sexta-feira, junho 06, 2025

É uma constatação (sem contradições)...


Parece contraditório, mas não é. 

Não é caso único, e ainda bem.

Quem apanha os transportes públicos fica com a sensação de que se fala alto, com e sem telemóvel.  Não sei se existe alguma questão ligada à surdez, mas os africanos e os orientais das índias, exageram no volume das suas vozes.

Mas não é disso que quero falar. É de outra constatação, de se falar demasiado rápido. Quando ouvimos um estrangeiro a falar, ficamos sempre com a sensação de que estão a exagerar na velocidade com que debitam palavras.

O mais curioso, é eles dizerem o mesmo de nós. Sim, é normal um brasileiro não nos "perceber bem", por falarmos demasiado rápido (dizem eles...). Da mesma forma que também é normal um português não perceber bem um brasileiro, por ele falar demasiado rápido (dizemos nós...). E nem vou falar dos outros, dos "alemões" ou dos "ingaleses"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, junho 05, 2025

A aposta na continuidade (parece que a cultura ainda tem cara de "papão"...)


O título que escolhi, "a aposta na continuidade", poderia servir para resumir as escolhas do primeiro-ministro para o novo governo. Mas não. O que quero falar é da Cultura, que agora se junta ao Desporto e à Juventude.

Devo começar por dizer que não tenho nada a dizer, em abono ou desabono, da ministra Margarida Balseiro Lopes.

Mas voltar a desvalorizar a cultura - como tem sido hábito dos sociais democratas -, ora acabando com o ministério, ou tentando banalizar a sua importância na sociedade, é o que é... (Bom bom são os duetos com Tony Carreira, que até mereciam uma cassete para se vender nas feiras...).

O facto da maior parte dos agentes culturais terem a fama (e o proveito) de ser de esquerda, terá a sua influência, como tem tido nas últimas décadas. É mais uma forma de tentar condicionar o mundo das artes e letras, mesmo que isso tenha uma influência negativa na sociedade, cada vez mais ignorante e limitada.

Mas o mais curioso, é juntar o desporto à cultura (a juventude casa com tudo...), tal como aconteceu durante muitos anos no Município de Almada e que eu nunca percebi as vantagens desta "união de facto".

Nota: a última medida de Dalila Rodrigues como ministra da Cultura, diz muito do seu carácter, ao despedir a programadora cultural do CCB, Aida Tavares, minutos antes de se despedir da pasta...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, junho 04, 2025

O Adeus a um excelente fotógrafo, a um Mestre...


Escolhi esta fotografia tirada à nossa poeta maior, Sophia de Mello Breyner Andresen, na sua casa (sei que não é a mais conhecida, foi por isso que a escolhi...) para homenagear o seu autor, um dos nossos grandes mestres da fotografia: Eduardo Gageiro.

(Fotografia de Eduardo Gageiro - Lisboa)


terça-feira, junho 03, 2025

«Já faltou mais, para que o humanismo volte a ser crime»


Ele podia utilizar outras palavras para falar destes tempos, onde começam a crescer sombras por todo o lado, mas usou Humanismo, talvez a mais sensata, mais profunda, mais abrangente, e por isso, também a melhor.

É muitas vezes usado quase como "emblema" de um tempo em que os homens que lutavam pela liberdade, aliás nem era preciso lutar, às vezes bastava "pensar"... Não se chateia nada, nem tem problemas em falar desses tempos, da prisão em Caxias e em Peniche, ou de quando percebeu que o único Deus que existe, está na cabeça de alguns homens, demasiado crédulos, pelo menos para as coisas que lhes convêm...

Tudo isto, porque o "profeta" do partido fascista, que agora que tem sessenta deputados e passou a ser apenas de "direita", já começou a falar do fim do regime, anunciando para breve o começo de uma "nova coisa", que os que espalham a tal palavra de Deus, chamam "novos tempos"...

Mas nem precisamos de falar do nosso "vendedor de ilusões", basta olhar para Gaza, para várias regiões africanas ou para a Ucrânia, para percebermos que o Humanismo é cada vez mais "uma treta"... 

E sim, ele tem razão, o Humanismo está quase, quase a ser crime...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, junho 02, 2025

A exploração diária dos sentimentos (e viva a televisão...)


Uma das coisas que mudou muito nos últimos anos, com a cumplicidade da Televisão, foi a forma de se expressarem os sentimentos.

O que antes era para se sentir, normalmente em privado e intimamente, passou a ser público e até a ter preço (sim há quem venda os "sentimentos" em nome do espectáculo...).

Quem cresce hoje, graças aos exemplos que nos rodeiam um pouco por todo o lado, deve sentir-se confuso, ao ponto de ficar na dúvida em relação à forma como deve expressar os seus sentimentos, com o plástico e o postiço a sobreporem-se cada vez mais ao autêntico...

O mais curioso é continuarmos a descer, graças às "maravilhas" do pequeno écran, que cresceu, ao ponto de quase se disfarçar de "cinema". 

E, em nome das audiências e do negócio, inventa-se todos os dias um "coitadinho" (com mais ou menos pé...) capaz de fazer chorar as calçadas.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, junho 01, 2025

Parece normal, mas é tudo menos isso...


Talvez não seja uma coisa muito inteligente de se escrever, no primeiro dia de Junho. 

Talvez...

Mas foi por hoje ser um dia especial, que pensei na forma, cada vez mais descontraída, como nós, adultos, "usamos e abusamos" do querer das crianças, como se estas fossem o reflexo do espelho onde nos miramos. Sim, damos muitas vezes o empurrão necessário para que elas façam as coisas que gostamos (ou pensamos gostar mas não não tivemos tempo e espaço para 0 fazermos nas nossas infâncias...) e não o que lhes apetece fazer.

Parece normal, mas sei que é tudo menos isso... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 31, 2025

As palavras difíceis de explicar e de lhes oferecer o seu verdadeiro sentido...


Ele podia perguntar a outra pessoa, mas veio logo perguntar-me a mim (isto de ter fama de "intelectual" tem que se lhe diga...), o que queria dizer "honra", palavra que ouvira duas ou três vezes durante o jantar.

Tive dificuldade em explicar às primeiras aquele miúdo curioso, de oito anos, o significado desta palavra tão em desuso. Percebi que não havia uma forma fácil de explicar algo que fora tão importante no seio das famílias, mesmo nas mais humildes. O quanto era importante para eles honrar os seu nome...

Foi quando me lembrei de lhe dizer que a honra era o orgulho que sentíamos pelos nossos pais, tios ou avós, por serem boas pessoas. Ao ponto de querermos seguir os seus exemplos pela vida fora.

Como acontece com as crianças, não se ficou com uma explicação tão simples e continuou a querer saber coisas: «Então os tios que não são boas pessoas, deixam de ser da família?»

Disse-lhe que não. Por mais disparates que os nossos familiares façam, são sempre da nossa família. Lembrei-me da expressão "laços de sangue", mas guardei-a para mim, achei que era melhor não complicar as coisas...

Não lhe quis estar a dar lições de moral, mas ainda lhe disse que não estarmos sempre a mentir, também era uma questão de honra. O que lhe fui dizer, falou-me logo, com um sorriso, do "maior mentiroso do mundo", esse mesmo o Trump, que quer tudo menos ser uma "pessoa honrada". 

Foi bom, porque nos deu uma oportunidade para mudarmos de assunto...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 30, 2025

«Não é preciso. O que mais se encontra nas livrarias são livros de instruções»


Quando a Ana disse que as pessoas (parece que já não são só os homens...) deviam trazer com eles, livros com instruções, o Carlos não perdeu a oportunidade de nos brindar com o seu humor sarcástico: «Não é preciso. O que mais se encontra nas livrarias são livros de instruções.»

Ela rebateu a frase do nosso amigo comum, dizendo que livros de autoajuda não são a mesma coisa. 

«Pois não.» Disse ele. Para depois acrescentar, logo de seguida: «Mas também existem muitos com instruções. O que não falta nas montras de livros são teorias sobre tudo e mais alguma coisa.»

Pois é. Há mais livros destes à procura de leitores, que romances, por exemplo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, maio 29, 2025

Porque é que estas pessoas não se demitem?


Soube-se nos últimos dias que a Federação Portuguesa de Judo foi suspensa pelas instâncias internacionais oficiais, devido a dívidas que ascendem a mais de 800 mil euros.

Embora não esteja em causa a participação dos nossos atletas nas competições internacionais mais importantes do mundo, não poderão concorrer com as cores de Portugal, se entretanto a questão não for resolvida.

O mais curioso (ou não), é que os dirigentes actuais da Federação, em vez de assumirem as suas responsabilidades, dedicam-se ao habitual "passa culpa", apontando o dedo ao antigo presidente (apesar de terem tomado parte no anterior executivo...).

Faz-me muita confusão que esta gente não se demita, pois é demasiado óbvio que são incompetentes para gerir uma federação desportiva. 

Não só estão a prejudicar os nossos atletas, como a imagem do nosso país.

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)


quarta-feira, maio 28, 2025

Talvez seja esta a "chave do sucesso" nos nossos dias...


O excesso de comentadores televisivos, alguns dos quais "especialistas de tudo", desde gastronomia, passando pelo futebol e pela política e acabando na guerra, faz com que tenha cada vez mais a ideia de que somos sobretudo um país de "teóricos", com cada vez menos "práticos" em áreas fundamentais, como é a governação.

Muitos destes comentadores tornam-se bons a "vender banha da cobra", e raramente desdenham de qualquer oportunidade que surja de se encostarem ao poder, seja como assessores ou mesmo como actores políticos (André Ventura é o melhor exemplo, era comentador de futebol no "CMTV", vestindo a camisola do Benfica...).

Mesmo sem os ouvirmos, diariamente, percebe-se que seguem - ainda que de forma mais discreta -, a "cartilha" de Trump. São capazes de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, com o ar mais sério do mundo.

Talvez seja esta a "chave do sucesso" nos nossos dias...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, maio 27, 2025

Afinal continua tudo igual: só são diferentes na cor que defendem e no penteado que usam


Com a eleição do novo presidente do FC Porto, pensava-se que tudo mudaria no relacionamento entre os três presidentes dos grandes (Rui Costa, André Vilas Boas e Frederico Varandas). Por terem uma cultura futebolística acima da média, estava aberto o caminho para um tempo com menos jogos de bastidores, mais transparência e mais desportivismo.

Infelizmente quase nada mudou. Um ano e alguns meses depois, pode-se dizer que continuam com os velhos hábitos de antigamente, só falam quando se sentem prejudicados, fechando o bico quando são beneficiados. 

Ou seja, a "filosofia de jogo" é a mesma de um Pinto da Costa, um Sousa Cintra ou um Luís Filipe Vieira. "ganhar, ganhar, a qualquer preço".

Mesmo quando se tentam afirmar "melhores e mais sérios que os outros" (o presidente do Sporting é useiro e vezeiro nesta atitude...), a realidade acaba sempre por os fintar. Isso explica que não se tenha ouvido uma única palavra de Frederico Varandas sobre as agressões de que o avançado italiano do Benfica foi vítima, duplamente, por defesas do Sporting, na final da Taça de Portugal...

Nota: Não temos dúvidas de que o silêncio seria também ensurdecedor por parte dos outros dois presidentes na mesma situação.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, maio 26, 2025

«As pessoas gostam mais de um mundo faz de conta, onde a mentira tem a mesma validade que a verdade, que de um mundo com leis e valores claros»


Nunca pensei vir a concordar com o Rui, mas basta olhar para os acontecimentos do último ano no nosso país, para se perceber que a ética e a moral são cada vez mais, coisas da ficção (dos livros e do cinema).

Cada vez tenho  menos dúvidas de há cada vez mais gente que vive satisfeita dentro da realidade paralela, alimentada sobretudo pelas redes sociais. Quando ele disse, «As pessoas gostam mais de um mundo faz de conta, onde a mentira tem a mesma validade que a verdade, que de um mundo com leis e valores claros», ninguém foi capaz de discordar.

Sei que não é um fenómeno nacional, basta olhar para Trump, que não consegue dizer uma frase sem introduzir qualquer dado falso. E pior ainda, em poucos minutos é capaz de dizer uma coisa e também o seu contrário. Bolsonaro foi o que foi (e continua cheio de saudosistas...), Milei é o que é. E Ventura pode ser uma coisa mais perigosa do que se pensa (o seu crescimento começa a assustar aqueles que acham que ele não passa de um "palhaço", como eu)...

No dia a dia, é capaz de ser mais divertido, andarmos a mentir uns aos outros, colocando a realidade num segundo patamar. Só que isso tem um preço...

Mais tarde ou mais cedo, vamos todos pagar um preço demasiado alto, por alimentarmos este "mundo faz de conta". É assim que surgem as ditaduras, onde a mentira passa a ser a "linguagem oficial" do poder, ao mesmo tempo que quem defende a democracia, os factos e a liberdade, é empurrado para o lado errado da sociedade. Ou seja, é preso ou silenciado, por vezes da pior maneira. 

Exemplos não faltam por esse mundo fora...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)