Mas achei que devia escolher este título, por me apetecer continuar a falar de autores antigos, nem sempre bem considerados. O primeiro nome que me veio à memória foi Alves Redol, que o mestre Lagoa Henriques despiu na sua estátua de Vila Franca de Xira (a pensar na sua escrita e na forma como sempre tentou viver, livre de preconceitos e das "roupas" que queriam que vestisse, mesmo que estas não lhe servissem...).
Junto à conversa uma das localidades que mais gosto (mesmo sem nunca lá ter vivido, foi apenas lugar de trabalho transitório...), a Vila Franca de Redol e de tantos outros homens da cultura e da resistência antifascista. Não esqueço que foi graças às viagens de comboio entre Santa Apolónia e esta local ribeirinha, que voltei a ler com paixão e a sentir vontade de escrever com se fosse "escritor"...
Recordo-me de ler algumas opiniões pouco abonatórias sobre a forma como escrevia, vindas da gente do mundo dos livros. Nunca concordei. E estou à vontade para o escrever, porque nunca estive muito afastado dele, fui lendo os livros da sua autoria que me iam chegando às mãos. Iniciei-me com o "Constantino, guardador de rebanhos e de sonhos", ainda nos primeiros anos de liberdade, por ser leitura obrigatória no ciclo. Só o voltei a ler no tal regresso às leituras apadrinhado pela terra que sempre foi mais que de "touros ou toureiros" - como era identificada com alguma brejeirice -, com os "Gaibéus". Uma década depois li o seu grande livro, "Barranco de Cegos", um dos melhores do século XX (na minha opinião, claro). Alguns livros depois da sua autoria e já em 2021, li a "Fanga", que também não foge (e muito bem...) do Ribatejo e da vida difícil das pessoas.
É provável que exista neste gostar, algum parcialismo, por saber que foi um grande ser humano e também por conhecer o seu filho António, que não lhe fica atrás...
(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)
Apenas como informe: António Redol é o curador de uma exposição na Livraria Museu, em Vila Franca de Xira: «José Cardoso Pires, Um Novo Neo-Realismo», que pode ser vista até 26 de Abril.
ResponderEliminarFica sempre perturbado quando lhe lembram os escritores, jornalistas, outras gentes, que há longos e longos anos pontapeiam o Neo-Realismo.
Apetece dizer: (re)aprendam a ler!
Também sempre me fez confusão, Sammy.
EliminarTalvez por eu ter gostado de ler Soeiro Pereira Gomes, Romeu Correia ou Alves Redol e não lhes encontrar os defeitos ideológicos dos críticos...
O 25 de Abril trouxe para a escola Alves Redol com o seu Constantino e Soeiro Pereira Gomes com Os Esteiros.
ResponderEliminarFoi muito bom para docentes e discentes este conhecimento de autores fora das escolas até aí.
Abraço
Sim, foram importantes para compreendermos aquele tempo, Rosa.
EliminarEmbora não se fale muito, a "Engrenagem" marcou-me muito, de uma forma positiva, talvez por o ter lido com catorze anos. Abriu-me os olhos para a exploração que se fazia nas fábricas e nos campos e para a forma como se enganavam as pessoas em nome do "progresso"...