quarta-feira, novembro 13, 2019

A Vida Pública e a Vida Privada...


Percebe-se através das chamadas "notícias mundanas", que é cada vez mais difícil separar a vida pública da vida privada.

Há quem diga que o problema está em abrir a "porta de casa ao mundo", mesmo que isso apenas aconteça  uma vez... Mas percebe-se que o problema é bem mais complexo que isso...

O último caso mediático que nos fala da dificuldade que existe em se "separarem as águas", teve como protagonistas quatro jogadores de futebol sul-americanos, do FC Porto, suspensos pelo clube, por estarem presentes na festa de aniversário da mulher de um deles, a horas impróprias.

O mais curioso, foi este caso ter-se tornado público graças à aniversariante, que colocou as imagens e videos da festa nas suas contas das redes sociais. Ou seja, nem foi preciso os jornalistas das revistas coloridas "fabricarem a notícia", ela saiu directamente da fonte...

Tudo isto só me merece um comentário: a vaidade é terrível. E pode sair cara (o que aconteceu neste caso particular, aos quatro futebolistas...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, novembro 12, 2019

Nunca Sabemos o que se Esconde Atrás dos Muros de Nuvens...


O que aconteceu na Bolívia nos últimos dias, é apenas mais um dos vários golpes políticos, que têm conseguido virar de pernas para o ar, os vários países da Latina-América, quando tentam caminhar na direcção das "setas" indicadoras do socialismo e do comunismo.

Mesmo que não seja adepto das "teorias de conspiração", não posso deixar de pensar nos relatos de alguns amigos comunistas, que sempre que acontece algo de anormal por aqueles lados, apontam o dedo à CIA e aos EUA. 

E se estivermos atentos à história recente da América do Sul, é difícil não lhes dar razão...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, novembro 11, 2019

O Nosso São Martinho


Dois amigos que estavam a meu lado durante o almoço transformaram a refeição num quase "duelo de palavras". Por vezes mais acesas, ao ponto de um dos nossos "moderadores" tentar - sem sucesso - colocar ordem na mesa, com o argumento de estarmos a incomodar a vizinhança.

Mas percebia-se que a vizinhança até estava a gostar daquele "teatrinho", tal como nós.

Foi quando o Chico lembrou o Carlos que era dia de São Martinho e perguntou-lhe se não havia umas "castanhitas para a malta".

Ele ficou um pouco surpreendido e desarmado com o pedido. M o que é certo, é que depois de nos trazer os cafés, apareceu com dois pratos de castanhas cozidas e um jarro de água-pé.

O Chico quase que nos segredou que o Carlos devia ter ido comprar as castanhas no mini-mercado ao lado, só para que festejássemos o São Martinho na sua "casa".

É por estas pequenas coisas que gostamos de almoçar no "Olivença"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, novembro 10, 2019

«Em que vos posso ser útil?»


Tirei este título, "Em que vos posso ser útil?", de um artigo de 2006, que se reporta à visita de Luís Miguel Cintra, à reitoria da Universidade de Letras de Lisboa, no âmbito do Fatal (Festival Anual de Teatro Académico), que não sei se ainda se faz (a "troika" conseguiu acabar com demasiados festivais de teatro e cinema de Norte a Sul)...

Pensei nele porque há dias cruzei-me com uma professora amiga que me desafiou para visitar a sua escola e ir falar sobre fotografia aos alunos, eu que finjo que não sou "fotógrafo" (e não sou, sempre que posso fujo da técnica, dos truques e segredos, refugiando-me apenas no que os meus olhos querem ver e descobrir...), porque pertenço mais ao mundo das palavras. 

Mas depois pensei que podia falar das duas coisas, de fotografia e de palavras (palavras de grandes fotógrafos...), puxando pela criatividade e pelo pensamento autónomo dos alunos, que como se diz por aí, eles usam menos do que deviam, porque a coisa mais fácil sempre foi seguir o "rebanho", especialmente na adolescência.

Mas não se pense que são apenas os jovens que evitam pensar pela sua cabeça, os adultos gostam de fazer o mesmo. Como de costume, a descoberta do bebé por um "sem-abrigo", filho de uma jovem "sem-abrigo", deu espaço para todos os disparates (o "facebook", pelo que me contam, continua a ser rei e senhor da "ignorância", da "esperteza saloia", e pior de tudo, do "insulto fácil", mas isso são outros "quinhentinhos"...).

Desde a "estátua" que querem erguer ao "sem-abrigo" (desconfio que ele agradecia mais um quarto e uma mesada...) ao linchamento público que querem fazer à "rameira" e "drogada" (só falta fazerem o que ainda se faz pelo Oriente, acabarem com a sua vida à "pedrada"...).

Tudo isto para dizer, que faz tanta falta neste país (e no Mundo...), as pessoas pensarem pela sua cabeça. Um bocado de cepticismo num fez mal nenhum ao mundo... E isso tem de começar nas escolas, os jovens têm de ser educados a pensar pela sua cabeça, a não a acreditar às primeiras, em tudo o que lêem...

Sei que falar disto na escola, é mais importante que falar de fotografia ou de livros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, novembro 08, 2019

Heroísmo é Outra Coisa...


O Presidente da República chamou heroísmo, ao acto de um homem, "sem-abrigo", que ao ouvir o choro de um bebé, acabou por se aproximar de um "ecoponto" de embalagens e retirou um recém-nascido, sem qualquer peça de roupa e pediu ajuda médica. Hoje soube-se que fora depositado lá pela mãe, uma jovem de 22 anos, também ela, sem-abrigo, pouco tempo depois de dar à luz, em plena rua, sem qualquer apoio.

Eu chamo-lhe apenas humanismo, o acto deste homem. E não consigo ver nada de heróico no seu gesto, tal como no técnico do INEM, que não fez mais do que aquilo que é a sua função, prestar os primeiros socorros a quem sofre qualquer acidente, antes de o transportar para o hospital.

Acho que nem é bem o País, é mais o Presidente (e as televisões, claro, todas), que vive sedento de "histórias" e de "super-heróis" (deve ser por isso que gosta tanto de dar medalhas...).

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quinta-feira, novembro 07, 2019

Encontros com a Sophia na Graça...


Não foi de propósito nem um mero acaso, ter-me encontrado hoje com a Sophia, na Graça, um bairro especial de Lisboa, por tudo aquilo que nos oferece, enquanto varanda da Capital.


Tinha de passar por lá, apenas me limitei a fazer um desvio até ao seu miradouro. E depois encontrei-a, novamente, no meio do caminho, a espreitar dentro de uma parede (algo que só as "Poetas-Fadas" conseguem)...

(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, novembro 06, 2019

Um Poema (meu) para a Sophia...


Porque hoje a Sophia faz anos (muitos...), público um poema que escrevi para ela no princípio do milénio...

Sophia
  
O mar azul e branco
torna-se mais expansivo,
e tocante,
depois de sentir
a luminosidade,
o perfume
e o encanto
das tuas palavras...

  
E a Sophia continua a ser a minha poeta...

(Fotografia de Eduardo Gageiro - Lisboa)

terça-feira, novembro 05, 2019

Uma Queda e um "Filósofo"...


Uma senhora caiu no chão, na passadeira, a pouco mais de um metro de mim. Ajudei-a a levantar-se e depois de vermos que estava tudo mais ou menos bem, culpámos a estrada de calçada, desnivelada, tal como quase todos os passeios de Almada.

A meu lado apareceu um amigo de um amigo, que já não via há uns tempos. Uns metros mais à frente brincou com a situação e disse-me que devia ajudar a levantar raparigas mais novas e deixar as senhoras para ele.

Sem deixar de sorrir, disse-me, a meio da conversa: «Dançar bem era um bom atributo na minha juventude. Facilitava bastante o contacto com as raparigas nos bailes.»

E depois questionou-me, se sabia o que dava bastante jeito aos homens de agora. 

Disse-lhe que não fazia ideia.

Foi quando ele se saiu com uma daquelas frases, que no mínimo nos deixam a pensar, mesmo que tenha mais pés que cabeça:

«Hoje um bom atributo masculino é mentir. Mas mentir à grande e à francesa. As mulheres sempre gostaram que lhes contássemos mentiras. Sabem que tudo o que tenha o "selo da verdade" é uma chatice.»

E entretanto estávamos na esquina a despedir-nos, sem tempo para contraditórios...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, novembro 04, 2019

Instabilidades e Memórias...


O tempo instável tanto pode ser uma coisa boa como uma chatice do caraças.

Depende dos momentos, de como usamos e abusamos do Sol, da Chuva ou das nuvens.

Sabe bem estar perto de uma janela a ver a chuva a cair e as pessoas a circularem, com e sem chapéus (é coisa que me ficou da meninice, da visão da janela da sala, onde ficava, quase hipnotizado a ver a chuva a cair, as pessoas a fugirem das poças de água  - a estrada ainda não estava alcatroada - e a esquivarem-se dos poucos carros que circulavam e as "pintavam" de castanho...).

Menos bom é olharmos para o relógio e percebermos que temos de nos fazer à rua, sem chapéu de chuva, quando a água promete cair sem parar...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, novembro 03, 2019

Sena Está Esquecido?


Embora Jorge de Sena não seja um dos escritores que mais aprecio, estranhei a ausência de notícias em jornais como o "Expresso" ou o "Diário de Notícias", no dia em que o professor, ensaiasta, poeta, dramaturgo e ficcionista (abordou praticamente todos os géneros literários...), fez 100 anos.

Não acredito que este "esquecimento" se deva ao facto de ter vivido exilado no Brasil e nos Estados Unidos da América (sempre gostámos do que vem de fora...). 

Mas também não consigo encontrar qualquer explicação para este silêncio...

(Fotografia de Luís Eme -  Almada)

sábado, novembro 02, 2019

Hoje é Sábado e Parece Domingo...


Quando há um feriado à sexta-feira, quando chego ao sábado, penso sempre que é domingo.

Ainda estava na cama e já pensava dar um salto à Costa, para ver quantos vendedores de quinquilharias (sim também tem velharias...) não tinham medo da chuva. Mas depois percebi que era sábado. Não havia Costa mas havia Alfama. Sim, podia atravessar o rio e ir à Feira da Ladra...

Normalmente não falo aqui no "Largo" de outros blogues. Não é que me cause qualquer constrangimento, é mais pensar que quem por lá passa sabe que eles são bons, e faz como eu, passa por lá todos os dias.

Mas hoje apetece-me mesmo falar do "Cais do Olhar", muito bom para quem gosta de livros. E ainda de "A Página Negra", que além dos livros também abraça o bom do cinema. Há ainda o "Sound + Vision", que tem tudo isso de que já falámos, mais música (até Ópera...) e teatro. E termino com o "Malomil", que é quase uma loja daquelas mágicas, com "montanhas" de coisas bonitas e curiosas.

Se vos apetecer, passem por lá. Estão sempre cheios de histórias e de pessoas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, novembro 01, 2019

A Procissão de Cacilhas


Hoje foi dia de Procissão em Cacilhas. Procissão que se realiza desde o século XVIII para agradecer aos Santos e Deuses, a ajuda que deram ao fim do "maremoto" de 1755, que se seguiu depois do sismo, e que invadiu as ruas da localidade ribeirinha, deixando um rasto de destruição, um pouco por todo o lado.

Uma das fotografias mais curiosas que tirei, foi esta, da passagem (e paragem...) da Nossa Senhora do Bom Sucesso pelo busto de José Elias Garcia, uma das grandes figuras que nasceram em Cacilhas.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)