domingo, outubro 13, 2024

Um domingo à tarde na Capital...


Raramente saímos de casa, num domingo à tarde, depois do almoço, para passearmos pela Baixa da Capital.

Hoje foi um desses dias...

Mal entrámos no cacilheiro, ficámos logo com a sensação que éramos nós que estávamos num país estrangeiro. Nada que não soubéssemos muito menos nos incomodasse, nesta nossa "viagem (também) turística". 

Quase que só nós e os "barqueiros" é que falávamos a língua lusitana...

Em Lisboa as coisas ainda se tornaram mais "internacionalistas", com um amontoar de gente em quase todos os lados. 

Nem é de todo desagradável, se formos também "turistas", a ver as vistas num domingo à tarde.

Mas é impossível não termos um olhar crítico. Até por vermos filas em todo o lado, seja para o "pastel de nata" ou para o "sorvete"...

A minha companheira acha que já perdemos a Cidade grande. E pensa que só uma "grande crise" ou um "gigante fartar colectivo" de quem nos visita é que pode esvaziar as ruas e esplanadas. Até porque este país está longe de ser o paraíso que vende lá para fora.

Sabemos que é uma possibilidade. Até porque quem viaja gostar de variar, gosta de conhecer sítios diferentes.

Só os governantes das "taxas" e das "taxinhas" é que  esfregam as mãos, à medida que os cofres se vão enchendo, evitando cruzarem-se com o futuro por aí, em qualquer esquina...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 12, 2024

O que se diz e o que fica por dizer (o improviso é isso)...


Provavelmente devia esperar por amanhã, para falar de hoje.

Sabia que a sala iria estar cheia, mas não estava à espera que aparecessem mais de cem pessoas ao lançamento do livro que escrevi com Fernando Barão, numa das homenagens com mais sentido, na comemoração do centenário do seu nascimento (isto aconteceu graças ao homenageado e não ao autor da obra...).

Tinha pensado não levar nenhum papel escrito. Mas acabei por levar umas notas. Claro que durante a minha intervenção falei sempre de improviso e afastei-me algumas vezes do livro e quase sempre das notas, porque a minha convivência associativa e cultural com este amigo, levou-me a divagar aqui e ali.

Embora não me tenha esquecido de nada de muito relevante, sei que poderia ter feito referência a uma ou outra pessoa (nem sequer agradeci as palavras do Henrique e da Edite, que apresentaram a obra...). Chamaram-me a atenção para um destes "esquecimentos" na mesa (do Luís, que fez uma leitura crítica mais importante que a própria revisão do livro).

Nos outros não sei, mas em mim é natural estes esquecimentos. Tento falar apenas do essencial . Isso fez com que posteriormente ficasse com a sensação, de não ter falado tanto quanto devia da minha relação com o Fernando, até por estarmos quase sempre de acordo nas questões ligadas à cultura e ao associativismo. Algo que acontecia de uma forma natural, e aberta, sem usarmos qualquer tipo de subterfugio.

Embora pense que isso está bem espelhado neste nosso livro.  

Poderia ter falado também do Henrique (pai), do Orlando e do Carlos Guilherme, tão importantes também na minha caminhada cultural e associativa por Almada. Podia, mas não era o mais relevante.

Relevante foi ter na primeira fila dois amigos, cuja idade somada, está a aproximar-se a passos largos dos 190 anos, e não lhes agradecer de forma devida, a amizade, o companheirismo e a tolerância (que faz deles dois dos melhores seres humanos que tive a oportunidade de conhecer nesta Cidade, que praticou durante tantos anos a solidariedade, enquanto acto cívico e não "arranjo floral" de discursos.

Mas tanto um como o outro sabem o que penso deles. E que bom que é continuar a ter amigos como o Chico (que abriu a sessão com uma bela anedota do Fernando...) e Diamantino, "vivinhos da silva", que o que precisavam mesmo era de "uns joelhos novos" (tal como acontecia com o Fernando, uma das coisa de que ele mais se queixava, era dos joelhos)...

Mas a vida é isto. Quando falamos de improviso, há coisas que dizemos, que "estavam fora do programa", e muitas outras, que ficam por dizer...

(Fotografia de Elsa Carvalho - Cacilhas)


sexta-feira, outubro 11, 2024

Coisas do corporativismo, quase sempre parvas...


Por ver menos televisão e por ler menos jornais, nem sempre estou a par do que se costuma chamar "a realidade".

Só ontem é que percebi que o que Luís Montenegro tinha dito sobre os jornalistas (a história das perguntas encomendadas "por sopro"...) tinha provocado uma "retaliação" por parte do respectivo sindicato, não em relação ao primeiro-ministro, mas a quem fez a entrevista televisiva no telejornal da noite da SIC.

Embora Maria João Avilez tenha uma carreira jornalística de quase meio século, foi colocada em causa por não possuir carteira profissional. Os responsáveis pelo sindicato falaram inclusive de crime e de usurpação de funções, por esta conceituada jornalista ter feita a dita entrevista.

De certeza que Maria João Avilez continua a sentir-se jornalista. Estou convencido que ter "carteira", ou não ter, mexe muito pouco com o que se sente em relação ao que se faz e se gosta de fazer (falo por mim, que estou nas mesmas condições).

Quando existem tantos problemas no jornalismo, desde a exploração de quem exerce a profissão, a várias situações de publicidade encapotada, passando por "fretes" políticos, mais uma vez, à boa maneira portuguesa, ataca-se o elo mais fraco da questão e não quem colocou em causa a profissão, que por um mero acaso, é o chefe do Governo.

Lembrei-me logo dos problemas que tentaram criar a Ruben Amorim, por este não estar habilitado para treinar na primeira divisão, embora a sua qualidade técnica saltasse à vista de toda a gente.

Infelizmente, o corporativismo tem destas coisas, quase sempre parvas.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, outubro 09, 2024

«Quando somos significantes, por muito que se esforcem, é difícil reduzirem-nos à insignificância.»


O mundo do trabalho é um lugar estranho e desigual. E no nosso país ainda parece que é pior, quando sabemos que o normal é os patrões ou gestores ganharem vinte vezes mais que o ordenado médio dos restantes trabalhadores.

Esta "desigualdade" ainda é mais grave, por sabermos que muitos destes gestores se queixam de que não podem pagar mais que o ordenado mínimo aos seus colaboradores, sempre que se fala de aumentos...

Falo disto porque uma pessoa amiga mudou de emprego. Os patrões nem sequer fizeram um esforço para igualar ou cobrir a oferta da concorrência. 

Não sei se não perceberam a sua importância, ou se fingiram não perceber. O facto é que ela era a "alma da casa". Além de os substituir em muitas questões técnicas e criar bom ambiente de trabalho, deu-lhes muito dinheirinho a ganhar, que é o que mais conta para eles...

Estive com ela há dias. Está satisfeita no novo emprego, até porque ganha mais e trabalha menos. Como é uma empresa bem organizada, cada um sabe o que tem de fazer (não lhe cai quase tudo em cima, com acontecia anteriormente...) e o normal é as coisas correrem bem.

O mais curioso foi, que, quando ela falou com os patrões, estes não a levaram a sério e até quase que brincaram com a situação. Essa atitude acabou por ser decisiva para a sua saída.

Ela resumiu quase tudo a uma frase: «Quando somos significantes, por muito que se esforcem, é difícil reduzirem-nos à insignificância.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 08, 2024

O esquecimento e o facilitismo que habitam nos nossos dias...


Não tenho dúvidas que uma das missões que temos enquanto pais, é tornar (ou pelo menos tentar...) a vida dos nossos filhos mais fácil e melhor que a nossa. Nem sempre conseguimos chegar a uma delas, muito menos às duas. 

Isso acontece porque nós, humanos, temos o condão de tornar o que é fácil difícil, optando por caminhos cada vez mais manhosos e estranhos para o outro (estamos cada vez mais cercados pela tentação da violência e até da exterminação da diferença...).

Embora às vezes falemos nisso, nem sempre sei se eles estão mais capacitados que nós, para lidar com os "filhos da mãe", que crescem à nossa volta como "cogumelos no bosque"...  Provavelmente estão. Já levaram com eles nas escolas...

Pensei nisto ao ver os meus dois filhos saírem de casa, quando amanhecia.

Também pensei que, são sobretudo essas pessoas - que se alimentam diariamente do poder - que mais esquecem que têm dentro deles, várias coisas que os distinguem dos outros animais. 

Sem lirismos, pensei que um pouco mais de humanismo, não lhes fazia mal nenhum, mesmo que corressem o risco de deixarem de ser olhados como "filhos da mãe"...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)


segunda-feira, outubro 07, 2024

O futuro, afinal, é hoje...


Um amigo meu, poeta, há mais de meia-dúzia de anos (o tempo passa por nós cada vez com mais velocidade...), lastimava-se pela falta de comentadores no seu blogue (que agora só está aberto a convidados). Perguntava-me, qual era a "fórmula" que eu tinha, para ter comentadores, em todos os meus textos. Eu abanava os ombros, porque não havia nada de fora do normal, aqui no "Largo". Tentava responder de uma forma agradável a quem por aqui passava, apenas isso.

Já não sei bem quando foi, mas a partir de certa altura, defini que este era o meu blogue principal, e tomei a decisão de que este seria o único onde responderia aos comentários, por ter cada vez menos tempo para dedicar à blogosfera.

E entretanto, nos últimos meses, fui perdendo os comentadores habituais. Aceitei-o com a normalidade possível (eu também comento cada vez menos nos outros blogues...). E hoje, a maior parte dos meus textos não merecem qualquer reparo dos leitores, positivo ou negativo (curiosamente, as estatísticas dizem que as visualizações aumentaram...).

Sinceramente, não é nada que me preocupe demasiado. Até porque este meu "Largo", funciona muito como diário. Às vezes não tenho nada para dizer e obrigo-me a escrever qualquer coisa, só como exercício.

O único problema, é sentir que o "Largo" se tornou um espaço cada vez mais pessoal. Ou seja, escrevo cada vez menos a pensar nos outros e mais em mim. Talvez até esteja a exagerar, e publique por aqui demasiados "estados de alma"...

Paciência. Ninguém é perfeito. E parece que o futuro, afinal, é hoje...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, outubro 06, 2024

«Quem tem público é o Benfica, o Porto e o Sporting.»


A conversa estava a ser bastante cultural, quase daquelas antigas, em que parecia que o tempo não escapava e nos dizia que era hora de irmos embora.

Quando chegámos aos "públicos", aliás, à falta dele, na maior parte das actividades culturais, se excluirmos os festivais de música, é que as coisas se tornaram mais complicadas...

O Pedro, por ser alguém mais dado à intelectualidade, começou por dizer que nunca nos preocupámos em criar, e educar, públicos, a ensinar as pessoas a perceberem e a sentirem o porquê das coisas. Coisas essas que nem sempre se explicam com facilidade...

Devia ter alguma razão. Pelo menos alguma.

A Carla disse que era mais profundo que isso. Era sobretudo uma mania portuguesa. Todos tínhamos a mania que cantar, tocar, actuar, pintar, escrever, estavam ao alcance de todos. Havia demasiada mediocridade nas culturas. Deu o exemplo das televisões que apadrinhavam aos fins de semana à tarde, muita desta gente, que cantava e tocava, sem ter o mínimo de qualidade exigível para se apresentarem em público. 

Pois, parece que o problema não é apenas das pessoas que não têm jeito. Há também quem alimente o "circo".

O Rui para salientar que era um problema de educação, deu como exemplo o futebol, que tinha o seu público, criado ainda antes de Abril.

Como gosto de "estragar prazeres", disse-lhe que estava enganado. A maior parte dos estádios e campos de futebol, de Norte a Sul, estão quase sempre vazios. E acrescentei: «Quem tem público é o Benfica, o Porto e o Sporting.»

Baralhei um bocado o jogo, mas claro, que começa tudo na educação. 

Claro que não descobrimos, qual é a melhor forma de "educar" as pessoas para se tornarem espectadores de teatro ou de outra arte ainda mais difícil... 

Todos estávamos de acordo que devia começar na escola. Mas quando e como?

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas. desta vez com legenda: "A cultura anda nua")


sábado, outubro 05, 2024

O País "Folheto-Turístico"...


O turismo quando chegou às duas principais cidades do país (Lisboa e Porto), teve o condão de "restaurar" a sua edificação mais antiga, praticamente abandonada pelos seus proprietários (muitas vezes mais por falta de vontade que de dinheiro...).

Esta foi a parte melhor desta "invasão turística", mesmo que trouxesse "colada" a especulação imobiliária, que nunca mais abandonou estas duas cidades, provocando, a pouco e pouco, a mesma "febre do dinheiro" na maior parte dos centros urbanos, e até nas aldeias mais recônditas deste nosso Portugal. Bastava que existisse algo para ser explorado para fins turísticos...

E de repente, "toda a gente" quer ganhar dinheiro com este "turismo intensivo" (que é um pouco como a agricultura com o mesmo nome, só serve o presente), nem que seja para alugar camas a imigrantes em lugares decrépitos.

Ou seja, nota-se que este País "Folheto-Turístico", está mesmo talhado para as pessoas que querem ficar ricas hoje, sem vontade ou paciência para esperar para amanhã. Vou ainda mais longe: foi "desenhado" mesmo à medida do empresário "chico-esperto" português...

Não deixa de ser curioso, que sejam os próprios governantes (com as taxas e as taxinhas...), também a não esperarem por amanhã, com uma vontade imensa de matar todas as "galinhas com ovos de ouro" que apanharem por aí...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, outubro 04, 2024

Problemas velhos que parecem novos...


Nem sempre nos apetece recuar no tempo, até porque não nos surgem apenas surpresas agradáveis, dentro das nossas memórias.

Pois é, de repente descobrimos uma Lisboa que sempre teve problemas de habitação...

Quando viemos viver para a Cruz Quebrada, em 1981, nas viagens de ida e de volta para as Caldas, éramos obrigados a reparar nas suas entradas (rodoviárias e ferroviárias...), povoadas de bairros de lata. Bairros que floresciam graças aos problemas que parecem ser "de sempre": falta de casas para alugar, a preços acessíveis, pelo menos para quem recebia "ordenados de miséria" (também não é um problema apenas de hoje...).

Só com a entrada na União Europeia e com a boa utilização dos fundos por parte da autarquia de Lisboa (penso que nos mandatos de Jorge Sampaio e de João Soares), foi possível acabar com este flagelo social.

Claro que existiam ainda outros problemas na Capital, como uma baixa pombalina praticamente desabitada, com os interiores dos seus prédios quase em ruínas,  com o perigo de derrocadas latente... 

Este só seria resolvido com o "paraíso turístico", que chegaria alguns anos depois. Mas isso fica para amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, outubro 03, 2024

O "calimero" da Capital...


Se há um político que me irrita, à séria, é o "alcaide" da Capital. Podia ser apenas por causa da voz, mas é muito mais que isso.

Sempre que o vejo armado em "calimero", lembra-me os "putos mete-nojo" que acabamos por aturar na primária, que passavam a vida a choramingar e a fazer queixinhas, por não terem jeito para jogar à bola ou para coisas ainda mais simples, como jogar à "apanhada" ou às "escondidas"...

Esta "merda de gente" quando cresce, além de não perder o hábito de fazer "queixinhas", de tudo e de todos, torna-se cobarde, cínica e hipócrita, a tempo inteiro.

E se têm a sorte de ter um "emprego", onde podem dar largas à sua "imaginação" e "mariquice", nunca mais temos descanso.

É por isso que o "alcaide" tem tido a lata de se aproveitar de tudo o que foi bem feito pelos socialistas no Município (como se fosse obra sua...), ao mesmo tempo que os culpa, de tudo o que corre mal, mesmo que já esteja no poder há mais de três anos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, outubro 02, 2024

Muita demagogia e pouca razoabilidade...


Não acredito que o PSD tenha qualquer "proposta irrecusável", no bolso, para oferecer ao PS e ver o seu orçamento de estado aprovado no Parlamento. Pretende sim, ficar melhor na fotografia que os socialistas, em todo este processo de negociações.

Desde o começo do seu mandato que os sociais democratas se preparam para novas eleições, usando o dinheiro que o PS deixou nos cofres do estado para minimizar os problemas que os ditos socialistas não quiseram resolver, ao mesmo tempo que ainda oferecem uns "miminhos", como o que deram aos reformados...

Os resultados das eleições europeias, com a queda do Chega, ainda lhes alimentaram mais este desejo de ir de novo para eleições (alguns excessivamente optimistas até sonham com "maiorias"...).

Claro que ainda aparecem uns percalços pelo caminho, como hoje, com os Sapadores Bombeiros. Mas nada que incomode esta gente, capaz de "vender o pai e a mãe", se isso lhes garantir votos e que se mantêm no poder...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 01, 2024

A Vida, a Poesia e a Ficção, com e sem sentido...


A vida não faz muito sentido. Nunca fez.

Não era essa a questão.

Mas sempre se podia apanhar boleia.

E era melhor falar de literatura que da vida...

Mas a verdadeira questão nem era assim tão estranha. Se a vida não faz muito sentido, por que razão a ficção e a poesia têm de fazer sentido?

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)