Recomendo vivamente a visita à exposição a todos aqueles que gostam de fotografia e de Abril.
Vale a pena!
(Fotografias de Luís Eme - Margueira)
Recomendo vivamente a visita à exposição a todos aqueles que gostam de fotografia e de Abril.
Vale a pena!
(Fotografias de Luís Eme - Margueira)
Penso que ele chegou onde mais ninguém foi (muitos nunca quiseram ir por aí, até por uma questão de filosofia de vida e do entendimento que tinham da imagem). Onde havia exploração, escravidão, devastação, miséria, ele foi lá, e tirou retratos a tudo e mais alguma coisa, sem estar preso a questões éticas e morais.
No meu caso pessoal, devo dizer que a partir de certa altura, comecei a desinteressar-me pela sua fotografia. Senti que aquilo era tudo muito igual, ou seja, ele já não me surpreendia com a beleza das suas imagens.
Acho que isso aconteceu quando entrei mais dentro da fotografia. Fui educando o meu olhar, através da prática da fotografia e também de conversas com amigos fotógrafos (as conversas influenciam-nos muito, mesmo sem darmos por isso...), comecei a achar que as imagens de Sebastião eram demasiado encenadas. Até mesmo a miséria humana, não me parecia real, entre outras coisas, mesmo que o fotógrafo brasileiro tivesse sempre a arte como prioridade, no seu olhar...
É por isso que eu digo que a fotografia com Sebastião Salgado, ganha uma beleza única (os seus cinzentos são uma marca...), mas também se torna complexa, enquanto objecto social...
(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)
Mas como achei a crónica de Ana Cristina Leonardo no "Ípsilon" de hoje, muito feliz - tem alguns enigmas mas é sobretudo rica em retratos do mundo e do país -, achei que a transcrição de um dos parágrafos era boa para fazer de conta que vou "encerrar" o assunto:
«Se apelidar alguém de gordo pode ser
interpretado como discurso de ódio, se questionar a participação de mulheres
trans em competições desportivas femininas pode ser (e geralmente é, que o diga
J. K. Rowling…) visto como transfobia, se recusar a chamada linguagem inclusiva
que multiplica casos e casinhos pode ser entendido como discriminatório, se
optar por usar a palavra deficientes em vez da designação pessoas com
deficiência pode ser lido como prova de insensibilidade, se contar uma piada
passou a ser razoável apenas e só se a piada não ofender ninguém, se… se… se…
Já aparecer nas televisões e nos jornais a afirmar mentirosamente (desmentido
pelos serviços hospitalares e pela PSP) que os ciganos o queriam matar, ou a
expressar ideias boçais que nem na taberna de Eco, como fez o deputado Pedro
Pinto (Deputado! Por Toutatis!) — “Não podem querer que André Ventura vá para
uma cama onde ao lado esteja, por exemplo, alguém de etnia cigana” — passou a
ser admissível e, além de admissível, aceitável.
Repare-se, porém, no detalhe (e o Diabo, é
sabido, está nos detalhes): Pedro Pinto, recorrendo, até ele, e apesar da
boçalidade, ao politicamente correcto — um entendimento linguístico que nos
conduziu à ideia de que é possível mexer na merda sem sujar as mãos… —, não diz
ciganos, diz alguém de etnia cigana. É o progresso!»
As palavras de Ana Cristina não explicam, mas ajudam a compreender este mundo, o lugar para onde estamos a caminhar.
E a sua referência final da crónica ao hospital do Algarve (com cronologia e tudo) é bastante elucidativa do papel dos "sabujos" neste "país do faz de conta" ao longo das últimas décadas. E lá está, talvez a soma do banal dois mais dois, ajude a compreender - com mais nitidez - a vitória do Chega no "reino dos algarves"...
(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)
Achei tudo normal. Os professores (o convite partiu de uma amiga, professora de inglês), os alunos, os funcionários.
Só a partir de sexta feira é que comecei a pensar com alguma insistência na diferença que existe, entre um "colégio" e uma "escola secundária". Como os meus filhos já tem mais de vinte anos e sempre estudaram na escola pública (nas melhores de Almada, a António da Costa e a Emídio Navarro...), sem problemas de maior, nunca pensei seriamente na degradação do ensino (ao contrário da saúde, talvez por esta ser mais visível) na última década. E a pandemia não explica tudo...
Depois de domingo, ainda foi mais fácil associar as ideias, ir ao encontro de um país, que é cada vez menos para todos.
Não fui capaz de dissociar a derrota socialista de António Costa e Mário Centeno (Medina apenas seguiu o guião), que preferiram "encher os cofres" do Estado a investir dinheiro onde era necessário (educação, saúde e serviços públicos) e onde falta um pouco de tudo. Sei que estavam longe de pensar "sair a meio" e que os "cofres" que foram enchendo iriam servir para o PSD andar um ano em campanha eleitoral a dar a uma série de classes profissionais o que o PS se recusou dar. Isso ainda os deveria envergonhar mais (se tivessem vergonha, claro).
Lá estou eu a "desviar-me do assunto".
Segundo as estatísticas, 25% das escolas secundárias de Lisboa hoje já são privadas. E o número promete crescer. Isso só acontece porque as escolas públicas deixaram de ser as com mais qualidade e com mais segurança (a falta de funcionários é mais que evidente em algumas escolas...). E quem pode escolher, escolhe as melhores para os filhos...
É por isso que embora os socialistas se batam (teoricamente) pela Escola Pública e pelo SNS, com a falta de investimento, foram os primeiros a abrir caminho ao crescimento dos colégios e das clínicas privadas no nosso país.
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Ambos cometeram o mesmo erro: entraram a "meio da época" nos seus actuais clubes para comandar atletas que foram escolhidos por outros técnicos...
Mas tanto Ruben como Sérgio, não podiam dizer não ao Manchester United ou ao Milão, dois dos melhores clubes do mundo.
Deve ter sido um ano de grande aprendizagem para ambos. Apesar do insucesso (a provável vitória do Manchester na Liga Europa não muda quase nada...), viveram situações novas, que os tornaram mais fortes e mais preparados para enfrentar o futuro, em qualquer campeonato, em qualquer país.
(Fotografia de Luís Eme - Algarve)
E não é um problema apenas deste canto da Europa, por muito que insistam nas patranhas do "filho que bateu na mãe" ou na tese romana "do povo que não se governa nem se deixa governar".
Como de costume as "modas" chegam sempre depois a Portugal. Neste caso ainda bem. A extrema-direita já influenciava a governação de países como a Holanda, Itália, França, Alemanha e até Espanha, e ainda se olhava para Ventura como uma espécie de "palhaço de serviço", mas que não perdia uma oportunidade de aparecer nas televisões e redes sociais...
E se as pessoas com dois dedos de testa já perceberam há algum tempo, que o mundo está de pernas para o ar (antes de as pessoas votarem "contra elas próprias" por cá, já Trump tinha sido eleito nos EUA - esta foi a segunda vez... - e Bolsonaro no Brasil), as outras, que só consomem as notícias que lhes são oferecidas pelas redes sociais, bem "mastigadas" e com objectivos claros, dançam ao sabor dos "populismos".
Tenho poucas dúvidas que vamos sempre pelo mais fácil, é por isso que cada vez pensamos menos pela nossa cabeça, sem nos apercebermos, somos "meras "marionetes".
Isso também explica, por exemplo, que exista uma dualidade tão grande na forma como se olha para o que se passa em Gaza e na Ucrânia. É bem pior o que se passa em Gaza que na Ucrânia, mesmo assim Bibi é tratado com mais benevolência que Putin, pelo menos no Ocidente.
Voltando ao nosso país, num tempo normal, Montenegro nem sequer tinha sido candidato a primeiro-ministro. Tinha sido o seu próprio partido que o tinha substituído. Num tempo normal o Chega teria meia-dúzia de deputados, no máximo...
Mas que não existam quaisquer dúvidas, de que somos nós, os grandes culpados, pela anormalidade destes tempos que se vivem...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
Como cada vez vejo menos televisão. Não vi a senhora brasileira que falou ontem à noite para as câmaras, durante os festejos da "vitória" do Chega. Mas hoje li o que escreveu Vicente Nunes no "Público" que, entre outras coisas, explica o quanto a ignorância é atrevida:
Pois é, parece que cada vez há mais gente que adora "dar tiros nos pés" e "lamber as botas" a quem os insulta e explora...
(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)
Faz-me muita confusão a transferência (cada vez mais evidente) de votos do PCP para o Chega, em praticamente todos os distritos do Alentejo e também em Setúbal.
Pois é, os extremos tocam-se mesmo...
Não vou emigrar, mas sinto-me pouco confortável neste país que privilegia, cada vez mais, a "chico-espertice", as "meias-verdades" e as "meias-mentiras", como tem acontecido com o primeiro-ministro eleito. Basta-me recordar as mentiras que foi capaz de dizer no debate televisivo com o líder do PS, sobre o SNS, de que havia mais médicos de família, mais consultas e mais urgências abertas no último ano que na legislatura anterior. Basta consultar os dados estatísticos oficiais, para lhe chamar mentiroso, com todas as letras.
Do partido que irá ter um número próximo dos 6o deputados, nem vale a pena falar. De certeza que além do aumento do ruído e do insulto no Parlamento, também irão multiplicar-se as suas habituais "ficções", desmentidas diariamente pelo jornalismo credível, que também é colocado em causa, por não seguir o seu "guião".
(Fotografia de Luís Eme - Tejo)
É também por isso, que muitas vezes estou a pensar escrever sobre uma coisa e depois acabo por escrever sobre outra...
Ontem aconteceu isso mais uma vez...
Embora tenha gostado, tudo teria sido bem melhor se encontrasse menos obstáculos pelo caminho.
Sorrimos quando ela levantou o véu dos "mistérios da vida", com a frase, «A vida dá-nos coisas com uma mão e tira-nos com a outra.»
Com o seu sentido de humor muito peculiar acrescentou ainda: «Só não percebi ainda, o que é que todas estas peripécias têm que ver com Deus"...
Pois... eu também não.
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
Normalmente não se fala destes temas nas mesas de café. Acho mesmo que ele é a única excepção no meu grupo de amigos, que aborda qualquer tema religioso, inclusive o espiritismo. Na nossa "Tertúlia do Bacalhau com Grão", quando ainda cá estavam os nossos queridos amigos Carlos Guilherme e Orlando, era um fartote de riso no nosso canto, e nem mesmo assim ele desistia, embora com humor nos chamasse "hereges" e dissesse, que quando fossemos "lá para cima", logo descobriríamos a verdade...
A tal verdade continua a ser um mistério. Mas o Chico por vezes diz que tanto o Orlando como o Carlos agora "já acreditam", já sabem como é o "mundo de lá". Raramente uso do meu cepticismo para o contrariar, embora lhe recorde muitas vezes a realidade (cada vez mais cinzenta) e as "faltas de comparência" de Deus aqui e ali, para lhe fazer perceber que não é a "fé" que muda o mundo.
Mesmo que não duvide da quase palavra de ordem religiosa: "felizes dos que acreditam"...
(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)
Porque houve alguém que disse que não são só os ciganos que gostam que tenhamos medo delas. Referiu-se depois às forças de autoridade, que segundo a sua opinião, 51 anos depois de Abril, ainda não perderem alguns dos tiques fascistas que as caracterizam.
Quando quisemos saber desses tiques, o Pedro voltou à adolescência, à única vez que levou uns empurrões e uns pontapés da polícia, sem que tivesse feito alguma coisa de errado, além de estar no Bairro Alto com amigos sentado à beira do passeio a beber umas cervejas. Nunca esqueceu esta mania do "bater antes e perguntar depois", que pelo que se lê e ouve, ainda se mantém activa, especialmente se tivermos a pele mais escura.
A questão que veio a seguir, foi se é necessário esta cultura do medo, se é preciso termos medo dos agentes de autoridade. Todos dissemos que não. Até porque medo, apesar de alguma confusão que anda na cabeça das pessoas, nunca foi sinónimo de respeito...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
Quase todos contribuímos para se faça alguma confusão entre as duas, especialmente os políticos do lado direito, que sentem saudades de um estado mais repressivo. E claro, as polícias, que têm sempre alguma dificuldade em fazer cumprir a lei nos regimes democráticos, onde não se pode, nem deve, "bater" apenas porque sim.
Falámos disso ontem. A conversa foi alimentada por alguns de nós sentirmos que o "medo", continua a crescer, quase todos os dias, à nossa volta.
As guerras que matam gentes de todas as idades, diariamente, devem ter alguma influência, mesmo que nós não nos apercebamos bem destas "percepções" (todos achámos que sim).
O curioso foi na viagem de regresso a casa, de metro, ter reparado em três indivíduos orientais, que entraram na Alameda, com mochilas grandes (deviam ter chegado há pouco tempo...), além de falarem as suas línguas estranhas, olharem para quem os rodeava, com desconfiança. Eu sei que é difícil olhar de outra forma, para um mundo que nos trata como cidadãos de segunda ou terceira, que nos gosta de apontar o dedo, mas...
Aquela reacção fez com que recordasse uma boa parte dos ciganos que fui conhecendo ao longo da minha vida. Eles tinham como sua principal defesa, fazerem-nos sentir medo, pensarmos que eles eram capazes de fazer as coisas horríveis que nos ameaçavam, aqui e ali.
Pois é, temos quase sempre "medo" do que é diferente de nós. E quanto mais "fechados" e "nacionalistas" formos, pior...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)