Hoje publicou-se pela última vez, em papel, o "Diário Económico".
Confesso que nunca perdi muito tempo com as leituras deste género jornalístico, por ser demasiado técnico. Foi também por isso que não comprei o último número.
Tenho lido algumas coisas que se têm escrito sobre o que se está a passar no nosso jornalismo, onde se fica com a sensação que o "jornalismo sério e pluralista" já quase que não tem leitores...
Não vou em busca de causas, mas o que se tem passado nos últimos anos na nossa comunicação social, só nos poderia levar a caminhar para "ruas tortuosas", cheias de "armadilhas". Quando se fechou os olhos à criação de autênticos monopólios - que nunca existiram nas ditaduras salazarista ou marcelista -, cujos interesses tinham a ver com tudo menos com jornalismo, não se podia esperar que o rigor e independência do "quarto poder" ficassem a ganhar.
Sei que a televisão é em boa parte a grande culpada do quase "alheamento" das pessoas, pelo que realmente se passa no nosso país. Parece que é só ali, dentro da "caixa mágica" que está a felicidade... Com programas que enchem as manhãs e as tardes das pessoas de ilusões (basta ligar para o número da "sorte" para ganhar um carro mais um saco cheio de notas...).
Não é por acaso que o que hoje mais vende são as revistas associadas à televisão, que se alimentam dos resumos das telenovelas e das "invenções" sobre as vidas - pública e privada - dos "famosos", que tanto podem ser actores das novelas como participantes dos programas onde se finge transmitir a "vida em directo" (e que eu na maior parte das vezes não faça ideia quem são... mas isso só acontece porque eu primo por ser gajo um "mal informado"...).
E claro, quem também vende que se farta é um jornal diário que explora ao jeito de folhetins novelescos vários casos de polícia, e que adora explorar a curiosidade mórbida de cada um de nós. Parece que este "Correio" vende mais que todos os outros jornais juntos...
Por tudo isto, não sei que diga sobre jornalismo, jornais, monopólios, patrões ou jornalistas, mas lanço uma pergunta: «Será que o jornalismo morreu, sem que tenhamos dado por isso?»
(Fotografia de Johua Benoliel)