Há já alguns anos que se tenta esbater a existência da "esquerda" e "direita" na nossa sociedade, como se isso fosse natural, e uma consequência da evolução dos tempos.
Só que infelizmente, pelo menos no nosso país, o "fosso" entre ricos e pobres tem aumentado, ou seja, os ricos são cada vez são mais ricos e os pobres mais pobres. Logo, continua a fazer todo o sentido, que existam ideologias antagónicas, para defender causas cada vez mais extremadas.
Ultimamente também se tem falado da reconstrução de uma "cultura de direita" (a propósito da crise da direita no campo político...).
É uma questão que não é tão inocente quanto nos poderá parecer. Como neste espaço não é muito desejável divagar (escrever um texto longo e chato...), de uma forma simplista, digo que tenho muitas reservas em relação ao que pensam, e defendem, os "reconstrutores" de uma cultura de direita. Segundo a minha perspectiva, o que é pretendido é o regresso a "uma cultura dos salões", dirigida a uma elite, "endinheirada e brazonada", que gostava de se passear por estes lugares com vestidos de noite e fatos de gala.
Continuo a pensar, e a defender, que a Cultura, tal como a Educação e a Saúde, além de serem um direito, deverão estar ao alcance de todos, por muitas cócegas que façam às "famílias" que continuam a acreditar que existe "sangue azul"...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)