terça-feira, maio 13, 2025

E esta? Os políticos a fingirem querer ser apenas "gente normal"...


Nunca pensei que chegaríamos a um tempo em que os políticos, iriam passar a campanha eleitoral a "fingir" que eram pessoas "normais", preferindo passear-se pelos programas da manhã e da tarde, de entretenimento, que têm como espectadores privilegiados, os pensionistas (que também têm sido "disputados" nos discursos, quer pela AD quer pelo PS...), aos debates ou entrevistas políticas mais sérias, com jornalistas chatos e incómodos.

O giro da coisa, foi tudo ter começado com o actor Luís "Monteverde", que tem andado o tempo todo a fugir da sua empresa que tem um nome quase espacial. Só não estava à espera que ele fosse "copiado" por todos os outros cabeças de lista, da esquerda à direita, que nem aos programas de humor, dizem não.

Não sei o que diriam líderes como Francisco Sá Carneiro, Mário Soares ou Álvaro Cunhal, destes novos tempos e destes políticos, mais de entreter, que de falar de coisas sérias...

Talvez não dissessem, mas pensassem o óbvio: "são muito fraquinhos."

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, maio 12, 2025

Talvez todos sejamos assim. Talvez...


Há pessoas que demoram anos a fazerem-nos perguntas. 

Claro que isso acontece porque normalmente não são questões importantes. Algumas vezes são coisas, que se não forem logo esclarecidas, acaba por se ficar com a sensação de que se perdeu a oportunidade "de ir até ao fim da estrada".

Mas neste caso em particular, nem era isso. Era uma daquelas perguntas que podia ser feita em qualquer hora, em qualquer momento.

O normal nos humanos, é olharmos para o mundo à nossa maneira, sem sequer nos darmos ao trabalho de nos colocarmos no "lugar do outro". Pensamos que o nosso "normal" é o "normal" dos outros.

Por outro lado, não nos encontramos como noutros tempos, uns com os outros nos cafés (há demasiadas "faltas de comparência"...).

E também se fala cada vez menos de livros e de escritaria, sem que eu saiba muito bem porquê (sei sim, mesmo os que gostamos de ler, estamos a ler menos...).

A pergunta afinal eram duas, e a culpa era dos escritores que passavam o tempo a dizer que "escrevemos para nós" e de outros que ainda iam mais longe e diziam que "escreviam sempre o mesmo livro" (havia aqui um rasto das entrevistas de Lobo Antunes...).

Disse sim à primeira questão. Sim, escrevemos sobretudo para nós. Acrescentei, que até as coisas banais que escrevo nos blogues, são escritas "para mim" (mesmo que não se deva levar demasiado à letra esta "pessoalização", porque não vivemos numa ilha...). Este "escrever para nós", deve ser entendido desta forma por se tratar de uma necessidade pessoal, do preenchimento de um espaço vazio que existe no nosso interior e não com essa coisa estranha que chamamos de "egocentrismo".

Não concordei com a história de se escrever sempre o mesmo livro, embora perceba que se trata mais uma vez de uma "imagem" que se tenta dar, para não aprofundarem algumas temáticas. Mas é uma "imagem" que não deve ser seguida à letra... 

Cada livro é um caso. Ponto final.

Claro que falámos de mais coisas. Até da poesia, que ainda abre mais as portas a todo o tipo de justificações, conjecturas e invenções...

O mais curioso, foi sentir que tinha algumas saudades de falar das coisas, que raramente se dizem e se contam. 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, maio 11, 2025

As greves pouco inteligentes da CP


Mesmo sendo de esquerda, no historial dos movimentos grevistas portuguesas, sempre me fez confusão a forma como eram (e são...) organizadas as paralizações, por parte dos sindicatos ferroviários.

São sempre greves que prejudicam praticamente só os utentes deste transporte, e deve ser por isso que muitas das reivindicações não são atendidas pelas administrações (desta vez até foram aproveitadas pelos "populistas" da AD, para lhes apontarem o dedo e prometer "mudanças"...).

Praticamente desde Abril, que não se vê uma única medida defendida pelos sindicatos que procure corresponder aos anseios das populações, melhorando a sua oferta, ao ponto dos sindicalistas se preocuparem cada vez menos em cumprir os serviços mínimos (como se viu nos últimos dias).

É por isso que se perguntarmos a alguém que utilize diariamente as linhas de Sintra, Azambuja ou de Cascais, se concorda com estas greves, recebemos quase sempre um não bem redondo e coisas bem piores que "eles não querem trabalhar e não respeitam quem trabalha".

Apesar das críticas que se ouvem aqui e ali ao Pedro Nuno, o único sinal de esperança que se sentiu, naquele que continuo a considerar "o melhor transporte do mundo", foi quando ele teve a tutela da ferrovia como ministro...

No regresso do Norte da "aventura de quatro dias" por Trás-os-Montes e o Minho, os meus companheiros deixaram-me em Santarém, para apanhar o regional para o Oriente. O comboio vinha lotado e cheio de jovens, com ar de estudantes universitários. Ou seja, apesar deste transporte continuar a ser tão maltratado (o "inter-cidades" que devia ter passado meia-hora antes do regional em Santarém, só nos passou quase a meio da viagem, obrigando-nos à ficar à sua espera em Setil...), continua a ter clientes...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, maio 10, 2025

Como se ganha uma manhã, um dia...


Foi bom acordar cheio de ideias sobre um livro que anda mais que na minha cabeça. Sim, ele tem de ser realidade, no final do Verão, terá de estar pronto para ganhar asas e voar por aí...

Foi por isso que a primeira coisa que fiz, na companhia do café e da torrada, foi sentar-me e registar num documento do PC as ideias que quase que se "atropelavam", com a boa sensação de estar a recuperar o "tempo perdido".

Foi uma manhã ganha. Aliás, um dia ganho. E ainda agora começou...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, maio 09, 2025

"Diferentes de Todas as Outras"


Não fui à inauguração, no fim da tarde de quinta feira. E fiz bem.

Foi muito melhor visitar o Convento dos Capuchos na sexta feira de manhã e ter todo aquele espaço só para mim (pode parecer egoísta, mas adoro visitar exposições das quais ou o único visitante...) e ver se esta mostra de arte era mesmo: "Diferentes de Todas as Outras" (o título estranha-se mas depois "entranha-se").


Embora esperasse uma exposição maior, com mais obras, gostei sobretudo da homenagem que é feita ao grande Manuel Cargaleiro (o principal responsável pelas exposições de artes plásticas que se realizaram no Convento dos Capuchos entre 1955 e 1961), que por questões políticas, não teve o tratamento que merecia em Almada, nos tempos da governação da CDU (isso explica que não exista um único espaço museológico no Concelho onde sempre viveu e sim no Seixal e em Castelo Branco...).

(Fotografias de Luís Eme - Monte de Caparica)


quinta-feira, maio 08, 2025

Quase toda a vida dentro de uma mala...


Há pessoas que nos habituamos a cumprimentar, diariamente, apenas porque nos cruzamos quase todos os dias nos nossos bairros. Não sabemos nada delas, nem temos grande curiosidade em saber mais coisas...

Era o que acontecia com o homem que costumava estar à janela a fumar, com quem compartilhava o vulgar bom dia e boa tarde, sem qualquer sinal de fardo.

Um dia vi os bombeiros à volta da casa... E claro, na mercearia do bairro vim a saber que o senhor era um "acumulador" e que fora levado para um lugar qualquer, enquanto despejavam e limpavam a sua habitação. Depois fizeram obras e hoje tem novos inquilinos...

Meses depois vi-o, na paragem do metro, cumprimentámo-nos, como de costume, apenas com um boa tarde. Estava mais magro e vestia de negro. Fiquei a pensar que podia ter trocado duas ou três palavras com ele, mas. Pois, há sempre um mas...

Há uns tempos comecei a ver um homem, que anda sempre com boné e barba crescida, com bengala e uma mala de viagem, sentado em bancos públicos ou nos da estação do metro da Gil Vicente, onde pernoitava. Não o achei familiar (está ainda mais magro e a barba crescida também o transfigura...).

Foi a minha companheira que me disse quem era o senhor. A princípio não acreditei, mas uma amiga comum, que trabalha numa pastelaria, oferece-lhe diariamente o pequeno-almoço. Hoje olhei-o com mais atenção, e sim, é ele...

As nossas vidas estão longe de serem lineares. Por isto ou por aquilo, há quem escolha "não ter família", apagando todos os laços que existem. É possível que não ande assim tão longe da realidade deste homem, que agora, guarda quase toda a vida dentro de uma mala, que nunca larga...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, maio 07, 2025

A arte de Nadir Afonso nos museus (em Chaves e Boticas)


Em Chaves, ao contrário dos quatro companheiros ciclistas, tive tempo suficiente para visitar a cidade.

Como gosto de museus, assim que cheguei à cidade, estacionei o carro rente ao espaço artístico dedicado à arte de Nadir Afonso. Uma chuvada imprevista e forte fez com que mudasse de ideias e voltasse à estrada, preocupado com os aventureiros de duas rodas.

Mas eles, como de costume, estão habituados a todos os tipos de intempéries e limitei-me a segui-los de perto, até Chaves.

Depois do almoço bebemos uma água das Caldas de Chaves e despedimo-nos, rente à Ponte Romana de Trajano. 

E além de deambular pelas ruas estreitas e agradáveis do cenro histórico, visitei o castelo e a sua torre de menagem, transformada num pequeno museu militar. Depois voltei ao Museu de Nadir Afonso.

Claro que me limitei a ficar à entrada (a senhora da recepção, simpática, disse que poderia ver as vistas dali e até ir à biblioteca). O preço de entrada era cinco euros. Achei-o proibitivo para uma cidade como Chaves e para um espaço que era apenas dedicado à obra de um pintor e arquitecto.


Felizmente, fiz um desvio para Boticas e encontrei outro espaço cultural e artistico de Nadir Afonso. As entradas eram gratuitas e estava ali o essencial da obra do pintor. Por curiosidade perguntei que relação existia entre Nadir e Boticas, disseram-me que a sua Mãe nascera lá...

(Fotografias de Luís Eme - Chaves e Boticas)


terça-feira, maio 06, 2025

Onde começa e acaba a acção do homem...


Uma das coisas em que pensei, quando visitei durante o fim de semana prolongado deste começo de Maio o santuário da Nossa Senhora da Lapa, na Freguesia de Soutelo (Vieira do Minho), foi onde começava e acabava a acção do homem em toda aquela edificação natural.


Senti isso, sobretudo no alto do Monte da Penamourinha, rodeado de todas aquelas pedras gigantes, que só poderiam ter sido deslocadas por "guliveres"...

Curiosamente, ou não, havia ali bastante harmonia.

Mas o que não nos faltam são lugares paradisíacos, onde parece estar tudo no sítio mas, infelizmente, a acção do homem, mais tarde ou mais cedo, acaba sempre por se notar, e da pior maneira...

(Fotografias de Luís Eme - Minho)


segunda-feira, maio 05, 2025

Braga: Capital Portuguesa da Cultura


Andámos por Braga no dia 3 de Maio e descobrimos a cidade como Capital Portuguesa da Cultura.

Ficámos próximos do Campo da Vinha, o que nos facilitou as coisas, pois foi possível ver uma ou outra exposição e até assistir ao final de um concerto (a música chamou-nos a atenção...), sem estarmos à espera.

Encontrei muita juventude e também alguma ignorância, entre os voluntários que ali estavam a trabalhar. Quando falei da Ana Vieira, que tinha em exposição no edifício da Gnration (os seus "Cadernos de Montagem"), não faziam ideia de quem era a senhora...

Só me resta desejar que os bracarenses aceitem o desafio lançado pela organização e alinhem nas culturas oferecidas. O quase slogan é desafiante: "Abre a tua porta e vem para a rua."

(Fotografia de Luís Eme - Braga)


domingo, maio 04, 2025

Começar Maio entre Trás-os-Montes e o Minho


Andei por estes primeiros dias de Maio, por Trás-os-Montes e Minho, a conduzir o "carro de apoio" de uma grupo de amigos que gostam de desporto, aventura e descoberta.

A propósito do que já escrevera no Primeiro de Maio, estava longe de pensar que a Estrada Nacional 103 estava em obras (Concelho de Bragança) e que havia operários a trabalhar neste dia especial, cada vez mais desvalorizado por quem olha para as pessoas apenas como "números" e fonte de enriquecimento...



Como se costuma dizer, "não há bela sem senão"... 

Mas foi muito bom estar quatro dias "fora do mundo", sem saber do país, para além do que ia encontrando nesta viagem entre Bragança e Viana de Castelo, com excelentes companheiros de jornada.

(Fotografia de Luís Eme - Trás-os-Montes) 


sexta-feira, maio 02, 2025

Sei que não tenho lido tanto quanto devia...


Fotografias como esta são inspiradoras, porque ando a ler menos do que devia.

Têm existido desvios que me têm roubado a serenidade necessária, para sentir que tenho "todo o tempo do mundo" para mim.

Isso reflecte-se sempre no ler e no escrever...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


quinta-feira, maio 01, 2025

O Primeiro de Maio continua a ser demasiado bonito e sentido


Faz-me confusão, que até o Dia do Trabalhador, tenha sido banalizado, especialmente pelos adeptos do consumismo.

Sei que essa tem sido a luta dos patrões, pelo menos desde Abril, desviar quem trabalha de rumos que se podem tornar perigosos, ao ponto de os puder levar de regresso à defesa os seus direitos laborais de um rumo.

Pois... parece que o conseguiram, mesmo que o Primeiro de Maio seja demasiado bonito e sentido, para ser trocado "por um prato de lentilhas"...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)