domingo, maio 14, 2023

Aprendemos coisas diferentes com a mesma lição de vida...


Na primeira grande crise deste milénio, um amigo meu perdeu o emprego, teve de vender a casa e aprender a viver novamente com pouco dinheiro.

Como era relativamente jovem e inteligente, aos poucos e poucos foi refazendo a vida. E hoje leva uma vida próxima dos padrões anteriores a esse pesadelo, pela qual tiveram de passar milhares de portugueses.

Um dia destes conversou comigo sobre essa época e sobre estes tempos que vivemos. Disse-me que "ser pobre" ajudou-o bastante, ao ponto de se ter precavido para que a família não volte a passar pelo mesmo. Nunca mais deixou de valorizar cada euro que ganha e cada euro que gasta.

O curioso da nossa conversa foi ele ter confessado que a mulher "não aprendeu nada" com tudo o que passaram. Ou seja, não prescinde de comprar tudo aquilo que deseja e que esteja ao alcance da sua bolsa. Já desistiu de falar com ela sobre o assunto porque lhe responde que tem tempo de poupar e de não comprar o que gosta, quando voltar a ser "pobre". E ele mete a "viola no saco"...

A única coisa que lhe disse foi que estava enganado, quando dizia que a esposa não tinha aprendido nada. Olhou-me curioso, antes de eu acrescentar, que, como somos diferentes, também aprendemos coisas diferentes com a mesma lição de vida...

Claro que ele não ficou nada convencido. Nada de preocupante, porque nós não estávamos ali para nos convencermos um ao outro, apenas para conversar...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, maio 13, 2023

Coisas Estranhas (ou nem por isso)


Parece que ninguém se anima (nem acredita...) com os bons resultados da nossa economia.

Mas não é assim tão estranho. Já todos percebemos que além de se mentir muito, também se inventa outro tanto.

E talvez até possa ser assim, à nossa custa. Quando a realidade  nos mostra o preço dos legumes, da fruta, da carne ou do peixe (até já publicitam o valor de cem gramas disto e daquilo), sabemos que uma fatia do que pagamos vai para o "estadão". 

Como diz o Carlos, é o que acontece quando se vive num país com um passado duvidoso, um presente incerto e um futuro inexistente...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


sexta-feira, maio 12, 2023

As Filas Intermináveis Aqui e Ali...


Ontem falei do turismo e da possibilidade de existir um "prazo de validade", nesta avalanche, que continua a ser bem recebida por quem enche os bolsos e olhada de lado, por quem viu piorar a sua qualidade de vida.

Já li em mais que uma reportagem, que um dos aspectos que mais chateia os nossos visitantes são as filas intermináveis para visitar alguns dos nossos monumentos mais característicos, ou ainda, para dar uma volta por Lisboa de eléctrico (faz-me sempre confusão ver o monte de gente que aguarda a chegada do "amarelo" na praça do Martim Moniz)...

E vai continuar a chatear, porque não vejo ninguém a preocupar-se muito com este pormenor, que para gente oriunda de países mais organizados que nós, é um "pormaior"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 11, 2023

Nada Costuma ser Eterno...


Os políticos acreditam (ou fingem...) que nunca mais vamos deixar de ter turistas à nossa volta, especialmente nas duas cidades maiores, Lisboa e Porto.

Não sei se será assim. As pessoas gostam de variar, não visitam sempre os mesmos sítios. Pelo que tenho dúvidas de que a tal "novidade" irá manter-se "quase eterna"... 

Até porque quem trabalha com turistas, apesar de sorrir muito e falar inglês, "vai-se esticando" cada vez mais: aumenta os preços e reduz a qualidade do serviço (isso acontece cada vez mais na hotelaria e na restauração)...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


terça-feira, maio 09, 2023

«Mentimos cada vez mais, por tudo e por nada.»


É provável que não exista nenhuma explicação científica, mas todos sentimos que se mente cada vez mais, por tudo e por nada.

Não me espantou nem um pouco que a Carla me dissesse: «Mentimos cada vez mais, por tudo e por nada.»

Claro que ela disse isto depois de aturarmos um mentiroso quase compulsivo, que é capaz de nos contar uma patranha qualquer, com o ar mais sério do mundo. Ainda bem que ele não é vendedor, é apenas um designer imaginativo.

Quando a questionei, sobre porque mentimos, ela respondeu o óbvio, «porque gostamos», eu repliquei «porque precisamos», e ela ainda foi mais objectiva, «porque queremos». Este querer deixou-me quase sem palavras.

Quando nos separámos fiquei a pensar, que, talvez os exemplos maiores venham dos políticos, que sempre mentiram, mas nunca de forma tão descarada, e até leviana. E é natural que estes maus exemplos passem para o cidadão comum, que também vai perdendo, cada vez mais, a vergonha e o pudor.

É apenas mais uma das muitas inversões de valores, que se deu nesta sociedade, onde se tenta sobreviver, cada vez mais a qualquer custo...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, maio 08, 2023

Os "Mercadores de Outras Venezas"...


É curioso, os preços aumentam em todo o lado, mas eu só me queixo e "chateio" o jovem merceeiro da minha rua.

Talvez isso aconteça por o conhecer de gaiato e por sempre falarmos sobre tudo e mais alguma coisa.

Ao ver os seus preços, digo-lhe que as coisas no "chinês" (são pelo menos três na praça Gil Vicente...) são muito mais baratas (e são...). Finge não acreditar e não saber como é que eles vendem as coisas a esses preços... Mas é apenas isso mesmo um fingimento. Os chineses utilizam a mesma "técnica" que os merceeiros das grandes superfícies, vendem mais barato com o objectivo de vender muito mais, multiplicando as margens de lucro...

Confidenciou-me que há gente que não vê há semanas largas (pessoas idosas com reformas baixas, que ele trata pelo nome...) por ali na loja. Digo-lhe em jeito de provocação que vão ao "chinês". Ele abana a cabeça e diz que não, dando a entender que talvez o dinheiro não dê para as compras que antes eram quase diárias...

Não sei se é assim. Sei apenas que esta vida quase que só continua boa para os "mercadores de outras venezas"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


domingo, maio 07, 2023

Já ninguém quer "morder o cão"...


As notícias tornaram-se uma banalidade. É tudo demasiado previsível.

O Ricardo Araújo Pereira deixou isso hoje bem claro no seu programa, Isto é Gozar com quem Trabalha, "mostrando carecas" e "levantando vestidos" aos muitos comentadores e comentadores da "corte"....

Talvez até tenha sido apenas um número. Talvez António Costa apenas tenha tentado "abanar" com toda aquela sapiência dos comentadores que fingem ter uma "bolinha de cristal" e o poder de demitir ministros...

E conseguiu-o. Mas tudo tem um preço.

Ou seja, não ganhou apenas o Marcelo como "inimigo". São mais que muitos aqueles que querem dar uma ajuda no "empurrão" fatal ao Galamba.

Voltando às notícias, para mal do jornalismo, parece que já ninguém quer morder o cão (só mesmo o Costa)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, maio 06, 2023

Quase todas as Palavras começaram por Dê...


O que se passa no Governo da Nação não deixa ninguém indiferente. Mesmo que em tempos possa ter sido uma "criação" das oposições, hoje é muito mais que isso. A mentira de perna curta e a incompetência não são invenções, são uma realidade com que somos confrontados diariamente.

Acredito que não seja a causa principal para que as ruas de Almada estejam cada vez mais imundas, para que as pessoas encham o espaço rente aos contentores de inutilidades ou de restos de casas (talvez aconteçam mais despejos do que se pensa...). Mas anda por lá perto...

Onde se nota "o seu dedo", é no mau serviço prestado por quase todos os meios de transporte que temos de utilizar na Grande Lisboa (cacilheiros, autocarros, comboios ou metro...).

Mas onde encontramos as suas "duas mãos" é nas manifestações de protesto, cada vez mais generalizadas. Quando os governantes fingem que resolvem os problemas, mas não resolvem nada, não se pode esperar outra coisa...

É praticamente impossível sentarmo-nos numa esplanada a beber o café e passarmos ao lado de todo este "western" político. Se as "balas" com que eles "brincam" não fossem de pólvora seca, seriam muito poucos os ministros e secretários de estado, que ainda tinham pés...

Falámos algumas vezes de "desgoverno", outras de "desleixo", menos de "desprezo", quase nunca de "democracia". Mas a palavra que mais vezes ecoou na mesa, foi "desrespeito"... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 05, 2023

Um Homem Completamente Desequilibrado


Normalmente evito falar de futebol por aqui, talvez por ter sido jornalista desportivo e por levar tudo aquilo que rodeia este desporto, muito pouco a sério.

Mas é difícil passar ao lado de Sérgio Conceição, que deverá ser uma das pessoas mais desequilibradas  que se podem encontrar dentro do recinto de jogo. E acrescento já que  não acredito na tese de que é uma boa pessoa fora dos relvados. Mesmo que possa ter dupla personalidade, ninguém muda assim tanto.

Como técnico é dos melhores do mundo, prepara as suas equipas muito bem e tem uma leitura de jogo extremamente clarividente (deve ser um dos treinadores que mais influencia o jogo através das substituições e mudanças de sistema de jogo enquanto decorrem as partidas...), mas depois perde-se, tem um comportamento verdadeiramente execrável para com os adversários e com os árbitros. Não é por acaso que deve ser o treinador português que mais vezes foi expulso no interior de um recinto desportivo.

É difícil encontrar alguém que não saiba perder e ganhar, como Sérgio Conceição. Podia limitar-se a não saber perder, mas não. Ontem, em vez de aplaudir João Pedro Sousa, o treinador do Famalicão, pela forma como se bateu no Estádio do Dragão - ao ponto de merecer a vitória -, gritou e bracejou, de uma forma ofensiva, quase em cima dele, quando a sua equipa marcou o golo da vitória.

Não lhe chamo "jabardo", como um embaixador famoso, que o Sérgio levou a tribunal, mas gostaria muito que demonstrasse ter alguma dignidade e o mínimo de respeito pelos adversários, tanto na hora e meia de ganhar como na hora e meia de perder.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, maio 04, 2023

Cada vez tenho menos dúvidas de que é assim...


Estávamos a falar de coisas que "tresandavam" (os prémios do que quer que seja, são apenas mais uma das coisas muito estranhas que existem  à nossa volta...), de como não conseguimos ser verdadeiramente honestos, quando estão em causa os nossos amigos...

Eles continuaram a falar de livros, de escritores e de prémios e eu recuei à minha infância, ao futebol do meu querido Caldas. 

Quando fiz parte da sua equipa de iniciados, tive muita pena de não ser acompanhado por dois dos meus melhores amigos, o Xico, um guarda-redes das defesas impossíveis e o Paulo, um centro-campista daqueles que conseguem fazer o futebol ainda mais bonito. Felizmente o Paulo no ano seguinte fez parte da equipa de juvenis... E como eu ficava chateado por ele estar sentado a meu lado, no banco de suplentes, porque achava-o melhor que quase todos os que pisavam o pelado.

Hoje, à distância de mais de quarenta anos, consigo perceber que devia ser ligeiramente tendencioso para com o meu amigo, ainda que o treinador percebesse muito pouco de futebol...

Tudo isto para dizer que a classificação que fazemos dos autores ou da sua obra, só é verdadeiramente honesta se não conhecermos ou não tivermos nenhum tipo de relacionamento pessoal com a pessoa em causa.

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quarta-feira, maio 03, 2023

A Praga dos "Criadores de Factos"


Não sei onde irá parar o jornalismo, com toda este deturpação de factos diária. Provavelmente será cada vez menos levado a sério e terá menos leitores e telespectadores...

Se o futebol já há muito que tinha sido invadido pelos "criadores de factos", graças à "clubite" (por isso era encarado mais como diversão que outra coisa qualquer...), bastou um pequeno passo, até se deslocar para a política e para sociedade.

Se antes existia algum pudor em "inventar", "enganar" e em "mentir", quando se tratavam de factos, percebe-se facilmente que se chegou aquele ponto, onde "vale tudo", em nome do poder, das audiências ou das vendas. E o mais curioso, é alguns destes "mentirosos" conseguirem ser figuras de proa, do tal jornalismo que vai de vento em popa...

Era preferível que esta gente se dedicasse à ficção, embora isso lhes desse muito mais trabalho...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


segunda-feira, maio 01, 2023

A Tentativa de "Rapto" de Abril e Maio...

 


Abril e Maio costumam ser meses de esperança e até de mudança... 

Mesmo que não seja uma verdadeira surpresa, o Verão está a querer antecipar-se à Primavera de uma forma mais intensa,  "roubando-nos" o que esta estação tem melhor, os cheiros, as cores, e até mesmo alguma frescura, nos começos das manhãs e nos fins de tarde...

Um pouco mais ao lado, nota-se a tentativa de "rapto" de Abril e Maio, com acções da extrema-direita parlamentar, que deviam envergonhar qualquer democrata (mas que dão pontos nas sondagens...), que acabam por influenciar a oposição e o Governo, de uma forma no mínimo estranha. 

Ou seja, ainda ninguém descobriu a forma certa de lidar com esta gente, que vai "minando" o regime democrático, tornando públicas algumas das suas fragilidades.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)