sábado, fevereiro 14, 2026

Só com uma política de proximidade é que se tem noção dos verdadeiros problemas das pessoas


Quando o ministro Relvas teve a "ideia luminosa" de reduzir o número de freguesias, conseguiu deixar as pessoas ainda mais desprotegidas, especialmente no interior.

Mas o Governo de Passos Coelho, sempre a querer ser "bom aluno" (nunca percebi muito bem o que isso representa, mas parece-me que é defender mais os interesses da Europa que os de Portugal...), e a ir "mais longe que a "troika", começou a fechar tribunais, repartições de finanças, estações dos correios, bancos, etc, Esta medida poderá ter reduzido as despesas, mas deixou as pessoas ainda mais isoladas e centralizou, quando a solução para um país mais equilibrado e justo será sempre a descentralização.

Pode parecer que não tem nada a ver, mas tem tudo a ver...

Eu posso falar da realidade local que conheço, que é urbana, em relação às freguesias. Em Almada existiam 11 freguesias, que foram reduzidas para cinco. Criou-se uma super junta de Almada, que passou a incluir Almada, Cacilhas, Cova da Piedade e Pragal. A partir deste momento, houve um afastamento das populações e uma desresponsabilização generalizada, com a velha desculpa de que "é impossível estar em dois sítios ao mesmo tempo". Se isso aconteceu em localidades coladas umas às outras, imagino o que se passou em concelhos com as Caldas da Rainha, em que se juntaram freguesias urbanas com freguesias rurais...

Abordando os problemas trágicos que têm afectado as pessoas, especialmente na região centro, não temos dúvidas de que continuam a existir pessoas isoladas e sem apoio, pelo desconhecimento da sua existência graças à falta de proximidade que existe, que transforma as pessoas quase em números...

Podem continuar a falar da regionalização, mas esta não vai resolver problema nenhum, a não ser criar uma série de "vice-reis" (alguns já se andam a colocar em bicos de pés), porque não irá acabar com o principal problema que existe, a falta de uma política de proximidade.  A solução terá de ser sempre ao nível do Concelho e não da Região.

Só quando se conseguir combater este problema se reduz a existência de portugueses de primeira e portugueses de segunda (que é o que existe na actualidade).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O regresso da regionalização...


Com tudo o que está a acontecer no país, aparecem adeptos da regionalização, por todos os cantos. Há de tudo, desde independentes a gente ligada aos partidos, que falam desta divisão política do território, como se ela fosse a salvação de todos os problemas que existem neste portugal de letra pequena, desde a centralização do poder ao ordenamento do território.

É importante ter memória. O medo que existia em relação à regionalização devia-se sobretudo ao mau exemplo dado por muitos autarcas, que deixaram os seus Municípios quase falidos e com graves suspeitas de corrupção. Isso só acabou quando as contas das Autarquias passaram a ser controladas pelo Tribunal de Contas.

Há outra coisa que se deve ter em conta. Se a qualidade dos políticos tem decrescido a nível nacional, a nível local nota-se a presença de gente mais responsável e melhor preparada tecnicamente para as funções que exerce.

E sim, agora talvez faça sentido pensar-se na regionalização, mesmo que continue a ser demasiado apetecida por quem adora o poder, como é o caso dos políticos que abandonaram os Municípios, depois de atingirem o limite mandatos, como é o caso de Rui Moreira...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)


quinta-feira, fevereiro 12, 2026

O mundo agora é outra coisa...


Chovia e eu estava na paragem do metro.

Uma mãe com a idade da minha filha estava com o chapéu aberto, com a filhota ao colo. Cheguei-me para uma ponta e convidei-a a vir para o abrigo da paragem.

Ela veio e agradeceu.

Depois chegou o metro, sentei-me e ela sentou-se a meu lado. Como ainda havia lugares sentados perguntei-lhe se queria sentar a filha. Disse-me que não.

Quando se levantaram para sair a pequenita virou-se para mim a sorrir e ofereceu-me um "Tchau".

Surpreendido deu-lhe um "adeus linda".

Tudo isto seria normal, se não se desse o caso da mãe e da filha, serem de cor... E por isso mesmo, não estarem habituadas a serem tratadas e olhadas pelos outros, com normalidade, desde que existe um partido político, que faz questão de colocar as pessoas dentro de catálogos de cores e de nacionalidades...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, fevereiro 10, 2026

Durante...


Durante muito tempo não iremos ouvir falar de "seca".

Durante algum tempo não iremos poder circular em várias estradas deste país, que muitas vezes parece de brincar.

Durante uns dias não iremos falar de outra coisa nas televisões, a não ser que surja por aí uma outra "tragédia de substituição"...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


segunda-feira, fevereiro 09, 2026

As vozes de papagaio que tentam "chegar ao céu"...


Dando um pouco mais de atenção à onda "anti-esquerdista" que por aí anda (ao ponto do Presidente da República agora eleito, num primeiro momento, não querer assumir-se como socialista, mesmo no plano democrático...), percebe-se que há uma tentativa de criar uma nova narrativa política e histórica, culpando os "esquerdistas" de todos os males do país.

Mas a história é o que é. As mentiras que lhe tentam colar, normalmente ficam caídas no chão.

É também por isso que é importante dizer que tanto o 25 de Abril como o 25 de Novembro, mesmo sendo diferentes, foram protagonizados por democratas. E o último, mesmo que a direita queira agora agarrá-lo com as duas mãos, pode e deve-se afirmar, que os seus principais intervenientes pertenciam à área do socialismo democrático. Se na sociedade civil, Mário Soares é a grande figura, no campo militar, tanto Melo Antunes como Vasco Lourenço (os seus principais estrategos) sempre estiveram próximos do Partido Socialista.

E poderia continuar a falar de outras grandes transformações sociais no nosso país, como foram a criação do SNS (de António Arnaut) ou a assinatura do Tratado de Adesão na União Europeia (assinado por Mário Soares).

Mesmo que este seja o tempo dos "papagaios", estou certo de que as suas vozes não vão "chegar ao céu"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 08, 2026

Chuva, votos e populismos...


Apesar do dia chuvoso, não estou nada apreensivo com o resultado das presidenciais.

Não acho que seja possível a vitória do "populista de serviço", embora saiba que, seja qual for o resultado que tiver, ele gritará sempre como um vencedor.

É muito provável que tenha um resultado superior aos 30%, o que fará que cole na lapela do casaco ou num chapéu de fiscal de jardins, as palavras: "líder da direita" (para desespero do "conde de monteverde"...).

Mas se for abaixo dos 30%, continuará vencedor. Veste o fato de "calimero" (que também lhe assenta que nem uma luva...) e diz que teve de lutar contra tudo e contra todos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, fevereiro 06, 2026

O adeus da Joana...


Há blogues que visitamos diariamente, porque além de serem informativos,  nos transmitem conhecimento, sem precisarem de andar por aí a "inventar rodas".

Acaba por ser normal que estas visitas diárias criem empatia, mesmo sem conhecermos pessoalmente quem está do outro lado. 

É curioso percebermos que isso acontece porque nos revemos nas suas palavras e nos pensamentos que exprime (às vezes até podem ser diferentes dos nossos...).

Foi o que aconteceu nos últimos dezoito anos com "Entre as Brumas da Memória", de Joana Lopes, que nos deixou ontem e que interrompera as suas publicações a 17 de Janeiro, por doença...

Vou sentir falta da Mulher que oferecia provas, dia sim dia sim, de que a esquerda continuava viva, e que apesar dos avanços de uma direita agressiva e mentirosa, continua a ser o que faz mais sentido, pelo menos para quem acredita na Liberdade, na Igualdade e na Fraternidade.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, fevereiro 05, 2026

As pessoas e o desordenamento do território...


Embora as cheias desta semana sejam históricas, isso não muda o meu pensamento em relação às pessoas que constroem as suas casas onde não devem (às vezes de forma estranha, "furando" a lei...) e quem o tem permitido.

No tempo das cheias cíclicas no distrito de Santarém, chegámos a falar disso em casa dos meus pais. Eu tinha muita dificuldade em perceber aquela gente, que ano após ano enfrentava os mesmos problemas, os mesmos dramas. Eles percebiam e desculpavam-nos com frases do género, "aquela é a sua terra, foi ali que sempre viveram..."

Passados todos estes anos, continuo sem perceber a localização de muitas casas (meto aqui também aquelas de gente que quer ter o mar só para elas...). Claro que não me estou a referir às cidades, como Alcácer do Sal ou Coruche. O normal sempre foi as localidades crescerem próximas de rios, devido à sua própria sobrevivência económica e social. Mas mesmo nestes lugares, há zonas ribeirinhas que são demasiado perigosas para serem utilizadas como espaços habitacionais.

Espero que estas alterações climáticas - é disso que se trata, por muito que se assobie para o ar -, façam toda a gente repensar o que se tem feito ao longo dos anos em relação às linhas de água e leitos de cheia (há rios que foram "condenados" a circular dentro das cidades em ribeiras artificiais, demasiado estreitas e curtas para invernos mais rigorosos...).

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Pode ser bom passar a vida a "mudar de vida"...


Nunca devia ser tempo de tomarmos conclusões, antes de sabermos (ou percebermos...) melhor o porquê das coisas. Mas isso era estar à espera que o melhor de nós, andasse mais vezes por aí à tona de água...

Eu estava ausente e assim continuei, embora ouvisse a conversa e me sentisse a espaços um privilegiado, por não ter ninguém da família que fosse actor de telenovelas ou vedeta dos "reality shows".

O "pseudo-drama" era um primo que não passava cartão à família, desde os pais aos avós, passando pelos primos e tios, mesmo não passando de um actor de terceira categoria, daqueles que fazem sempre o mesmo papel, a única coisa que muda é o nome da personagem. Parece que há dois ou três anos que não visita os pais, sem que existisse qualquer zanga...

Continuei em silêncio, mas senti que uma boa parte dos actores deviam ter uma existência estranha, não era por acaso que a sua profissão era ser "outras pessoas", passar o tempo a "mudar de vida", mesmo que isso acontecesse só na sua vidinha de ficção. Sabia que muitos, faziam quase tudo, para não ter de voltar a ser o "antoninho" da vida real...

Eu não era exemplo para ninguém, por gostar de ser "invísivel", mas estava farto de saber que o que há mais por aí, é gente que detesta a pessoa que encontram logo pela manhã, no lado de lá do espelho...

Ainda bem que não disse nada. O mais provável era dizerem que estava a "defender" o tal artista dos papeis menores, que tenta andar entretido nos teatros e nas televisões, para não ter de ser, o que não gosta de ser...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, fevereiro 03, 2026

«Ó pai vai chover o ano inteiro?»


Vinha a subir a Emília Pomar e cruzei-me com um pai e uma filha que vinham da Escola dos Cata Ventos e entretanto começaram a cair uns pingos a convidarem-me a acelerar a marcha até casa.

Ainda tive tempo de ouvir a miúda de cinco ou seis anos perguntar ao pai: «Ó pai vai chover o ano inteiro?»

Ele não disse nada. Estava entretido a abrir o chapéu e farto de chuva, como todos nós...

Pensei que a minha filha era mais de fazer perguntas que o meu filho. E sempre foi assim pela vida fora. Talvez seja essa a norma, as mulheres são mais curiosas e gostam mais de perguntar...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Estava ali no cais à espera e reparei que...


Estava parado no cais de embarque dos cacilheiros, à espera que chegasse uma barca, que atravessasse o Tejo e me levasse até Cacilhas, quando reparei num "pequeno-grande" pormenor...

Um dos barcos atracados preparava-se para partir e tinha o nome de "Jorge de Sena".

Isso fez com que começasse a pensar, em qual seria a reacção do escritor, ao saber que agora era "nome de barco", que andava a atravessar o Tejo, entre Lisboa e o Seixal...

E logo ele, que sempre fora um grande crítico do nosso país, que sempre se sentiu mal amado, e até injustiçado... 

Em parte tinha razão, havia uma certa mediocridade intelectual, que não o podia ver à frente, mesmo que tentassem disfarçar... 

Mas o mais curioso, foi achar que o Jorge de Sena era capaz de gostar...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, fevereiro 01, 2026

O "jornalixo" e uma comunicação social que não mostra tudo...


Não vou escrever sobre a tragédia na região Centro, mas sim sobre um acontecimento que não vi ser notícia em lado nenhum, ligado à tentativa de colher dividendos eleitorais com a desgraça dos outros, com o artista da "tv e da cassete pirata" de sempre... 

Uma das pessoas que conheço natural de Leiria é a Isabel, que além do retrato indescritível que encontrou no terreno (até me falou do Japão dos terramotos, como termo de comparação...), também me falou do "aparecimento e desaparecimento" de Ventura, numa das zonas mais atingidas pela "Kristin". O jeitoso assim que foi visto pela população, rodeado pelos seus "muchachos", foi de tal forma insultado e vaiado, que desapareceu em segundos, sem que ninguém lhe pusesse mais a vista em cima. Estava acompanhado de pelo menos duas câmaras de televisão...

Como ela não viu nenhuma reportagem a mostrar estes enxovalhos (aconteceram pelo menos dois, que foram do seu conhecimento e quem o insultava não eram "ciganos"...), concluiu que há mesmo cumplicidade entre o Chega e as televisões.

Como eu esta semana tinha lido o artigo de opinião de Filipe Luís na "Visão" que também diz muito sobre a relação do senhor com a comunicação social, transcrevo-o com a devida vénia: «Se há alguém que não tem nenhuma razão de queixa dos jornalistas é o candidato apoiado pelo Chega. Pelo contrário: com sete dezenas de entrevistas, nos últimos cinco anos, em horário nobre, em todas as televisões, ele teve mais do dobro de tempo de antena de dois líderes, juntos, do PSD, um dos quais primeiro-ministro, e é o campeão político da nossa democracia em exposição mediática favorável, isto é, com presença constante, não apenas em entrevistas, mas também em declarações avulsas – nomeadamente, nos Passos Perdidos, no Parlamento – quase sempre em regime de “pé de microfone” (sem contraditório) com questionamentos “fofinhos” de entrevistadores que, muitas vezes, e sem cerimónia, em certos canais, trata publicamente por tu. Seguro ganhou a primeira volta, mas, três dias depois, era Ventura quem já tinha sido entrevistado três vezes, nas televisões. Duas conclusões: primeira, o “jornalixo” existe mesmo. Segunda, se Ventura é o que é, aos jornalistas o deve.»

Falar de cumplicidade, talvez seja ir longe demais, mas que há muito boa gente que escreve nos jornais e faz reportagens televisivas que está na profissão errada, está. Ou então não, sente-se bem, atolada no "jornalixo"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, janeiro 31, 2026

Quando a realidade supera a ficção...


Apesar dos muitos esforços dos repórteres no terreno, desta vez a televisão não conseguiu suplantar toda a tragédia que assolou a Região Centro, mesmo com transmissões de quase 24 horas diárias. Foi das poucas vezes que a realidade conseguiu superar a ficção.

Infelizmente, o que se passa no terreno, é muito pior do que o que poderemos imaginar...

Não deixa de ser curioso, percebermos que há mais apoio de voluntários que do Estado (que como é costume reage tarde e sempre de forma insuficiente...), até mesmo nas coisas mais básicas, como é a alimentação, com as pessoas comuns a oferecerem e a distribuírem alimentos essenciais a quem mais precisa.

Outro pormenor que nunca falha, é a presença dos "palhaços" do costume, mesmo sem circo. Além dos números habituais do senhor Ventura, há sempre alguém do Governo, que também dá um ar da sua graça. Desta vez foi o senhor Amaro...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


sexta-feira, janeiro 30, 2026

O quase mestre da "escola de mulheres"...


Só estive uma vez com João Canijo, e foi por um mero acaso, estava com um amigo comum ligado ao mundo dos filmes e acabámos por conversar durante alguns minutos.

Isto já foi há uns anitos, foi pouco tempo depois dele acabar as filmagens de "Fátima". Ainda devíamos estar em 2016.

Acabámos por falar da "legião de mulheres" que o seguia, algumas das quais chegaram a ser suas companheiras. O Nuno disse que devia ser do "mel" que ele tinha lá em casa, como se o João não estivesse ali. Acabámos os três a sorrir, sem que o realizador abrisse muito o jogo. 

Pensei nisso ontem, quando li a notícia, de que tinha sido encontrado na sua casa, em Vila Viçosa, sem vida, pela empregada doméstica.

Sim, as mulheres são muitas vezes um enigma para nós, homens, porque fazem questão de fazer as coisas ao contrário do que estamos à espera. Digo isto sem qualquer onda de machismo ou feminismo. Somos diferentes, ponto final.

Elas têm muitas coisas em doses superiores a nós, como seja a força (de viver, não é a física...), a sensibilidade, a visão e a manha...

Provavelmente o João Canijo "viu mais longe" (como elas...),  que a maioria de nós, as pequenas e grandes coisas sobre a natureza feminina. Isso poderá explicar a relação que tinha com a Rita Blanco, a Anabela Moreira, a Beatriz Batarda ou a Cleia Almeida e os excelentes filmes que realizou com elas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, janeiro 29, 2026

Depois da Ingrid chegou a Kristin...


Não sei se os ventos chegaram aos 140 quilómetros (em alguns lugares parece ter ultrapassado...) da mensagem divulgada pela Protecção Civil nos nossos telemóveis, com a chegada da "Kristin".

Mas pelos estragos divulgados pela televisão (em quase todo o país...), a depressão acabou por fazer mais estragos do que aqueles a que estamos habituados a assistir, ao qual se somam a perda de vidas humanas na zona Centro e no Sul.

Este começo de Inverno é um aviso para todos nós, com frio, chuva, o regresso das cheias, depois de anos a queixarmo-nos da falta de água e de barragens vazias. Só faltavam mesmo as tempestades com vendavais com esta expressão...

Claro que a tendência vai ser para os desiquilíbrios serem cada vez maiores.

Com o que estão a fazer as grandes potências mundiais em relação às alterações climáticas, usando mais carvão que inteligência, o nosso normal será começarmos a ter queda de neve de Norte a Sul e no Verão temperaturas normais a rondarem os 45 graus, também do Minho ao Algarve...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, janeiro 27, 2026

A violência e a intimidação na América de Trump...


Mesmo que Donald Trump nos dê mostras diárias de não passar de uma "besta humana", desta vez teve de se render aos abusos da sua querida policia de imigração (ICE) e demitir o chefe (com um ar e um discurso a fazer recordar as tenebrosas "SS"...).

A televisão mostrou ao Mundo as agressões que roubaram a vida a um enfermeiro, Alex Pretti, que tinha como única arma na mão, um telemóvel, desmentindo as primeiras informações de que se tratava de um "terrorista perigoso" ou de um "bandido ilegal"...

Nem mesmo a neve que tem caído no Estado de Minnesota, inibiu os habitantes de Mineápolis de sairem para a rua para protestar contra o que chamam de uma "ocupação da cidade por forças hostis", tal é o uso e abuso da ICE...

Quem tem dado nas vistas como opositor de Trump, é o governador Tim Waltz. Será que finalmente os democratas têm um líder para enfrentar os republicanos?

Uma das coisas mais estranhas a que temos assistido - quando sabemos que os EUA são um país partido ao meio (tal como o Brasil...) -, é o quase silêncio dos democratas, inclusive figuras públicas ligadas à cultura. As únicas notícias que se ouvem, é da chegada à Europa de actores e realizadores, em sentido inverso ao que aconteceu quando Hitler começou a ocupar a Europa e a perseguir os judeus...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


segunda-feira, janeiro 26, 2026

Viajar dentro do outro país antigo, que felizmente já não existe...


Estávamos a acabar de almoçar e no já habitual entrelaçar das conversas, começámos a falar do tempo antigo. Acho que foi a água que desperdiçamos nos banhos diários, que nos levou lá, acompanhada pelos "pareceres científicos" de que este hábito nos rouba defesas ao corpo...

O Tomás é um rapazola demasiado inteligente para se ficar e lembrou-nos da esperança média de vida desses tempos, em que ultrapassar os setenta anos era quase como hoje vencer-se a barreira dos noventa. Respondi-lhe que havia muitos outros factores para que isso acontecesse, como a alimentação muito mais pobre e uma assistência médica quase inexistente, em especial nos lugares onde hoje se continua a sentir mais o abandono... 

Mas depois fomos ainda mais longe, falámos da ausência do saneamento básico em quase todo o país, antes de Abril. Dos muitos prédios, mesmo nas cidades, sem a existência de casas de banho. A única coisa que existia era uma pia colectiva, onde se despejavam os penicos, que iam directamente para uma "fossa" (um buraco subterrâneo apenas com paredes laterais, para que as porcarias fossem transformadas em "substrato" e absorvidas pela terra...).

O Tomás, com os seus quinze anos, olhou-nos com alguma incredulidade, até perceber que estávamos mesmo a falar a sério.

Nem me lembrei de lhe falar dos "bairros de lata" que vão crescendo à volta dos grandes centros urbanos, como aconteceu nos anos sessenta e setenta do século passado, onde se vive com os mesmos problemas. Falei-lhe sim da Palestina, da ausência de condições mínimas para aquela gente viver, a todos os níveis...

Depois houve alguém que mudou de assunto e ainda bem. Até porque aquela conversa não era para se ter à mesa, mesmo que já estivéssemos à espera dos cafés...

(Fotografoa de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, janeiro 25, 2026

A vida não está grande coisa para sonhos...


Quando estou a acabar um livro, deixo de ter tempo para quase tudo, até para a blogosfera, que deixa de ser o habitual espaço de recreação e também de reflexão.

Depois a "Ingrid" não me tem dado grande espaço nas ruas, muito menos nas esplanadas, para ouvir coisas que não têm nada a ver, mesmo que tenham tudo a ver...

Ou seja, quem anda nas ruas, esconde-se dentro de kispos e debaixo de chapéus de chuva, sem vontade para dizer bom dia ou boa tarde.

Quando passei por Cacilhas, no meu passeio higiénico, sem encontrar uma explicação palpável, fiquei a pensar no último encontro que tive com uma pessoa especial, rente ao rio.

Quase do nada ela perguntou-me: «Sonhas muito?»

Olhei-a meio surpreendido, antes de responder: «Jà sonhei mais. Muito mais!»

Pois é, a vida não está grande coisa para sonhos...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, janeiro 23, 2026

A "Alma do Povo", a pequena e a (quase) grande burguesia...


Nos meios pequenos a cultura parece funcionar, quase em circuito fechado, por uma pequena elite que normalmente faz o dois em um, é produtora e espectadora. 

É assim na cidade onde nasci (Caldas da Rainha), como será em tantos outros lugares em que são quase sempre os mesmos a aparecer, a escrever, a pintar ou a tocar...

Fui espectador em duas ou três inaugurações de exposições artísticas e também em um ou dois lançamentos de livros. E lá estavam os mesmos "doutores", cheios de sorrisos e salamaleques, com um sentido crítico enviesado, logo à partida, porque a amizade é o que é... (continuo a pensar da mesma forma que o Miguel Esteves Cardoso, só conseguimos escrever uma crítica honesta, quando não conhecemos o escritor ou o artista cuja obra avaliamos...). 

Sabia que aquele não era o meu mundo...

O mais curioso, é que não era sobre isso que queria escrever. Aconteceu-me mais uma vez, entrar no "comboio" errado e ser obrigado a sair na próxima paragem...

Estou a  acabar de ler um livro datado de 1949, "Alma do Povo", da autoria de Leonel Cardoso (só pode ser o dono da rua onde mora a minha mãe, nas Caldas...), de "glosas de cantigas". Embora os poemas sigam todos o mesmo caminho, prontos a entrar em qualquer casa de fados onde ainda se valorize a "desgraçadinha", têm muita musicalidade. A espaços fui capaz de ouvir tanto o Marceneiro como a Aldina, a cantar aquelas coisas onde António pode rimar com demónio ou ciúme com lume.

Não tenho dúvidas que Leonel Cardoso fazia parte da tal elite de que falo, nesses anos quarenta e cinquenta, ainda mais reduzida...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, janeiro 22, 2026

Escrever, sem escrever...


Podia escrever sobre muitas coisas, mas não me apetece.

Podia dizer que a culpa é da chuva, que não anda para grandes pausas.

E depois parece que a Ingrid está quase a chegar. Sempre gostei deste nome, por causa de uma senhora sueca. 

É por isso que não acho que seja nome que se dê a uma tempestade...

Mas não foi por causa da chuva que me esqueci que hoje era dia de cozido...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, janeiro 20, 2026

Não sei quem fechou primeiro...


Não sei quem fechou primeiro, se foram os tribunais ou as finanças. Depois foram os bancos a decidirem transformar-se em caixas de multibanco. É esta a história de demasiadas cidades e vilas do interior...

Agora é a vez de fecharem restaurantes e salas de cinema, nos mesmos sítios onde já não existem os tribunais e outras coisas que tais... 

É normal. Sem pessoas, não há negócio que resista...

É também por isso que este mesmo interior, corre o risco de deixar de ter à venda jornais diários em papel...

Quem não parece muito preocupado com este estado de coisas, é o Estado do país (que temos a mania de dizer que somos todos nós, mesmo que seja mentira...).

Talvez os governantes que têm como apelido "estado" gostem destes vazios. 

Talvez gostem que quase toda a gente viva com a possibilidade de ver o mar...

 (Fotografia de Luís Eme - Castelo Branco)



segunda-feira, janeiro 19, 2026

A televisão que finge ter ideias...


A televisão dos comentadores é um mundo à parte, quase parecido com o das marionetas. É por isso que entram e saem dos programas, com gravatas, vestidos e ideias diferentes. 

Às vezes só são precisos alguns minutos para darem um salto até ao "circo" e fazerem o pino (mesmo que seja mal feito...) ou vestirem-se de palhaços para fazerem daquelas piadas que não são para rir.


O curioso é  esta profissão para alguns comentadores já ter guião, uns vão "discordar" e outros vão "concordar". Não interesse com o quê. Isso é apenas um pormenor...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sábado, janeiro 17, 2026

Cada um por si...


Não deixa de ser curioso, que quem se afirma através dos valores colectivistas e da solidariedade, nestas eleições presidenciais, tenha agido no sentido contrário.

Falo do PCP, do Livre e do BE, que em vez de se unirem numa única candidatura de esquerda, quiseram levar os seus candidatos até ao fim, apenas para fazer propaganda às suas ideias,  já a pensar em futuros dividendos políticos.

Claro que António José Seguro nunca foi o candidato de esquerda desejado (em especial pelo seu partido...), mas mesmo assim era, e é, o mais forte, o único que poderá ter aspirações a chegar à segunda volta.

O mais curioso, é que se o conseguir, o mérito será quase todo seu. Mas não precisava de ter começado a campanha, quase como medo de se afirmar como "socialista democrático" (o que quer que isso seja...), ao ponto de até merecer o apoio de "passistas"...

Esperemos que este "cada um por si" não dê maus resultados amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, janeiro 16, 2026

Claro que não é bem assim, mas...


Há já algum tempo que não falo por aqui das conversas com alguns camaradas de ofício.

Isso acontece porque nos últimos tempos tive menos disponibilidade para estar com eles. 

O mais curioso é que raramente estamos de acordo quando falamos de política, mas desta vez ninguém foi capaz de encontrar qualquer qualidade que fizesse sobressair um  dos cinco candidatos à presidência da República, que têm possibilidades de chegarem à segunda volta.

Desta vez exagerámos, ao ponto de usarmos adjectivos, daqueles que não podem ser transcritos por aqui...

Nunca foi tão óbvio, que qualquer um de nós podia ser também candidato, e nem precisávamos de andarmos armados em "Afonso Henriques"...

 (Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, janeiro 15, 2026

Três parágrafos com três dedicatórias


Nunca o discurso contra a esquerda esteve tão ruidoso. Em alguns casos, além de mentiroso, começa a ser doentio.

Normalmente vão buscar o Stalin e o Lenine (esquecem-se quase sempre do Marx, não sei porquê... espero que não o confundam com os "irmãos", de outros filmes bem mais alegres), como se todas as pessoas com um pensamento humanista, que se preocupam com quem vive à sua volta, fossem comunistas...

Como as coisas estão a avançar, começo a acreditar que, num tempo não muito distante, vão começar a culpar os "comunistas" por todos os problemas que aconteceram na Primeira República e também pela chegada ao poder de Oliveira Salazar (que na sua opinião até deve ter sido "um gajo porreiro" - espera, gajo não, isso é coisa dos esquerdalhos, é melhor escrever "senhor gajo")...

Notas: A dedicatória vai para João Miguel Tavares, João Vieira Pereira e Ricardo Simões Ferreira.

Em relação à escolha da imagem, já o bom do Vasco Santana dizia: "Chapéus há muitos, seus palermas!"

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


quarta-feira, janeiro 14, 2026

Parece que estou num país diferente...


Quem é mais assíduo no meu "Largo", sabe que o meu transporte preferido para vir de Almada a Lisboa e depois voltar, é o cacilheiro.

A principal razão é o Tejo, mas não é a única.

Hoje, por estar com pressa, acabei por apanhar o metro e depois o comboio. Cheguei mais rápido mas a viagem é muito diferente. Tudo começa e acaba nas pessoas. Quem como eu gosta de "olhar", sente que tudo se torna mais cinzento, mais pesado à nossa volta...

Mas basta pensar um pouco, para perceber o porquê desta mudança. Mudança que por vezes até me faz sentir que estou num país diferente...

O comboio é um transporte de trabalhadores, de gente que já sai de casa angustiada, só de pensar no que a espera nas próximas oito horas... O cacilheiro é uma "zona mista", composta maioritariamente por turistas de todos os mundos. Além de sorrirem mais, também passam o tempo a olhar para as janelas e a deliciarem-se com o Rio.

Esta energia acaba por chegar aos restantes viajantes, que até são capazes de sorrir. 

É como se se deixassem aprisionar pela leveza do sorriso dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


terça-feira, janeiro 13, 2026

Eu sei que me vou acabar por habituar, mas...


Às vezes acontecem pequenos acasos, agradáveis, nas viagens de cacilheiro, entre as duas margens do "melhor rio do mundo", como são os encontros inesperados com pessoas de quem gostamos.

Foi o que aconteceu na sala de espera do Cais de Sodré, quando descobri as as minhas queridas vizinhas Natália e Rosa. Além de atravessarmos o Tejo, apanhámos o metro e ainda subimos a rua Emília Pomar. Só nos despedimos depois do elevador do nosso prédio parar no terceiro andar...

Como sempre, falámos de várias coisas, até das novas barcas que nos levam para cá e para lá e que funcionam a electricidade.

Se eu achava que os novos nomes das "barcas rectangulares" deviam ser mais simples, elas acharam deliciosa a escolha de aves do rio (mesmo que algumas nos fossem completamente desconhecidas...). Como era o caso particular da "Tarambola-Dourada", o nome da barca que nos levou até Cacilhas, 

Eu sei que me vou acabar por habituar à elegância das aves escolhidas, mas tinha preferido que tivessem escolhido as singularidades da toponomia popular da nossa Margem, como são os casos do "Olho de Boi" ou da "Boca do Vento". 

Mas ninguém é perfeito...,

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


segunda-feira, janeiro 12, 2026

Esconder a realidade "debaixo do tapete"...


Há um problema muito mais grave, que os "50 anos de corrupção" dos cartazes do senhor Ventura, é a forma como se nomeia e demite gente dos cargos públicos que dizem ser de "confiança política".

Isso explica em grande parte o que se passa na saúde, em que parece que a única coisa para a qual a ministra tem capacidade, é demitir os responsáveis de hospitais ou de outra coisa qualquer, apenas por não terem o cartão de militante do PSD.

Ou seja, são retiradas pessoas de cargos de responsabilidade, muitas vezes com provas dadas nesses lugares, para se colocar no seu lugar gente que nem como doentes visitavam os hospitais públicos, porque davam preferência às clínicas privadas (Talvez a sua missão seja mesma essa, continuar a preferir a fazer o "jogo" das clínicas privadas e "destruir" o SNS...).

O curioso da questão, é perceber que apesar das palavras e dos cartazes do senhor Ventura, o Chega é exactamente igual aos outros, como se percebeu na Câmara de Lisboa (e provavelmente em outros Municípios...), onde o partido se "vendeu" ao Moedas, por meia dúzia de "tachos", pouco relevantes mas bem remunerados...

E também percebo, cada vez com mais nitidez, o porquê da manutenção no poder de uma ministra tão incompetente: nunca houve um primeiro-ministro com um discurso tão distante da realidade. É capaz de chamar azul ao verde.

Podem existir mais de 20 horas de espera nas urgências dos principais hospitais, que Montenegro vai continuar a dizer que as coisas na saúde estão melhor que no "tempo dos socialistas"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, janeiro 11, 2026

As memória de Alegre com o Guterres do "pantanal"...


Estou quase a acabar de ler as "Memórias Minhas" de Manuel Alegre e continuo a gostar do ritmo e da qualidade da escrita (nunca é chata...), mas também pela forma como relata os muitos acontecimentos que viveu no interior do PS.

Uma das partes mais curiosas desta obra é a explicação factual da deriva do PS para o "centrão", a caminho do liberalismo (abrindo a porta ao capitalismo e aos interesses económicos...), ainda nos anos oitenta, que teve como protagonistas Vitor Constâncio e António Guterres, a chamada "terceira via". 

Embora Alegre possa dar a sua visão pessoal, sem erguer qualquer bandeira a favor dos seus adversários dentro do partido, concordo com ela. Isto foi possível porque Mário Soares, queria muito ser presidente da República e afastou-se da direcção do Partido...

Foi neste período que as "raízes" de esquerda do PS começaram a "secar" nos corredores do Rato, graças ao sempre muito católico Guterres...

Há ainda outra coisa curiosa (não vem no livro...), é com Guterres que emerge Sócrates, que começara por ser militante do PSD lá nas Beiras, com os resultados que todos sabemos...

Todos falam da "grande inteligência" de Guterres. Não duvido dela. Mas com tudo o que se têm passado na ONU, percebe-se que ela está longe de ser a melhor qualidade de um político. Falta-lhe a coragem (sempre faltou, era mais de conspirar no sótão...) que os grandes políticos devem ter (que Soares e Sá Carneiro por exemplo tinham...), de ir contra tudo e contra todos, na defesa do que acha ser o melhor para todos, de dar murros na mesa na hora certa...

Muitos políticos limitam-se a perseguir sonhos, sem conseguirem "ler nas estrelas" e perceber que estão longe de ser os melhores para exercer as tais funções sonhadas (Marques Mendes é o nosso último grande exemplo...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, janeiro 10, 2026

Fotografias, sorrisos e coincidências...


Estava a passar pelo Largo de Cacilhas ao fim da manhã e vi uma moçoila em cima do "vidro/ chão" que mostra as "salgas romanas" a quem passa. Ela ensaiar poses, enquanto outra jovem a ia fotografando com o telemóvel, sem nunca se esquecer de sorrir.

Não resisti e disse-lhe, sem parar, «e agora uma sem sorriso», ela olhou-me e não se ficou, dizendo sem parar de sorrir: «as fotografias ficam bonitas é quando sorrimos».

Sempre a andar respondi-lhe: «isso do sorriso nas fotografias é para o passarinho. Aqui não há passarada.»

E já não voltei a olhar para trás, limitando-me a ouvir o sorriso rasgado da "fotógrafa", que devia estar a fazer caretas à mulher que estava em cima do "vidro/ chão", ambas surpreendidas pelas "bocas" de um qualquer intruso que estava por ali a passar...

Provavelmente nem perceberam a piada do "passarinho", muito menos imaginavam o que tinha escrito por aqui, ontem...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, janeiro 09, 2026

«Porque é que as pessoas se riem tanto "para a fotografia"?»


A pergunta fazia sentido, porque a poucos metros de nós, uma mulher ensaiava várias poses para o companheiro, que usava o telemóvel como máquina fotográfica. Mudava de posição mas mantinha sempre o mesmo sorriso, quase de plástico.

E a pergunta foi: «Porque é que as pessoas se riem tanto "para a fotografia"?» 

Pensei logo na anedota alentejana da Maria que pintava os beiços para ficar mais bonita... Talvez o objectivo do sorriso estivesse ligado à beleza, mesmo que nem sempre resultasse.

E depois falámos de várias coisas, até das pessoas que são mais bonitas quando não estão a sorrir, mesmo que não o saibam.

Em vez do "sobrenatural" do Nelson Rodrigues, apareceu-nos o "natural", que só é possível de se obter, quando estamos completamente distraídos e não precisa de qualquer tipo de encenação.

Foi quando recebi a explicação certa: «Não te lembras de ir ao fotógrafo e ele pedir-te para sorrires para o "passarinho"?»

Estava tudo explicado. A culpa dos sorrisos era dos fotógrafos de estúdio...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, janeiro 07, 2026

Porque é que me esqueço do nome das pessoas (mesmo das que gosto)?


Estava sentado à mesa a beber o café e a ler, quando parei numa frase do Lobo Antunes, que falava da Feira Popular. A primeira imagem que me veio, foi o sorriso de uma antiga namorada, num ano já longinquo, em que festejei os anos neste espaço, que já não era o que era (devíamos estar mesmo no final dos anos oitenta...), mas que ainda mantinha alguma vida.

O mais curioso disto tudo, foi recordar o seu sorriso e o seu olhar tranquilo, mas esquecer-me do seu nome...

Há sempre aquelas frases feitas e mentirosas, que podem ficar bem em cantigas, como aquela de que "não se ama quem não ouve a mesma canção" ou a que "se não te lembras do nome dela, não foi importante...". Claro que se pode gostar de fado e amar alguém que gosta de música clássica. E continuo a pensar muito na minha professora da escola primária, açoriana, que para mim,  continua a ser a melhor professora do mundo. E não me lembro do seu nome (quase desde sempre e já estive com amigos desse tempo e esqueci-me de lhes perguntar...). O mesmo acontece com esta namorada "quase de Verão" (ainda chegou ao começo do Inverno...), com quem namorei tanto de bicicleta...

Quando dei por mim, estava a perguntar aos meus botões, "porque é que me esqueço do nome das pessoas?"

Não recebi qualquer resposta, mas agora que estou a pensar nisso, também não tinha nenhuma peça de roupa com botões, enquanto bebia café...

(Fotografia de Luís Eme - Pragal)

terça-feira, janeiro 06, 2026

A nossa passividade perante a "nova ordem mundial"...


Pensava que era fácil para as pessoas olharem para o que se passou na Venezuela, como algo profundamente errado e perigoso, pelo precedente aberto, quando se sabe quais são as vontades de Putin ou de Jinping, em relação à Ucrânia ou à ilha Formosa.

Uns culpam tanto Maduro como Trump, outros apenas o ditador da Venezuela... E depois há uma minoria que tem noção clara do que se passou e diz que, mais uma vez se desrespeitou o direito internacional e a autonomia das nações.

Olho para trás e penso que todos os avanços que se deram ao longo da segunda metade do século XX, no trabalho, na saúde, nos direitos humanos e na integridade das nações, estão a ser engolidos por algo que começou por ser apenas uma "maré" capitalista e populista, mas que rapidamente invadiu "a terra", com o objectivo claro de ser, a nova ordem mundial.

O mais curioso é isto estar a acontecer em praticamente todos os continentes, com a passividade da maior parte das pessoas, de todas as idades.

Ou seja, este 2026 que ainda está só no começo, promete ser um ano de grandes mudanças, para pior, para quase todos nós, até mesmo para uma boa parte dos norte-americanos e dos russos (não se tem noção de como é que eles vivem nestes tempos de guerra)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, janeiro 05, 2026

Crescer muito em pouco tempo...


Parecia inevitável, há meses.

Agora, nem por isso. As coisas até estavam a correr relativamente bem.

Continuo a pensar a mesma coisa sobre Ruben Amorim: é um grande treinador!

E cresceu muito neste último ano, onde se debateu com adversidades que valem a experiência de meia dúzia de anos, num outro qualquer clube...

Nem sei quem se seguirá no Manchester United, nem tão pouco se conseguirá fazer melhor, se consegue inverter o rumo do clube nos últimos anos, como "cemitério de treinadores". Ninguém sabe. 

É por isso que se diz que o futebol é uma "caixinha de surpresas"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, janeiro 04, 2026

O nosso habitual "baixar de calças" aos Estados Unidos da América...


As reacções do ministro dos Negócios Estrangeiros e do Primeiro-Ministro ao que aconteceu na Venezuela são cínicas e hipócritas, como é costume, no que toca às acções dos EUA.

Não temos grandes dúvidas que se fosse o PS que estivesse no poder, as reacções não seriam muito diferentes. Provavelmente escolhiam outras palavras, para não se "comprometerem", com qualquer um dos lados. Mas não acredito que se manifestassem contra os EUA.

O mais fácil é refugiarmo-nos atrás das eleições fraudulentas que mantiveram Maduro no poder e falar na esperança de um novo país, democrata, sem se dizer qualquer palavra contra esta invasão dos EUA, que conseguiu capturar o presidente.

Como já se percebeu, o direito internacional é uma "treta", pelo menos para Trump, tal como a independência e autonomia das nações...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, janeiro 03, 2026

Virar o mundo ainda mais de pernas para o ar...


O que se passou na Venezuela contraria tudo o que se conquistou ao longo do século XX, no campo da independência das nações e no respeito pelos direitos internacionais (e já nem falo da ONU, que devia fechar portas...).

Não sinto qualquer pena de Maduro, mas sim da Venezuela e dos seus habitantes, que, provavelmente, ainda gostam menos de Trump que do presidente deposto e capturado.

Mas se Trump quer mesmo dedicar-se à "caça" a ditadores, devia começar pelo seu amigo Putin...

Mas o pior de tudo, são os sinais que os EUA deram ao mundo. Não só abriram portas à  anexação definitiva da ilha Formosa por parte da China, como pioraram, muito, a situação da Ucrânia nas negociações de paz com a Rússia.

E a Groenlândia e a Dinamarca que se cuidem...

(Fotografia de autor desconhecido - o "regresso ao velho oeste"...)