domingo, junho 04, 2017

O Turismo não Pode ser Maior que o País...

Esta semana foi pródiga em gente a opinar sobre o turismo, mesmo que fossem capazes de dizerem e escreverem o contrário do que disseram ontem... 

De repente toda a gente "acordou"  e "descobriu" que há demasiada gente a alugar quartos e casas a quem se quer perder de amores por Lisboa.

Todos sabemos que os políticos ainda vão a tempo de perceber que uma urbe precisa de gente que viva no seu espaço a tempo inteiro, caso contrário corre o risco de ser uma "cidade fantasma" (e isso já foi uma realidade na Baixa lisboeta, há pouco mais de meia-dúzia de anos...).

Talvez o "artista" que fez este boneco nas paredes dos armazéns abandonados do Ginjal, tenha alguma razão...

O que eu sei é que o turismo não pode (aliás, não deve...), nunca, ser maior que o país.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 03, 2017

A Feira do Livro (Rainha dos Campeonatos Literários...)


A Feira do Livro está de novo aí, e segundo a publicidade, com novo recorde de editoras, livrarias e alfarrábios.

Dizem também que está mais bonita e agradável, para todos.

E claro, continua a ser a melhor altura para se falar com os livros e olhar de alto a baixo para os escritores e pedir-lhes autógrafos.

Embora nem todos participem nesta festança, pois ainda há gente do século passado que se recusa a ser "promoção" de super-mercado.

Alguns dias antes da feira, telefonema para aqui telefonema para ali, deixaram o velho António cansado de tanta intromissão. Foi por isso que disse à menina que lhe arrastava a asa e prometia ir buscá-lo e trazê-lo da festa dos livros, sempre que ele fosse "livro do dia": «Há um engano qualquer, minha jovem, o escritor não é o que vende, é o que escreve. Esse tipo que anda à procura para vender livros é o livreiro.» E desligou-lhe o telefone.

(Óleo de Lesser Ury)

sexta-feira, junho 02, 2017

Olha Para Mim...

Há animais com dono. Há animais sem dono. Há animais com vários donos...

Aparentemente os primeiros são mais felizes. Aparentemente...

O "preguiças" da fotografia (dupla...) mora no Ginjal e tem muito mais que um dono. Além das duas senhoras que se passeiam ao longo do cais com um carrinho de compras cheio de mantimentos para os vários felinos, há outros anónimos que lhe oferecem uns miminhos, dentro de latas.

De mim leva um olá, sempre que nos cruzamos. Às vezes faz algumas avarias, a pedir-me que lhe tire uma fotografia. E eu digo-lhe que sim...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 01, 2017

Os Esquecimentos sem Inocência...

Embora os tempos pareçam fartos, graças ao optimismo exagerado do Presidente da República (campeão de tantas coisas banais para um chefe de Estado, embrulhadas em sorrisos, beijos, "selfies", etc) e dos governantes, que abraçam todos os turistas, especialmente os que compram "vistos dourados", a vida dos portugueses continua a ser outra coisa...

Ontem estive com um amigo das escritas (quase todas, do jornalismo à poesia...), que desancou no maldito capitalismo que tanto lhe inferniza a "vidinha", sem se esquecer de apontar a dedo dois ou três amigos, que deixaram de lhe atender o telefone, quando ele mais precisava. Já conseguiu equilibrar novamente as coisas, mas voltou mais uma vez para casa dos pais. E com o preço das rendas na Capital, não sabe quando poderá voltar a ter um espaço só para ele em Lisboa...

Deu-me exemplos da tal meia-dúzia de falsos amigos que lhe pediam colaborações para jornais e revistas, que o riscaram da lista de colaboradores, sem qualquer explicação ou desentendimento. Foi esquecido e pronto. O pior de tudo foi isto acontecer quando mais precisava.

Eu escutei-o pacientemente e em silêncio. Porque nestas alturas não há nada que possamos dizer ou fazer, que mude o que se sente. Limitei-me a dizer o que todos já sabemos, não é por acaso que dizem que este é um "mundo-cão"... 

Apenas lhe dei um exemplo. Durante meia-dúzia de anos colaborei numa revista, número a número, sem nunca receber qualquer dinheiro. Fazia-o essencialmente para que o projecto não acabasse. Quando decidiram fazer um número especial, convidaram várias "sumidades", e eu acabei, naturalmente, esquecido...

Embora ele seja mais novo que eu, sabe bem demais que este mundo está cheio de gente mal agradecida, capaz de nos encher de sorrisos prometedores, mas que nunca se esquece de trazer de casa uma "faca de cozinha" escondida na meia...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, maio 31, 2017

Mãos sem Pedras e Passos Trocados...

Nunca percebi muito bem o porquê, dos governantes do "bloco central" - mesmo sabendo que sempre foram bons a "destruir coisas" - decidirem acabar com serviço militar obrigatório, essa coisa chata, que "irritava" os meninos das juventudes partidárias, talvez por serem obrigados a sentir (pelo menos na recruta...), que eram quase iguais aos outros. Aliás, acho mesmo que aquele era o único sítio onde poderiam experimentar, muito suavemente, o que é ser cidadão da Coreia do Norte (pelo menos no corte de cabelo, no uso da farda e no tratamento pessoal...).

Graças a eles, agora os jovens passam de adolescentes a adultos sem experimentarem, pelo menos uma vez na vida, que têm de obedecer a horários e a regras, e que a graça de um espertinho pode dar direito a um castigo colectivo, reforçando mais uma coisa em desuso, que se chama "espírito de corpo", que na actualidade só poderá ser vivida na prática de desportos colectivos, onde a equipa é (ou pelo menos deve ser...) sempre mais importante que a "vedeta", que troca os olhos ao adversário.

E mais uma vez comecei a escrever e fui-me "perdendo"...

Quando pensei neste título queria escrever sobre a dignidade, o carácter, a sensibilidade e a honra (a autêntica, aquela que vive fora dos discursos...), que não são atributos da esquerda ou da direita, muito menos dos católicos ou dos muçulmanos. Está acima de todos os credos (ou pelo menos devia estar...).

O que eu queria mesmo era valorizar o exemplo militar, do tal espírito de corpo (mesmo que possa ser uma ilusão...), da importância que é darem-nos uma pedra, para sabermos qual é a nossa mão direita e a esquerda, para não andarmos de passo trocado. Era algo que nos iria servir para a vida toda. Só que nestes tempos, ninguém quer saber dessas coisas "chatas"...

(Fotografia de Johua Benoliel - o primeiro fotojornalista português)

terça-feira, maio 30, 2017

Uma Aproximação (mas és mais gira)...


Hoje resolvi voltar a escrever sobre ti. Não, não são saudades, ainda há poucas horas falámos ao telemóvel. Acho que é mais o tentar satisfazer a curiosidade, de todos os que me perguntam coisas de ti.

Até porque ainda na sexta-feira foste confundida com a Isabel.

Talvez a culpa seja minha, pela forma como te "desenho", mesmo sem ser capaz de dizer que és a mais bela e a mais perfeita das mulheres (és demasiado humana para caber nesse quadro...).

(Óleo de Louis Buisseret)

segunda-feira, maio 29, 2017

Hoje é o Dia...

Sim, hoje é o dia em que John F. Kennedy faria cem anos, se não tivesse criado tantos inimigos, enquanto político, e também se tivesse a saúde quase de ferro do nosso Manoel de Oliveira.

Tinha eu um ano e dois meses quando ele foi alvejado em Dallas, ao passar dentro de uma limusina e acenar à multidão entusiasmada de Dallas, que queria ver o Presidente e a Primeira Dama.  Ou seja, só descobri o mito alguns anos depois. Mas não foram muitos. Percebi que era difícil não gostar deste homem, que tinha algo de diferente no olhar.

Talvez fosse isso, aliado à sua juventude (os EUA não voltaram a ter um presidente tão jovem...) que conseguiu fazer a América sonhar ainda em maior escala. E mesmo o próprio mundo sentiu que JFK era muito mais que o presidente de um país. Foi também por isso que o mataram novo - um assassínio que tem gerado várias "teorias de conspiração" -, tornando-o uma figura ainda mais próxima dos mitos e das lendas... 

(Óleo de Jamie Wyeth - que segundo a viúva, Jackie, é uma das imagens que melhor o retrata...)

domingo, maio 28, 2017

Totti, "O César de Roma"


Normalmente não falo muito de futebol nos meus blogues, apesar de gostar deste jogo desde a minha meninice, como jogador e como espectador.

Mas é impossível passar ao lado de Francesco Totti, uma das lendas vivas do futebol mundial, que aos 40 anos continua a jogar ao mais alto nível no seu Roma, onde se estreou na equipa principal com apenas 16 e onde joga há 25 épocas (no começo da Maio tinha disputado 782 jogos e marcado 306 golos...).

Tudo isto é anormal, numa época em que o dinheiro "mata" o amor que possa existir entre um atleta e um clube.


Bonito foi o que o jornal, "Il Tempo", da Capital de Itália fez, ao mudar o título para "Il Tempo di Totti", neste domingo, em que veste pela última vez a camisola do Roma...

(Fotografia de autor desconhecido)

sábado, maio 27, 2017

O Poder, um Povo e um Relógio...


Ao ler a notícia publicada no "Diário de Notícias" sobre um dos filhos do presidente de Angola, Danilo dos Santos, que  arrematou esta quinta-feira, num leilão em Cannes, um relógio Franck Muller por 500 mil euros, que provocou a reacção do actor Will Smith que disse: «Ele é demasiado novo para ter 500 mil euros», pensei noutras coisas.

A mim não me preocupa nada a idade de Danilo, o rebento mais novo do mais que tudo de Angola. Preocupam-me sim os milhões que passam fome e vivem ao "deus dará", especialmente rente a Luanda…

Ou seja, a ausência de tudo aquilo que deveria ser importante para um futuro líder. E o Danilo, deve ter tido uma educação esmerada, mas infelizmente para os angolanos aprendeu muito pouco sobre ética, justiça ou humanismo, seguindo os péssimos exemplos de "novo-riquismo" da gente que ocupa o poder nos países africanos…

(Ilustração de Chichorro)

sexta-feira, maio 26, 2017

Os Daltonismos Crónicos e a Liberdade...


Há pelo menos um ponto comum entre a maior parte dos "seguidistas militantes" - políticos, futebolísticos ou religiosos -, no seu limitado mundo "cromático" todos têm de ter um partido um clube ou um credo. Ou estão com eles ou contra eles.

Não acreditam que existam pessoas livres e independentes, que se estão borrifando para tudo aquilo que rodeia a política, o futebol ou a religião.

No tempo da inquisição havia uma solução para eles, as fogueiras. Nos regimes que se fingem democráticos, há o olhar de lado, o apontar o dedo, o fechar portas, a agressão gratuita (verbal e física), os muitos sinais de proibição, com o objectivo claro de criar uma barreira invisível, para onde possam empurrar os "outros"...

Tenho a sensação que é cada mais complicado pensarmos apenas pela nossa cabeça e seguirmos as estradas que queremos...

Mas a liberdade nunca foi uma utopia, sempre foi um desígnio do homem e de quase todos os outros animais...

(Óleo de John Woodrow Kelley)

quinta-feira, maio 25, 2017

Uns Dias de Secura e Outros de Grandes Bebedeiras...

Hoje faço como alguns jornais, coloco um título que pode ser tudo, mesmo que depois de espremido, seja quase nada.

Estes meus dias de secura ( e de grandes bebedeiras...), não têm nada a ver com bebidas, com mais ou menos álcool. É apenas mais uma metáfora da vidinha...

Falo sim desta "doença" que é o escrever. Nos últimos tempos tenho escrito pouco.  Claro que não estou a falar da quase ligeireza diaristica com que vou escrevendo na blogosfera. Falo sim das ideias mirabolantes que surgem do nada e que são capazes de encher uma folha A4 em menos de cinco minutos, como me aconteceu hoje, ainda antes das oito da manhã. Muito por culpa das personagens, que devem entrar pela janela, que já estava ligeiramente aberta, para que o Verão não ficasse apenas pela rua...

Depois de tudo o que escrevi logo no começo do dia, fiquei a pensar que o  normal era não me apetecer escrever. Ainda por cima as minhas palavras estavam cheio de moralismos... 

Talvez fosse boa ideia deixar de "beber", mas há coisas que não controlamos mesmo.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, maio 24, 2017

O Amor é Outra Coisa...


É no mínimo estranho o que as pessoas inventam em nome do amor. Não só dizem que amam, mais vezes do que deviam, como são capazes de fazer as maiores loucuras em seu nome.

Pensar que a maior parte dos crimes de violência doméstica são feitos em nome do tal amor, que é sempre outra coisa, posse, medo, ilusão, mentira, e sobretudo, loucura... Sim, a maior parte destas pessoas, que são capazes de tudo em nome do amor, era desejável que habitassem apenas dentro dos livros e dos filmes. E todas as que circulam por aí, à solta, deviam, no mínimo, ser internadas num hospício. 

Embora perceba, que nestes tempos ainda de austeridade, não existam quartos para todos...

(Fotografia de Yousuf Karsh - crónica a pedido, sobre "amores estranhos".  E como vês, consegui fugir da "moda" de amar os animais como gente, e ainda me sobraram duas linhas...)