domingo, junho 01, 2014

Esta Europa não é Nossa


Provavelmente, há boa maneira portuguesa (é preciso haver sempre algo que alimente as "novelas" na comunicação social), daqui a um mês ainda os comentadores televisivos andam a inventar teorias sobre o novo recorde abstencionista em eleições, sem focarem o aspecto mais importante: esta Europa não é nossa (nem dos países que eles chamam mediterrâneos...).

Uma boa parte de nós sabe que esta Europa, falsamente unida, não tem nada para nos dar. Conseguiu destruir a nossa economia (ainda que arcaica mas relativamente equilibrada), assente na agricultura, nas pescas, na indústria e no comércio, para nos transformar num país de serviços, completamente dependente do exterior.

Até nos conseguiu condicionar naquilo que melhor produzíamos (leite, carne, peixe, etc), impondo quotas, que obrigaram muitos portugueses a mudarem de vida...

Mais ou menos cultos, a maioria dos portugueses sabe que esta Europa só foi boa para os empresários e os políticos que se aproveitaram das benesses e dos dinheiros europeus (muitas vezes de forma fraudulenta, mas sem sofrerem qualquer remoque, por termos a justiça que temos...).

Para o país foi o que se sabe e se vê, todos os dias: cada vez há mais gente a viver com dificuldades.

É por isso perfeitamente natural que a maioria dos portugueses não vá votar para eleger deputados europeus (ainda por cima sabendo dos ordenados, das suas regalias e da sua "não existência"...). 

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que a loura alemã manda mais que qualquer parlamento europeu...

O óleo é de Heiner Atmeppen.

sábado, maio 31, 2014

Espreitar do Lado de Dentro da Janela não é um Hábito Apenas Português


Nós temos sempre a mania que as coisas que consideramos feias, são tipicamente portuguesas.

Um dos exemplos, que caiu por terra, foi o hábito de espreitar pelo lado de dentro da janela, que se percebe com mais facilidade do que quem está a espreitar pensa...

Uma polaca disse-me que isto não era apenas português, era um hábito da maior parte dos países que conhecia.

Que parvoíce esta, de pensar que só os portugueses (mais as portuguesas...) é que são curiosos, é que ficam à espreita, a ver quem passa, quem sai e quem entra nos prédios da rua...

O óleo é de António Capel.

sexta-feira, maio 30, 2014

Quando o Palco é Quase Tudo...


Não fui ontem ao "Rock In Rio" ver os "Rollings Stones", mas pelo que li, apesar da sua proveta idade, eles continuam a dar espectáculo, por onde passam. E desta vez contaram com mais uma excelente companhia, o Bruce Springsteen.

Não sei muito bem o que os  faz "rolar" pelos palcos do mundo, depois dos setenta anos, mas desconfio.

Um primeiro lugar a dose de loucura que sempre fez parte desta banda que já ultrapassou as cinquenta primaveras.

Em segundo, terceiro e quarto, a grande paixão de actuar em palco, de cantar ao vivo para todos aqueles que vibram com o seu  rock genuíno e único.

Vi-os no velho Estádio de Alvalade, na primeira vez que actuaram em Portugal (há mais de vinte anos, com toda a certeza...) e foram o que continuam a ser, uma banda de concertos ao vivo, com uma ligação única aos palcos e ao público.

Um forte aplauso para estas verdadeiras estrelas do "rock and roll".

quarta-feira, maio 28, 2014

A Contorcionismo dos Políticos


Eu estou farto de saber que os políticos demonstram ter ainda maior capacidade de contorcionismo, que os verdadeiros artistas do circo.

Como se não nos bastassem os "artistas" do governo, a malta do PS também resolveu entrar no "circo".

Primeiro foi Seguro e Assis, que gritaram vitória na  noite de eleições como se tivessem duplicado os votos dos adversários.  Talvez já estivessem a atirar barro à parede...  por saberem que a sua vitória por menos de quatro pontos percentuais quase que "normalizou" o mau resultado da Aliança Portugal.

Depois foi Costa, que sentiu que era agora ou nunca. Para quem nem sequer vota PS, como eu, até parecia ser a atitude lógica, para evitar males maiores para as legislativas. O problema é que Seguro está completamente instalado no "aparelho" do partido, controla quase tudo... e deve ter o sonho, desde pequenino, de um dia ser primeiro-ministro...

A escultura é de Giuseppe Bergomi.

terça-feira, maio 27, 2014

A Liberdade é Outra Coisa


Estava ali e comecei a pensar que a Liberdade era outra coisa, que devia começar no respeito que devemos ter pela liberdade dos outros...

Há muito que eu não tinha qualquer dúvida de que éramos uma cambada de sacanas, invejosos, hipócritas e cínicos.

Interrompi o trabalho que estava a fazer para escrever umas frases sobre este povo que ainda não percebeu bem o que é isso da democracia, dos direitos e deveres, que devem ser todos nós.

As senhoras funcionárias públicas (ainda com pausa quase colectiva para o café...) estavam muito incomodadas  porque a jovem da esplanada utilizava o subsídio do desemprego para comprar todos os dias um jornal e um maço de tabaco. E ainda conseguiram ir mais longe: disseram que eram elas que lhe estavam a pagar aqueles vícios.

Pensei para os meus botões, «santa ignorância», embora me apetecesse mandá-las para um sitio qualquer, ou simplesmente, trabalhar...

Parece que as pessoas têm a culpa de estar desempregadas, de não existir trabalho. Mas pior que isso é haver quem pense que eles não deviam utilizar o subsídio de desemprego como muito bem entendem.

Este sentimento pidesco da nossa sociedade, faz-me desejar ser outra coisa, diferente. Como eu gostava que isto não fizesse parte da essência de se ser português...

O óleo é de Raymond Leech.

segunda-feira, maio 26, 2014

Fruta Mais Barata e Menos Doce


Sempre ouvi dizer que o barato sai caro. Infelizmente na maior parte dos casos é verdade...

Noutros casos, pode não sair caro, mas acaba por ser um desperdício, já que a sua qualidade deixa sempre muito a desejar. 

Pela imagem já devem ter percebido que estou a falar de fruta. O melhor exemplo que encontro são os morangos que se vendem por aí em caixas grandes, quase sempre produzidos pelos nossos vizinhos espanhóis, que gostam de vender "gato por lebre". Devem ser fabricados de uma forma completamente artificial, apesar de "crescidos" sabem a tudo menos a morangos.

Vão-se os morangos aparecem as cerejas, os melões, etc, Mais uma vez baratos mas pouco doces.

Eu sei que nem todas as bolsas conseguem chegar às "bolinhas" da Cova da Beira, mas...

O pior é que esta ideia de que o tamanho é que contava na fruta, foi imposta pela Europa, fingindo que o que era nacional, por ser mais pequeno e rugoso, não prestava. E nós lá embarcámos em mais uma de tantas patranhas europeias...

O óleo é de Emanuel Javelid.

domingo, maio 25, 2014

A Liberdade de Votarmos ou Não


O café que frequento fica a menos de quinhentos metros da escola onde votei, ou seja não devíamos  ter falado de eleições nem de políticos.

Mas falámos. Sabíamos que a abstenção ia ganhar mais umas eleições. Provavelmente foi por isso que fomos todos votar.

Eu tinha ficado "escaldado" nas últimas autárquicas, já que ao não votar acabei por contribuir para o regresso da maioria à CDU. Mas estava tão chateado com a forma como se faz oposição em Almada, que resolvi faltar a este compromisso com a democracia. E fiz mal.

Compreendo as razões porque muitas das pessoas não vão votar: não se revêm nos nossos partidos nem na forma como se faz política em Portugal, e claro, nas pessoas. Só lamento que não tirem ilacções como eu tirei com a minha abstenção. Normalmente favorecemos sempre os partidos mais votados, ainda que estes aproveitem a boleia da abstenção para justificar as derrotas.

Acredito que se a abstenção fosse menor, a derrota da "Aliança Portugal" seria maior...

O óleo é de Heiner Altmeppen.

sexta-feira, maio 23, 2014

Parece que o Sol Está de Volta


Afinal parece que não vai ser preciso levar o chapéu de chuva para o passeio de barco na Lagoa.

Não sei se já experimentaram a sensação de passear de barco a remos à chuva. Apesar de ser uma aventura daquelas, está longe de ser agradável, pois acabamos por ficar gelados.

A não ser que seja chuva tropical..

O óleo é de Zehra Basaran.

quinta-feira, maio 22, 2014

Não Sei se lhe Chame Boa Fé ou Outra Coisa Qualquer


Apesar de todas as evidências em relação ao rumo do país e de todas as inverdades que saltam da boca dos políticos, ainda existe quem acredite que estas "alminhas" tentam fazer sempre o melhor que podem.

E vivem de tal forma a governação, que acompanham diariamente a actualidade através da televisão, rádio e jornais. Mas não se ficam por aqui, escreviam cartas e agora enviam "e-mails" para deputados, ministros e até para o presidente da República.

Apesar das "antenas públicas" ainda se manterem no ar, pensava que numa altura destas, em que o descrédito atingiu níveis nunca vistos, já ninguém se dava ao trabalho de  enviar sugestões, recomendações e até resoluções de problemas para o arco da governação.

Estava enganado, pois o senhor António ainda não desistiu. Ele transporta sempre consigo uma mala, cheia de fotocópias que "esfrega" na cara dos que se riem da pior forma possível, como são o caso a resposta de Durão Barroso, quando era primeiro-ministro ou de José Sócrates, quando foi ministro do Ambiente. gente insuspeita, claro, entre outros ilustres governantes da nossa praça.

E se o escutarmos apenas cinco minutos percebemos que este septuagenário tem soluções para quase tudo...

O óleo é de Luiz de Souza.

quarta-feira, maio 21, 2014

Somos Mais Portugueses que Europeus


Nunca ligámos muito às eleições europeias e agora ainda ligamos menos, especialmente depois do que nos têm feito nos últimos três anos. Ainda por cima com a cumplicidade de um senhor que é português, apenas porque isso está escrito no cartão de cidadão. Se amanhã lhe arranjarem um "gancho" na China, ele não se importa nada de andar com os olhos em bico...

Mas é confrangedor ver que nesta campanha os candidatos ao parlamento europeu falam de tudo menos da Europa...

Às vezes ponho-me a pensar como seria o nosso país, se não tivéssemos entrado na União Europeia. Seria, sem qualquer dúvida, mais pobre e menos moderno.

Provavelmente ainda havia muita gente a viver da agricultura. Continuava a ser uma tragédia chegar a Trás-os-Montes, às Beiras ou ao Alentejo mais profundo e não encontrávamos tantos mercedes, bmw's, audis e afins nas estradas portuguesas, E também não tínhamos tantos licenciados...

Apesar de termos crescido muito nos últimos trinta anos, estou cada vez mais convencido que a nossa entrada nesta "europa" foi um logro. Na altura queriam que nos modernizássemos e nos aproximássemos dos países mais ricos, ao mesmo tempo que nos "obrigavam" a reduzir a nossa produção agrícola e a pesca. 

O mais curioso é hoje podermos voltar a ser "pobres" na Europa, sem dramas, já que os seus "donos", não só apoiam as medidas assentes em salários baixos e precariedade no trabalho, como as impõem. Até podemos voltar a ter as nossas hortitas, tão ao gosto do Salazar...

O óleo é de José Gonzalez Collado.

terça-feira, maio 20, 2014

Um Olhar Pode Salvar o Dia


Ninguém deve ter dúvidas que a crise dos últimos anos, tem dado cabo da vida de centenas de milhares de pessoas. 

Esta é também uma das melhores explicações para o facto das pessoas falarem  e sorrirem cada vez menos, tanto  a caminho do trabalho como durante o tempo que passam a fazer coisas, que há muito desistiram de gostar...

Eu sou muito de olhar tudo o que me rodeia e nunca perdi o hábito de olhar as pessoas nos olhos. Deve ser por isso que encontro tantas "nuvens" presas nos rostos das pessoas com quem me cruzo, mesmo que o Sol esteja com o brilho de Verão.  

É graças a este velho hábito que de vez em quando descubro um olhar bonito e vivo, daqueles que aparecem quase do nada e nos pode salvar o dia, mesmo que não fure o tal silêncio que veio para ficar...

O óleo é de Mónica Leonardo.

segunda-feira, maio 19, 2014

A Minha "Sombra" Mais Bonita


Nunca se falou tanto em "terceiro sexo" como hoje. No futuro até é possível que falem em quarto ou quinto. Talvez tudo isto não passe de apenas mais uma tentativa de catalogação social.

Uma das minhas primeiras namoradas  - de quem tenho óptimas recordações -, usava cabelo curto e andava sempre de calças ou calções. Foi uma "boa sombra", ou seja, sempre que podia andava comigo.

Os meus amigos gostavam de lhe chamar "o meu rapazinho". Eu não achava muita piada, embora não me adiantasse muito fazer dramas. Acho que ela nunca soube deste "mimo".

O que eles estavam longe de imaginar era o quanto ela era feminina. Gostava de se vestir assim, por ser mais prático e também como forma de rebelião. Escolhi esta imagem porque ela também fumava (embora nunca o fizesse quando estávamos juntos, provavelmente por eu não fumar...). 

O que eu sei é que a vida era muito mais simples para todos nós. 

Foi mais ao menos nessa altura que o FMI esteve no nosso país, embora isso nos tenha passado quase ao lado (eu já trabalhava, até acho que me ficaram com um subsídio de natal, mas pelo menos não destruíram o trabalho e a economia do país, como o fizeram nesta triste passagem...).

Recordo que éramos muito mais modernos que os jovens da actualidade, pois a bicicleta era o transporte que nos levava a quase todo o lado, como se fossemos holandeses ou suecos...

O óleo é de Alex Russell Flint.