quarta-feira, setembro 10, 2008

As Pessoas de Almada

No "post" anterior falei das pessoas de Almada, mas talvez não tenha sido muito objectivo.

É por isso que vou dar mais um exemplo...
Quando vim morar para Almada, estranhei encontrar tantos "malucos" pelas ruas.
Passado algum tempo percebi o porquê do fenómeno.
A autenticidade das pessoas, fazia com que estas não tivessem receio, nem pudor, em expor as suas feridas à sociedade onde estavam inseridas.
Mesmo que se tratasse de um filho deficiente (desde que o grau não fosse demasiado profundo), eles achavam que não o deviam fechar em casa, porque o mundo é de toda gente...
Acho que hoje as coisas mudaram, para pior, tal como o país. Muitos dos ideais em que quase todos nós acreditávamos, foram varridos para debaixo dos tapetes...
Mas mesmo assim, ainda sinto que vivo no mundo real, em Almada...

"A Bicicleta de Tati", é da autoria de Robert Doisneau.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Uma Conversa Sobre Livros

Apesar de me ter deitado tarde no sábado, não devia faltar ao encontro promovido pelo blogue
À Volta das Letras porque, entre outras coisas, iam falar de um dos meus livros...
Quando cheguei à esplanada, aquele grupo de amigos já estava sentado a conversar. Entrei facilmente na conversa, variada e rica, como de costume.
Foi a Laranjinha quem mais falou sobre o meu livro de contos, para dizer e saber coisas que se escondem quase sempre por detrás das histórias e das personagens.
Uma das observações mais pertinentes que fez, foi que se notava bastante o meu gosto por Almada e pelos almadenses.
Isso fez com que lhes explicasse as diferenças que encontrei entre a minha cidade natal, burguesa e conservadora, e Almada, uma cidade de operários e progressista. Comecei por lhes dizer que era de esquerda, pelo que senti logo uma grande identificação com os almadenses, pessoas muito autênticas e reais, ao contrário de uma franja considerável de caldenses, que viviam (e ainda devem viver) quase de uma forma ilusória, num mundo de aparências...
Claro que também lhes expliquei que nem tudo são rosas em Almada e que o poder é uma coisa tramada, mesmo quando se afirma solidário, justo e amigo do ambiente.
Mais de trinta anos de poder, comunista, socialista ou social democrata, acaba por criar sempre demasiadas zonas obscuras e clientelismos inexplicáveis...
Este gostar de Almada também está ligado às pessoas especiais que tive o privilégio de conhecer e que me abriram as portas da cultura da cidade. Nunca esquecerei Romeu Correia, Henrique Mota ou Fernando Barão...

sábado, setembro 06, 2008

Isto é Arte!

Não sei se houve discussão na blogosfera sobre o Sapo que foi crucificado pelo artista alemão, Martin Kippenberger (como faleceu em 1997, se tiver possibilidade, algures, não deixará de sorrir, perante a universalidade tardia da sua arte...).

Aplaudo o museu italiano, "Museion", de Bolzano, por resistir às pressões do Vaticano, do governo de Berlusconi e das autoridades locais.
Porque razão a escultura, "Primeiro os Pés", que nos mostra um Sapo crucificado, com a língua de fora, uma caneca numa mão e um ovo noutra, não pode ser considerada arte?
Num tempo em que estamos todos a ser "crucificados", lentamente, em nome de tanta coisa, porque não um sapo?
Blasfémia? Não, é apenas um objecto de arte. Blasfémias serão sim, as frases ditas em nome de Deus, por quem tem tantos rabos de palha...
Eu percebi a mensagem de Martin e acho que o Bento XVI também...

quinta-feira, setembro 04, 2008

Sem Comentários

Antes de partir de férias tinha pensado que teria de deixar um meus blogues, com os comentários fechados.

Isto aconteceria apenas porque não tenho tempo para responder a todos os comentários que fazem no "Casario", no "Largo" ou nas "Viagens".
Não me foi difícil perceber qual se adaptaria melhor a este "silêncio" forçado.
Sinto que o "Largo da Memória" tem uma personalidade forte e é mais universalista, qualidades que fazem com que sobreviva bem sem comentários.
Por isso não estranhem se encontrarem a caixa de comentários fechada.
Embora o tempo esteja mais escasso, não cheguei sequer a equacionar o fecho de um dos blogues, porque qualquer deles tem uma identidade muito própria, o que dificultaria bastante a minha opção. Até ver, eles estão para durar...
A fotografia é de Karsti Stiege.

quarta-feira, agosto 27, 2008

O País Nos Jornais de 24 de Abril de 1974

Afinal parece que não se passa nada, no nosso país. São apenas alguns bandidos que resolveram passar férias em Portugal. A meados de Setembro volta tudo ao normal...

Era assim no tempo da outra senhora, graças ao exame prévio nunca havia notícias demasiado tristes ou aterradoras. Foi por isso que me apeteceu viajar na máquina do tempo e amenizar as últimas notícias de violência.
Não sei por onde começar, talvez por Loulé:
Três guardas da GNR, viram-se cercados por dezenas de meliantes, que os tentaram agredir. Contudo, os três elementos da força policial nunca baixaram os braços e resistiram às provocações, sem dispararem um único tiro, até chegarem os reforços necessários para impor a ordem e prenderem os insubordinados.
Agora as duas bombas de gasolina na margem Sul:
Três indivíduos encapuçados assaltaram duas bombas de gasolina na Margem Sul. A situação anormal foi prontamente controlada pelas forças policiais que montaram um cerco na região, estando por horas a sua detenção.
Volto ao Algarve, para falar do turista alemão baleado:
Um individuo perturbado tentou assaltar um turista alemão de meia idade, que resistiu ao assalto, percebendo o amadorismo do assaltante. Infelizmente o nervosismo do bandido fez com que este disparasse a arma e ferisse a vitima. A polícia local já está no encalço do bandido, que não terá muitas alternativas, senão entregar-se.
E por fim, os três bancos assaltados na Capital:
Aproveitando o período de férias e o menor movimento nas ruas, registaram-se três assaltos a bancos na grande Lisboa. Estes pequenos incidentes não registaram actos de violência nem foram muito bem sucedidos, já que as caixas estavam com muito pouco dinheiro e os assaltantes estavam com pressa, preocupados com a habitual prontidão da PSP.
Conclusão? Provavelmente, se ainda existisse exame prévio, estas notícias nem sequer seriam publicadas, mesmo depois de "trabalhadas". E sentíamos-nos mais seguros nas ruas, graças aos nossos polícias e aos nossos governantes. Só que a realidade não se deixa construir, como a ficção...

segunda-feira, agosto 25, 2008

Três Dias Depois...

Nunca é tarde para recordar, muito menos três dias depois...

Não estou a falar do Chiado, que está bem e recomenda-se, vinte anos depois do incêndio.
Estou a falar sim de Henri Cartier-Bresson, um dos grandes fotógrafos do século XX, porque no dia 22 de Agosto de 2008, comemorou-se o centenário do seu nascimento.
Ele um dia disse, sobre a sua arte:
Para mim a fotografia é o reconhecimento simultâneo, numa fracção de segundo, do significado de um acontecimento e da organização exacta das formas que o expressam.
Esta sua foto, "Leitura da Actualidade", tirada em Pequim, em 1948, também poderia ter sido postada no dia 19 de Agosto, Dia Mundial da Fotografia...

domingo, agosto 24, 2008

Os Limites Humanos

Os Jogos Olímpicos podem ser analisados de várias formas e terem várias leituras, mas mesmo as transversais, não podem passar ao lado dos fenómenos humanos.

Se por um lado os Jogos continuam a funcionar como um pólo de desenvolvimento da Sociedade onde estamos inseridos, ainda que com uma predominância local, como aconteceu agora em Pequim, por outro, dizem-nos que ainda estamos longe de estabelecer limites em relação à capacidade de superação dos atletas.
Não sei se antes do início da competição era possível encontrar muitas pessoas que tivessem levado a sério a promessa de Michael Phelps, de superar as sete medalhas de ouro de Mark Spitz, dos Jogos de Munique de 1972. Eu não acreditava mas Phelps conquistou mesmo oito medalhas de ouro...
Tal como também não achava possível que um jovem jamaicano de apenas 22 anos, Usain Bolt, ganhasse três medalhas de ouro na velocidade (100, 200 e 4x100m) com outros tantos recordes mundiais e olímpicos e com uma vantagem "anormal" sobre os adversários directos...
Estes dois exemplos são a prova de que continua a ser difícil estabelecer os limites humanos, a nível físico e até psicológico, com ou sem apoio genético.

sexta-feira, agosto 22, 2008

A Idade da Inocência (2)

Não estava à espera de ser apelidado, ainda que sorrateiramente, de foleiro e piroso, por fazer "posts" sobre os nossos campeões que têm andado pela Olímpia, que "acampou" em Pequim, na terra da gente dos olhos em bico, que adora iguarias como o escorpião e onde não deve existir espaço para cães vadios...

Sorri de satisfação, por não conseguir atingir o patamar intelectual de algumas "prima-donas", alérgicas ao sucesso da Vanessa e do Nelson, que olham para o desporto como algo com sabor a torresmos ou curatos.
Pena que a Telma e o João Rodrigues, e claro a Naide, não tenham subido ao pódio, para me fazerem escrever sobre histórias momentâneas que fazem dos portugueses gente feliz, com sorrisos e lágrimas de emoção...
Talvez por ser "piroso", é que envio aqui do Largo, um forte abraço para o Marco Fortes e para a Vânia Silva, lançadores e recordistas nacionais do peso masculino e martelo feminino, que aprenderam como ninguém, que não se pode ser apanhado na "idade da inocência" olímpica...
O atleta da fotografia é o americano Bob Mathias, que se sagrou Campeão Olímpico do decatlo - uma das provas mais difíceis do calendário olímpico e que define o atleta mais completo do atletismo -, com apenas dezassete anos, nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1948. Bob também foi o primeiro campeão olímpico na "idade da inocência", nesta modalidade. Ficou conhecido como o "invencível", pois nunca perdeu uma prova, embora se tenha retirado precocemente, com apenas vinte e dois anos, depois de repetir o Ouro Olímpico em Helsínquia...

quinta-feira, agosto 21, 2008

Mistérios da Memória

Pensamos em tanta coisa, sem termos uma explicação. Foi o que me aconteceu, quando comecei a pensar que a memória (de cada um de nós) é algo demasiado pessoal e selectivo.

Há quem recorde as coisas ao mais infimo pormenor, mesmo fisicamente. Conseguem ficar presas pela recordação de um olhar, um sorriso, um braço, um peito, um umbigo ou outra parte do corpo mais intima...
Outras pessoas prendem-se a lugares, conseguem viajar no tempo por caminhos e espaços que ficaram cravados na memória, por razões quase sempre felizes...
Mas há muito mais, há até quem memorize números e seja capaz de guardar quase uma lista telefónica ou os aniversários de toda a família...
É por isso que a memória é um mistério...
Eu fixo-me mais pelos lugares, por pormenores aparentemente simples, que ficaram guardados, sabe-se lá porquê. Sou um pouco distraído em relação a aspectos mais intimistas e sou péssimo em números.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Uma Guerra Pouco Fria

O "filho da putin" e a sua marionete, que o Rodrigues dos Santos chama qualquer coisa como "metviediv", querem voltar a fazer "braço de ferro" com o mundo.
A Geórgia e os seus habitantes são as primeiras vitimas nesta nova fase do Kremlin.

Pergunto: porque será que esta gente nunca escolhe ninguém do tamanho deles, para se armarem em "grandes"? Fazem-me lembrar os putos cobardes dos recreios das escolas que escolhem sempre como vitimas os mais pequenos e inofensivos...
O mais grave é vermos que o resto do mundo continua a assistir de camarote, a este novo "medir forças", a acreditar na retirada falaciosa...
Provavelmente os russos já têm saudades de brincar aos "indios e cowbois" com os americanos...

O desenho do Rui, dos seus bons tempos da "Visão", explica um pouco a filosofia dos russos, que devem achar que as centenas de milhares de desalojados da Geórgia, é que são os fora-da-lei...

terça-feira, agosto 19, 2008

O Brio e o Profissionalismo

Incomodam-me as palavras dos "vicentes mouras" e de outros dirigentes desportivos, que à boa maneira portuguesa, se agarram aos lugares nas federações, associações e clubes como "lapas", onde permanecem décadas, sem conseguirem alterar as mentalidades, a política desportiva, os apoios e até a forma com que se preparam os Jogos Olímpicos e as outras grandes competições.

Falou de brio e profissionalismo. E falou muito bem. E é esse brio e profissionalismo que falta à maior parte dos dirigentes desportivos portugueses, que só se preocupam se está tudo bem, quando é necessário "inventariar" a participação portuguesa, alguns meses antes da partida, composta quase por tantos dirigentes e treinadores como atletas... eles sim, os verdadeiros "turistas" de ocasião.

Há treinadores em Pequim que nem sequer têm responsabilidades técnicas. Todos os portugueses devem ter ouvido as queixas dos dois atletas do remo, que alcançaram um histórico oitavo lugar, mas que não contaram com o apoio do seu técnico durante a competição, porque o lugar na comitiva já estava ocupado pelo responsável federativo...

É preciso de uma vez por todas definir objectivos. Se só querem levar atletas com possibilidades de ganharem medalhas e serem finalistas, tornem os mínimos mais rigorosos. Claro que quando fizerem isso, há modalidades que deixam de estar presentes com atletas, assim como os seus respectivos dirigentes e treinadores.
E esta é a melhor forma de se acabarem os "passeios" aos Jogos, principalmente de muitos dirigentes...
Claro que isso não vai acontecer, porque eles não querem perder esta oportunidade, de quatro em quatro anos, de conhecerem mais mundo e de falarem de brio e profissionalismo, quando lhes colocarem um microfone à frente...

O boneco do António mostra-nos o popular Zé, "Ziguezagueando"...

segunda-feira, agosto 18, 2008

A Prata de Vanessa Vale Ouro

Vanessa Fernandes conquistou a primeira medalha portuguesa em Pequim, com mais uma excelente prestação na prova de triatlo.
Com muito suor, garra e espírito de sacríficio conseguiu a segunda posição numa das provas mais duras do programa olímpico.
Parabéns para a Vanessa, para a família e para o seu técnico, que têm estado sempre a seu lado, nas vitórias e nas derrotas.