Nem é preciso andar muito atento, para tropeçarmos neste país que faz questão de continuar injusto, para quase toda a gente.
Quando o Rui disse que só a morte é que nos salva. Ficámos todos a olhar para ele.
Depois percebemos...
Falou de todas as honrarias que António Lobo Antunes recebeu, assim que nos deixou.
Um ano antes, quase ninguém falava dele. Uma ou outra pessoa dizia que já não dizia coisa com coisa, mas muito às escondidas.
E continuou a falar de outras pessoas que nos deixaram, que nunca mereceram duas ou três linhas de jornal ou um rodapé na televisão. Até irem desta para melhor...
Para acabar a sua prosa da melhor maneira, disse que somos bons a contrariar o ditado, que nos diz para não deixarmos para amanhã o que pudemos fazer hoje.
É por isso que somos tão bons a esquivarmo-nos de homenagear uma boa parte das pessoas de valor, quando estão vivas...
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
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