domingo, janeiro 11, 2026

As memória de Alegre com o Guterres do "pantanal"...


Estou quase a acabar de ler as "Memórias Minhas" de Manuel Alegre e continuo a gostar do ritmo e da qualidade da escrita (nunca é chata...), mas também pela forma como relata os muitos acontecimentos que viveu no interior do PS.

Uma das partes mais curiosas desta obra é a explicação factual da deriva do PS para o "centrão", a caminho do liberalismo (abrindo a porta ao capitalismo e aos interesses económicos...), ainda nos anos oitenta, que teve como protagonistas Vitor Constâncio e António Guterres, a chamada "terceira via". 

Embora Alegre possa dar a sua visão pessoal, sem erguer qualquer bandeira a favor dos seus adversários dentro do partido, concordo com ela. Isto foi possível porque Mário Soares, queria muito ser presidente da República e afastou-se da direcção do Partido...

Foi neste período que as "raízes" de esquerda do PS começaram a "secar" nos corredores do Rato, graças ao sempre muito católico Guterres...

Há ainda outra coisa curiosa (não vem no livro...), é com Guterres que emerge Sócrates, que começara por ser militante do PSD lá nas Beiras, com os resultados que todos sabemos...

Todos falam da "grande inteligência" de Guterres. Não duvido dela. Mas com tudo o que se têm passado na ONU, percebe-se que ela está longe de ser a melhor qualidade de um político. Falta-lhe a coragem (sempre faltou, era mais de conspirar no sótão...) que os grandes políticos devem ter (que Soares e Sá Carneiro por exemplo tinham...), de ir contra tudo e contra todos, na defesa do que acha ser o melhor para todos, de dar murros na mesa na hora certa...

Muitos políticos limitam-se a perseguir sonhos, sem conseguirem "ler nas estrelas" e perceber que estão longe de ser os melhores para exercer as tais funções sonhadas (Marques Mendes é o nosso último grande exemplo...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


1 comentário:

  1. Com Guterres o PS perdeu o fulgor que tinha devido ao seu catolicismo, como dizes.
    Entre amigas chamamos-lhe "sacristão".
    E essa frouxidao nota-se na ONU.
    Fiquei curiosa com esse livro, porque gosto muito de Manuel Alegre poeta e prosador.

    Abraço

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