No tempo das cheias cíclicas no distrito de Santarém, chegámos a falar disso em casa dos meus pais. Eu tinha muita dificuldade em perceber aquela gente, que ano após ano enfrentava os mesmos problemas, os mesmos dramas. Eles percebiam e desculpavam-nos com frases do género, "aquela é a sua terra, foi ali que sempre viveram..."
Passados todos estes anos, continuo sem perceber a localização de muitas casas (meto aqui também aquelas de gente que quer ter o mar só para elas...). Claro que não me estou a referir às cidades, como Alcácer do Sal ou Coruche. O normal sempre foi as localidades crescerem próximas de rios, devido à sua própria sobrevivência económica e social. Mas mesmo nestes lugares, há zonas ribeirinhas que são demasiado perigosas para serem utilizadas como espaços habitacionais.
Espero que estas alterações climáticas - é disso que se trata, por muito que se assobie para o ar -, façam toda a gente repensar o que se tem feito ao longo dos anos em relação às linhas de água e leitos de cheia (há rios que foram "condenados" a circular dentro das cidades em ribeiras artificiais, demasiado estreitas e curtas para invernos mais rigorosos...).
(Fotografia de Luís Eme - Seixal)
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