Tirei este título, "Em que vos posso ser útil?", de um artigo de 2006, que se reporta à visita de Luís Miguel Cintra, à reitoria da Universidade de Letras de Lisboa, no âmbito do Fatal (Festival Anual de Teatro Académico), que não sei se ainda se faz (a "troika" conseguiu acabar com demasiados festivais de teatro e cinema de Norte a Sul)...
Pensei nele porque há dias cruzei-me com uma professora amiga que me desafiou para visitar a sua escola e ir falar sobre fotografia aos alunos, eu que finjo que não sou "fotógrafo" (e não sou, sempre que posso fujo da técnica, dos truques e segredos, refugiando-me apenas no que os meus olhos querem ver e descobrir...), porque pertenço mais ao mundo das palavras.
Mas depois pensei que podia falar das duas coisas, de fotografia e de palavras (palavras de grandes fotógrafos...), puxando pela criatividade e pelo pensamento autónomo dos alunos, que como se diz por aí, eles usam menos do que deviam, porque a coisa mais fácil sempre foi seguir o "rebanho", especialmente na adolescência.
Mas não se pense que são apenas os jovens que evitam pensar pela sua cabeça, os adultos gostam de fazer o mesmo. Como de costume, a descoberta do bebé por um "sem-abrigo", filho de uma jovem "sem-abrigo", deu espaço para todos os disparates (o "facebook", pelo que me contam, continua a ser rei e senhor da "ignorância", da "esperteza saloia", e pior de tudo, do "insulto fácil", mas isso são outros "quinhentinhos"...).
Desde a "estátua" que querem erguer ao "sem-abrigo" (desconfio que ele agradecia mais um quarto e uma mesada...) ao linchamento público que querem fazer à "rameira" e "drogada" (só falta fazerem o que ainda se faz pelo Oriente, acabarem com a sua vida à "pedrada"...).
Tudo isto para dizer, que faz tanta falta neste país (e no Mundo...), as pessoas pensarem pela sua cabeça. Um bocado de cepticismo num fez mal nenhum ao mundo... E isso tem de começar nas escolas, os jovens têm de ser educados a pensar pela sua cabeça, a não a acreditar às primeiras, em tudo o que lêem...
Sei que falar disto na escola, é mais importante que falar de fotografia ou de livros...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)