Há mais de vinte anos, quando ainda não tínhamos sido invadidos pelos romenos, nem havia tanta gente perdida pelos cantos das ruas, escrevi algo sobre os pedintes de Lisboa.
«Lisboa é Capital de tanta coisa, até de pedintes militantes. Na Baixa Lisboeta é rara a esquina que não tem alguém com a mão esticada ou com o boné no chão, quando as mãos estão ocupadas a dedilhar qualquer instrumento musical. Muitos exibem os defeitos de fabrico ou dos acidentes da vida, outros fazem o número do desgraçadinho e vão perdendo a vergonha, à medida que enchem a barriga de esmolas.»
Quando descobri estas palavras, percebi o quanto estavam desactualizadas. Nestes tempos de crises, já nem aos ceguinhos que se passeiam pelas carruagens do metro, se dá esmola, quanto mais aos profissionais da Roménia, que alternam a pedinchice com a venda do "borda de água", e claro, com as "ofertas" da gente distraída que se passeia pela Cidade...
O óleo é de David Dalla Venezia.

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