sexta-feira, dezembro 13, 2019

Ler nos Olhos e nas Palavras...


Talvez a senhora da loja tenha razão. Ela não disse, "somos um país de velhos e de doentes", por acaso.

Ela sabe quem são as pessoas que a visitam e as coisas que dizem...

E depois sobram os outros, que gostam da sexta-feira, seja ela 13 ou 14. Porque significa o fim do "pesadelo", de segunda a sexta, geralmente mal pago, com rotinas a mais... Sorriem vezes demais sem vontade e olham sem ver, porque é quase sempre tudo demasiado igual.

É por isso que é bom pensar que amanhã é sábado, como disse a Cláudia...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, dezembro 12, 2019

As Paredes do Ginjal em Constante Mutação...


As paredes dos velhos armazéns, restaurantes e casas de habitação do Ginjal, em ruínas há décadas, oferecem, involuntariamente, espaço para albergar mais de uma centena de desenhos - ou simples riscos - de artistas de ocasião e também de muita gente de gosto duvidoso.

Percebe-se que é um zona "sem lei", ao ponto de ser normal, que com o intervalo de apenas uma semana (e por vezes até menos), surjam novas pinturas nas paredes, ignorando os "artistas" e a "arte" colocada anteriormente em exposição pública.

De longe a longe encontro um artista com a "mão no spray". Foi o que aconteceu ontem...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, dezembro 11, 2019

Campeões Dentro e Fora dos Estádios


Rogério "Pipi", deixou-nos há poucos dias, com noventa e sete anos. Foi um extraordinário avançado benfiquista e uma simpatia de pessoa.

Não disse nada no dia, porque pensei que ao falar dele, teria de falar de pelo menos mais três grandes futebolistas, da sua geração e que ainda tive o prazer de conhecer graças ao jornalismo. Falo de Guilherme Espírito Santo, José Travassos e Jesus Correia.

Embora jogassem num tempo em que o profissionalismo dava os primeiros passos (todos eles tinham uma segunda profissão, mesmo que fosse quase "fictícia", pelo menos enquanto brilhavam nos estádios...) e não ganhassem milhões, eram pessoas muito gratas ao futebol, por tudo o que este lhes dera, e também aos seus clubes de coração (era o tempo do "amor à camisola"...).

terça-feira, dezembro 10, 2019

A Carga Ideológica da Cultura


Há já alguns anos que se tenta esbater a existência da "esquerda" e "direita" na nossa sociedade, como se isso fosse natural, e uma consequência da evolução dos tempos.

Só que infelizmente, pelo menos no nosso país, o "fosso" entre ricos e pobres tem aumentado, ou seja, os ricos são cada vez são mais ricos e os pobres mais pobres. Logo, continua a fazer todo o sentido, que existam ideologias antagónicas, para defender causas cada vez mais extremadas.

Ultimamente também se tem falado  da reconstrução de uma "cultura de direita" (a propósito da crise da direita no campo político...). 

É uma questão que não é tão inocente quanto nos poderá parecer. Como neste espaço não é muito desejável divagar (escrever um texto longo e chato...), de uma forma simplista, digo que tenho muitas reservas em relação ao que pensam, e defendem, os "reconstrutores" de uma cultura de direita. Segundo a minha perspectiva, o que é pretendido é o regresso a "uma cultura dos salões", dirigida a uma elite, "endinheirada e brazonada", que gostava de se passear por estes lugares com vestidos de noite e  fatos de gala.

Continuo a pensar, e a defender, que a Cultura, tal como a Educação e a Saúde, além de serem um direito, deverão estar ao alcance de todos, por muitas cócegas que façam às "famílias" que continuam a acreditar que existe "sangue azul"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, dezembro 09, 2019

"Bestas Quadradas" ao Volante nas Estradas e no Facebook...


A frase foi dita com raiva e repulsa, por um homem de meia-idade, que quase era atropelado quando se preparava para atravessar uma passadeira, a meia-dúzia de metros de mim:

«Hoje onde se encontram mais bestas quadradas é ao volante nas estradas e no facebook.»

Claro que ele estava a exagerar. O que não faltam por aí são "bestas quadradas", sem carro e sem facebook...

Até porque se o homem não parasse era atropelado (o condutor à velocidade que vinha não ia conseguir parar o carro...) e a "besta quadrada" podia tornar-se um assassino, como tantos que acham que o "volante é uma pistola".

Mesmo assim achei curiosa a associação...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, dezembro 08, 2019

No Ensino em Portugal Só deve Haver uma Língua Portuguesa (a Mãe...)


Por muito que isso possa dificultar o trabalho dos estudantes  de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe ou Timor, no nosso país só existe uma língua oficial, o Português de Portugal.

Quando um estudo promovido pelo CIES (Centro de Investigação e Estudos Sociologia) e pelo IGOT (Instituto de Geografia e Ordenamento do Território), da Universidade de Lisboa, conclui que: há choque de culturas, casos de discriminação, não aceitação da língua portuguesa falada por estudantes lusófonos, ou falta de sensibilidade dos professores; à excepção do último ponto, não descubro problemas de maior.

Estamos em Portugal, muito mal seria se começássemos a ensinar o Português que se fala nestes países (a maioria dos quais nem sequer obedece ao novo acordo ortográfico, ainda que uma das teses dos seus grandes defensores tenha sido "uma língua única para toda a comunidade lusófona"...), em detrimento da Língua-Mãe.

Escrevo isto, na defesa da nossa identidade como Povo, sem ir atrás de qualquer "nacionalismo bacoco".

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, dezembro 07, 2019

Há Mensagens Simples, que Dizem tudo...


Se há imagens que valem pelas tais mil palavras, este cartaz é uma delas.

Com uma simplicidade desarmante, obriga-nos a olhar e a pensar na realidade que nos cerca, na gente que não se consegue adaptar a um mundo de iguais (nos direitos) e a aceitar as diferenças...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, dezembro 06, 2019

O Clima na Ordem do Dia


Podem chamar os nomes que quiserem à Greta (Thunberg), a adolescente do Norte da Europa, mas há algo que não lhe vão conseguir tirar: o ter conseguido colocar a questão climática na ordem de todos os dias, pelo Mundo inteiro. 

Mas ela não se ficou por aqui, tem "arregimentado" a juventude de todos os continentes, para um problema que é de todas as gerações, embora se saiba que serão os mais jovens (mesmo os que ainda não nasceram...), quem mais irá sofrer no futuro, por se continuar a adiar medidas, que já são urgentes há pelo menos uma dúzia de anos.

O grande problema continuam a ser os políticos das principais potências mundiais, reféns do capitalismo e, por isso, incapazes de fazer o que deve ser feito.

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quinta-feira, dezembro 05, 2019

O Fado Hoje é de Alfama...


Não estava muito interessado em entrar na discussão sobre a paternidade do fado. Enquanto os "alfacinhas" trocavam argumentos e traziam para a mesa os bairros históricos com retiros de fado (Bairro Alto, Mouraria, Bica, Madragoa e Alfama), eu pensava o quanto eram estúpidas estas tentativas de sermos os primeiros em qualquer coisa (e como nós somos bons nisso, o "Guiness" que o diga...).

Apeteceu-me dizer-lhes que por muito que se esforçassem, o fado hoje era de Alfama. Ponto final. E que não era por acaso que o Museu estava onde estava... Mas fiquei em silêncio, a folhear uma revista semanal, até descobrir "As doces memórias de Alice Vieira"...

(Fotografia de Luís Eme - Alfama)

quarta-feira, dezembro 04, 2019

O Melhor Observatório Humano do Mundo...


Eu sei que a rua é o melhor observatório humano do mundo, para quem gosta de escrever e de agarrar "personagens", pelas mãos e pelos pés.

Se olharmos para as pessoas com cara de quem está longe... Sim, até pode parecer que estamos em qualquer avenida de Nova Iorque (não desisti de aparecer, apesar de dizeres que o cheiro das ruas é bem pior que o da velha cocheira do "Zé Narciso"...), as pessoas desinibem-se e representam a vida, quase como ela é... mesmo quando fingem que são melhores actores a actrizes na novela que passa dentro das suas cabeças, que na vidinha...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, dezembro 02, 2019

«O mundo é dos espertos, mas também dos outros...»


Todos aqueles que passam a vida a "descobrir a pólvora" deviam lembrar-se, de vez em quanto, que já andamos por cá há muito tempo, desde que "deixámos de ser macacos"...

É por isso que não lhes fazia mal nenhum, em respeitarem um pouco mais a "espécie humana".

Algés acolhe este ano uma coisa chamada "Capital do Natal", cujos preços de entrada estão ao nível de uma "Disneyland" ou "Isla Mágica". Segundo os testemunhos de quem por lá esteve (especialmente turistas espanhóis...), esta iniciativa não passa de uma fraude. Queixam-se de publicidade enganosa, pois não há neve, só existem três atracções, os animais não estão a ser tratados com o mínimo de dignidade, longas filas, comida péssima, casa de banho mal preparadas, etc.

Se é verdade tudo o que se diz (não estou a pensar passar por lá para me certificar...), espero que tenham o que merecem, quando fizerem as contas, depois do Natal...

Porque deviam lembrar-se, que, "o mundo é dos espertos, mas também dos outros..."

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, dezembro 01, 2019

Ilusões, Mentiras e Ficções


Provavelmente não existem comentadores perfeitos, sobre o quer que seja. E eles tanto podem ser políticos, jornalistas, historiadores ou outra coisa qualquer.

Quem está de fora até podia desejar que fossem mais livres e que tivessem uma agenda própria. Mas isso não existe (pelo menos no futebol e na política - só falta pedir-lhes que apareçam de cachecol e com a camisola do "clube"...).

Quando são convidados para "comentar", nas televisões ou jornais, a única coisa que se espera deles, é que não sejam independentes nem tenham ideias próprias (os produtores e moderadores dizem que é uma "chatice do caraças", além de ser perigoso, porque dá "cabo de qualquer guião"...).

Talvez esta seja a explicação para que ex-ministros "manhosos", como Marques Mendes ou Paulo Portas, tenham um espaço de opinião, dentro dos telejornais de domingo à noite, onde aproveitam o seu tempo de antena para tudo. Tanto "vendem peixe" como tratam de fazer alguns "ajustes de contas", antigos e modernos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)