terça-feira, dezembro 31, 2013

O Mar e a Vida


O Mar pode ser uma metáfora para tudo.

Tal como os barcos de papel...

Ou a inocência de uma criança, para quem os dias têm sempre a beleza e o encanto, que nós já não conseguimos encontrar...

E a esperança, que todos devíamos ter, de um ano melhor que este, apesar de todos os "sinais vermelhos" que nos rodeiam.

O óleo é de Odysseas Oikonomou.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Acordar e Descobrir o Manto Branco lá Fora


Estive uns dias fora, nas terras altas, onde as manhãs começam com um manto branco de gelo, que quase parece neve.

Não tinha muita coisa para colocar em dia, apenas alguns trabalhos para acabar e outros para começar...

Era o que fazia, de manhã, enquanto o resto do pessoal permanecia adormecido.

Acendia a lareira e ficava ali, a escrever, a olhar a janela. Quando me cansava do silêncio, colocava um cd, já que neste Dezembro farto, é mais difícil ouvir os passarinhos...

O óleo é de Alia El-Bermani.

terça-feira, dezembro 24, 2013

Chove, É Dia de Natal


Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés. 

Fernando Pessoa

O óleo é de Daniel del Orfano

domingo, dezembro 22, 2013

Olhar e Ouvir o Mar


O Mar quando resolve falar mais alto, deve ser escutado com respeito e até admiração.

Sinto que ele quando está mais violento, quer sobretudo espaço, sentir-se completamente livre...

Muitos de nós fingimos que ainda não o compreendemos, outras vezes não o levamos a sério e não lhe damos o tal espaço que ele quer. E ele fica furioso, quase indomável,  e não nos perdoa não respeitarmos a sua vontade. Grande parte das vezes só escapamos da sua brutalidade por "milagre".

Há mais de uma década fiz uma reportagem sobre pescadores e percebi que nem todos pensam e sentem o mesmo pelo Mar.

Uma das pessoas que nunca esqueci, foi um homem que me contou a sua derradeira viagem pelo Mar dentro, quando pensou que ia mesmo ficar por lá, pois nunca apanhara ondas tão grandes nem nunca se sentira tão pequenino. Mas o mais estranho foi não ter sentido medo, ficou tão fascinado com aquela grandeza que encarou o destino com naturalidade, a possibilidade de ser engolido por uma daquelas ondas e ficar por lá, quase que lhe pareceu o canto de uma sereia.

Felizmente foi uma coisa de minutos. Só quando chegou a terra é que conseguiu ver o  que acontecera. O facto de não ter tido medo assustou-o de tal forma, que nunca mais conseguiu voltar ao Mar, ao contrário dos restantes companheiros da barca, que nos momentos de aflição deveriam continuar a rezar à Nossa Senhora e agarrarem-se a tudo que lhes parecesse sólido.

Ficou com a sensação que foi o único que conseguiu olhar todo aquele alvoroço, olhos nos olhos. E foi por isso que não voltou...

O óleo é de Derek Harrison.

sábado, dezembro 21, 2013

Um Outro Inverno


Parece que no mês de Dezembro os carros, crescem, assim com as pessoas.

Há carros e pessoas improváveis, que abandonam as garagens e as casas, talvez porque pareça Natal...

Há gente que vai fazer questão de convidar um pobrezinho para a noite de consoada. Já devem ter preparado um saco de roupa que não usam, para ele fazer frente ao ano que nos bate à porta, em qualquer canto da rua...

Há outros que se vão encontrar com a família, apenas porque tem de ser, faz parte da tradição. talvez regressem para o ano...

Quase que me sussurram ao ouvido, que mais vale uma vez que nunca. Provavelmente sim, mas não deixa de me parecer uma coisa inventada por quem continua a fingir que acredita nas renas e nos duendes do Pai Natal.

O óleo é de Magritte.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

«Nunca tinhas percebido que se podem coleccionar coisas sem termos de gastar dinheiro?»


Provavelmente foi por eu olhar de uma forma estranha, que a Cristina me interrogou:

«Nunca tinhas percebido que se podem coleccionar coisas sem termos de gastar dinheiro?»

Limitei-me a sorrir...

Não era apenas isso. Estava a olhar e interrogava-me o que levava alguém a coleccionar tantos frascos com tonalidades de areia diferentes. Provavelmente a mesma coisa que um coleccionador de pacotes de açúcar ou de latas de bebida, mas...

Também nunca tinha pensado em frascos de areia como elemento decorativo. E eram, desde que fossem colocados no sitio certo, por alguém com um olhar especial.

Não contei, mas havia ali umas cinquenta cores diferentes.

Aproximei-me para ler os rótulos e vi além da sua origem e também a data de recolha e uma frase alusiva ao local, com alguma poesia. 

Claro, voltei a sorrir, antes que viesse de lá uma nova interrogação.

O óleo é de Kátia Gridneva.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

Gaivotas em Terra


Começa a ser comum ver gaivotas em terra por aqui.
Mesmo quando não há sinais de "tempestade"...

Isto não acontece apenas devido à proximidade do Tejo ou do Atlântico.
Aliás, eles estão aqui, desde sempre.

Até parece que as gaivotas estão a querer fazer parte da paisagem diária de Almada...

O óleo é de Ton  Haring.

terça-feira, dezembro 17, 2013

Teimosias & Insistências


Sei que não sou o último, nem tenho intenções de fechar a porta. Mas admito que houve (e deve continuar...) uma grande debandada da blogosfera para o "faicebuque".

É por isso que alguns amigos continuam a insistir e a querer "vender" o produto (e logo agora, que ando cada vez mais avesso a vendedores de tudo, até de banha da cobra...), como se fosse a nona maravilha do universo.

Teimoso como sou (e por vezes "burro", admito...), limito-me a sorrir e a abanar a cabeça, para depois falar do tempo, esse gajo intratável e maldito, que vai roubando minutos às horas, sempre que pode, e dizer que tenho outras coisas para fazer na vida, para além de usufruir do virtuosismo da virtualidade. Os blogues chegam (e não são apenas quatro, Ana, há também o da SCALA...).

Embora não tenha a posição radical do Miguel Sousa Tavares, não gosto da forma como se chega ao outro e das suas proporções (grandes demais para mim...) e dos seus exageros.

A prática do jornalismo e da investigação histórica, fizeram com que me tornasse ainda mais rigoroso. E como tal, não me apetece entrar em discussões, das quais uma boa parte das pessoas que opinam não sabem o que estão a dizer. E outras sabem mas mentem, ostensivamente.

Um bom exemplo foi o que aconteceu durante uma discussão no "faicebuque" (para a qual fui convocado por e-mail") sobre a equipa de iniciados do Caldas, da qual fiz parte, tendo como companheiro José Mourinho, entre outros amigos. Quando comecei a ler o que tinham escrito fiquei perplexo, pois já estavam a comparar o Mourinho dos nossos dias com o adolescente de quinze anos, chamando-lhe arrogante, vaidoso, ao mesmo tempo que diziam que até era suplente, entre outros mimos ainda mais desagradáveis...

Claro que não deixei nenhum comentário, porque se o fizesse teria de chamar mentirosos, a todos aqueles que tinham entrado na "festa" (inclusive alguns dos que tinham jogado connosco...), porque o Zé Mourinho desses tempos era um excelente companheiro, sem qualquer tique de vedetismo e foi sempre titular (penso que só não jogou um fim de semana, no qual ficou em Setúbal, onde vivia...). 

Reconheço que este até é um exemplo corriqueiro, que não mexe com a honra de ninguém. Há casos bem mais graves...

Ou seja, gosto pouco da forma desonesta e até ofensiva, como de comenta neste meio de comunicação, onde facilmente se confunde liberdade com libertinagem, tal como se faz nas caixas de comentários dos jornais.  

E é por isso que digo: "faicebuque", não obrigado.

O óleo é de Lídia Simeonova.

domingo, dezembro 15, 2013

«Escrevia muito pouco e não eram poemas.»


Perguntaram-me o que é que escrevia na infância e adolescência. Quase que tive vergonha de dizer que escrevia muito pouco. 

Ao olhar para trás penso que andava sempre de um lado para o outro, passava muito tempo na rua e não tinha muitos tempos mortos para pensar na "vidinha" (nem era tempo disso). O facto de ter um irmão mais velho que eu dois anos, fez com que crescesse mais depressa e fosse também amigo dos amigos dele.

Fazia muito desporto, das correrias às futeboladas.

Da escrita, lembro-me apenas dos professores elogiarem a minha criatividade e a facilidade de escrever histórias com princípio meio e fim (não imaginava que isso fosse uma coisa difícil, pensava que qualquer um conseguia e podia escrever histórias. Acho que só percebi que não era bem assim, quando no décimo ano fui o único aluno capaz de construir uma história, com o tal principio, meio e fim, a partir de um tema qualquer dado pela professora...). 

Poemas? Não. A poesia não fazia parte das minhas necessidades nem das amizades. 

Nem conhecia muitos poetas. Só conheci Pessoa no fim da adolescência. Sim, gostei logo do Alberto Caeiro...

O óleo é de Timothy Norman.

sexta-feira, dezembro 13, 2013

Há Dias de Sorte, Mesmo que Sejam 13


Hoje, dia 13, do último mês do ano, é com toda a certeza um dia de sorte.

Claro que não é preciso exagerar e investir a sério no "euromilhões" ou em qualquer lotaria, também de milhões.

Digo isto porque nunca me dei mal com o treze e os gatos que gosto mais, até são os pretos, quase panteras em miniatura.

Apesar do tempo ter andado cinzento, a ameaçar chuva, estive-me  nas "tintas" para ele. Não me roubou o sorriso nem a leveza de ser a última sexta-feira da "mitologia do azar". E até me fartei de subir e descer escadas.

O óleo é de Carol Arnold.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

O País que Continua a não Oferecer Canas de Pesca...


O ditado chinês milenar, que diz que devemos "dar canas de pesca e nunca peixe" a quem tem fome, nunca foi respeitado e seguido no nosso país.

O Salazar sempre preferiu exercer uma política paternalista sobre as pessoas, não lhes dando grande espaço para serem "empreendedores", essa palavra que os políticos de agora tanto gostam de utilizar nos discursos. Inteligente como era, percebeu que a "caridadezinha", que hoje é gerida por gente como a senhora Jonet, lhe dava um jeitaço. 

Mas o mal não foi apenas interno. Quando entrámos na Comunidade Europeia, os países mais desenvolvidos em vez de nos incentivarem no tão propagado "empreendedorismo", preferiram oferecer-nos toneladas de "peixe", para satisfação do senhor Silva e dos seus "muchachos", que aproveitaram para encher as suas "banheiras" do dinheiro que chegava todos os dias aos magotes.

Na agricultura ficaram célebres as histórias das cabras e ovelhas que foram abatidas mais que uma vez, assim como os pés de vinhas, que foram arrancados, plantados e arrancados. Na pesca há também algumas engraçadas, de quem passou a receber mais dinheiro sem fazer nada, que quando arriscava a vida no mar...

Hoje pagamos o preço de tanta irracionalidade, de quem fingiu acreditar que era possível viver eternamente à "sombra da bananeira", ao mesmo tempo que enchia os bolsos...

O giro da coisa, é que os que agora falam de "empreendedorismo", são os mesmos que estiveram no poder entre 1988 e 1995, quando as "vacas pareciam gordas"...

O óleo é de Jennifer Bell.

terça-feira, dezembro 10, 2013

«A idade não faz parte dos medos masculinos»


Disse à Rita que a idade não fazia parte dos medos masculinos.

Sei que exagerei na "certeza", até porque eu não sou todos os homens.

Ela foi logo buscar as diferenças que existem entre homens e mulheres, focando com algum dramatismo a exigência maior da sociedade perante o aspecto mulher, que começa no cabelo e acaba nos pés.

A Rita tem toda a razão. Ainda se continua a gostar mais de homens despenteados que de mulheres que estão semanas e semanas sem visitarem o cabeleireiro.  E nem vou falar da cor de cabelo, do "cinza sexy masculino" e do "branco de velha feminino"...

Mas eu acrescentei que as mulheres também têm culpa nesta "exigência", já que gostam de andar bonitas pelas ruas, de serem olhadas com alguma goludice pelos homens. Ela sorriu, um daqueles sorrisos que dizem que sim.

O óleo é de Valeria Kotsareva.