Por um motivo imprevisto li mais uma vez os "Bonecos de Luz" de Romeu Correia.
Foi bom voltar a sentir a magia das palavras deste amigo e escritor de Almada, que já nos deixou há quase quinze anos.
Lembro-me que este foi o livro que mais gostei do Romeu, quando comecei a ler uma boa parte da sua obra literária, no começo da década de noventa. Adorei a sua história (a chegada do cinema pela primeira vez a uma pequena aldeia, com todas as peripécias transportadas pela novidade) e a construção das personagens, especialmente o Zé Pardal, o pequeno órfão e vagabundo, que à medida que vai crescendo e sonhando, sente-se cada vez mais parecido com a grande estrela dos primórdios do cinema, o Charlot, a quem não faltava o bigode, a bengala, as botas viradas para a sarjeta e aquele seu andar único.
"Bonecos de Luz" é um excelente livro, em qualquer parte do mundo, pelos dramas que mistura e embrulha no lençol branco, onde ainda hoje se projectam uma boa parte dos nossos sonhos...








