sábado, agosto 06, 2016

A Ponte (não) é uma Miragem...

A ponte deixou de ser uma miragem no final de 1962, quando se iniciaram as obras do projecto público mais arrojado até então: a construção de uma ponte que unisse as duas margens do Tejo, junto à Capital (havia projectos desta travessia com quase um século...). 

Mas as coisas até correrem bem, menos de quatro anos depois foi possível fazer a festa da sua inauguração, há exactamente 50 anos...

Este poema que aqui publico foi escrito para ilustrar com palavras uma exposição que fiz ("A Ponte é uma Miragem"), cheia de pontes e de Tejo, da qual também faz parte a fotografia publicada.

A Ponte é uma Miragem

a ponte é uma miragem
que ultrapassa a exposição
pois é também uma viagem
do olhar e dos sentidos
que buscam inspiração
e querem que a ponte seja mais
que uma simples passagem.

olhar que se cruza
com um Rio de “visões”
tanto a norte como a sul
e que se deixa levar
em todas as direcções

sentidos explorados
pelo som que se confunde com o vento
de um tabuleiro povoado de carros
suspenso pelos cabos do tempo

sentidos encantados
pelas cores de um Tejo radiante
que pinta toda a paisagem
de uma forma contagiante
e transforma a ponte na tal miragem

                            Luís Milheiro

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 05, 2016

Um Olhar da Ponte (Diferente) à Escolha...


Devo ter mais de uma centena de fotografias com a Ponte Sobre o Tejo.

Até já fiz uma exposição individual com o título "A Ponte é uma Miragem".

E como hoje não tinha nada para dizer (há dias assim...), andei à procura de uma fotografia que fugisse do habitual, que oferecesse uma perspectiva diferente. 

E calhou esta...

(Fotografia de Luis Eme)

quinta-feira, agosto 04, 2016

Cacilhas com Barcas

Hoje e amanhã é possível visitar alguns veleiros de grande porte, que estão acostados no Largo de Cacilhas, como é o caso do "Crioula" (na foto).

Esta iniciativa faz parte das comemorações do 50.º aniversário da inauguração da Ponte sobre o Tejo (baptizada "Ponte Salazar" até Abril de 1974 e depois "Ponte 25 de Abril" - muito mais bonito, diga-se de passagem...).

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, agosto 03, 2016

Uma Paisagem Ilusória

Tirei esta fotografia, hoje, no alto da arriba onde termina a Mata dos Medos, com vista para a praia da Fonte da Telha, minutos depois de ter deixado o meu filho rente ao mar.

Chamo-lhe "paisagem ilusória", porque toda esta beleza esconde os péssimos acessos que existem para as praias da Costa de Caparica e Fonte da Telha, que deverão ser as que recebem mais pessoas de Norte a Sul no Verão.

De vez em quando apetece-me ir dar um mergulho ao mar, mas só de pensar na dificuldade que terei em estacionar o carro, perco logo a vontade...

E nem falo de quem ainda tem de ultrapassar mais um outro obstáculo gigantesco chamado "Ponte 25 de Abril", com filas intermináveis, essa mesma que está quase a festejar o seu primeiro cinquentenário.

(Fotografia de Luís Eme) 

terça-feira, agosto 02, 2016

As Leituras de Férias


Como de costume li bastante nas férias.

Li seis livros e deixei outro quase a meio.

Comecei por ler, "Deixar a Vida", de Jorge Silva Melo, que também visitou o areal da praia. Em simultâneo ia lendo por  casa "Fernando Pessoa, uma Fotobiografia" de Maria José de Lencastre e "O Caso Clínico de Fernando Pessoa" de Mário Saraiva, porque continuo apostado em escrever um conto com Fernando Pessoa de passagem por Cacilhas...

Depois vieram "M Train" da Patti Smith; a "Inquietude" de Isabel Pires e "A Boca na Cinza" de Rui Nunes.

O livro que ficou a meio foram "As Primeiras Coisas de Bruno Vieira Amaral.

Gostei particularmente de ler, "Deixar a Vida", de Jorge Silva Melo, porque me ensinou mais algumas coisas sobre teatro; A "Inquietude", de Isabel Pires, porque fiquei a conhecer um pouco melhor esta Mulher-coragem, que usou as palavras para responder à vida, que está longe de ser cor de rosa; e "M Train" pela simplicidade com que a Patti conseguiu juntar pedaços da sua vida cheia, sem se esquecer de misturar os sonhos, as fotografias e alguns objectos aparentemente vulgares.

O mais curioso é que não li um romance, "romance". "A Boca de Cinza" de Rui Nunes é outra coisa (e até "As Pequenas Coisas" de Bruno Vieira Amaral são um "romance" especial, mas sobre este livro falarei depois...). 

segunda-feira, agosto 01, 2016

Uma Fotografia com Dois Sentidos

Esta foi a última fotografia que tirei da praia, quando lhe disse adeus, ao fim da manhã de ontem.

Mas também podia ser de chegada, de um primeiro olhar sobre o mar, através das dunas.

Dunas que me proporcionaram uma boa memória, logo nos primeiros dias de férias. Graças às temperaturas elevadas voltei a sentir o cheiro da areia quente nas dunas, um perfume forte que se aliava à vegetação seca da protecção dunar tão presente nas praias do sotavento algarvio...

Regressei às dunas gigantes de Salir do Porto, que na infância subíamos a custo, para depois rebolarmos ou escorregarmos até próximo da água...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, julho 31, 2016

O Adeus ao Mestre dos Mestres


Mário Moniz Pereira deixou-nos hoje.

Foi só o maior treinador português de sempre, sendo tratado carinhosamente por todos como o "Senhor Atletismo".

Moniz Pereira, além de ter sido o maior fazedor de campeões de atletismo do mundo, também é um dos técnicos mais titulados de sempre. Se se somarem todos os seus títulos colectivos como treinador de atletismo (nacionais, europeus e mundiais...), Alex Ferguson - que dizem ser o treinador com mais títulos do mundo - fica muito para trás do "Senhor Atletismo".

Tive o grato prazer de privar com ele em diversas ocasiões, dentro e fora do atletismo e jornalismo. Até me fiz sócio da "Associação de Amizade Portugal-Portugal", tocado pelo seu amor a tudo o que é nosso, e por sempre achar - tal como ele - que somos muito melhores do que pensamos.

Mas além do atletismo Moniz Pereira tinha outros amores, como o fado, onde chegou a compor dezenas de músicas que se tornaram sucessos, nas vozes de Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Camané ou Maria da Fé, entre tantos outros fadistas.

Nesta fotografia de quem desconheço a autoria, Moniz Pereira está com Carlos Lopes - um dos nossos "heróis" do Olimpo - que tornou Campeão Olímpico, Recordista e Campeão Mundial.

sábado, julho 16, 2016

"Pausa no Miradouro"

"Pausa no Miradouro" é o título de mais uma fotografia da série, "Blue & Yellow", da tal exposição de Setembro...

Como vou fazer uma pausa para férias, que também serão da blogosfera e de tudo o que está dentro dos computadores, achei que esta imagem, já com um cheirinho de férias e também de paragem escolher a próxima viagem, tem todo o simbolismo de quem parte com bilhete de volta em Agosto...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, julho 15, 2016

No Dia Seguinte...

É impossível ficarmos indiferentes a mais um atentado cobarde, e sem sentido, a inocentes, que continuam a ser sempre as suas principais vítimas, por estarem habitualmente no local certo à hora errada...

Hoje os mais optimistas suspiram fundo e pensam que nem tudo é mau nesta nossa sina de estarmos quase esquecidos neste cantinho da Europa.

Já os adeptos do humor negro dizem que temos escapado com mais facilidade aos ajustes de contas dos falsos "justiceiros do Oriente", que aos ataques perpetuados pelos próprios "donos da Europa", com leis para os fortes e leis para os fracos.

Só os mais realistas, sentem que é bom que se comece a pensar que este sossego não vai durar para sempre. 

Em Paris ou em Istambul há muito que a passagem por uma esplanada deixou de ser um simples momento de descontracção e de convívio.

(Fotografia de  Mark Kaufman)

quinta-feira, julho 14, 2016

As Coisas que se Sentem e nem Sempre se Explicam...

Gosto bastante de conversar com pessoas que conseguem acrescentar conhecimento às coisas que gosto, sem serem chatas.

Talvez o Mestre Lagoa Henriques tenha sido o expoente máximo do que acabei de dizer. Ainda recordo a visita guiada memorável que me fez ao espaço expositivo e museológico que ficava ao lado do seu atelier (que penso nunca ter sido aberto ao público, estupidamente...), em que durante mais de duas horas me explicou a história de cada uma das suas esculturas, sem se esquecer de destacar a origem dos materiais mais simples (com destaque para os pedaços de madeira - troncos de árvores ou "lixo" dos navios - recolhidos na "sua praia" de Pedrouços...) aos mais elaborados... Claro que há poucas pessoas com a capacidade de transformar um pedaço de madeira, plástico ou lata, deitados fora, numa obra de arte. O Mestre Lagoa Henriques tinha esse dom...

As palavras são mesmo como as cerejas... Digo isto porque a conversa que tive com um amigo das "fotografias" sobre a evolução daquilo a que normalmente chamamos "composição", e que faz com que a fotografia consiga chamar a atenção das pessoas, foi extremamente agradável. 

Falámos de palavras que parecem estar fora do mundo da fotografia: "encenação", "recriação", "mistério", "fantasia" ou "imaginação".

Sorrimos com cumplicidade perante a incerteza que nos invade cada vez mais o olhar, sem termos medo da sensação de que sabemos tão pouco do mundo...

(Fotografia de Benn MItchell)

quarta-feira, julho 13, 2016

As Conversas e os Amigos...

Uma das coisas que também acaba por definir a amizade, são as conversas que temos com quem nos rodeia.

As questões que consideramos realmente importantes das nossas vidas, só são tema de conversa com as pessoas de quem gostamos e confiamos.

Sabemos que são elas, que não só  nos apoiam, como ainda são capazes de nos fazer ver que estamos errados, em muitos dos nossos pontos de vista...

(Fotografia de Luís Eme da série "Blue & Yellow")

terça-feira, julho 12, 2016

A Patrícia e o "Futebol-Eucalipto"...


Ontem foi um dia brilhante para o desporto português.

Rui Costa, o nosso ciclista mais talentoso ficou em segundo numa das "etapas-rainhas" da Volta a França.

No Campeonato da Europa de Atletismo que se disputou na Holanda conquistámos no último dia da competição três medalhas de ouro e duas de bronze (grandes Sara Moreira, Patrícia Mamona, Jessica Augusto e Tsanko Arnaudov e equipa feminina da meia-maratona).

Claro que foi o título de Campeão Europeu de Futebol conquistado em Paris que fez o país sair à rua, entre gritos, foguetes, canções e buzinadelas pela noite fora. Porque é sobretudo de futebol que o povo gosta...

No entanto há uma campeã europeia de atletismo que merece um relevo especial aqui no "Largo", a Patrícia Mamona, que fez dois em um. Além de se sagrar campeã do velho continente bateu o recorde nacional feminino do triplo-salto.

(Fotografia retirada do Site "A Bola")