sexta-feira, setembro 11, 2026

"Cinco anos depois" (que agora são vinte cinco...)


Cinco anos depois
 
Cinco anos pode ser uma eternidade,
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Nova Iorque não voltou a ser igual,
As pessoas perderam tantas coisas...
Até a liberdade de serem quem eram.
O simples gesto, de um aceno ou sorriso,
Foi suprimido pela ditadura da segurança,
Assim como qualquer palavra circunstancial
Trocada na rua, com estranhos.
 
Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Podemos banalizar o que aconteceu
Fingir que as Torres Gémeas desapareceram,
Num truque qualquer de magia,
Podemos dizer que a vida continua,
Que o que já lá vai, lá vai...
 
Cinco anos pode ser uma eternidade
Ou ser apenas o dia seguinte...
 
Mas os rostos daqueles que partiram,
Sem marcar qualquer viagem,
Permanecem vivos no coração de Nova Iorque.
Sim, coração, de Nova Iorque!
O coração de qualquer cidade
São sempre os seus habitantes.
 
Luís [Alves] Milheiro

Nota: escrevi este poema em 2006, quando passaram cinco anos desta tragédia, ou seja há vinte anos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
 

2 comentários:

  1. Uma enorme tragédia difícil de esquecer, quando muitos assistiram em directo ao 2° embate e concluíram imediatamente que era um ataque terrorista.
    Eu estou nesse número.
    O mundo mudou e não foi para melhor!

    Abraço

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    Respostas
    1. Pois... está tudo pior, Rosa.

      Ninguém aprendeu nada (aliás, não quis....).

      Violência só gera mais violência...

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