segunda-feira, maio 31, 2021

Uma Leitora Amante do Tejo...


Na minha caminhada de final do dia acabei por passar por sítios diferentes e quando já estava a chegar a casa, fui surpreendido por uma jovem que lia, tendo como fundo a Lisnave e o Tejo.

Apeteceu-me "roubar-lhe" uma fotografia mas achei que não devia. Até porque ela reparou que eu me estava a aproximar. 

Foi por isso que lhe perguntei se podia tirar-lhe um retrato, com ela, completamente absolvida pela leitura (como estava antes de me aproximar...). 

Ela meio surpreendida, disse-me que sim, e voltou à leitura, tentando fingir que eu não estava ali...

Depois agradeci-lhe com um sorriso e continuei a minha marcha...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, maio 30, 2021

Dois Pesos e Duas Medidas


O que aconteceu no Porto nos últimos dias coloca mais uma vez tudo em causa, graças à "dualidade de critérios" dos nossos governantes e das nossas polícias. 

Quem vem de fora, desde que gaste uns euros em restaurantes, bares e hotéis, pode esquecer o uso de máscara e o distanciamento social... até mesmo em transportes e recintos fechados, com a conivência dos comerciantes e das autoridades. 

Mas é muito triste percebermos que existem dois pesos e duas medidas, em relação à forma como se lida com a pandemia. E que quando chega a hora da verdade, o dinheiro é mais importante que a saúde...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 29, 2021

Os "Grandes Educadores"...


Desde sempre que sou ligeiramente rebelde. Recordo-me de na infância "chocar" alguma família, por dizer o que pensava. Se não gostava de algo, dizia-o sem problemas, sem sonhar que existia essa coisa do "politicamente correcto". 

Talvez o facto de ainda se viver em ditadura, contribuísse para todo aquele mundo, cheio de coisas fechadas dentro de armários. Acho que só os meus pais é que não se importavam muito por eu já dar sinais de querer pensar pela minha cabeça.

Um dos meus tios, na época ainda solteiro, embirrava com esta minha rebeldia e sempre que podia tentava pôr-me na ordem. Infelizmente a vida ensinou-o e nunca conseguiu ser com os filhos, o tal "grande educador" que se imaginava...

Lembrei-me disto porque o tempo exagerado que os meus filhos levam no banho, veio à baila (dito por mim no meio de uma conversa sobre os nossos desperdícios ambientais...). Quando eu disse que apenas lhes falava que um dia, talvez daqui a dez ou vinte anos, eles iriam perceber, que podiam e deviam ter poupado mais água nos banhos, uma das pessoas achou que eu devia desligar o esquentador ao fim de alguns minutos, para perceberem. Não concordei nada. Disse que iria arranjar apenas mais um problema e que não resolveria coisíssima  nenhuma. Até eram capazes de começar a tomar banho quando eu estivesse fora de casa... 

Mas o "grande educador", com idade para ter mais algum juízo, insistiu em "culpar-me", por não contribuir para um ambiente mais sustentável. 

Antes de mudar de conversa ainda me lembrei da sabedoria popular, "de que não é com vinagre que se apanham moscas"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, maio 27, 2021

As Palavras que Estão Dentro das Fotografias...


Estava a organizar algumas das fotografias que fui tirando nos últimos dois anos, quando, no meio de tantas imagens descobri uma, que apesar de ter sido tirada pouco tempo antes do "inferno pandémico" que invadiu o mundo, tem muito de simbólico destes tempos.

Sei que nem todas as fotografias conseguem dizer muito, sem palavras (que não precisam de ser mil...). Mas esta "fala" sobre uma mão cheia de coisas que nos marcaram no último ano.

Num primeiro olhar somos logo invadidos pela solidão, pelo abandono e pelo vazio. Mas esta mesa e estas cadeiras, abandonadas num velho pátio, conseguem ser ainda mais reveladoras: "falam" da ausência de pessoas nas mesas de café, onde se conversava, lia o jornal ou simplesmente se olhava em volta, fala da ausência de "mundo"...

Felizmente a vida está a voltar, lentamente...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


quarta-feira, maio 26, 2021

Nem Portugal é uma "República das Bananas" nem os "Portugueses são uns Bananas"


Embora perceba a nossa dependência económica em relação ao turismo, estou longe de concordar com a postura de governantes como António Costa (e outros membros do seu governo...), que só faltou estender a "passadeira vermelha" aos ingleses no Algarve. 

É por causa desta postura subserviente em relação ao exterior, que alguns dos nossos visitantes pensam que estão numa "República das Bananas". E para piorar a questão, a nossa simpatia - muitas vezes exagerada... - faz com que alguns ingleses, holandeses  e alemães pensem que os "portugueses são uns bananas".

Quando reparo que 90% dos estrangeiros com quem me cruzo (a maioria jovens) não usam máscara, quando a regra não é bem essa (só se dispensa a máscara quando é possível manter a distância social...), fico a pensar que fazem isso porque ninguém lhes chama a atenção. Se a polícia fizesse o seu papel nas ruas (com multas e tudo), talvez eles começassem a pensar, que afinal, não somos "bananas" nem vivemos numa "república delas"...

Claro que não é de agora esta postura dos estrangeiros. Os holandeses no país deles dizem que nós o que queremos é "sol, praia e cerveja". Mas depois vêm para cá, e além do "sol, da praia e da cerveja" (esqueci-me das mulheres, como muito bem a Té escreveu, embora sejam elas, muitas vezes louras, que têm um certo fascínio pelos latinos do mediterrâneo...), ainda gostam de provocar desacatos, infringindo as regras que cumprem no seu país. Os ingleses e os alemães, embora não nos tenham passado o mesmo "carimbo" que os holandeses, têm o mesmo comportamento. Se no país deles não deitam nada para o chão, por cá gostam de deixar rasto por onde passam, com latas e garrafas de bebidas (muitas vezes partidas...).

Sei que fazem o mesmo em Espanha, Grécia ou Itália. 

É por isso que me faz muita confusão que esta gente de pele e cabelo clara, não saiba saborear e respeitar a liberdade que se vive no Mediterrâneo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 25, 2021

Usar os "Novos Sons do Cinema" como Desculpa...

Ontem ao fim da tarde voltei a pensar em "cinema", graças ao som que o meu filho fazia, a "degustar" (devorar é mais apropriado) pipocas a poucos metros de mim, enquanto se divertia com os amigos a jogar on line. Primeiro pensei que há muito tempo que não comia estas coisas crocantes e irritantes, (sem sentir saudades...). E depois veio o cinema... 

Foi quando bati de frente com a realidade: há vários anos que não visitava salas de cinema... Podia usar as pipocas como desculpa, mas não era suficiente. Até porque elas já faziam parte do "pacote" nas últimas vezes que lá entrei (como acompanhante dos meus filhos. A minha filha já está com dezasseis anos, pelo que há uns quatro ou cinco, que não me sento e espero que apareça "cinema" depois de desligarem as luzes).

Sei também que não se trata um problema cinematográfico (os filmes continuam a ser o que mais "consumo" na televisão...). É por isso que não é nada agradável dizer que  não sinto saudades de ter vontade de ir ao cinema verdadeiro (esse mesmo do écran gigante)... 

Não é difícil encontrar desculpas. A maior de todas talvez seja o som ensurdecedor (eu, que sou o surdo cá de casa, continuo incapaz de ouvir música "para toda a vizinhança", ou ver filmes com gritos, choros, gargalhadas ou tiros, quase encostados ao meu ouvido...

Talvez seja apenas mais um sintoma da velhice, pois o cinema que eu gostava, já não existe. Esse mesmo em que a sala era quase um templo e o silêncio exterior uma regra quase inquebrável (o barulho das emoções não conta)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, maio 24, 2021

«Já quase que não há profissões para quem não sabe fazer nada»


Quando o Carlos me disse, «já quase que não há profissões para quem não sabe fazer nada», sorri, a pensar que havia alguma verdade, naquele aparente exagero.

Há mais máquinas a fazerem algum trabalho duro que era humano (especialmente na indústria e na agricultura), e mal pago. Mas também existem "máfias" que controlam muito daquele trabalho que se tornou mediático nos últimos tempos, devido às péssimas condições em que muitos emigrantes vivem no Alentejo, e só dão trabalho "aos seus"...

Quando ouço alguns empresários da agricultura sazonal, excessiva e extensiva, a dizerem que "os portugueses não querem trabalhar", sei que eles estão a jogar com as palavras como os populistas, usando meias-verdades e meias-mentiras. Eles nem se quer se preocupam em dar trabalho a quem é cá de dentro, porque por muito pobre que se seja, não se aceita trabalho mal pago e a roçar a "escravidão". Querem é que o trabalho seja feito com o mínimo custo possível (bom dia capitalismo!), sem se preocuparem com as origens ou qualidade de vida dos trabalhadores.

Olhando para a nossa sociedade, deixando para trás estes péssimos exemplos, há profissões que acabaram, quase definitivamente, especialmente na indústria (eu sei do que falo, Almada foi durante anos um grande centro de indústria naval...), mas apareceram outras, graças ao envelhecimento da população. Há muita gente que trabalha para associações que prestam serviços de apoio domiciliário, que antes não existiam. Fico sim, com a sensação que se inverteram os papéis, antes havia mais trabalho masculino e agora há mais feminino.

Claro que nada do que escrevo teve qualquer tratamento sociológico, é apenas baseado no que o "meu olhar alcança" e nas conversas que começam a regressar com alguns amigos, mesmo que a maioria continue a ser ao telefone...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, maio 23, 2021

O Cinema, o Teatro, a Televisão e as Emoções...


Embora o cinema e o teatro "sejam a fingir", continuam a um ser dos poucos espectáculos onde ainda se faz o "jogo da verdade", usando e abusando dos percalços  da "vida", para mexer e remexer com as nossas emoções. 

Quando os actores e os argumentos são bons, não é uma coisa do outro mundo, chegarmos quase às lágrimas (ou ver mesmo uma ou outra a quererem escapar...), sentirmos vontade de dar um grito de raiva ou um salto de contentamento.

Embora a "televisão-espectáculo", se tenha tornada perita na exploração de emoções, elas são de tal forma primárias, que raramente consegue ir tão longe como os bons filmes e as boas peças. Continua fiel ao "fado da desgraçadinha", sem conseguir dar o desejado um passo em frente.

É por isso que quase só nos resta o cinema e o teatro para nos imaginarmos dentro de "outras vidas", para sentirmos que ainda somos humanos. Mesmo que nos ofereçam "exageros" e "outras verdades", não recorrem ao que é mais fácil, para mexer e remexer com as nossas emoções...

(Fotografia de Luís Eme -  Almada)


sábado, maio 22, 2021

O Teatro dos "Impossíveis"...


Antes de vir aqui ao "Largo", estive a escrever mais algumas linhas de duas peças de teatro, a que vou acrescentando personagens e coisas do quotidiano, quando me aparece aquela coisa a que chamamos "inspiração".

Quando parei de escrever fiquei a pensar que tenho a ideia parva de que o "absurdo" cabe mais dentro do teatro que noutras histórias mundanas que escrevo. 

Sem ter uma explicação normalizada, penso que é uma coisa quase intuitiva, sinto que posso "estender mais a manta", andar mais perto da rua dos "impossíveis", como se só no teatro é que tudo fosse permitido...

(Fotografia de Luís Eme - Arealva)


sexta-feira, maio 21, 2021

O que a gente da televisão diz (e escreve) para vender livros..."


Por um mero acaso ouvi o José Gomes Ferreira (há minutos na televisão...), esse mesmo, o  "especialista" em economia e finanças, que agora também é "historiador de lugares comuns".

O jornalista estava a "vender o seu peixe", ou seja um livro que escreveu sobre alguns factos históricos e muitas lendas, com a mesma convicção com que nos costuma oferecer as suas "certezas" sobre o nosso país e os nossos governantes.

O que achei mais curioso, foi vê-lo todo "cheio de si", como se fosse a primeira pessoa a afirmar que Pedro Álvares Cabral não descobriu o Brasil. Qualquer pessoa com algum conhecimento sobre história sabe que o Brasil foi descoberto antes do ano de 1500 (o Tratado de Tordesilhas é o grande indicador, mas existem mais provas, conhecidas por todos os historiadores que se dedicam à investigação da nossa epopeia marítima...).

A pensar neste e noutro Zé (Rodrigues dos Santos), acabei a sorrir para o quadro da parede que está à minha frente, com vontade de exclamar: "O que a gente da televisão diz e faz para vender livros..."

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)

quinta-feira, maio 20, 2021

Um Discurso sem "Máscaras"



O discurso de hoje de vitória do presidente do Sporting nos Paços do Concelho, é apenas o último exemplo da falta de nobreza e de respeito que existe no futebol, pois, mais uma vez, para se exaltar uma vitória no campeonato de futebol, foi preciso trazer a público os adversários e os seus maus exemplos. 

Hoje era o dia do Sporting, e só do Sporting.

O presidente do Sporting poderá continuar a dizer que é "diferente" dos outros, mas hoje aproximou-se mais do que nunca de Luís Filipe Vieira e de Jorge Nuno Pinto da Costa. 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, maio 19, 2021

Quando Sabemos Pouco Sobre os Outros...


Hoje enquanto tomava café acabei por ficar mais alguns minutos na esplanada, a trocar algumas palavras com um vizinho.

É engraçado, como em apenas dez minutos podemos ficar a saber mais da vida de alguém que em uma dúzia de anos de convivência (claro que quase se resumia ao bom dia e boa tarde...)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)