sábado, outubro 15, 2011

Hoje o Largo é o Centro do Mundo


Hoje o Largo é o centro do Mundo, para festejar o centenário do nascimento de Manuel da Fonseca, poeta romancista e contista, com um jeito inesquecível para contar histórias...

Solidão

Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo envolve-os a todos!


Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!...


(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)


Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

Os Poetas Têm Palavras para Tudo


Os poetas têm palavras para tudo, e ainda bem.


Um amigo poeta, com obra publicada e tudo, continua a pensar que tomar banho todos os dias, gasta a pele (palavras dele...).

Agora que o calor ainda é que mais ordena nas ruas, o seu cheiro chega a ser incómodo, mas nada que o preocupe, para mal dos nossos sentidos.

O Gui, sempre mais brincalhão, não deixa de lhe enviar recados. Desta vez até lhe perguntou se ele não conhecia a "limpeza a seco".

Mas o nosso amigo, como poeta brilhante que é, respondeu-lhe à letra: «Sinto-me melhor a escrever e a dizer poesia se não tomar banho. Acho que a sujidade do dia a dia, me aproxima mais do sentido das palavras e do mundo.»

Acabámos todos a sorrir e eu acrescentei: «É de poeta!»

O óleo é de Karl Soderlund.

sexta-feira, outubro 14, 2011

O Segredo


- Sabes que há muita gente a torcer para que escorregues por aí e venhas pelas escadas abaixo?


- Já ouviste falar em "anjos da guarda"?

- Então é esse o segredo...

- Sempre achei que o António Variações tinha razão, quando cantava:


Eu tenho um anjo, anjo da guarda

que me protege de noite e de dia

Eu não o vejo, eu não o oiço,

mas sinto sempre a sua companhia.

Adenda: Já agora, conseguem identificar o lugar onde "mora" este anjo azul?

quinta-feira, outubro 13, 2011

Alves Redol em Almada


Hoje, às 21 horas, Alves Redol será recordado no Salão de Festas da Incrível Almadense.


Esta sessão comemorativa do centenário do nascimento do escritor ribatejano (que decorre durante todo o ano de 2011) e inserida no 163º aniversário da Colectividade Almadense, começará com a projecção de um filme biográfico, de 50 minutos, onde nos surge o autor a falar na primeira pessoa, sobre a sua vida e obra.

Após o filme terá lugar um colóquio com as presenças de António Mota Redol (filho de Alves Redol), Vitor Viçoso (professor universitário e grande estudioso do movimento neo-realista e da obra do escritor) e Alexandre Castanheira (professor e um grande Incrível que conviveu com o homenageado)

Haverá também uma pequena exposição com imagens da sua passagem pelas Bibliotecas do Concelho, tal como uma mostra de livros da biblioteca da Incrível, de autores neo-realistas.

Esta bela foto de Alves Redol é da autoria de Sam Payo.

terça-feira, outubro 11, 2011

O Teu (Nosso) Mar


Quando gostamos mesmo do Mar, há um lugar que nos diz mais que todos os outros, que sentimos ser o nosso Mar.


O meu é e será o da Foz do Arelho, um Mar barulhento, nervoso, bravo, inquietante, ao qual penso que ninguém fica indiferente. É tão bom para amar como para odiar.

O teu Mar é muito parecido com o meu, mesmo que esteja mais para Sul, e que seja separado por outro cabo (Sardão, vá-se lá saber porquê...).

Ele também gosta de se fazer ouvir, de dançar com a areia e com as rochas, bem mais abundantes que na minha praia.

Quem diria que os nossos mares, a meio de Outubro, ainda tinham as águas quase azuladas e eram capazes de lançar convites lascivos para um tango, a dança dos bons ares, às gaivotas...

segunda-feira, outubro 10, 2011

Se Isto é Verdade, Talvez Comece a Acreditar na "Teoria da Injecção"


Ao passar pelas "Brumas da Memória" da
Joana, fiquei estupefacto.

A ser verdade esta história dos museus, começo a acreditar que dão qualquer coisa esquisita às pessoas que vão para o governo, tipo injecção na orelha.

Não estava à espera que uma pessoa que sempre demonstrou ter ideias próprias sobre a coisa da cultura, começasse por se revelar enquanto governante, "autista" e "mentiroso", qualidades que usou várias vezes para definir o primeiro-ministro anterior.

Talvez seja melhor para o Francisco José Viegas passar a ser apenas o doutor Francisco Viegas, ou então simplesmente, José Viegas...

O óleo é de Otto Lange, e define bem os políticos como "espalhadores de música".

domingo, outubro 09, 2011

«E tu de que dores falas?»


Ontem de manhã estive alguns minutos sozinho de café. Foi bom, além de ter aprimorado a minha intervenção para o lançamento do livro do Aníbal à tarde, deu para ficar por ali a escutar as várias vozes que ecoavam no interior do "Repuxo".


As pessoas de idade maior continuam a ter uma predilecção para falar de medicamentos, radiografias, e claro, as doenças e as dores que transportam, tantas vezes usadas como medalhas...

Olhei para dentro de mim e perguntei: «e tu, de que dores falas?» Sorri, por saber que não falo, além de ainda não ter chegado à fase das dores, quando as tenho, não lhe dou muita atenção, para que elas vão embora.

E agora que falo nisso, parece que resulta...

O óleo é de Martin Riwnyj.

sexta-feira, outubro 07, 2011

A Fotografia a Preto e Branco


Gosto muito da fotografia a preto e branco.


Como amanhã vai ser lançado o livro, "Aníbal Sequeira, 60 Anos de Fotografia" (às 16 horas, no Solar dos Zagalos, Sobreda da Caparica), ao mesmo tempo que se inaugura uma exposição do mesmo autor, com 60 belas imagens, deixo-vos aqui, uma das sessenta fotografias a preto e branco do Aníbal Sequeira, que poderão descobrir na sala dos Arcos do Solar, a "Solidão"...

quinta-feira, outubro 06, 2011

Obrigado Steve!


Steve Jobs deixou-nos apenas fisicamente. O seu legado é de tal forma importante, que perdurará durante muitos anos, graças ao excelente trabalho que fez na "Apple" e na "Pixar", revolucionando completamente o mundo da multimédia e da animação.

quarta-feira, outubro 05, 2011

O República


Durante a ditadura salazarista e marcelista, o "República" era o jornal que mais oposição fazia aos governos de então, mesmo com a atenção redobrada do "lápis azul" da censura.


O que ninguém esperaria é que fosse fechado em plena democracia, no começo de 1976, devido a agitações internas, provocadas pela "partidarização" do jornal, ele que vinha de 1911 (fundado por António José de Almeida) e resistiu aos 48 anos de ditadura...

Foi também com a democracia que acabaram os diários da tarde ("Diário de Lisboa", "Diário Popular", "A Capital" e o "República", o primeiro a sucumbir)...

segunda-feira, outubro 03, 2011

As Palavras e o Tempo


Não tenho escrito quase nada. Há sempre explicações, que até podem passar pelo "baixar" da caneta.


Mas não é o caso, tenho andado demasiado ocupado com outras coisas, livros de terceiras pessoas, organizações culturais, etc, coisas que me têm deixado sem tempo e disponibilidade para parar e ficar a olhar o mundo.

Tenho saudades de chegar ao café, ficar por ali a olhar em volta, sentir uma vontade grande de deixar um registo das muitas ideias que me surgem pela cabeça.

Fico à espera do Novembro, certamente mais calmo, com mais tempo para ficar parado a olhar o mundo...

O óleo é de Carol Marine.

domingo, outubro 02, 2011

«Sem comentários? Não. Eu comento.»


Nos últimos dias o "Blogger" tem andado estranho.


Ainda não percebi porquê, mas os comentários que tenho feito para outros blogues do nosso clube, pura e simplesmente desaparecem.

Penso que não é um problema apenas aqui do "Largo", é mais vasto.

Se estes problemas não forem resolvidos, irei para outras bandas, pois há mais mundo na blogosfera, além do "blogger".

Já antes não conseguia comentar alguns blogues (com caixa de comentários diferente), porque a minha conta não era aceite.

Faz-me confusão que em vez de simplificarem os processos, os compliquem.

E não me apetece andar por aqui incomodado.

O óleo é de Brent Linch.