sábado, fevereiro 14, 2026

Só com uma política de proximidade é que se tem noção dos verdadeiros problemas das pessoas


Quando o ministro Relvas teve a "ideia luminosa" de reduzir o número de freguesias, conseguiu deixar as pessoas ainda mais desprotegidas, especialmente no interior.

Mas o Governo de Passos Coelho, sempre a querer ser "bom aluno" (nunca percebi muito bem o que isso representa, mas parece-me que é defender mais os interesses da Europa que os de Portugal...), e a ir "mais longe que a "troika", começou a fechar tribunais, repartições de finanças, estações dos correios, bancos, etc, Esta medida poderá ter reduzido as despesas, mas deixou as pessoas ainda mais isoladas e centralizou, quando a solução para um país mais equilibrado e justo será sempre a descentralização.

Pode parecer que não tem nada a ver, mas tem tudo a ver...

Eu posso falar da realidade local que conheço, que é urbana, em relação às freguesias. Em Almada existiam 11 freguesias, que foram reduzidas para cinco. Criou-se uma super junta de Almada, que passou a incluir Almada, Cacilhas, Cova da Piedade e Pragal. A partir deste momento, houve um afastamento das populações e uma desresponsabilização generalizada, com a velha desculpa de que "é impossível estar em dois sítios ao mesmo tempo". Se isso aconteceu em localidades coladas umas às outras, imagino o que se passou em concelhos com as Caldas da Rainha, em que se juntaram freguesias urbanas com freguesias rurais...

Abordando os problemas trágicos que têm afectado as pessoas, especialmente na região centro, não temos dúvidas de que continuam a existir pessoas isoladas e sem apoio, pelo desconhecimento da sua existência graças à falta de proximidade que existe, que transforma as pessoas quase em números...

Podem continuar a falar da regionalização, mas esta não vai resolver problema nenhum, a não ser criar uma série de "vice-reis" (alguns já se andam a colocar em bicos de pés), porque não irá acabar com o principal problema que existe, a falta de uma política de proximidade.  A solução terá de ser sempre ao nível do Concelho e não da Região.

Só quando se conseguir combater este problema se reduz a existência de portugueses de primeira e portugueses de segunda (que é o que existe na actualidade).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


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