quarta-feira, abril 02, 2025

Às vezes ainda escuta o grito: «Isto é tudo meu!»


Nem toda a gente compreende, o porquê, das pessoas com bons empregos e uma boa vida, serem de esquerda. Acham que estes deviam ser todos "pobrezinhos", usar calças de ganga e camisas aos quadrados...

Estávamos a falar das "cegueira ideológicas", quando apareceu a Laura.

Como de costume entrou muda e saiu calada.

Olhei-a e fiquei a pensar que devia ser o único daquela mesa de trabalho, que sabia das várias "questões ideológicas" que enfrentou desde muito cedo. Sim, teve logo na infância, a percepção de que alguma coisa estava errada no seu mundo. Ao contrário dos irmãos e dos primos, não percebia a razão de "ter tudo" e dos outros, que trabalhavam na quinta do avô, "não terem nada".

Também lhe custava não puder brincar com os filhos dos trabalhadores, e logo ela, que gostava tanto de correr e de saltar... Nem mesmo depois do 25 de Abril.

Como não viviam no Alentejo não enfrentaram o pesadelo das ocupações nem outra qualquer batalha laboral com os trabalhadores. Pelo contrário, ainda aumentaram o património, graças à desgraça alheia...

Já adolescente, foi "convocada" com o resto da família, para conhecer uma das novas propriedades da família. Fez-lhe muita confusão, ver o avô num dos pontos mais altos da herdade, de braços abertos, com um charuto no canto da boca, a dizer, quase num grito de felicidade, «Isto é tudo meu!»

Foi apenas a confirmação, de que aquele não era o seu mundo. Achou tão estranho perceber que  o avô era incapaz de dizer: "Isto é tudo nosso"... 

É muitas vezes olhada de desdém pela família. Alguns sobrinhos chamam-lhe a "tia comunista", mesmo que nunca tenha sido do PCP. Quando me contou mais esse episódio lembrei-me de ouvir um dos sobrinhos do Nuno (Teotónio Pereira), falar do mesmo modo, pouco orgulhoso de ter um "tio comunista"...

Se o avô da Laura ainda fosse vivo, era capaz de achar mais que graça, à "cambalhota" que estão a obrigar o mundo a dar...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)


terça-feira, abril 01, 2025

Parece no mínimo estranho, mas não é...


Somos um país onde as famílias cada vez são mais pequenas. Sim, há cada vez mais casais sem filhos ou com apenas um rebento. E muitos deles, preferem ter um cão a um filho... 

É por isso que parece "incompreensível", ouvirmos notícias sobre a falta de vagas nas creches da rede pública ou sobre fecho de várias urgências de obstetrícia aos fins de semana.

Parece...

Se não fossemos um país que tem tratado tão mal os jovens portugueses, que por não estarem para ter uma vida cheia de obstáculos, emigram para países que lhes oferecem melhores condições de vida.

E isso explica a falta de educadoras de infância e de médicos especialistas no SNS, tal como a de professores e de tantos outros profissionais...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 31, 2025

O "nacional-patriotismo", a "paz podre" e a hipocrísia, no seu melhor


O futebol sempre foi um lugar pouco recomendável, mesmo agora com novas lideranças nos chamados clubes grandes, percebe-se que os "vícios antigos" permanecem bem vivos (este final de campeonato vai ser um bom exemplo, com suspeições para todos os gostos...).

Foi por isso que se olhou com alguma naturalidade para as passagens de Fernando Gomes da presidência da Federação Portuguesa de Futebol para a do Comité Olímpico Português e de Pedro Proença da Liga de Futebol para a Federação.

O mais curioso, é o facto destas duas personagens, sem nunca terem sido próximas, terem fingido durante anos que tudo corria bem entre eles a "bem do futebol", mas sobretudo dos seus "interesses pessoais" (como se percebeu com as eleições recentes)... 

Felizmente a "paz podre" não banaliza o trabalho feito, tanto por um como pelo outro nas suas instituições. 

A Liga e a Federação além de terem boa saúde financeira, oferecem condições de trabalho que antes não existiam. A "Cidade do Futebol", erguida por Gomes, onde não falta nada aos atletas e treinadores da "equipa de todos nós", a nível das condições de treino e de conforto, fala por si (mas há ainda um canal televisivo de futebol que dá atenção à selecção, ao futebol feminino, ao futsal e às divisões inferiores, como nunca existiu antes e até o VAR foi instituído pela FPF).

É por isso que percebo a atitude de Fernando Gomes (ao contrário dos "patrioteiros" todos...), que veio para a "praça pública", desmentir o seu apoio a Pedro Proença para um cargo nas instâncias superiores da UEFA, até por ver o seu trabalho na FPF ser posto em causa. Sim, Proença, além de suspender de funções quatro responsáveis de várias áreas federativas, anunciou ainda uma auditoria interna à direcção anterior. Ele tem todo o direito de fazer isto tudo, só não pode depois é fingir que tem um apoio de Gomes, que não existe, para arranjar mais um "tacho", provavelmente bem remunerado, mesmo que seja feito em "senhas"...

A sabedoria popular diz-nos que, "quem não se sente não é filho de boa gente" e, além disso, é sempre saudável, o fim de qualquer "paz podre"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, março 30, 2025

O "comércio justo" é bom, mas o "comércio simpático" ainda é melhor...


Fala-se aqui e ali do "comércio justo", mas do que eu gosto mesmo, é do "comércio simpático".

Nem sei por onde comece. Não é que sejam muitos, eu diria até que, são do clube dos "poucos e bons".

Apesar do Manel da mercearia do bairro se esticar um pouco com os preços, é de uma simpatia a toda a prova. Não é por acaso que há algumas avós que vão lá só para "namorar" com o jeitoso do moço, que nasceu para atender pessoas. Também é bastante culto (formado em gestão, ficou com a loja dos pais, no período complicado do pós-troika), ou seja, tem conversa para toda a gente.

Depois desço à Gil Vicente, onde tenho pelo menos quatro cafés à minha disposição. Curiosamente, nem sempre vou ao que tem melhor atendimento, graças à Soraia, porque tenho de atravessar a rua e nem sempre o faço (o piloto automático leva-me vezes demais na direcção do "Repuxo", mais pelo peso histórico da primeira tertúlia cultural que frequentei, que pelo "atendimento", que deixa muito a desejar, porque  há quem esteja sempre a fazer um "frete ao cliente" e deixe o sorriso em casa.

Continuo na direcção de Cacilhas e entro na "melhor farmácia do mundo". Sim, são quatro os funcionários (três "elas" e um "ele"...), além do sorriso e das palavras agradáveis que oferecem a quem chega, tentam resolver todos os problemas, nunca nos mandam para a concorrência. Penso que acabam por ser vítimas da simpatia, deve haver quem lá vá, só para se sentir bem atendido e ter "uma prosa", sobre um dor qualquer.

Sobre Cacilhas, estamos conversados. 

Depois subo a Almada e entro no "Olivença", que mesmo sem ter nada de especial como restaurante, tornou-se quase familiar, muito graças ao Carlos, que recebeu de braços abertos a nossa cada vez menos expressiva, "Tertúlia do Bacalhau com Grão", no primeiro dia da semana.

Falta falar da loja de fotocópias que frequento, no centro de Almada, há mais de vinte anos. Falo de um casal daqueles que já não há (o Carlos e a Maria José). Além da simpatia e do serviço de excelência, são de uma honestidade que também já se usa pouco nestes tempos estranhos.

Antes de acabar esta pequena crónica, escrita por ser adepto do "comércio simpático", ainda fiquei a pensar se esquecera alguém. Acho que não. Claro que há mais pessoas que sabem receber, com a Carla dos "óculos" ou o casal simpático da tabacaria mais pequena de Cacilhas, mas não sou um cliente tão assíduo como nos outros lugares.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, março 29, 2025

«Tudo mudou. Somos uns sortudos, agora até as escritoras são bonitas.»


Não nos encontramos muitas vezes. Não é preciso.

É um homem de um tempo ainda mais longínquo, que o meu, mesmo que sejamos da mesma geração.

Crescemos, estudámos e vivemos em meios muito diferentes. Percebo isso pelas conversas que temos, mas também pela sua biografia, aquela  oficial, que está ao alcance de todos.

Ninguém diria pela tal "biografia" (foram muitos anos ao lado dos "poderes"...), que era tão anarquista. Ou então foi a idade que o foi extremando nas ânsias de liberdade, que devia ter, quando estava "refém" do poder.

Casou mais cedo do que eu. Gosta tanto da instituição que já vai na sua quinta união de facto (depois da chatice que foi o terceiro divórcio, não voltou a assinar nada de "cruz" (palavras dele).

Tudo o que escrevi até aqui, são coisas da qual não falamos. Sim, é verdade, nunca falamos das nossas mulheres. Uma ou outra vez, falamos dos filhotes, mas apenas porque calhou em conversa.

As nossas conversas misturam-se mais com os livros, com o cinema, com a arte, e claro, com algumas pessoas curiosas, que podiam ser personagens de qualquer conto ou novela... Ou seja, acrescentamos sempre "cultura geral" um ao outro, especialmente ele, que viveu mais coisas que eu. Se nos últimos anos quase que "desapareceu" dos jornais e revistas (pois é, quem não aparece esquece...), durante anos andou pela imprensa, rádio, e até, televisão. Adora esta vida de quase anónimo e também se orgulha de não ter nenhuma rede social (disse que se as tivesse, a falta de assunto até era capaz de o levar a "postar" a fotografia de um pastel de bacalhau...).

Tem mais sentido de humor que eu. Foi por isso que me perguntou se eu não andava cheio de "caruncho". Disse que sim. Até lhe falei do meu joelho direito, que parece o de um futebolista, coisa que nunca foi, para além das camadas jovens do velho Caldas e das futeboladas entre amigos...

Em vez do Trump, falámos de algumas Ivanas. E lá se saiu ele com uma daquelas frases que a Inês detesta, pelo ar misógino que transporta (pois é, além de anarquistas, também fingimos que somos uns perigosos machistas, apenas porque nos sabe bem...): «Tudo mudou. Somos uns sortudos, agora até as escritoras são bonitas.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, março 28, 2025

O associativismo e as tertúlias, que resistem a um tempo, que é, no mínimo adverso...


Estava à conversa com um amigo e ele perguntou-me se ainda tinha os almoços "tertulianos". Disse que sim.

Quis saber do bom do Chico. Disse-lhe que se recomendava, ainda na última segunda-feira, quando regressávamos a casa, na companhia do Tomás, ele comentou com o seu humor especial, que começava a não ter paciência para os "velhos", que passavam o tempo a repetir-se, a dizer as mesmas coisas... 

Claro, foi gargalhada geral...

E depois recordei que ficámos amigos depois de termos feito parte da direcção da Incrível Almadense. Uma das coisas que me irritava (mais que "solenemente"...), era a forma parva como o presidente o tratava nas reuniões, abusando do facto de ser um ser humano de excepção, daqueles que não gritam para se fazerem ouvir.

Mas infelizmente, este é o tipo de liderança que está a vingar por esse mundo fora. A tal gente que se percebe à légua, que é é "forte com os fracos e fraco com os fortes"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, março 27, 2025

O meu aplauso para todos aqueles que amam o teatro e sentem o palco como um "céu"


Não vou falar do que se diz, quase em jeito de piada, de que o Teatro e a crise, são quase "irmãos gémeos".

Vou falar das mulheres e dos homens que gostam (e precisam) de ser outras pessoas, e que amam vestir as "suas peles" nos palcos.

Gostam tanto de teatro, que até são capazes de fingir que têm o público que merecem, mesmo que as salas onde tentam brilhar, tenham demasiados lugares vazios na plateia, mesmo que os preços nem sejam elevados.

Alguns (cada vez menos...), até se dão ao "luxo" de dispensarem a participação em telenovelas, mesmo que isso os obrigue a andar diariamente em transportes públicos, e que jantem mais vezes sopinha que bifes...

É por isso tudo, que digo: "Viva o Teatro!" 

"Vivam todos aqueles para quem o Teatro é a sua vida!"

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, março 26, 2025

As mudanças raramente acontecem de um momento para o outro (as revoluções não contam...)


Há mais de vinte anos, um homem bastante lúcido, com um conhecimento profundo dos corredores do poder e também com passado jornalístico, fazia um retrato fidedigno do que já se estava a passar nos jornais (a rádio e a televisão vieram a seguir...).

«Existe uma sociedade livre, plural e aberta quando há condições políticas e institucionais para isso. Não existem, nos jornais, empresários de esquerda, por isso temos a imprensa que temos. Vivemos numa sociedade em que a liberdade de imprensa não está a ser posta em causa directamente, mas é largamente condicionada. Não há dúvida de que a concentração em determinados grupos económicos poderá causar um cenário de gravíssimo condicionamento, o que não configura uma situação de violação das regras democráticas, porque se alguém quiser fazer um jornal de esquerda, é livre de o fazer. Pode é sempre dizer-se que essas coisas custam dinheiro, e o dinheiro está mais de um lado que do outro.»

Estas palavras são de António Mega Ferreira, quando foi entrevistado para o "D. Notícias" (curiosamente a principal vítima dos "abutres" nas duas últimas décadas...), em Novembro de 2002.

Infelizmente, vinte e dois anos e alguns meses depois, as coisas estão muito pior. Os "patrões" além de escolherem os directores que mais lhes convêm, também convidam os comentadores que mais defendem os seus interesses. O chamado pluralismo, é cada vez mais "uma treta".

Onde se nota mais a dualidade de critérios é na televisão, onde cada vez há menos espaço para a esquerda.

Por este "Largo" ter memória, nada disto aconteceu de um momento para o outro. Tem sido um processo lento, mas bastante eficaz...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, março 25, 2025

Todos os ventos estão a soprar para o mesmo lado...


Montenegro está quase a ser levado pelo vento (e por alguns jornaleiros e comentadeiros que ainda gostam de brincar com papagaios, não dos de papel, mas daqueles mais finos sofiscados que se vendem nas lojas de brinquedos...), em direcção ao Poder. 

Claro que ele também leva algum jeito, para se colocar a "favor do vento" e deixar-se levar na bolina... 

E não vai falhar uma oportunidade para se vitimizar, por saber que os portugueses gostam de coitadinhos. E se tiver de levar um encontrão qualquer (mesmo daqueles fabricados...), numa cidade ou vila qualquer onde não seja muito popular, venha ele... 

E vai andar sempre de dedo em riste, a apontar para o Pedro, com bom costado para arcar com as culpas, mesmo que ao contrário dele, quisesse tudo menos eleições...

(Fotografia de Luís Eme - Niza)


segunda-feira, março 24, 2025

O tempo da gente que é "fraca com os fortes e forte com os fracos"...


Já há uns tempos que não nos encontrávamos, para conversar e "não dizer mal de alguém", uma das melhores sínteses das nossas conversas abertas, feita pelo nosso querido Carlos Guilherme. 

É bastante saudável termos um grupo, mesmo que seja curto, onde seja possível falar de tudo (a única excepção que confirma a regra é o "futebol", que é mesmo tratado como uma coisa menor por todos nós...)., sem termos de esconder as mãos, tanto a esquerda ou a direita.

Começámos por falar de forma crítica como a informação é manipulada nas nossas televisões, rádios e jornais, excluindo algumas notícias incómodas (sem que nenhum percebesse porquê...), como as que falam de grandes protestos nos EUA, até mesmo de republicanos, pela forma aparentemente estúpida como o país está ser governado. Há quem já fale em "ditadura" e num "estado sem direito", que até está a incomodar juízes trumpistas...

Como é que se chegou aqui? Foi a pergunta que trouxe os silêncios para a mesa. Pois foi, de um momento para o outro quase que "ficámos sem pio"...

Foi tempo de se chamar nomes aos americanos. "Ignorantes", foi o termo usado mais simpático. Mas facilmente concluímos que não era apenas isso. Há demasiadas teorias mentirosas, que têm sido divulgadas há décadas, como o facto dos EUA serem "o país mais livre do mundo". Nunca o foi, nunca o será. A que não será mentira, é o facto de continuar a ser a maior potência militar do mundo. O que faz com que tenha uma apetência especial para se intrometer em quase todos os conflitos do planeta, mesmo que saia "chamuscado" na maior parte deles...

É este passado ainda torna mais incompreensível o seu posicionamento em relação à Ucrânia. Talvez seja mesmo verdade o que o Rui disse, que Trump é o típico empresário (temos muitos assim, nos partidos e nas empresas, grandes e pequenas...), que é fraco com os fortes e forte com os fracos... Talvez seja esta a única explicação para a sua estranha "admiração" por Putin...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, março 23, 2025

«Despertas tudo menos indiferença»


Sabia que não era um elogio. Era mais um apontar o dedo. 

Nada que fosse de muito importante, pelo menos para quem já fez sessenta anos e sabe, viu e sentiu algumas coisas, que parecem estranhas para os comuns, que correm atrás de coisas, que ele vira costas...

Talvez noutra altura, ela lhe virasse costas e não dissesse: «Despertas tudo menos indiferença.»

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, março 22, 2025

Encontro na cidade quase deserta...


As mesas e as cadeiras mantiveram-se em cima umas das outras, mais um dia, nas duas esplanadas que fazem concorrência ao vazio, na Gil Vicente.

Compreende-se: faz sol, depois frio, chove, o vento está por aí, algures, atrás de uma nuvem, dá um sopro ou dois e depois esgueira-se, para outra rua. 

As pessoas ficam por casa, mesmo que seja sábado à tarde. Hoje não é dia do "chá das velhas"...

Foi por isso que gostei de ver o Carlos Alberto, com os seus quase noventa anos, a caminhar em direcção a casa, depois de beber a bica no café que fica ao lado do meu. Gosto do serviço mas a bebida escura é fraquita pelo que vou à concorrência.

Não foi difícil apanhar o Carlos, com o seu andar lento, apoiado com uma canadiana. Disse-lhe que gostei de o ver, sem medo de ser levado pelo vento. Ele sorriu e disse que, tem de ser, tem de sair de casa, todos os dias, nem que seja apenas para beber café...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)