Nunca percebi porque é que as férias parecem sempre tão curtas, em especial quando se aproxima o seu final...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Houve dois que se colaram logo às minhas mãos, "As Cartas de Berlim" e a "Aguarela de Paris", de Katherine Reay e João Pinto Coelho. Disse-lhes que sim...
Estava já em casa, de regresso às leituras, quando pensei na "perigosidade" de se lerem livros. Acabei por escrever estas palavras no "caderno de desabafos":
«Ler muitos livros é mais perigoso do que parece. Sem te aperceberes vais-te apropriando das palavras dos outros e começas a misturá-las com as tuas... e uns dias depois, olhas-te ao espelho e chamas-te escritor...»
Sei que há tanto de exagero como de realidade nesta frase...
Não faz mal, não é importante...
(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)
Voltei a perceber, mais uma vez que nem sempre são as melhores escolhas porque desta vez a minha companheira não trouxe nenhum livro e teve de ficar com as "minhas escolhas" e já torceu o nariz duas vezes...
Começou por ler "A Sala Magenta" de Mário de Carvalho, que leu até ao fim mas não gostou (eu também já acabei de ler e gostei, mesmo que não se trate de uma grande história, fala dos "desencontros" das pessoas nos meios das culturas, através do insucesso de um cineasta...). Mas com a segunda leitura é que se "estragou" tudo, graças aos contos de Charles Bukowski, do livro, "A Mulher mais bonita da cidade". E abandonou-o logo às primeiras páginas...
Além de estar cheio de sexo (ao vivo e a cores...), a linguagem sem travões do Charles não deixa de chocar alguns leitores. Quando um dos seus contos tem como título, "A Máquina de Foder", está tudo dito...
Comecei a ler o Charles com conhecimento de que ele escrevia sem qualquer cerimónia, sobre o mundo e sobre as pessoas (li um dos seus livros mais populares, embora não me lembre do título...). Não era do seu estilo substituir as palavras que acha certas para ilustrarem as suas histórias. Claro que há sexo e álcool a mais neste livro. É provável que tenham escolhido os seus contos mais vadios e marginais para esta antologia...
Imagino que não haja espaço para Bukowski, nesta nova América tão purista e adepta das "aparências". O mais certo é ele ter sido banido das bibliotecas públicas e até de algumas livrarias de "lacinho"...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Há um deles que me acompanha há meses, já marcou mais de duas dezenas de livros. Começou por ser o "marcador de mesa de cabeceira". Revelou-se de tal forma inseparável, que até veio de férias comigo e com os meus livros.
E agora cheguei a um conclusão. Uma das minha próximas aquisições literárias será "As Cartas de Berlim" da desconhecida (para mim, claro), Katherine Reay...
E apenas porque sim.
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Foi numa dessas passeatas que fui surpreendido ao olhar para uma estante por um título "daqueles", que fazem furor na chamada "literatura de cordel". Quando li o nome do autor (com a fotografia do próprio escarrapachada na capa...), um actor ainda jovem, que aparece nas telenovelas, pensei ter ficado esclarecido.
Aquele título, "Tudo o que nunca te disse, meu amor", percebia-se à légua, que piscava o olho a jovens adolescentes ou pré-adultas (e porque não tias solteironas?). A fotografia na capa, idem idem aspas aspas. E depois a escolha de um actor jovem como escritor romântico (que até pode ter jeitinho para a escrita, mas...), indicava que havia por ali mais comércio que literatura.
Depois de virar as costas, percebi que no que tocava a livros, a minha crítica de capa continuava cheia de preconceitos. E desta vez a "triplicar"...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
Não estou contra as muitas homenagens que foram prestadas a Luís Represas pelos canais generalistas, quer com a repetição de concertos como de outros programas.
Gostava sim, era de assistir aos sábados ou domingos, a programas de música com a presença dos nossos melhores cantores e músicos. E não desta "misturada" de gente que finge que sabe cantar, mas que não passava das eliminatórias dos concursos que procuram novos talentos musicais...
Essa sim, era a melhor homenagem que se poderia prestar a Luís Represas...
(Fotografia de Hugo Delgado)
Há sempre pequenas coisas que ficam.
Reparei que tal como o inspector, uma das coisas que gosto, é de olhar para o exterior no lado de dentro das casas, ver o mundo lá fora.
Mas não tem nada que ver com as razões que Georges Simenon invocou nas páginas de "A Defesa de Maigret":
«No seu gabinete, tal como no Boulevard Richard-Lenoir, Maigret tinha o costume de postar-se à janela, olhando para fora, fosse o que fosse: as janelas fronteiras, as árvores, o Sena, os transeuntes. Talvez isso fosse um sinal de claustrofobia. Por todo o lado procurava um contacto com o exterior.»
Eu sei que no meu caso não é claustrofobia. Ganhei este hábito na infância. Ainda recordo com alguma melancolia quando ficava preso à janela da sala, em especial no Inverno, a olhar para a rua e a ver as pessoas a pé, de motorizada ou de bicicleta (carro menos, havia poucos...), a passarem, a desviarem-se ou a andar a saltitar, para fugir às poças de água castanha, porque o alcatrão só chegaria algum tempo depois ao bairro. E quando passava um carro, era banho certo para quem se deslocava a pé... Para uma criança era um espectáculo digno de se ver.
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Mas o resto da família continua a não prescindir do descanso no nosso canto algarvio, onde continua a ser possível passar duas semanas, sem as variedades e as variantes da Costa de Caparica.
Pode parecer um gosto egoísta (ou até milionário, nos tempos que correm...), mas a minha praia ideal, é um areal espaçoso, onde existe a opção de escutares o mar e não apenas os gritos, a música e as conversas dos outros... Além, claro, de dispensares a areia das suas toalhas...
Felizmente, ainda é possível encontrar algumas praias em estado quase natural, de Norte a Sul. Oferecem-nos a vantagem de deixar o carro a alguma distância e usufruir durante pelo menos uma dezena de minutos, de uma caminhada daquelas que nos "dão saúde e fazem crescer"...
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
O problema é que o ministro da Administração Interna gosta muito mais de ser notícia e de falar para os microfones que o professor Fernando...
Isso já se notava quando estava à frente da PJ e não perdia uma oportunidade de aparecer à frente das câmaras, a fazer um número, pequeno ou grande, de "super-herói".
Já se percebia que aspirava a mais. Como bom comunicador que era, devia sonhar ter ainda mais televisões à sua volta...
E um dia lá conseguiu chegar a ministro.
Talvez ninguém lhe tenha dito, que havia um outro lado, mais chato, nessa coisa de se ser governante. Sim, iria ser confrontado com os especialistas em "sacar esqueletos do armário", que também adoram saber coisas através de chamadas falsamente anónimas.
Mas nem era preciso. Como director da nossa principal polícia de investigação, sabia bem demais como é que as coisas funcionavam tanto nos corredores do poder como nas redacções.
É por isso que é demasiado estranho que ele não se tenha libertado dos vários "rabos de palha", que aparecem, cada vez que alguém abre uma porta num dos seus montes alentejanos...
E alguns são enormes. Segundo consta, um deles é do tamanho do reboque de um camião tir...
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
Há quem não consiga (nem queira...) "lutar contra". E então juntam-se aos "reis da confusão", que passam o tempo de dedo em riste, a culpar alguém do que está a acontecer. Com eles a culpa nunca morre solteira, ao contrário do que acontece no país. Até mesmo a "cagadela de pombo" que lhe calhou por sorte, é culpa de alguém...
Com toda esta obsessão - parecida com a popular "lavagem ao cérebro" - em querer "justiça", nem se preocupam que estejam a acusar as pessoas erradas. Eles querem é culpados, querem é apontar dedos, querem é ver alguém no "cadafalso", mesmo que seja alguém inocente...
Quase no fim desta conversa, que começou com a tentativa de dividir a questão da segurança e da acção policial, em "esquerda" e "direita". Com um simplismo que até meteu dó: os esquerdistas defendem os bandidos, a direita defende os polícias.
Ou seja, eu e o meu amigo Orlando, éramos os únicos na mesa, com o "emblema" de perigosos esquerdistas, apenas por defendermos o estado de direito, por acharmos que a principal função das polícias é garantir a segurança das pessoas e não andar a agredi-las...
Houve alguém que teve a feliz ideia de mudar de assunto. Mas só mudou a temática, a "fome de justiça" continuava bem viva. Já não disse mais nada.
O meu amigo Orlando simplificou tudo aquilo que acabara de acontecer com uma simples frase: «se não os consegues vencer, juntas-te a eles...»
Não sei o que vem aí. Sei apenas não é nada de bom, quando percebemos que há cada vez mais "carneiros" à nossa volta, que em vez de pensarem pela sua cabeça, preferem o caminho mais fácil, ir atrás do rebanho...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)