Quando estou a acabar um livro, deixo de ter tempo para quase tudo, até para a blogosfera, que deixa de ser o habitual espaço de recreação e também de reflexão.
Depois a "Ingrid" não me tem dado grande espaço nas ruas, muito menos nas esplanadas, para ouvir coisas que não têm nada a ver, mesmo que tenham tudo a ver...
Ou seja, quem anda nas ruas, esconde-se dentro de kispos e debaixo de chapéus de chuva, sem vontade para dizer bom dia ou boa tarde.
Quando passei por Cacilhas, no meu passeio higiénico, sem encontrar uma explicação palpável, fiquei a pensar no último encontro que tive com uma pessoa especial, rente ao rio.
Quase do nada ela perguntou-me: «Sonhas muito?»
Olhei-a meio surpreendido, antes de responder: «Jà sonhei mais. Muito mais!»
Pois é, a vida não está grande coisa para sonhos...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Nunca deixar de sonhar...
ResponderEliminarUm abraço.
Claro, Graça.
EliminarMas às vezes eles andam fugidios...
que nunca deixe de sonhar. Já alguém dizia: o sonho comanda a vida.
ResponderEliminarHá invernos que parecem roubar-nos o fôlego, como se até os sonhos se encolhessem dentro dos bolsos dos casacos. Mas mesmo quando a cidade se esconde da chuva, há sempre qualquer coisa a pulsar por baixo — um gesto breve, uma memória rente ao rio, uma pergunta que fica a ecoar muito depois de dita. Talvez seja isso que a vida faz quando parece pequena demais para sonhos: obriga-nos a escutá-los de outra maneira. Mais baixa, mais funda, mais verdadeira. E, no silêncio dos dias frios, eles começam a crescer outra vez.
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