quinta-feira, fevereiro 05, 2026

As pessoas e o desordenamento do território...


Embora as cheias desta semana sejam históricas, isso não muda o meu pensamento em relação às pessoas que constroem as suas casas onde não devem (às vezes de forma estranha, "furando" a lei...) e quem o tem permitido.

No tempo das cheias cíclicas no distrito de Santarém, chegámos a falar disso em casa dos meus pais. Eu tinha muita dificuldade em perceber aquela gente, que ano após ano enfrentava os mesmos problemas, os mesmos dramas. Eles percebiam e desculpavam-nos com frases do género, "aquela é a sua terra, foi ali que sempre viveram..."

Passados todos estes anos, continuo sem perceber a localização de muitas casas (meto aqui também aquelas de gente que quer ter o mar só para elas...). Claro que não me estou a referir às cidades, como Alcácer do Sal ou Coruche. O normal sempre foi as localidades crescerem próximas de rios, devido à sua própria sobrevivência económica e social. Mas mesmo nestes lugares, há zonas ribeirinhas que são demasiado perigosas para serem utilizadas como espaços habitacionais.

Espero que estas alterações climáticas - é disso que se trata, por muito que se assobie para o ar -, façam toda a gente repensar o que se tem feito ao longo dos anos em relação às linhas de água e leitos de cheia (há rios que foram "condenados" a circular dentro das cidades em ribeiras artificiais, demasiado estreitas e curtas para invernos mais rigorosos...).

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


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