Ninguém pensa que a impossibilidade de se prestar um bom serviço, em qualquer serviço público, está distante da ladainha que todos aprendemos (e muitas vezes sentimos na pele...): «esta maltinha não quer fazer nada e ainda por cima está sempre mal disposta.»
Ninguém se lembra que o trabalho que era feito há dez anos por dez pessoas, hoje é feito apenas por três, quatro. E em muitos casos tal é humanamente impossível, pelo que quem sente na pele a "música de serrote" dos governos, da existência de funcionários públicos a mais, é o utente que se dirige a um centro de saúde, a uma repartição de finanças, a uma escola ou a uma delegação da segurança social.
E ainda temos de contar com a desmotivação - muitas vezes a caminho da depressão - de quem trabalha o triplo de uns senhores que passam o dia num gabinete calmo (a fingir que são úteis e que apenas são responsáveis pelas coisas boas de cada serviço...) e ganham três vezes menos.
Parece que finalmente alguém "descobriu" os muitos gabinetes povoados de inúteis, que receberam um bom emprego como prémio da fidelidade "canina" ao partido e não pela sua competência ou formação.
Parece, porque o que nos tentam colocar à frente dos olhos nem sempre é a realidade. Nem sequer sabemos se estes cortes atingem os "bois"..
O óleo é de Carlos Zauny.





