Na terça, dia dos "guardanapos", também escrevi sobre um pedinte "avençado", que nunca me tinha pedido um tostão, até hoje, na paragem do eléctrico...
Há anos que nos cruzamos, nunca lhe achei muita piada como pedinte, embora perceba que é preciso lata para andar por aí, anos e anos, de mão estendida. Ele deve ter percebido, por isso nunca me pediu uma moeda, enquanto deslizava rente às mesas de café.
Entre os seus vários "patrões" fixos, contava-se o Carlos, que lá lhe ia dando uma espécie de mesada, sem no entanto admitir abusos. Ainda me lembro de ele lhe dizer: «tenha paciência, mas hoje não é domingo.» Notava-se que havia por ali um parafuso a menos na "caixa dos pirolitos" e esperteza a mais naquela arte de pedinchar. Digo isto porque houve mais vezes que tentou um "adiantamento", o Carlos é que não ia na conversa...
Mas hoje arrependi-me de não lhe ter dado uma moeda. O homem que já deve ter ultrapassado os sessenta anos, devia estar mesmo necessitado de uma esmola, para me esticar a mão pela primeira vez. Fiquei surpreso por o encontrar ali. Apenas abanei a cabeça e ele seguiu sem parar, provavelmente por causa do frio...
A fotografia é de Alfredo Cunha.








