Sei que o mundo dos livros e dos escritores nunca foi das coisas mais recomendáveis. Noto que a "inveja" e a "maledicência" andaram quase sempre misturadas com as palavras. Não sei se isso acontecia por o mercado ser pequeno, ou se por a "palavra" ter força suficiente, para ser utilizada como arma de arremesso contra os pretensos "inimigos".
É nas crónicas de jornal que reparo com mais frequência na capacidade de alguns autores, que mesmo quando escrevem para dizer bem de alguém, aproveitam, nem que seja numa só linha, para ajustar contas com alguém. Normalmente não são muito directos, enviam recados para a "capelita", que deixam o leitor comum com a "pulguita atrás da orelha", mas sem perceber muito bem a quem se destina a "mensagem"...
Mas os livros de correspondências, também são um bom indicador do tal ambiente estranho que se vivia, quando ser escritor ou poeta, era uma coisa que parecia ter algum prestígio social...
Hoje estas "batalhas de papel" travam-se mais entre jornalistas e cronistas (talvez por haver menos escritores a escrever nos jornais...).
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
