Desta vez estava longe, não me conseguia desligar do desabafo de um amigo, que acabara de se separar. Disse-me muitas coisas, mas a que me fez mais confusão, foi a confidência de que nunca conseguiu conhecer bem a mulher, nunca conseguiu ter com ela uma daquelas conversas, em que sentimos que entramos dentro do outro...
O que mais estranhava era ser extremamente activa nas redes sociais, onde usava um outro nome. Era como se fosse outra pessoa...
Confrontou-a mais que uma vez com isso, mas nunca conseguiu chegar a sítio nenhum. Nem mesmo quando foi colocado em uma ou outra situação embaraçosa, na família e no grupo de amigos, sem ser "ouvido e achado"...
Disse-me outra coisa, a que não liguei tanto, por ser mais comum do que o que parece: «Hoje sinto um grande alívio, por não termos tido filhos.»
Mas o que não me saía da cabeça era a frase: «Há pessoas que só dizem o que pensam assim, com uma máscara, como se fossem outras pessoas...»
Eu estava farto de saber que a maneira mais fácil de olharmos para o mundo, é com os nossos olhos, sem pensarmos que os outros olham para o mesmo lugar e vêm outras coisas...
(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)
Mas também é importante sabermos que outros olhos veem aquilo que nós não vemos.
ResponderEliminarAceitar essa diversidade é meio caminho andado para a harmonia connosco e com os outros.
Abraço