sexta-feira, dezembro 30, 2016

À Espera de 2017, sem ter Godot por Perto...

Não tenho grandes balanços para fazer de 2016, foi um ano com parecenças com outros, recentes.

Sei que houve uma dedicação excessiva (pelo menos para quem trabalha sobretudo com as letras...) à fotografia, com duas exposições grandes (foi muito para um amante de fotografia mediano...). Algo que com toda a certeza não irá acontecer nos tempos mais próximos.

2017 será forçosamente um ano diferente: há um livro que quer muito existir (além de alguns compromissos já assumidos, ele já está a crescer e a andar de um lado para o outro...), irá nascer um novo blogue (dedicado a Romeu Correia, no ano do centenário do seu nascimento) e espero, finalmente, viajar com Fernando Pessoa por Cacilhas. 

Talvez também exista uma peça de teatro. Mas vamos ficar por aqui. Já são coisas suficientes para fazer de 2017 um ano diferente... 

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 28, 2016

O Cenário de Guerra de um País Pacífico...


Num mundo que gosta de inventar crises em todos os continentes, que sangra África e o Médio Oriente há tempo demais, esta fotografia do Ginjal é apenas isso, uma fotografia. 

Pode parecer um "cenário de guerra", embora sejamos, aparentemente, um dos países mais pacíficos do Velho Continente.

A passividade portuguesa também se sente na recuperação das coisas...

(Fotografia Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 26, 2016

Sesimbra de Hoje e de Ontem

Hoje passei por Sesimbra.

É sempre agradável passar por esta Terra de pescadores, que sempre soube receber os visitantes (tal como a Nazaré...) apostando no turismo de uma forma simples, com os parcos meios existentes.

Nas duas Vilas era comum parte dos seus habitantes alugarem as suas casas no Verão, para quem vinha passar férias, mesmo que isso significasse terem de dormir em qualquer barração, durante os meses de Julho e Agosto...

Felizmente tudo mudou e hoje há uma aposta mais sólida no turismo, sendo a par da pesca, a principal actividade desta bonita terra, que até tem uma "praia da califórnia"...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 24, 2016

Um Natal Feliz para Todos

Tal como fiz no "Casario", também deixo aqui no "Largo" uma fotografia minha com a Praça da Liberdade, com decorações natalícias bem catitas, com o desejo de feliz Natal para todos vós que gostam de se perder aqui pelo "Largo".

sexta-feira, dezembro 23, 2016

«O Pai Natal não vem de barco.»


Apesar da cor, não é de facto, a barca do Pai Natal.

E a Anita (já quase que não se chama Anita às Anas...) tem razão, o homem das barbas brancas não vem mesmo de barco, apesar de ter muito espaço no porão, para as renas e para os presentes...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 22, 2016

O Amor, o Cinema, o Teatro e o Livro...


A peça que escrevi e foi representada durante a 18 ª Mostra de Teatro de Almada, encenada pelo Cénico Incrível Almadense, "O Amor é uma Invenção do Cinema", agora também é um pequeno livro.

Como digo na "nota de autor", decidi finalmente, transformá-la em livro, para que possa chegar a outras pessoas, que não puderam assistir à peça, representada em Almada.

Foi uma experiência especial. Ainda me recordo de assistir a um dos ensaios e ter algumas dúvidas de ter sido o autor do texto (graças à interpretação dos actores, que deram vida às personagens e transformaram o texto que tinha escrito numa outra coisa (melhor)...

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Conversas à Espera do Inverno com um Cheiro Natalício...


Fomos quase interrompidos por uma discussão acesa, entre três homens. Um deles passou rente à nossa mesa, quase a espumar pela boca.

O Gui retratou a situação com algum humor: «Há homens que são como as mulheres dão-se mal com as mudanças da lua.»

A Rita ofereceu-lhe três palavras: «machista duma figa.»

Eu perguntei-lhes se não era mais a mudança de estações, pois o Inverno estava mesmo à espreita.

O Gui disse que sim, acrescentando que as luas e as estações do ano são da mesma família, e que também eram primas das marés.

A conversa mudou com a passagem de um romeno, que embora andasse com um barrete de pai natal, queria uma moeda, ou até uma nota. O boné com ar de já ter feito muitos natais devia ser usado para nos dar qualquer toque no "coração". Não resultou.

Embora fosse a terceira pessoa que se abeirara de nós, a pedir qualquer coisinha, foi a única a merecer reparos. O preconceito é lixado. Foi por isso que eu aproveitei para chamar nomes ao Gui, que me devolveu um sorriso e  algumas palavras, quase certeiras, sobre a profissionalização deste povo, ao ponto de "comprar" crianças defeituosas para espalhar pelos lugares centrais da cidade. 

A Rita voltou a irritar-se, por só falarmos de coisas fora do espírito da época...

Foi por isso que abrimos o jogo e resolvemos fazer a habitual troca de presentes. Coisas simples, mas com o "carimbo e o carinho de autor".

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 19, 2016

A Filha e a Telenovela


Ela nunca conseguiu compreender a filha... 

Foi preciso uma telenovela para as aproximar, para ela finalmente sentir afinidades com a agora mulher, que ela tantas vezes fingiu que continuava a ser a menina das tranças, que penteava com desvelo, antes de saírem para o passeio pela Vila...

Nem sequer quis pensar que a filha que voltou a amar, era só uma personagem, um papel escrito por alguém, que nem fazia ideia que ela existia algures.

Ainda teve a tentação de lhe telefonar, mas depois de pensar melhor sobre o assunto, resolveu esperar. Bastava sentar-se no sofá, depois do jantar, e ficar por ali, a ver a telenovela da noite...

(Óleo de Salvador Dali)

domingo, dezembro 18, 2016

Os Verdadeiros Amantes do Oceano


Hoje fui espreitar o Oceano.

O frio não me assustou, provavelmente por gostar do mar de inverno.

Não sei se foi por a maré estar cheia, mas reparei que a praia está quase desaparecida, graças ao bailado das ondas que andam para cá e para lá, com energia da boa.

Os únicos que não desistem da praia são os surfistas, que agora até têm ondas capazes de dar alguma luta, ainda que distantes das provocadas pelo famoso "canhão" da Nazaré. 

Olho-os e percebo que o seu amor ao mar e às ondas não tem estação, bom ou mau tempo.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 17, 2016

O Presidente Que Adora Ser "Super-Herói" e "Salvador da Pátria"

Achei estranha a posição televisiva que Marcelo Rebelo Sousa tomou hoje à tarde, de mediador entre o Teatro do Bairro Alto e o Ministério da Cultura, como se os problemas que se arrastam há anos, pudessem ser resolver em minutos...

Por muito que o governo quisesse passar ao lado de mais esta questão, não teve qualquer hipótese. E o pior de tudo, foi o ministro da Cultura me parecer mais vitima que réu, em todo este processo, quando foi confrontado com Marcelo...

É preciso percebermos que esta "morte anunciada" do Teatro da Cornucópia é mais complicada do que parece, porque também significa o fim de um ciclo na sua direcção, devido aos problemas de saúde do seu director, Luís Miguel Cintra.

Por outro lado não estou a ver o Luís Miguel e todos os elementos que fazem parte da sua companhia teatral, a aceitarem qualquer tipo de tratamento de excepção. O que eles querem sim, é que se olhe para a Cultura em geral e para o Teatro em particular, com olhos de ver, e se deixe de uma vez por todas de fugir dos problemas e se dê o mínimo de dignidade aos agentes culturais deste país.

E isso não se resolve com as aparições marcelistas na pele de "super-herói" ou de "salvador da pátria", por um dia ou uma hora, a vida é muito mais que isso.

Pensava que ele já tinha percebido que a televisão não é o mundo real, até por ter sido um "actor político" durante longos anos... 

(Fotografia de autor desconhecido - de um presidente que "mete mais água" do que parece devido à sua aparente simpatia e simplicidade)

sexta-feira, dezembro 16, 2016

O Adeus da Cornucópia

O anúncio do adeus do Teatro da Cornucópia, ao fim de quarenta e três anos, só pode surpreender quem não conhece a realidade da grande parte das companhias teatrais do nosso país.

Mas dá que pensar que a este grupo, que sempre foi mais do Príncipe Real que do Bairro Alto (mesmo que fosse conhecido como parte integrante do bairro...), não tenha bastado o facto de ser reconhecido como uma das melhores escolas de teatro lisboetas (trabalhar com Luís Miguel Cintra sempre foi uma ambição natural para qualquer actor...). 

Sei que a qualidade e o rigor têm um preço demasiado alto e não se compadecem com os tempos longos de crise que vivemos, em que a Cultura tem sido a principal vitima dos cortes orçamentais do governo central e também dos governos locais.

E se juntarmos a tudo isto, o facto de muito boa gente achar natural e apoiar que se cortem os subsídios aos "malandros dos artistas que sempre viveram à conta do orçamento"... está tudo dito.

O argumento utilizado para o final desta aventura feliz de mais de quatro décadas, é o respeito pelo público. Não só compreendo, como sei que faz todo o sentido.  É muito bom não perdermos a dignidade, mesmo que os nosso sapatos comecem a ficar com uns buraquitos, aqui e ali....

(Fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Duas Certezas Natalícias


Há pelo menos duas coisas que tenho como certas na quadra natalícia.

É a época em que a hipocrisia se torna mais evidente. De repente, muito boa gente (especialmente os ricos, que continuam a coleccionar o seu "pobrezinho" no Natal...) repara que há pessoas que vivem nas ruas e estão meses e meses sem comer uma refeição decente ou vestir uma roupa confortável... 

E é também a época em que se gasta mais dinheiro em inutilidades, graças ao "Pai Natal", essa excelente invenção, que mesmo em tempos de crise, sabe a filhoses e a bolo-rei para as crianças e para para os comerciantes.

(Ilustração de autor desconhecido)