terça-feira, abril 07, 2026

Continuar a andar por aí com livros na mão...


Normalmente não ando com livros na mão, quando os levo comigo para me fazerem companhia de viagem (às vezes mesmo as curtas de cacilheiro...) vão na mochila. Não vou tão longe como o Henrique, que achava que as pessoas que usam o livro quase como adereço, eram mais "passeadores" que "leitores" de livros.

Mas achei que devia escolher este título, por me apetecer continuar a falar de autores antigos, nem sempre bem considerados. O primeiro nome que me veio à memória foi Alves Redol, que o mestre Lagoa Henriques despiu na sua estátua de Vila Franca de Xira (a pensar na sua escrita e na forma como sempre tentou viver, livre de preconceitos e das "roupas" que queriam que vestisse, mesmo que estas não lhe servissem...).

Junto à conversa uma das localidades que mais gosto (mesmo sem nunca lá ter vivido, foi apenas lugar de trabalho transitório...), a Vila Franca de Redol e de tantos outros homens da cultura e da resistência antifascista. Não esqueço que foi graças às viagens de comboio entre Santa Apolónia e esta local ribeirinha, que voltei a ler com paixão e a sentir vontade de escrever com se fosse "escritor"...

Recordo-me de ler algumas opiniões pouco abonatórias sobre a forma como escrevia, vindas da gente do mundo  dos livros. Nunca concordei. E estou à vontade para o escrever, porque nunca estive muito afastado dele, fui lendo os livros da sua autoria que me iam chegando às mãos. Iniciei-me com o "Constantino, guardador de rebanhos e de sonhos", ainda nos primeiros anos de liberdade, por ser leitura obrigatória no ciclo. Só o voltei a ler no tal regresso às leituras apadrinhado pela terra que sempre foi mais que de "touros ou toureiros" - como era identificada com alguma brejeirice -, com os "Gaibéus". Uma década depois li o seu grande livro, "Barranco de Cegos", um dos melhores do século XX (na minha opinião, claro). Alguns livros depois da sua autoria e já em 2021, li a "Fanga", que também não foge (e muito bem...) do Ribatejo e da vida difícil  das pessoas.

É provável que exista neste gostar, algum parcialismo, por saber que foi um grande ser humano e também por conhecer o seu filho António, que não lhe fica atrás...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


4 comentários:

  1. Apenas como informe: António Redol é o curador de uma exposição na Livraria Museu, em Vila Franca de Xira: «José Cardoso Pires, Um Novo Neo-Realismo», que pode ser vista até 26 de Abril.
    Fica sempre perturbado quando lhe lembram os escritores, jornalistas, outras gentes, que há longos e longos anos pontapeiam o Neo-Realismo.
    Apetece dizer: (re)aprendam a ler!

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    1. Também sempre me fez confusão, Sammy.

      Talvez por eu ter gostado de ler Soeiro Pereira Gomes, Romeu Correia ou Alves Redol e não lhes encontrar os defeitos ideológicos dos críticos...

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  2. O 25 de Abril trouxe para a escola Alves Redol com o seu Constantino e Soeiro Pereira Gomes com Os Esteiros.
    Foi muito bom para docentes e discentes este conhecimento de autores fora das escolas até aí.

    Abraço

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    1. Sim, foram importantes para compreendermos aquele tempo, Rosa.

      Embora não se fale muito, a "Engrenagem" marcou-me muito, de uma forma positiva, talvez por o ter lido com catorze anos. Abriu-me os olhos para a exploração que se fazia nas fábricas e nos campos e para a forma como se enganavam as pessoas em nome do "progresso"...

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