segunda-feira, dezembro 30, 2024

A continuação (que se quer quase sempre diferente...)


Amanhã vira-se a página, o 2024 vai embora e chega o 2025.

Muitas vezes falamos do fim de uma coisa e do começo de outra. É mais uma daquelas "patranhas" que tentamos contar, a nós e aos outros, mesmo que sejamos cada vez menos convincentes.

Muitas vezes é uma necessidade nossa, de fingirmos que vai chegar o "novo", o "diferente", o "melhor". 

E se o ano que que está a acabar não foi grande coisa, é mesmo preciso mudar, e tentar, pelo menos no que depende de nós, que o que está quase a chegar seja melhor.

É por isso que vos desejo um bom Ano Novo.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, dezembro 27, 2024

Clamar aos deuses apenas porque sim...


A igreja do líder do Chega e de outros instigadores de ódio que andam por aí, sem esquecer os muitos padres (que se guiam sobretudo pela frase célebre e cada vez mais seguida: "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço") poderá ter por lá algum deus menor, mas Jesus de Nazaré, não terá com toda a certeza.

Por muitos padres nossos, avés marias ou credos que saibam dizer, alto ou baixinho, de certeza que não chegam ao tal mundo dos justos e dos iguais, que dizem ser o paraíso.

Provavelmente, isso pouco lhes importa. Querem é andar por cá de barriguinha e bolsos cheios, a satisfazer os seus caprichos. No fundo, talvez acreditem que quando fecharem os olhos acaba tudo, por muito que olhem para o céu e clamem aos deuses...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, dezembro 26, 2024

Apesar dos nacionalismos crescentes, há mais que um país dentro do nosso país...


O que aconteceu em volta do Martim Moniz, acabou por se surgir em muitas conversas, nesta quadra festiva, repartidas por várias casas.

O que notei, é que nem mesmo as pessoas mais conservadoras acharam bem o que passou. Todos estavam de acordo que quando se quer apanhar "foras da lei", não se lança "fogo de artificio". A não ser que o objectivo da operação seja o de  "espantar-bandidos".

Mas nem era sobre isso que eu pretendia escrever. Uma coisa curiosa (quase a entrar no campo do "sexo dos anjos", ou do "nascimento da galinha e do aparecimento do ovo"...), que se falou, era se já nascemos racistas. Uns disseram que sim, outros disseram que não. Eu fui dos que disse "que não", esquecido das coisas que já estão dentro de nós, assim que abrimos os olhos neste mundo...

Mas do que sei, é que se vivermos numa comunidade que não seja racista, por muito que não achemos piada às pessoas de outras cores, temos de "meter a viola no saco" e fingir que somos todos iguais...

Infelizmente não é o que se passa nos nossos dias. Sente-se que o populismo veio para ficar e está cada vez mais à flor da pele, de muito boa gente que nos rodeia.

Mas não há nada a fazer. Apesar do nacionalismo crescente, somos cada vez menos (deixámos de gostar de fazer criancinhas...), a necessidade económica e laboral é quem mais ordena, e isso faz com que exista mais que um país dentro do nosso país...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, dezembro 22, 2024

O Natal já foi outra coisa...


Nunca percebi como é que a igreja (se calhar devia escrever "igrejas"...) entrou neste "logro" que é o Natal do senhor das barbas brancas e das roupas vermelhas, que não deixa de ser uma boa história vinda da Lapónia, mesmo que esteja muito longe de se aproximar, quanto mais de suplantar, a que todos conhecemos sobre o nascimento de Jesus de Nazaré. 

Mas em termos práticos, suplantou. E há já uns anos valentes. 

Na minha infância ainda existia o Menino Jesus e o célebre sapatinho, que se colocava na chaminé. Não me recordo se já existia a "parceria" com o Pai Natal (talvez já fosse uma espécie de funcionário de Deus, ou de Jesus, também com superpoderes...), que com o seu carro e as suas renas chegava a todo lado. E embora fosse anafado, conseguia encolher o corpo e descer por todas as chaminés e deixar os presentes...

Estas histórias estão sempre repletas da palavra "talvez"... E insistindo nela, talvez o Papa e os seus conselheiros tenham achado graça à figura e achassem que podiam utilizá-la, para proveito próprio (mesmo que acabassem por perder o "fio à meada", a meio do caminho)...

Vejam lá, que até fiquei a pensar, que, talvez tenha sido também por causa do Pai Natal que o Salazar, proibiu a "coca-cola" no nosso país. Ele, como qualquer ditador que se prezasse,  era "muito religioso" e não embarcava muito em "americanices"...


sábado, dezembro 21, 2024

Algo de estranho se passa no "reino da Madeira"...


Não acredito que seja apenas o medo da mudança que faz com que as pessoas continuem a votar em Albuquerque, na Madeira.

Mesmo sendo arguido, as pessoas da ilha devem ter a percepção de que continua a ser o mal menor para todas elas.

Isso acontece porque a oposição deve ser do mais "manhoso" que existe, no campo político (e são, ao ponto de terem todos vontade de se unir, só para ascenderem ao poder. Só não o fazem por vergonha...).

Em vez de fazerem pela vida nas campanhas eleitorais, parecem estar à espera de "vitórias administrativas".

Até o "bokassa", que esteve quarenta anos no poder, aparece aqui e ali, armado em "salvador da pátria", a querer vingar-se do homem que o tirou do poder...

Não tenho dúvidas, de que se Albuquerque, vencer as próximas eleições, será a democracia a funcionar, ou seja a vontade do povo.

Mesmo assim, sei que algo de estranho se passa, no "reino da Madeira"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, dezembro 20, 2024

Um Natal com cada vez mais dificuldades em esconder as "misérias humanas"...


Não sei se lhe chame uma coisa curiosa, até porque pode ser mais comum do que aquilo que eu possa imaginar.

À medida que os anos vão passando,  tenho cada vez menos paciência para o Natal.

Sei que em parte isso deve-se a este mundo que nos rodeia, ter cada vez menos ares natalícios (as luzes e as montras não contam...). Gaza, Beirute, Damasco ou Kiev, são os maiores exemplos...

Por outro lado, como tenho os filhos já adultos (ainda não há netos...), perdeu-se um pouco o encanto e a sua alegria contagiante (mesmo que passageira...) em receber presentes...

Tenho vários defeitos, mas a hipocrisia, o cinismo e a inveja, não estão no "pacote" (e ainda bem, são das coisas mais miseráveis e vulgares dos seres humanos...). E esta época traz todas essas coisas - em "tamanho xl" - para as casas, para as ruas, para as igrejas e sobretudo para as lojas.

E se há coisa que nós vamos perdendo com os anos, é a paciência para fazermos fretes.

Claro que isto não tem nada a ver, por exemplo, com a reunião natalícias das famílias. Numa época em que este núcleo especial tem sido tão desvalorizado, é bom que as pessoas que se encontrem, nem que seja, na tal "uma vez por ano"...

É com gosto que janto a 24 com a minha sogra, passo ceia com os meus cunhados e mais família (onde até costuma aparecer o "pai natal"...). Ou almoço a 25 com a minha mãe e o meu irmão...

Mas não consigo suportar este regresso ao passado, ao tempo dos "coitadinhos", com os ricos a voltarem a "escolher" o seu pobrezinho, para a sua ceia (voltou-se a isto, com mais visibilidade, porque os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres...) ou a ver o presidente da república a servir refeições aos sem abrigo (ele bem podia fazer com que o natal para esta gente não fosse apenas um dia. Até lhe dou a ideia de, quando sair do cargo, fomentar estes encontros, mensalmente...).

Nota: Este texto começou por ser publicado no "Casario", depois passou para as "Viagens" e agora fica aqui no "Largo"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, dezembro 19, 2024

O poeta O' Neill faz hoje cem anos


O poeta O' Neill faz hoje cem anos.

Mesmo num país de grandes poetas, o Alexandre não conseguiu passar despercebido. E ainda bem.

O curioso, foi ele, depois de andar pelos cafés, com um casaco vestido do avesso, à boa maneira surrealista, ter conseguido mudar de rua, e retratar tão bem a nossa vidinha nos seus poemas.

A 17 de Agosto de 2022 escrevi sobre ele aqui no "Largo", porque estava a ler - e a gostar - da biografia da Maria Antónia Oliveira. E agora volto a esse texto, com um sorriso e um aplauso a um poeta, com visões poéticas geniais:

«Normalmente não tenho grande simpatia pelos nossos "génios meio chanfrados" (como são os casos de Luiz Pacheco ou de João César Monteiro, por exemplo), mas o Xana era bastante diferente deste "dueto chupista", embora também tivesse uma vida bastante irregular, não costumava "cuspir na sopa" nem deixar os amigos "descalços".

Mas vamos lá ao livro e ao poeta O'Neill...

A Maria Antónia escreveu esta biografia por aproximações, servindo-se com mestria dos testemunhos de pessoas que o conheceram bastante bem e também de alguns textos autobiográficos (embora a memória do poeta não fosse muito fiável...). A sua primeira esposa, Noémia Delgado, tem um papel importante nesta obra. Percebe-se que ele foi o amor da sua vida, mas não guardou qualquer ressentimento com a separação, nem nunca deixou de o achar um dos nossos grandes poetas.

Gostei de saber que ele além da paixão pela poesia da vida, também gostava bastante das pessoas, de preferência gente humilde, com quem gostava de conversar e acamaradar, de igual para igual. E eram muitas vezes as fontes de inspiração para os poemas e também para a publicidade, que foi o seu melhor "ganha-pão"....

Embora estivesse longe de ser um homem bonito, viveu muitos amores pela vida fora. Era um excelente conversador, levava as mulheres à certa, com o seu humor, a sua poesia e a sua simpatia natural (e também da outra, sedutora...).»

Graças a este livro-retrato, percorri, mais que uma vez, a sua Lisboa, que tinha como "capital", o Príncipe Real...

Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, dezembro 18, 2024

Um argumento forte, como ela...


Cada vez nos era mais difícil dizermos que ela não era actriz.

Puxava da lista da sua filmografia, com a participação em mais de 30 fitas e nós olhávamos uns para os outros, sem saber o que dizer. Escutávamos as suas palavras, naquela sua voz muito fininha, que não resultava em televisão ou cinema, a não ser para interpretar uma qualquer personagem complexa e ridícula. Só que, esses papeis complicados, estavam destinados para os bons actores e não para meros figurantes...

Ela merecia ser confrontada com a realidade, com o facto de nesses trinta e poucos filmes, não ter dito mais de trinta palavras...

Mas para quê? Estragava-se o sonho, a ilusão, ou o que lhe queiramos chamar.

Pensava que ela não sabia como era tratada nas ausências. Estava enganado. Foi ela que me disse, para não me preocupar se ouvisse chamarem-lhe, a "actriz gorda". Acrescentando que essa era a prova de que ela era mesmo actriz...

Parecia ser um argumento forte, parecido como ela...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, dezembro 17, 2024

Estes tempos de demasiadas realidades...


Se a primeira frase foi boa, «Gostei bastante de ler o livro», as restantes, deixaram no ar algumas pontas soltas...

Ele tinha razão quando disse, «A história está cheia de omissões...»

Foi por isso que durante alguns minutos, quando caminhava pelas ruas com cheiro a Natal, fui perseguido por esta frase. Por ser verdadeira e de alguma forma, tocar-me, ainda que indirectamente.

Claro que ele depois tentou amenizar "a coisa". «Não precisas de ficar preocupado, não é nada de grave. São apenas maneiras diferentes de olhar a realidade.»

E são mesmo. E acho que esse é o problema do nosso tempo, há demasiadas realidades, quase uma para cada um de nós...

É por estas razões que as autobiografias, os diários e as memórias, quando são transformados em livros, são quase sempre lidos de formas diferentes...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, dezembro 16, 2024

Egoísmos, oportunismos e fingimentos...


O maior problema dos políticos é a sua capacidade de "fingimento", de fazerem de conta que está tudo bem, ao mesmo tempo que vão passando ao lado dos problemas, sem se preocuparem com as "bolas de neve", que deixam crescer, aqui e ali.

É desta forma que coisas aparentemente simples, que poderiam ter respostas quase imediatas, se tornam com o tempo, autênticos flagelos sociais...

Quando olhamos e escutamos as notícias sobre a gente (quase sempre de pele mais escura...) que ocupa lugares abandonados e os transforma em "bairros", e que depois de terem andado a escapar à lei, quando são confrontados com as ilegalidades, querem que o Estado lhes resolva o problema, a primeira coisa que pensamos é na mentalidade destas pessoas, que querem ter um "estatuto especial" de cidadãos. Acham que têm de ser os poderes, locais e nacionais, a arranjarem-lhes uma casa, quanto a maior parte de nós, teve de comprar ou alugar a casa onde vive...

Ninguém escapa a este "egoísmo" humano, até por muitas vezes sermos confrontados com situações de mero oportunismo, de gente que já tem casa e vai para estes locais, apenas para que lhes "ofereçam uma outra casa"...

Continuo a pensar que se as autoridades actuassem de imediato (em vez de assobiarem para o ar...), colocando fim a estas "ocupações", mal as pessoas se começam a instalar nestes espaços abandonados, degradados e perigosos, se evitavam muitos destes problemas, que crescem quase como cogumelos.

Claro que o problema central continua a não ser este. Nem é apenas a falta de casas. É sim, um outro "oportunismo" de todos aqueles que têm casas para alugar ou vender, e que o tentam fazer pelo maior valor possível...

Eu sei que é a "lei da oferta e da procura" a funcionar, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, dezembro 15, 2024

Ministras com patas de elefante e voz de peixeiras


Este governo apostou, praticamente desde início, em ter políticos (neste caso particular, políticas...) com comportamentos pouco habituais, apontando o dedo de uma forma incisiva, e até ofensiva, aos anteriores detentores dos cargos.

A ministra do Trabalho enxovalhou na praça pública a Provedora da Santa Casa da Misericórdia, demitindo-a do cargo, deixando atrás de si uma série de acusações, a maioria das quais ainda não foram provadas.

A ministra da Saúde, já com um passado de confrontos com o director-geral do sector, preparou o terreno para que este se sentisse desconfortável e fosse embora. O que acabou por acontecer, com danos graves para todos nós...

A ministra da Cultura esteve à espera do último dia (em que se pode demitir sem indemnizar...), para demitir a administradora do CCB, acusando ao mesmo tempo o anterior responsável da pasta de compadrio e de partidarização da cultura. 

Não me lembro de existirem este tipo de acusações, de ministro para ministro, mesmo quando aconteceram vários casos, mais polémicos e prejudiciais ao país (alguns até de polícia e com o recurso aos tribunais), ao longo dos últimos quarenta anos de democracia.

Mas o mais curioso, é não se notar nada de novo, de verdadeiramente reformador, nestes sectores. Especialmente no da saúde, onde os problemas se têm multiplicado neste último ano...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, dezembro 14, 2024

«As revoluções são campos de pasto, do melhor, para os oportunistas.»

 


Todos sabíamos que ele estava certo.

«As revoluções são campos de pasto, do melhor, para os oportunistas.»

A publicidade dera-lhe ginástica mental para dizer muito em poucas palavras. Sem falar do poeta, escondido, apenas de gaveta...

A maioria de nós tinha exemplos na família de gente que até ao dia 25, eram "perigosos comunistas", e que a partir de 26, passaram a ser "burgueses" ( e algumas vezes, em surdina, "fascistas"...).

A Síria não vai ser diferente das outras revoluções, por muito que inventem os  "leitores de cartas" e de "mãos"...

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)