Somos parecidos em muitas coisas, porque a vida não nos ensinou coisas muito diferentes. As duas coisas que nos distinguem de uma forma mais fácil, é o sexo e a cor de pele.
Sim, eu sou homem, tu és mulher. Eu sou quase cor de rosa, tu és quase castanha.
É por isso que quando nos sentamos na esplanada, procuras o Sol, eu procuro a sombra.
O mais curioso, foi teres-me contado, que há medida que os anos passam, sentes que as pessoas olham para ti, como se não pertencesses aqui. Mesmo que tenhas nascido neste país há mais de quarente e sete anos e só tenhas saído de cá em férias...
Foi por isso que adorei ouvir a história que me contaste, que podia ser sobre a "terra de todos e de ninguém".
Mesmo que nunca tenha sentido o que sentes, gostei muito da ideia sobre a existência de um país de ninguém, com as portas abertas para todos aqueles que sentem não pertencer a sítio nenhum, e por isso mesmo, preferem viver na "terra de ninguém", onde não há o hábito de se olhar de lado para quem passa, ou pior, mirar-se de alto a baixo, como se nos estivessem a tirar as provas de um fato ou de um vestido...
E depois voltámos para as mesas iguais, onde escrevemos coisas diferentes...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Que belíssima composição sobre a alteridade e o refúgio. É curioso como, sentados à mesma mesa, o sol e a sombra ditam geografias tão distintas, mas é na escrita — e nesse olhar que pede intervalo — que se constrói essa "terra de ninguém" onde o pertencer não precisa de visto nem de cor. Observei este texto como uma fotografia antiga: com grão, contraste e muita humanidade. Obrigado por esta partilha tão íntima e necessária.
ResponderEliminarDaniel, com este evoluir negativo da sociedade, em que se vêm "fantasmas" nos rostos que são diferentes do nosso, é normal que existam cada vez mais pessoas a sentirem-se a mais no nosso país...
EliminarClaro que não falo dos reformados franceses ou dos milionários americanos que "adoram Portugal" e os portugueses...