quinta-feira, outubro 31, 2019

Um Dia Bom para a "Caça às Bruxas"


As modernices que nos foram chegando das américas, dizem que hoje é um dia bom para a já medieval "caça às bruxas".

Embora as pessoas sejam livres de fazerem o que lhes apetece com os prémios literários que organizam (até podem pôr uma cláusula que ele só pode ser entregue a alguém da "irmandade"...), quando estes adquirem importância nos meios literários (como é o caso do PrémioLeya), podem e devem ser discutidos.

Neste caso particular, nem sequer preciso de libertar os "caçadores de bruxas", qualquer pessoa normal achará estranho que um prémio com 409 concorrentes, não seja atribuído pela falta de qualidade dos mesmos...

E quando os argumentos falam de "limitações na composição narrativa" e "fragilidades estilísticas", a coisa até se pode considerar hilariante, mesmo que não tenha graça nenhuma, pelo menos para as mais de quatro centenas de candidatos à vitória...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova da Barquinha)

quarta-feira, outubro 30, 2019

Ler e Sentir a Falta de Qualquer Coisa...


No meu trabalho de pesquisa, tenho consultado várias revistas antigas.

Ao lê-las sinto quase sempre que falta qualquer coisa, que podiam, e deviam ser, mais interessantes para o leitor. 

Sei que os tempos eram diferentes, não éramos tão exigentes e o mundo era muito mais curto e estreito, especialmente o nosso, tão fechado ao que estava para lá das nossas fronteiras, à imagem do ditador que esteve quase quatro décadas no poder. 

Ele não gostava de viajar, ao ponto de nunca ter saído do país - se ignorarmos a meia dúzia de vezes que foi "comprar caramelos a Badajoz e beber um chá com o Franco"...

A má lembrança de Salazar fez com descobrisse a "pólvora", que me recordasse que a censura e os censores, eram peritos em roubar palavras e em "espetar facas no coração" das crónicas e das reportagens...

Pobres dos países que são governados por quem precisa de uma  "PIDE" e de uma "Censura" para se manter no poder...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, outubro 29, 2019

Um Recado...


Noto que há muitos dias que não escrevo um poema.

Falta o momento, o motivo, ou ainda, outra coisa qualquer...

Estive a reler alguns poemas meus e fixei-me no "Recado"...

Nestes tempos
de economia de palavras
de economia de afectos

Informo que hoje 
não venho jantar
muito menos dormir

Apetece-me alguém
com quem conversar

Apetece-me alguém
com quem sorrir

Apetece-me alguém
com quem amar...


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, outubro 28, 2019

As Segundas Oportunidades Literárias...


Lermos o livro errado pode afastar-nos de grandes escritores. 

Felizmente há sempre a possibilidade de lhes darmos uma segunda oportunidade, quando aparece um outro livro, quase a piscar-nos o olho... E como sabe bem percebermos que afinal ele é diferente, para melhor, do que pensávamos...

Claro que haverá sempre dezenas de autores, a quem eu não darei uma segunda oportunidade, mas como todos sabemos, nunca iremos ler todos os livros que temos em casa, muito menos os que se mexem nas prateleiras das bibliotecas à nossa passagem (só falta acenarem)...

Isso aconteceu com Paul Auster (graças a "O Livro das Ilusões") e também com Arturo Pérez-Reverte (bela surpresa "A Tábua de Flandres"...). Agora fiquei na dúvida, se fui eu, ou eles, quem deu  a quem, uma segunda oportunidade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, outubro 27, 2019

Este Mar de Enganos, em que Navegamos...


Toda este mundo virtual que nos invadiu a vida, cheio de boas informações (ainda há pouco estive a ler sobre a vida de uma extraordinária mulher, chilena, que nos deixou aquela que é considerada a mais bela canção da língua espanhola - falo da Violeta e de "Gracias a la Vida"...), também é um mar de enganos... com os mesmos perigos de um verdadeiro oceano (sim tem tubarões e adamastores...).

Todo este "teatro da vida"  é de tal forma ilusório, que até nos permite entrarmos num "filme" (ao nosso gosto) e sermos outra coisa, mais bonita, mais atraente e mais interessante...

É também por isso que deixo por aqui o belo poema, que durante muito tempo foi divulgado como da autoria da nossa Sophia (quase a fazer cem anos...)

O Mar dos Meus Olhos
  
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma.


Adelina Barradas de Oliveira

Porque mesmo tendo mudado de autora, o poema da Adelina, não perdeu a beleza...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, outubro 26, 2019

As Palavras e o Silêncio...


Sei que estou mais comedido a falar com pessoas que não conheço bem sobre o dia-a-dia. E então se for para dizer mal dos políticos, dos polícias, dos médicos, dos professores, dos enfermeiros... Não há qualquer hipótese de diálogo.

Só os meus amigos é que conseguem que me "liberte" e diga coisas quase terríveis, misturadas com outras, divertidas, sobre estes tempos com demasiadas cores (mesmo que muitas desapareçam com os primeiros pingos de chuva...).

Os "70" foram tema de conversa, assim como o bloco central, que sempre pareceu uma "cozinha", pela quantidade de tachos e panelas e também de ingredientes diferentes (para tantos paladares...). 

Como não podia deixar de ser, também se criticou, de alto a baixo, a sua qualidade. A deixa foi aproveitada para se alargarem horizontes e se trazerem, à vez, para a mesa, os actuais líderes do mundo, que usam e abusam da meia branca e dos penteados exóticos. Enquanto eles iam dizendo raios e coriscos, lembrei-me do Hitler, do Salazar, do Franco e do Estaline, mas fiquei em silêncio...

O mundo nunca foi um lugar muito recomendável para se viver, na paz do senhor (ou da senhora)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, outubro 25, 2019

Dia Inteiro e Limpo


Mesmo que estejamos a caminhar para o fim do mês de Outubro, ainda é possível saborear dias, inteiros e limpos, ao gosto da Sophia, como o de hoje...

Os turistas ainda se passeiam por aí, de Lisboa a Cacilhas, de calções e camisa, porque frio para eles, tem neve no horizonte...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, outubro 24, 2019

O "Crítico" que Está Dentro de Nós...


Acontecem-nos coisas ligeiramente estranhas, que só são estranhas porque pensamos e temos também dentro de nós um sentido crítico (mesmo ao lado dos pensamentos...), que pode ser mais ou menos aguçado.

Estava a fazer compras no supermercado (perto da peixaria...), quando uma senhora se aproximou de mim e perguntou-me se eu a podia ajudar e comprar-lhe salmão. Disse-lhe que não e virei as costas.

Mas fiquei a pensar porque razão a senhora me tinha pedido ajuda para comprar salmão (que normalmente custa o dobro da dourada ou robalo) e não peixe...

Lembrei-me da sabedoria popular, que nos diz que "não devemos ser pobres a pedir", embora pudesse arranjar mais meia-dúzia de ditos com sentido contrário.

E também pensei que me deveria limitar a dizer não, sem ter de fazer uma "análise crítica" ao pedido da senhora... Mas desculpei-me quase se seguida, ao lembrar-me que não passo de um humano pensante e erróneo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, outubro 23, 2019

Escrevemos Quase Sempre Para Nós...


Escrevemos quase sempre para nós, mesmo quando estamos a pensar nos outros.

Nem sempre enfrentamos esta evidência, olhos nos olhos, por "distracção" ou por "negação".

É mais ou menos isto: não "conseguimos ver" por que não "queremos ver"...

E somos tontos ao ponto de fingirmos, que se não fossem os "outros", nem sequer escrevíamos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, outubro 22, 2019

Sporting, uma Metáfora da Sociedade...


O Sporting é o grande exemplo da dificuldade com que muitas pessoas têm em viver em democracia.

Não só não aceitam a vontade das maiorias, como têm muita dificuldade em conviver com a alteração de regras, que neste caso particular teve como objectivo acabar com benefícios e poderes excessivos (muitos deles sem sentido, como são os das claques...).

Olhando para a sociedade, é notória a falta de respeito, crescente, pelo espaço dos outros e pelas diferenças, todas (de opinião, de cor, de sexo, de religião, de gosto, etc), ao ponto de ter ser o Estado a regulamentar sobre muitas delas (com multas e tudo)...

Fixando-me nos movimentos colectivos, sem querer fazer qualquer comparação, em termos de visibilidade e de poder, assisti em Almada a situações quase surrealistas, na minha experiência associativa de duas décadas e meia.

Percebi que o poder pode "cegar" as pessoas (por muito pequeno que seja), ao ponto de as fazer esquecer as regras democráticas. Muitas delas acham que estão sempre certas e não conseguem viver sem o seu "quero, posso e mando".

O cúmulo desta atracção pelo poder aconteceu com duas pessoas, que ao serem derrotadas, democraticamente, saíram para fundar os seus clubes (onde podiam fazer o que queriam - curiosamente mantêm-se como presidentes desde a sua fundação...). 

Talvez todas estas pessoas gostem mesmo é de viver em ditaduras, e se sintam mais em "casa" com a repressão que com a liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, outubro 21, 2019

As Coisas Aparentemente Simples da Vida...


Contínuo a pensar que somos sempre mais influenciáveis do que aquilo que parece, por tudo aquilo que nos rodeia.

É por isso que numa cidade suja torna-se mais fácil deixar cair um papel para o chão, que num lugar limpo e agradável.

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

domingo, outubro 20, 2019

A Esquerda e a Direita Fazem Parte da Nossa Natureza...


Quando alguns "entendidos" dizem que já não se percebe bem onde começa a direita e acaba a esquerda, têm sempre algum interesse obscuro, em se manifestarem desta maneira. Porque há sempre pequenos nadas que nos dizem o contrário, é não é apenas uma questão da utilização dos braços ou das mãos, ou da direcção que seguimos nas estradas e caminhos...

Uma das coisas que nos definem, nesse espaço vasto das "esquerdas" e "direitas" (sempre houve muitas, umas para reinar, outras para dividir e outras ainda para nos confundir...), é a forma como olhamos e nos situamos no mundo.

Eu por exemplo, sem conhecer a fundo a questão dos Curdos, por sentir há já algum tempo a vontade imensa de alguns povos em os exterminar, não consigo deixar de estar a seu lado. O mesmo se passa em Espanha. Aqui já estou mais dentro das várias questões que dividem a Espanha e a Catalunha. E  é sobretudo a falta de bom senso de quem exerce o poder em Madrid, que faz com que seja cada vez mais "Catalão"...

Sei que estas minhas posições, além de humanistas, também são de esquerda.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)