sábado, janeiro 03, 2026

Virar o mundo ainda mais de pernas para o ar...


O que se passou na Venezuela contraria tudo o que se conquistou ao longo do século XX, no campo da independência das nações e no respeito pelos direitos internacionais (e já nem falo da ONU, que devia fechar portas...).

Não sinto qualquer pena de Maduro, mas sim da Venezuela e dos seus habitantes, que, provavelmente, ainda gostam menos de Trump que do presidente deposto e capturado.

Mas se Trump quer mesmo dedicar-se à "caça" a ditadores, devia começar pelo seu amigo Putin...

Mas o pior de tudo, são os sinais que os EUA deram ao mundo. Não só abriram portas à  anexação definitiva da ilha Formosa por parte da China, como pioraram, muito, a situação da Ucrânia nas negociações de paz com a Rússia.

E a Groenlândia e a Dinamarca que se cuidem...

(Fotografia de autor desconhecido - o "regresso ao velho oeste"...)


sexta-feira, janeiro 02, 2026

A diferença entre leitores de jornais e leitores de títulos de jornais acentuou-se muito nos últimos anos...


"As pessoas não querem saber..." É já quase uma frase batida, pela mistura que se faz entre ficção e realidade, no dia a dia, mesmo ao mais alto nível.

Fala-se do líder do Chega, mas temos um primeiro-ministro que vive num mundo só dele, rodeado de cinderelas e de cristianos ronaldos, cada vez mais distante do "mundo dos outros"...

Mas o que eu quero mesmo é falar de jornais e de leituras.

Há bastantes anos que o "pasquim" mais vendido no burgo, raramente fazia coincidir os títulos de primeira página com as notícias publicadas no interior. Isso criava um problema - na época ainda menor - porque conseguia enganar as pessoas que tinham por hábito ler apenas os títulos de jornais e as "letras gordas".

Hoje existem mais seguidores da "fórmula" na imprensa, mas de pouco lhes vale, porque o leitor de jornais de papel, é "uma espécie em vias de extinção"...

Curiosamente, estes "leitores" das letras grandes foram os que mais facilmente deram o "pinote" para o mundo das redes sociais, que usa a mesma "técnica informativa", com uma diferença: quando mente, mente a valer, tanto nos títulos como no conteúdo.

Este fenómeno que tem pouco do entroncamento, é seguido pelo partido que também adora "desinformar" e é um caso de estudo pelo seu sucesso eleitoral, mesmo com ladrões de malas, pedófilos, agressores, violadores, etc.

Isto faz com que acabe o texto com a frase inicial: "As pessoas não querem saber..."

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, janeiro 01, 2026

Quando quase nada muda...


Quando quase nada muda...

O fogo ilumina os céus,
nas muitas margens do Rio,
Lisboa, Almada, Alcochete, Montijo, Seixal,
são as visíveis.
Acho que ainda há muitas pessoas,
com doze passas no bolso,
outras vestiram cuecas azuis.
Pelo menos, desta vez,
não ouvi o som de tampas de panelas
e estava demasiado distante,
para ver o aceno de notas pardas
de todos aqueles com cara de Montenegro
que querem chegar aos mil golos
como o nosso Ronaldo...

É por isso que é estranha esta sensação
de que quase nada muda...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, dezembro 30, 2025

Segundo alguns livros, a humanidade não tem mesmo conserto...


Não sei se o Eça retratista da sociedade intemporal está a ficar fora de moda, ou se continua em grande. Sei apenas que há dezenas de livros do século passado que  retratam a actualidade com uma nitidez que até dói.

É essa nitidez que me leva a citar algumas palavras de Sidónio Muralha, da sua "Caminhada" repleta de vivências:

«Será possível uma operação plástica? Acaso ainda possuímos reservas de bom senso e de generosidade para salvarmos o que nos pode salvar, ou vamos cortar aos pedaços a corda que nos levaria ao outro lado do abismo para industrializarmos a forca e a introduzirmos com pagamentos facilitados, em todos os lares dos cinco continentes? Todos hesitam, quase ninguém ousa responder, e é nesse clima de permanente ameaça que os jovens amam, querem construir, mas o terreno é movediço, cantam a coragem entre quatro muros de medo, são confiantes mas se se sabem traídos protestam de toda e qualquer maneira, mas o eco responde com ressonâncias de tédio e como um céu de chumbo, uma estrangulada angústia vai lentamente descendo. É por essa razão, que pesa e magoa, que eles procuram refúgios inusitados que os mais velhos, se de facto envelheceram, não aceitam e não compreendem. Mas seria idiota que eles esperassem compreensão de quem lhes deixou uma herança de mil alqueires de insegurança e ódio, toneladas de problemas, um laboratório macabro com frascos sujos rotulados meticulosamente - guerra - tráfico de armas - fome - entorpecentes - mortalidade infantil - racismo - detestai-vos uns aos outros.»

Ninguém diria que este texto foi escrito em Dezembro de 1971... Pode facilmente ser transportado para 2025.

(Fotografia de Luís Eme - Algés)


segunda-feira, dezembro 29, 2025

Regresso com a poesia e os livros do Sidónio...


Os primeiros contactos que tive com Sidónio Muralha foi através de uma amiga, que aproveitava todos os momentos de poesia, para o declamar (sim, declamava, não lia...), a Ofélia.

Pela força das suas palavras, percebia-se que era um poeta da resistência.

Acabei por ler dois livros de poesia da sua autoria e fiquei com a certeza de que ele teria sido um "homem político" (um resistente, perseguido e preso,  provavelmente ligado ao PCP...) dos tempos do neo-realismo, mas sem nunca ter tido a curiosidade de saber quem foi realmente o Sidónio.

Foi a leitura de "Caminhada - livro de vivências", que fez com que percebesse que o Sidónio Muralha foi um cidadão do mundo. Esta obra é uma espécie de diário com múltiplas entradas escritas em São Paulo, Rio de Janeiro, Lages, Londrina, Curitiba, Bruxelas, Farim (Guiné), Stanleyville (Congo), Dakar, e claro, Lisboa, entre outros lugares. Fala de tudo menos de poesia. Isso fez-me perceber que havia uma outra vida, para lá da poesia...

Foi por isso que acabei por pesquisar mais algumas coisas e descobrir que Sidónio tinha partido para o exílio em 1943 (estava a ser perseguido politicamente...) e que foi um quadro superior da Unilever, o que o levou a trabalhar em vários países africanos, acabando por se radicar nos anos 1960 no Brasil, onde viria a falecer em 1982.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, dezembro 24, 2025

Porque é Natal...


Porque é Natal…
 
Esta quadra festiva é de muitas coisas,
quase todas de apenas um só dia.
sejam elas a solidariedade
(que nunca se gasta, pelo menos nos discursos…)
seja a própria reflexão “cristã”
(que muitos católicos querem que seja só deles…)
sobre este tempo que hoje nos divide mais do que nos aproxima.
 
Todos nós caímos na “esparrela”
porque o Natal continua longe de ser quando um “homem quer”…
e festeja-se num só dia do ano.
Parece-nos quase sempre pouco, mas é apenas isso, uma aparência…
é suficiente para juntarmos a família,
é suficiente para oferecermos presentes
é suficiente para nos sentirmos melhores pessoas…
 
E chega de conversa, senão ainda começo a usar as palavras
obrigatórias para se conseguir ser “miss mundo”…
 
Claro que vos desejo BOAS FESTAS,
Mas não limito os votos de SAÚDE, PAZ,
a um só dia, mas sim a todos os dias do ano.

Mas o que realmente todos precisamos
é de uma grande dose de paciência para conseguirmos
sobreviver a este tempo que contraria
os valores humanistas, que nos foram deixados pelo
verdadeiro causador do Natal, Jesus de Nazaré.
(mas até isso os Americanos nos roubaram, ao imporem-nos o gordo das barbas brancas, que se veste como se fosse do Benfica e tem umas renas voadoras que lhe puxam a carroça…)
 
(Fotografia de Luís Eme - Seixal)

 

terça-feira, dezembro 23, 2025

O normal deste tempo é discutir e insultar os outros sem razão...


Não é difícil fazermos a pergunta simples e óbvia destes tempos: «porque é que as pessoas estão tão parvas?»

Tanto pode acontecer numa fila, no interior de uma loja, num restaurante ou até numa passadeira, é a coisa mais fácil do mundo vermos alguém a deixar que lhe "salte a tampa". O normal deste tempo é que se discuta e insulte os outros sem se ter razão...

Estás numa fila numa caixa de multibanco, para levantares dinheiro.  Os minutos de espera parecem horas e o casal que está a levantar dinheiro não se despacha, há alguns desistentes e vais passando para a frente. Dez minutos depois o fulano deixa de usar a máquina mas tem o desplante de continuar no mesmo sítio a contar o dinheiro que levantou, sem se preocupar com a bicha que criara, já com mais de meia dúzia de pessoas.

Alguém lhe diz para se desviar da caixa, sem pedir por favor. O que lhe foram dizer...

Desvia-se mas vira-se, furioso, para as pessoas que estão à espera. E nunca mais se calou (a mulher curiosamente desapareceu....). Disparou para todos os lados até para o senhor que estava atrás de mim, que com o ar mais calmo do mundo lhe disse: «Desculpe, mas o senhor não tem razão.»

Isso é que era bom, ele não ter razão!

Ainda disse que estava o tempo que quisesse na máquina. Foi quando uma senhora sexagenária o aconselhou a comprar uma máquina e colocá-la lá em casa, sem perder a compostura...

Deve ter ficado a pensar na possibilidade e afastou-se, mas sem se calar.

O poeta Eduardo dizia que isto estava tudo ligado. E é verdade. Deve existir um dedo do Trump e do Ventura em toda esta irracionalidade...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


segunda-feira, dezembro 22, 2025

Hoje é um daqueles dias em que se pode dizer que a democracia funcionou...


Hoje é um daqueles dias, em que podemos dizer que a democracia funcionou no nosso país.

Viver em democracia será tudo, menos "fazermos o que nos dá na real gana", sem nos preocuparmos em respeitar os outros, apenas porque são diferentes de nós

E não é a existência de um partido formado por gente ordinária e com "alma de bufos", que se pode andar por aí, a apontar dedos aos outros, dentro e fora de cartazes, que procuram discriminar, neste caso particular, os ciganos.

E não venham com histórias sobre liberdade de expressão. Não há nenhum dicionário que indique que a palavra liberdade é sinónimo de libertinagem...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, dezembro 19, 2025

Quando a meritocracia é usada como música de serrote...


É engraçado - sem ter graça nenhuma claro - o que algumas pessoas pensam da meritocracia, principalmente aquelas que se aconchegam mais para o lado direito da política.

O problema é quando a boca lhes foge para a verdade e temos de lhes dizer pra consultarem um dicionário, para perceberem qual é o verdadeiro significado da palavra "mérito".

Eu sei que o "homem cor de laranja" está a querer mudar tudo na América, com uma grande vontade em regressar ao velho Oeste e à lei do mais forte. O que me faz confusão é ver tanto europeu a defender o seu mundo, ou seja, uma sociedade sem princípios, onde tudo é possível, desde que tenhas dinheiro e poder.

Toda esta prosa porque encontrei um rapaz que em tempos trabalhou comigo, com quem acabei por beber um café e meter a conversa em dia.

Se soubesse o que esperava, tinha alegado "pressa" para um encontro qualquer, importante, e limitava o nosso convívio a um café e desejos de boas festas. Mal nos sentámos, veio logo com a "lengalenga" do costume contra os estrangeiros, apenas porque aquele lugar só tinha funcionários das terras por onde andámos a navegar nos séculos XV e XVI.

A conversa avançou logo para os nossos filhos (ele tem um rapaz mais velho um ano que a minha filha...). Estava chateado porque o filhote não conseguia arranjar um emprego de jeito e ganhava pouco mais que o ordenado mínimo e que a licenciatura que tirou de pouco lhe valia. Depois disse que os bons empregos deviam sempre em primeiro lugar para os portugueses, e só depois para os estrangeiros. 

Aquilo caiu-me tão mal. Esperava aquele conversa de muita gente, mas não daquele rapaz...

Percebi que estava na companhia de um "chegano". São contra a corrupção, contra uma sociedade pouco "meritória", mas quando toca às suas famílias, "venha a nós a santa corrupção e o compadrio" e que se lixe o mérito usado nos discursos. 

Claro que a conversa azedou. Ele ainda teve a lata de dizer, "continuas um comuna do caraças", como se isso fosse um "pecado mortal". 

Talvez por estarmos próximos do Natal, não lhe chamei fascista e ainda fui capaz de desejar boas festas a ele e à família...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, dezembro 18, 2025

Um pai mais cuidadoso (e responsável), das tais "castas"...


O meu texto de ontem foi comentado na mesa de amigos, porque muitos deles sabem que só chegaram à universidade, graças ao 25 de Abril.

O Rui, de uma forma jocosa, até nos contou um episódio verídico (ele conhece a família e o dito veterinário ainda é vivo, embora já esteja reformado...).

Um pai, médico de província, com consultório montado, não conseguiu que nenhum dos seus três filhos seguisse medicina. Curiosamente, o único que queria seguir as pisadas do pai, já a pensar no negócio e na clientela do consultório, foi barrado pelo pai. 

Era tão burro, que até o próprio pai tinha consciência que poderia ser um "perigo público" para os doentes. Perante este cenário, a única saída profissional que lhe calhou, foi a veterinária. Continuava a ser o "senhor doutor", mas agora, de "burros como ele".

Como devem calcular, foi risada geral.

Como bons portugueses que somos, continuamos bons a rirmo-nos de tudo, até mesmo das coisas sérias...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)


quarta-feira, dezembro 17, 2025

Será que depois da saúde e do trabalho, agora o alvo é a educação?


O ministro da Educação pode vir com as desculpas que quiser e dizer que foi mal interpretado. Mas as suas palavras não dão grande espaço para dúvidas.

Ele gostava que as residências de estudantes fossem para todos os estudantes e não apenas para os que o seu agregado familiar tem fracos rendimentos económicos.

Claro que graças, às "virtudes" da língua portuguesa, ele agora pode dizer que quando falou do estado em que ficam as residências universitárias dos "pobrezinhos", queria culpar o Estado, que nunca faz qualquer tipo de obra de manutenção ou beneficiação, e não os alunos...

Talvez não falte muito, para que se volte ao ensino de 24 de Abril de 1974, que estava reservado apenas para alguns (no secundário há cada vez mais divisões e balizas entre o ensino público e privado)...

Depois do que a AD tem feito com a saúde e com o mundo do trabalho, talvez agora esteja apostado em tornar a ensino superior, só para alguns, como aconteceu durante as ditaduras salazarista e marcelista. Nesse tempo o país era governado pelas "castas", ou seja, pela "meia-dúzia de famílias do costume", que tinham todas as portas abertas, inclusive as das universidades. Sim, até mesmo os seus filhos burros conseguiam chegar a doutores e engenheiros...

Talvez esta aliança cada vez menos democrática, queira acabar de vez com "a escadaria social" (no nosso país não se pode falar sequer em "elevador", continua a ser preciso ter "boas pernas", para não se desistir a meio das escadas...), que nos foi proporcionada pela Revolução de Abril (e não pelo tão aclamado 25 de Novembro, agarrado com as duas mãos pelos saudosistas do fascismo...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, dezembro 16, 2025

Demasiados candidatos a presidente com menos de metro e meio...


A sensação que eu tinha antes dos debates, era que estas eram as eleições presidenciais com candidatos mais fraquinhos, tanto à esquerda como à direita.

Com os debates televisivos, a minha opinião manteve-se.

Fico com a sensação que os melhores candidatos são aqueles que dificilmente irão à segunda volta, como são os casos de António Filipe ou Cotrim de Figueiredo...

Mas o pior mesmo é andar tudo maluco. Faz-me confusão que o candidato que anda a brincar aos presidentes (tal como Jorge Pinto e Catarina Martins...), apareça à frente nas sondagens e com forte possibilidade de ir à segunda volta.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)