sexta-feira, março 27, 2020

Um Dia Mundial de Teatro sem Palmas e sem "Patadas"


Se o Dia Mundial da Poesia foi estranho, não sei o que dizer do Dia Mundial do Teatro...

Não me incomoda apenas a estranheza dos palcos silenciosos e das salas vazias e fechadas. 

Saber que esta é a actividade cultural mais vulnerável do nosso país, por estar cada vez mais dependente dos apoios de terceiros, é que considero, muito preocupante.

Se durante os anos da "troika" houve muitos actores que foram forçados a mudar de profissão, os dias que se aproximam não vão ser melhores...

Mas a realidade é o que é, não vale a pena escondê-la atrás do "biombo": há um divórcio cada vez maior entre os portugueses e o teatro.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

4 comentários:

  1. Sammy, o paquete28/03/20, 13:23

    Teatro Mário Viegas.
    «Este já cá canta!», cito de memória, disse Mário Viegas quando, já nos finalmente, o João Soares lhe foi dar a notícia ao hospital.
    E a 1 de Abril de 1996 pregou-nos a monumental mentira.
    A falta que ainda nos faz!...
    Desprezava o poder e sempre disse que as únicas causas por que vale a pena lutar, eram as perdidas.
    «Porque é que a genialidade encurta a vida?», perguntava o José Niza.
    «O Teatro é a Arte mais efémera do mundo, por isso eu sou um Homem de Teatro.
    O Teatro sempre foi a minha vida e a minha morte».
    José Saramago:
    «Mário Viegas morreu. Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber, embora ele o deixasse subir à tona da expressão às vezes angustiada do olhar e ao ricto sempre sardónico e amargão da boca. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto.»
    Mário Viegas, gin-tonicamente-bebido, (estou a vê-lo) a sair do «João Sebastião Bar», ali a S. Pedro de Alcantara, certamente a recitar para si próprio, aqueles versos, de que tanto gostava, versos do seu amigo Raul de Carvalho:
    «Serenidade, és minha.»

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    1. O Mário Viegas era especial (entrevistei-o duas vezes...). E era dos melhores nos palcos.

      O teatro que tem o seu nome é muito dele.

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  2. Eu penso que depois disto tudo melhores dias virão!
    Pode levar algum tempo, pois já sabemos que depois desta pandemia vem outras coisas para resolver como a economia.
    Mas esta experiência toda veio para marcar e fazer a diferença! Se acha que o dia mundial da poesia e o do teatro foi estranho, não esqueça mais estranho está a ser as celebrações católicas! Em plena quaresma o Papa celebrou uma missa para uma igreja vazia! As celebrações da semana Santa, da Páscoa estão todas canceladas.
    Isto está a mexer com várias instituições e varias estruturas! Que seja tudo para um bem maior e que depois disto tudo, haja renovação!

    Abraço.

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    1. Sim, Micaela, tudo o que eram manifestações colectivas, foram canceladas.

      Pois é, a Páscoa está a ser "desavalorizada". Nós por exemplo, não vamos à Beira, onde assistíamos sempre a duas procissões muito "teatralizadas" (historicamente falando).

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