terça-feira, outubro 16, 2012

Quando se Enchia a Barriga de Esmolas...


Há mais de vinte anos, quando ainda não tínhamos sido invadidos pelos romenos, nem havia tanta gente perdida pelos cantos das ruas, escrevi algo sobre os pedintes de Lisboa.

«Lisboa é Capital de tanta coisa, até de pedintes militantes. Na Baixa Lisboeta é rara a esquina que não tem alguém com a mão esticada ou com o boné no chão, quando as mãos estão ocupadas a dedilhar qualquer instrumento musical. Muitos exibem os defeitos de fabrico ou dos acidentes da vida, outros fazem o número do desgraçadinho e vão perdendo a vergonha, à medida que enchem a barriga de esmolas.»

Quando descobri estas palavras, percebi o quanto estavam desactualizadas.  Nestes tempos de crises, já nem aos ceguinhos que se passeiam pelas carruagens do metro, se dá esmola, quanto mais aos profissionais da Roménia, que alternam a pedinchice com a venda do "borda de água", e claro, com as  "ofertas" da gente distraída que se passeia pela Cidade...

O óleo é de David Dalla Venezia.

segunda-feira, outubro 15, 2012

O Sol Também Deixa de Ser Para Todos


Já há tantas coisas por aí que não são para todos, que o Sol poderia fazer um esforço e continuar a passar por todas as ruas.

Isso só faz com que seja mais difícil esquecer os dramas que nos visitam quase todos os dias, sem esquecer as apreensões que estes maus governantes, que nem sequer conseguem ser aprendizes de feiticeiros, nos provocam, dia após dia.

Nunca ninguém mentiu tão descaradamente, nunca ninguém nos deu a sensação tão  forte de não saber o que anda a fazer, destruindo mês após mês, o pouco que vai restando da nossa economia. 

O pior de tudo é perceber que só saem do poder, quando forem empurrados pela porta  da frente ou dos fundos, só não sabemos quando, nem por quem.

O presidente da República não age nem reage, apenas faz o papel de "bandarra", dizendo que já tinha avisado que isto ia acontecer, de preferência pelas novas formas de comunicação virtuais...

Será que com tantos assessores, ninguém lhe diz que o seu papel não é o de "avisador"?

O óleo é de Elena Montull (substitui pela primeira vez uma imagem neste blogue, quase porque sim...).

domingo, outubro 14, 2012

Eles Fingem que Não Sabem nem Sentem...


Parece-me que poucas pessoas têm dúvidas que o nosso país e a maioria dos portugueses não têm capacidade para suportar os aumentos do IRS e do IMI que têm aparecido nos jornais.

É por isso que sinto que esta gente que nos governa, não só está fora da realidade, como demonstra ser completamente insensível aos dramas sociais que se avolumam, de Norte a Sul.

Se estão a testar o povo, a ver até onde podem ir, estão a cometer um erro de palmatória, que lhes pode sair demasiado caro, pois já anda por aí muita gente de cabeça perdida...

O óleo é de Isabel Frias. 

sábado, outubro 13, 2012

Os Meus Jornais


Não compro jornais como noutros tempos, por mais que uma razão: cada vez há menos tabacarias no espaço que poderia  chamar de "meu bairro"; as "espreitadelas" on-line, que embora não substituam os jornais, acabam por resumir as suas principais notícias e basta fazer um click, notícias que também não têm o interesse e entusiasmo de outros tempos, porque o jornalismo não tem a qualidade nem a independência que deveria ter. 

Há dois títulos que continuo a comprar com alguma regularidade, "A Bola" (apesar de ter trabalhado na concorrência, "Record", nunca deixou de ser o meu desportivo...) e o "Público", o primeiro porque me diverte e o segundo porque continuo a fingir que é um jornal de referência, onde permanecem algumas das minhas culturas (compro-o quase sempre às sextas, por causa do "Ipsilon"...) e gente que gosto de ler.

Sei que tem os dias contados, porque o senhor "Bernardino" deve estar cansado de ser dono de um jornal que não dá lucro.

Quando olho para trás não esqueço o jornal do Vicente, que sem nunca ter sido um sucesso de vendas, foi do melhor que se fez no jornalismo diário deste país.  Só o comecei a evitar na última fase do Fernandes, em que os seus ódios pessoais passaram a ser mais importantes que o pluralismo jornalístico.

O óleo é de Iman Maleki.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Infelizmente (será?) Todos os Caminhos Continuam a ir Dar a Roma


Penso que a expressão, «todos os caminhos vão dar a Roma», nasceu no longínquo Império Romano e tem resistido ao tempo, sendo utilizada em quase todas as áreas da nossa vida, com carácter positivo ou negativo. Também se diz e muito bem, que «quem tem boca vai a Roma».

Lembrei-me da primeira expressão devido aos "caminhos" tortuosos que este nosso governo tem tomado para chegar a Roma.

Apesar de todos os caminhos acabarem na Capital Italiana, não havia necessidade de partir de barco pelo Atlântico fora, dobrar o Cabo das Tormentas e continuar a viagem pelo Indico, quando poderia simplesmente navegar pelo Mediterrâneo...

O óleo é de Alberto Gálvez.

quarta-feira, outubro 10, 2012

A Alegria de Estar e de Ser


Quando sentimos que o melhor do almoço não é a comida - mesmo quando a saboreamos com regalo -, mas sim a companhia, está tudo dito.

E não são apenas as conversas, as brincadeiras, as anedotas que nos fazem querer estar, é sentirmos o verdadeiro sentido da amizade. Almoçamos sobretudo porque gostamos da companhia uns dos outros. A única coisa que trazemos na manga é a vontade de passarmos um bom momento.  

Reparo também que raramente falamos em política ou futebol.

Escolhi o óleo é de Joanna Upperton, porque tem as cores que deviam pertencer a todas as cidades.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Odeio Ladrões de Pé Descalço


Odeio ladrões de pé descalço, capazes de assaltar casais de velhos, ou ainda pior, pessoas que vivem sós, cujas reformas mal dão para pagar os medicamentos e a comida.

Além de pensarem pequenino, são cobardes e perigosos, pois só agridem quem já não se consegue defender, muitas vezes de forma violenta.

Fiquei siderado ao saber do assalto que fizeram a uma senhora viúva, que sobrevive das limpezas que faz aqui e ali. Uma das suas poucas alegrias é pertencer a um grupo de cavaquinhos onde toca e canta, que também são quase a sua "família".

Pois o bandido, ou bandidos, que lhe assaltaram a casa, além de lhe destruírem uma série de coisas, só por destruir, ainda lhe levaram o cavaquinho...

Felizmente um grupo de amigos e conhecidos uniu-se e vai comprar-lhe um novo instrumento, para que a música a volte a animar e faça esquecer os bandalhos que circulam à nossa volta.

O óleo é de Tigran Asatryan.

domingo, outubro 07, 2012

Boas Músicas no Interior


As peripécias da TDT fizeram com que deixássemos de ter televisão na casa da Beira.

E como foi tão bom passar estes dias sem a companhia do pequeno ecran...

Ouvimos muita música, mas também o chilrear dos pássaros que habitavam nas oliveiras rente à nossa casa.

Além dos nossos discos, também ouvimos alguma rádio, inclusive a "Rádio Monsanto", onde revivi a rádio que se fazia quando eu era mais pequenote, pelos anos setenta. A forma de apresentar e de escolher música tinha muita nostalgia, e depois a mensagem inesquecível para os ouvintes: «para si bom dia, boa tarde, boa noite, conforme a sua sintonia.» 

Rima e é verdade. E claro, foi bom ouvir tanta música portuguesa, alguma que não ouvia há anos...

quinta-feira, outubro 04, 2012

Talvez Haja Correio...


Vou ver se a velha casa ainda está no mesmo sítio e se há alguma carta ou bilhete à minha espera.

Até porque este pode ser o último 5 de Outubro (feriado) das nossas vidas...

Esta gente que julga estar a governar tem-nos tirado quase tudo...

O óleo é de William Albanese.

quarta-feira, outubro 03, 2012

O Cinema Português no Brasil


O Brasil está a descobrir o cinema português actual, graças ao Festival do Rio de Janeiro, que recebe 31 filmes com a nossa marca.

Ao ler a bela reportagem de Alexandra Lucas Coelho, a propósito do, "Cisne",  filme de Teresa Villaverde, fico satisfeito por os brasileiros terem aparecido e questionarem a realizadora, de uma forma aberta e espontânea.

Não gosto de todo o cinema português, mas gosto de uma boa parte dele, assim como dos seus realizadores, que quase que têm de fazer o pino todos os dias, para conseguirem acabar um filme e depois levá-lo às salas de cinema.

Gostei que a Teresa respondesse que: «o cinema é muito mais que um fio narrativo, é tempo, silêncio, imagem, som, está mais próximo da poesia, ou devia estar.»

Ainda bem que estão a dar um bom exemplo do que se faz em Portugal, numa altura em a Cultura em geral e o cinema em particular, recebem cada vez menos apoios...

O óleo é de Siegfried Zademack.

terça-feira, outubro 02, 2012

Ver Muito Mundo


As pessoas com mais idade têm quase sempre uma vantagem sobre nós, já "viram muito mundo" e são capazes de antecipar vários acontecimentos, sem fingirem que são prestidigitadores.

Além disso, têm uma maneira diferente de olhar as modas, especialmente se forem coisas que acham do "outro mundo".

Deixam-me quase sempre a sorrir. O Carlos então é óptimo nisso.

A sua última saída foi a constatação que muitas mulheres saem hoje para a rua com as antigas combinações que se usavam por cima da lingerie. Sem deixar de acrescentar que são um regalo para a vista.

O óleo é de Marie Fox.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Dia de Músicas e Danças


Hoje é o Dia Mundial da Música.


Pode-se e deve-se ouvir, tocar e dançar, seguindo o exemplo feliz deste quadro de J. B. Durão, que até consegue pôr Lisboa a bailar, dos eléctricos aos monumentos, sem esquecer as barcas do Tejo.

O primeiro óleo, quase filarmónico, é de Isabel de Frias.