Mesmo assim, continua a ser o melhor transporte do mundo.
No seu interior, as pessoas quase que não falam umas com as outras, preferem comunicar com os seus "rectângulos mágicos", que lhes oferecem notícias, mesmo sem pedirem.
Foi por isso que estranhei as duas miúdas que estavam mesmo à minha frente, que falavam pelos cotovelos e sorriam como se estivessem em casa.
Quando se levantaram para sair, pensei que podia ter dito uma daquelas coisas que nunca se devem dizer: «As coisas que fiquei a saber sobre ti, miúda! Até me contaste que não gostas de azeitonas.»
Falando mais a sério, foi por serem tão raras estas animações humanas, que ofereci estas palavras às duas meninas que têm um mundo à sua frente. Provavelmente muito mais complicado que este em que temos vivido...
(Fotografia se Luís Eme - Lisboa)
Ainda bem que há miúdas que gostam de falar, em vez de enfiarem o nariz no telemóvel.
ResponderEliminarDá prazer assistir a cenas destas, cada vez mais raras!
Abraço
É curioso como o silêncio dos "retângulos mágicos" tornou a espontaneidade humana num evento quase exótico. Se soubermos ouvir, os comboios continuam a ser o melhor lugar para se conhecer o mundo — nem que seja a parte do mundo que não gosta de azeitonas. É um alívio encontrar essa "falta de filtro" juvenil num vagão ocupado por ecrãs mudos.
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