quinta-feira, abril 09, 2026

A perda do sentido de comunidade e a precariedade reinante...


A sociedade está organizada de uma forma que valoriza cada vez menos o sentido comunitário, a importância do outro, seja na escola, no bairro ou no trabalho.

Penso que isso tem muito a ver com o sistema político e económico que "comanda", cada vez mais, as nossas vidas. 

O capitalismo tem conseguido "capturar", de uma forma inteligente, muitos dos valores que lhes podiam fazer frente, sobretudo os colectivos. É também por isso que tem conseguido "secar" instituições como os sindicatos, que normalmente funcionam como um obstáculo aos seus objectivos, já que a sua função primordial deve ser a defesa os interesses dos trabalhadores.

Isto deve-se muito à precariedade do trabalho. Estares a prazo em qualquer lugar faz com que a tua adesão a qualquer tipo de protesto, por muito justo que seja, possa conduzir ao teu despedimento. 

É esta mesma precariedade que faz com que as pessoas sejam educadas e vivam neste sistema que alimenta o "cada um por si", fazendo com que se acredite cada vez menos na importância dos valores colectivos. Quem entra no mercado de trabalho, rapidamente percebe que a maior parte das pessoas que estão à sua volta, estão mais preocupados com o seu umbigo e a sua vidinha, que em ser solidário ou combater o sistema injusto que está instituído...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


6 comentários:

  1. Sammy, o paquete10/04/26, 11:16

    Neste, ou no anterior texto, lembrou-se que, no final do ano de 1955, o poeta Raul de Carvalho escreveu:

    «Eu vos digo que é tarde, demasiado tarde
    Para principiar
    A exercer a justiça;
    O número dos mortos já excede
    O tamanho da terra
    E há corações para os quais
    A esperança já não passa
    De um nome, de um nome como qualquer outro…

    Eu vos digo que já não temos tempo
    Senão para a vingança.»

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    1. Grato pelo poema, Sammy.

      Explica sobretudo o sentimento de palestinianos, libaneses ou ucranianos, que diga-se o que se dizer, são as grandes vítimas das guerras que nos vão destruindo, por dentro, mesmo a milhares de quilómetros...

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  2. Mesmo não estando a prazo os trabalhadores não podem pôr o seu posto de trabalho em risco.
    O capitalismo criou uma sociedade dependente do dinheiro que, como o sonho, também comanda a vida.

    Abraço

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    1. É verdade, Rosa.

      Deixámos o capitalismo reforçar o seu poder (o PS e o PSD são os grandes culpados, tal como a União Europeia...) e agora percebe-se que temos pela frente um longo caminho, para voltarmos a mudar o rumo das coisas...

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  3. Gostei do poema colocado pelo Sammy!

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