segunda-feira, outubro 31, 2022

Até um dia destes, Outubro...


Não é tão grave como na adolescência e começo de idade adulta, mas Outubro continua a não me convencer...

E agora com as "cambalhotas climáticas", ainda se torna mais estranho, o Inverno mistura-se com o Outono e em alguns momentos com o Verão. Só a Primavera prima pela ausência.

Já não "perco" os amores de Verão da juventude, mas continuo a andar estranho, quase igual aos dias de Outubro, que se estão quase a despedir...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


domingo, outubro 30, 2022

O Realismo, o Tempo e os Preconceitos Ideológicos...


Quando ele disse: «Não me importava muito se os bilhetes  de avião fossem mais caros, se eles começassem a voar a horas», despertou uma série de preconceitos ideológicos, de quem está habituado a viver em "crises" quase permanentes, construídas muitas vezes de forma artificial.

Foi um simples desabafo de quem passa horas e horas em aeroportos e chega atrasado a todo o lado, até a casa... de quem sabe que o "tempo" é mesmo "dinheiro"...

Trouxeram o "terceiro mundo" para a mesa, porque é lá que todos os problemas se resolvem com dinheiro, juntamente com a "santa corrupção" dentro de envelopes.

Santa ingenuidade, pensei eu, sem vontade de me meter na conversa, mas sabedor que também é assim que se resolvem as coisas no "primeiro mundo" (a única diferença é que as malas substituem os envelopes e também não deixam rasto)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 29, 2022

Onde estão as "Terceiras Pessoas"?


Faz-me muita confusão o que passa no Brasil, em véspera das eleições. O país está quase cortado ao meio, quer pelos apoiantes de Lula da Sila, quer pelos apoiantes de Jair Bolsonaro. O que nos diz que, seja qual for o vencedor, só será o presidente de metade dos brasileiros e terá com toda a certeza, uma governação muito complicada nos próximos quatro anos.

Não consigo perceber a razão, para que um país enorme como o Brasil, com mais de 215 milhões de habitantes, não consiga encontrar uma "Terceira Pessoa", democrata, competente e sem problemas com a justiça, como candidato. 

Ter de escolher entre alguém que continua a ser apontado como corrupto ou alguém que além de mentir com os dentes todos, têm mais que tiques de fascista, é uma tarefa muito complicada...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, outubro 28, 2022

"Vive e Deixa Viver..."


Uma das tarefas mais complicadas que nos cabem na vida, é sermos pais. Por muito cuidado que tenhamos, nunca seremos pais perfeitos, porque isso não existe...

Embora a frase "vive e deixa viver..." possa ser "colada" em quase tudo (até nos filmes de cowboys), é muito importante nas relações humanas, próximas e afastadas.

Se no nosso tempo é fácil seguir esta frase - que mesmo que tenha princípios libertários, responsabiliza desde cedo todos aqueles que a seguem e defendem -, o mesmo não se passava há cinquenta anos. Mesmo assim os meus pais procuraram seguir sempre estas palavras, tão simples e tão importantes...

Tanto eu como o meu irmão nunca fomos condicionados nas nossas escolhas, pelos nossos pais. Provavelmente ajudou um pouco não termos feito "más escolhas", ao longo da vida. Mas havia tios, ainda sem filhos, que estavam sempre a querer meter a "colherada" na nossa educação.

Talvez seja por isso, que os meus filhos também seguem a sua caminhada, sem condicionalismos. Até por saberem com irão "colher o que semearem" (bendita sabedoria popular)...

Mas quem gosta tanto de liberdade como eu, só podia mesmo "viver e deixar viver..."

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, outubro 27, 2022

O Futuro cada vez menos risonho dos Livros...


Ontem falei para mais de meia-dúzia de pessoas, sobre livros. Queriam saber a minha opinião sobre o "futuro dos livros". Embora seja optimista, disse que os livros passaram definitivamente de moda e que no futuro, serão cada vez mais um "objecto de culto", usado apenas por quem gosta de adquirir conhecimento e de ler histórias de papel.

Infelizmente não havia jovens metidos nesta conversa. Ou seja, algumas daquelas pessoas que estavam ali para conversar, ainda liam livros, ainda continuavam a dar uma importância a estes objectos, que eles já não tinham...

Com algum descaramento, até disse que eles até tinham perdido valor como ornamento decorativo. Já quase ninguém exibia orgulhosamente uma "biblioteca" na sala de estar. Talvez estivesse a exagerar, mas era o que pensava. Fui novamente "contra a corrente"...

E nem me quis alongar com os índices de leitura, que correm o risco de ainda serem piores que os que nos são oferecidos, e que parecem caminhar para fazer de "cada leitor um tolinho", dando por vezes até a impressão que a leitura de livros "é uma perda de tempo".

Claro que os livros também têm vantagens, quem gosta mesmo de ler, vai ler sempre livros (talvez tenha exagerado novamente, mas foi a melhor maneira de acabar a conversa).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, outubro 26, 2022

Este Mundo Desigual é Tudo menos Normal...

Estou cansado de saber que nós não somos um país muito normal.

Mas é de todo estranho que o preço do gasóleo, da gasolina, da electricidade e do gás natural, subam a preços recordes, tal como os lucros das empresas que nos vendem estes produtos.

Este exemplo pode ser transposto para a área retalhista, onde todos os preços sobem especialmente, os dos chamados bens essenciais, assim como os lucros de milhões das principais sociedades.

Na banca os juros também sobem, especialmente os dos créditos à habitação, também em paralelo com os lucros dos banqueiros...

Sei que se pode dizer que isto está a acontecer em "todo o mundo". O que só nos explica que somos, cada vez mais, vítimas de um capitalismo cego, que enriquece meia-dúzia de pessoas, ao mesmo tempo que empobrece milhões... 

Não sei quanto tempo é que possível viver neste registo completamente desigual, tão ao gosto dos liberais, que se aparecer por aí, mais alguma pandemia, não se vão esquecer de voltar a "bater à porta" do Estado (mesmo que tenham contas bancárias de milhões)...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


terça-feira, outubro 25, 2022

Os Ricos, os Pobres e o Ambiente...


Talvez seja mesmo assim... Só com menos dinheiro, é que conseguimos consumir menos e cumprir as metas dos acordos "defensores da vida" neste nosso Planeta.

Menos dinheiro no bolso faz, entre outras coisas, que nos habituemos a apagar a luz quando ela é se torna desnecessária, fazer menos descargas no autoclismo, fechar a torneira da água enquanto esfregamos os dentes, entre muitas outras coisas.

Pois é, parece que os "pobres" são obrigados a ser amigos do ambiente...

Talvez o mundo seja mesmo uma coisa melhor sem ricos...

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)


domingo, outubro 23, 2022

A Escolha entre Submissão e Solidão...


Olho para as pessoas maiores de idade e fico a pensar que nunca fomos submissos, apesar de existirem vários indícios contrários.

Sim, podemos precisar de um "chefe" (gostamos de lideres fortes e que também consigam transmitir uma mescla de seriedade, isso explica o sucesso de Salazar e também de Cavaco...), para gerir o país, as nossas cidades e até a empresa onde trabalhamos, mas não quer dizer que lhes sejamos submissos. Talvez seja por isso, que sempre que podemos, seguimos as "nossas regras" e não "as deles" (talvez seja por isso que sempre produzimos menos do que devíamos nos empregos, normalmente mal pagos)...

Regressando aos nossos lares, reparo (até por exemplos familiares...), que são as mulheres quem mais impõe regras, mesmo nas coisas mais insignificantes. E que as mães e sogras (os homens têm o bom senso de serem os primeiros a partir...), quando começam a perder faculdades, fingem ainda terem a autonomia que lhes foge entre os dedos, para não se sujeitarem a terem de deixar as suas casas para serem metidas nas "prisões" das casas dos filhos (algumas sob o comando das noras), ou pior ainda, nos asilos...

É quase uma escolha entre submissão e solidão...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sábado, outubro 22, 2022

Sair pelo Próprio Pé ou Ser Empurrado (Dilema de Cristiano e de Telma)


Ao ler as palavras de um presidente de Federação (de judo), além de perceber que é pouco adepto do bom senso, tenho ainda a sensação de que não será muito digno do cargo que ocupa. 

Quando um dirigente máximo federativo se refere à melhor judoca portuguesa de todos os tempos, utilizando a idade da Telma e os seus maus resultados - todos sabemos que tem tido muitas lesões e foi operada recentemente -, como arma de arremesso,  está tudo dito. 

Onde será que colocou os títulos de Campeã Europeia e a Medalha Olímpica de Telma Monteiro?

Nas ilhas britânicas é Cristiano Ronaldo (embora tenha sido ele a criar o problema...), que além de ser alvo de inveja, ainda é "empurrado" para o final de carreira, sem ser consultado e sem que existiam dados sobre a sua actual perfomance atlética, que nos digam que está "acabado".

Embora saiba que tanto o Cristiano com a Telma, devem saber acabar as suas carreiras ao mais alto nível e não deixar que seja demasiado visível a sua decadência, como grande ídolos do desporto, não precisam de ser empurrados por ninguém. Sejam eles dirigentes, treinadores ou jornalistas.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, outubro 21, 2022

Quase no final de 2022 percebe-se que Cristiano Ronaldo, afinal, sempre é Humano...


Cristiano Ronaldo desde o começo da época que tomou opções, que tinham tudo para acabar mal, como parece que irá acontecer (é quase impossível reverter a sua situação em Manchester...) num futuro próximo.

A única solução que iria conseguir "apagar" a sua ausência na pré-época, seriam os golos. Só que eles não têm aparecido. Só eles é que teriam conseguido derrotar a "arrogância" do novo técnico holandês.

E é aqui que se percebe que, afinal, Cristiano Ronaldo sempre é humano. Não tem nada de "extra-terrestre", como se chegou a insinuar. Também tem fragilidades, comete erros, não é perfeito. 

Mas tem um passado, que fala por ele (ou pelo menos devia falar...).

Infelizmente o treinador do M. United não tem qualquer respeito pelo passado e presente de Cristiano Ronaldo. Até se fica com a sensação que só aceitou ficar com Ronaldo no clube, para lhe "dar uma lição", para lhe explicar que é ele que manda na equipa e que só joga quem ele quer.

Ao contrário de muitos, tenho a convicção de que Cristiano Ronaldo não está "acabado" para o futebol, mas terá de ser mais inteligente a gerir este final de carreira. Caso contrário, arrisca-se a ter de ir para as Arábias ou Américas e acabar a carreira de futebolista (sem qualquer dúvida, um dos cinco melhores do mundo de sempre) na sombra...

(Fotografia de Luís Eme - Algarve)


quinta-feira, outubro 20, 2022

Comunicar é Enganar?


Nos tempos que correm, fica-se com a sensação de que comunicar é enganar.

Não estou a falar dos "vendedores de banha da cobra" que estão nos intervalos de todos os canais de televisão e vendem de tudo um pouco, desde comprimidos milagrosos, que nos fazem emagrecer, limpam o fígado e fortalecem os ossos, aos colchões ou chinelos mais confortáveis do mundo.

Estou a falar de quem faz e escreve notícias (até nos telejornais...). Têm cada vez menos problemas em dizer que o que não é, é. 

Estou a falar dos nossos políticos (há cada vez menos excepções), que andam sempre a "navegar à bolina", das meias verdades e meias mentiras. E mesmo quando são apanhados, tem sempre outra "mentirinha" na manga, para se defenderem.

E nem vou falar de futebol, onde o objectivo dos principais clubes, é desinformar os seus sócios e "achincalhar" os adversários, através dos seus departamentos de comunicação.

A única certeza que tenho, é que em nenhum dicionário comunicar é sinónimo de enganar.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, outubro 19, 2022

Somos Demasiado Cobardes para "Morrermos por Amor"...


Ontem, quando as três mulheres da nossa mesa resolveram "romantizar" o suicídio do chefe Anthony Bourdain, dizendo que ele "morreu por amor", ao não conseguir superar a "traição" da sua companheira, a actriz Asia Argento, houve alguém que tentou quebrar aquela "magia", quase cinéfila, afirmando que a história estava incompleta. Depois acrescentou que ele caminhava a passos largos para a falência, devido, entre outras coisas, aos seus vícios demasiado caros, onde se incluía a "maldita cocaína".

E depois houve espaço para tudo, até para dizer que Bourdain tinha tudo na vida... Era demasiado óbvio, que não tinha, mas...

O Rui conseguiu ir mais longe e dizer que se ele se "matou mesmo por amor", não tinha nada de português, e ainda bem. No nosso país os homens que se sentem traídos, costumam matar e não morrer por amor....

E concordei com ele, quando, quase em jeito de conclusão, disse que éramos demasiado cobardes, para "morrermos por amor".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)