais uma "telenovela justiceira", capaz de alimentar as audiências durante pelo menos uma quinzena...

O Jorge sentou-se depois de fumar uma cigarrada e conseguiu acabar com a discussão, com uma das suas frases lapidares: «Todos sabemos que a honestidade ainda é uma virtude, mesmo que nem sempre nos dê jeito...»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 24, 2023

Conversas, Livros e "Tags"...


Nunca tinha olhado para os "tags", como algo subversivo e revolucionário. 

E continuo a não olhar. 

Para mim não passam de riscos feios. Além de transfigurarem os muros e paredes das cidades de uma forma grotesca, nunca me transmitiram uma mensagem, do que quer que fosse. Não passam de poluição visual.

O romance que estou a ler lembrou-me de um rapaz da minha geração que me tentou vender essa mensagem, há já algum tempo, ao mesmo tempo que quase repudiava os "grafittis", por estes se esforçaram por serem bonitinhos. 

Estamos a léguas de quase tudo (sinto-me um autêntico conservador junto a ele...). Do vestir, do pensar e do viver. Mesmo assim não dou por perdido o tempo em que conversamos. No meio das coisas quase estapafúrdias que oiço, há sempre algo que fica. Talvez procure por ali matéria para as minhas ficções, ou então gosto de ouvir disparates. Ninguém é perfeito...

Foi bom agarrar com as duas mão,  a "Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina" de Mário de Carvalho, retirá-lo de uma das minhas estantes e começar a lê-lo (lembro-me de ter sido sugestão de leitura do meu único amigo coronel, o Carlos, que tinha um belo sentido de humor, mas não sei porquê, acabei por não o abrir, até este Maio...). 

Estou a gostar desta "fantasia", entre outras coisas, porque o Mário é um escritor singular. O mais curioso foi ter encontrado dentro de uma das suas personagens secundárias, as mesmas ideias sobre os "tags", quase como se estas fossem uma "sétima maravilha" artística e revolucionária...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, maio 23, 2023

Amar a Liberdade e o Saber (sem perder o sorriso)...


Hoje festeja-se o centenário do nascimento de Eduardo Lourenço, uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XX.

É um dos nossos melhores exemplos de quem abandonou o País, por amor à liberdade e ao saber. 

Para poder viver, pensar e expressar-se sem qualquer tipo de condicionalismo, Eduardo deixou para trás o Portugal salazarento, demasiado pequeno e fechado para os seus horizontes.

Cruzámo-nos várias vezes aqui e ali, mas só falámos uma vez. Estava acompanhado do Jorge na Gulbenkian. Ele passou por nós e além de nos cumprimentar, brindou-nos com uma "anedota cultural", que nos deixou a sorrir de orelha a orelha...

Quando voltei para casa pensei noutro nonagenário, o Fernando (para o ano comemora-se o seu centenário...), um homem da cultura e do associativismo de Almada. Um dos seus grandes prazeres era brindar os amigos com uma anedota e vê-los a sorrir...

Tanto o Fernando como o Eduardo são um bom exemplo de que as pessoas podem ser grandes, sem se afastarem do mundo que as rodeia, que também se alimenta das pequenas coisas, que nos deixam momentaneamente felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, maio 22, 2023

E Já Passaram 25 Anos...


A Expo 98 está em festa hoje e continuo a pensar que foi uma das melhores coisas que nos aconteceram nos últimos 25 anos.

Tem praticamente a idade do meu filho, que também foi à "festa". Claro que estranhou ligeiramente os seus encontros com o Gil e com a Docas, aqui e ali, pudera, com apenas três meses...

Mas mais importante que a Exposição, foi a recuperação que se fez de toda aquela área. Foi um bom começo para a reconciliação dos habitantes de Lisboa com a Cidade e com o Tejo.

Felizmente, não se parou por aqui, ganharam-se ainda mais quilómetros da nossa beira-rio, que além de ser suja e feiazinha, estava tão subaproveitada (quando me lembro da pequena viagem entre o Cais das Colunas e o Cais de Sodré, que coisa horrível...).

Apesar das polémicas sobre as Jornadas Mundial da Juventude, quando tudo terminar, ficaremos todos a ganhar, com mais um parque urbano, e mais uns quantos quilómetros de passeio à beira Tejo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 21, 2023

Cada vez mais em voga, o "Nós" e os "Outros"...


Mesmo percebendo que é normal, quando enfrentamos situações de aperto, recorrer a familiares e amigos, é perigoso (e pouco digno e honesto) fazer disso um modo de vida.

Infelizmente a política tem sido muito isso, em todos os partidos, e há mais de três décadas...

Estou a vontade para escrever sobre isso, porque sempre fiz parte do clube dos "outros".

Quando a CDU estava no poder em Almada, era olhado com alguma desconfiança, porque eles sabiam que eu "não era um deles". Curiosamente, agora com o PS no mesmo poder, acontece a mesma coisa, continuo a ser mais um dos muitos "outros". E sei que se vier o PSD ou outro partido qualquer, continuarei a não fazer parte da equipa dos "nós"...

Provavelmente o problema é meu, sou eu que gosto de ser um "desalinhado", ou então sou um "pássaro" demasiado livre para me deixar "engaiolar". Talvez seja um pouco das duas coisas.

Mas nós somos o que somos. Não vou culpar os alfaiates de fazerem casacos com dois direitos, óptimos para aquelas pessoas que já foram da CDU, agora são do PS e amanhã, se o PSD for poder, até são capazes de comprar um casaco cor de laranja (conheço mais de duas ou três).

Falando mais a sério, acho que um dos problemas maiores do nosso país é esta "clubite" aguda, que foi transportada dos clubes desportivos para os partidos, há décadas. É quase do género: és "nosso", tens tudo, és "contra nós", tens nada. 

O resultado desta triste realidade é gente com qualidade para ser ministro ou secretário de Estado, por estar a quilómetros dos "golpes palacianos" e desta incompetência generalizada, que sai das juventudes partidárias (para nos oferecer a sua mediocridade e a falta de sentido de Estado), nunca faz parte da lista dos "ministeriáveis".

Mas ouvir falar um Cavaco, um Marques Mendes, um Montenegro ou um Melo, sobre este mundo de "propaganda" e "mentiras", que está a cair em cima do Costa - que é igualzinho a eles -  sem conseguir ficar indignado, é não ter memória...

Foi com o cavaquismo que tudo, e toda a gente, passou a ter um preço. Foi com o cavaquismo que o dinheiro passou a ser a religião deste país.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sábado, maio 20, 2023

Passar a Tarde "Pelos Caminhos da Poesia"...


Já contei no "Casario", que hoje passei uma tarde diferente, na rua Capitão Leitão, junto à Incrível Almadense.

Aceitei o desafio de apresentar o livro, "Pelos Caminhos da Poesia", da autoria de Manuel da Várzea (o outro lado do médico Rui Melancia...), que foi antecedido de uma sessão de "Poesia Vadia", que tentou dar um ar diferente, mais poético e cultural no começo da rua Capitão Leitão, em frente ao "Cine-Incrível", que agora é, felizmente, pedonal.

Embora já não estivesse habituado a estes desafios poéticos (devido à pandemia e ao meu afastamento voluntário do associativismo), foi bom voltar.

Além de ter estado com pessoas que já não via há algum tempo e com quem conversei, também foi bom  estar ali, junto à Incrível, a falar de poesia, de um livro e de um poeta.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)