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quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Nada se Mantinha como Dantes, mas...


Não queria as paredes pintadas, dizia que tudo devia ficar como sempre fora... Fingia esquecer que nada se mantinha como dantes.

A mulher mais madura disse que as mulheres demoram mais a apaixonar-se, mas depois resistem mais ao processo de desmoronamento.

Eu fiquei em silêncio. Devia ter dito que em relação ao amor, as mulheres e os homens não são assim tão diferentes... Mas talvez estivesse errado.

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos)

domingo, fevereiro 09, 2020

"Viva a Vida!"


"Viva a Vida!", é sempre um excelente conselho.

E se estiver dentro de um desenho de parede, bonito, ainda sabe melhor.

Claro que "viver" não é esquecer. Muito menos fingir que se vive.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

O "Mito" da Desertificação Humana Lisboeta


Apetece-me continuar em Lisboa, para falar de pessoas que por lá habitam - ou habitaram... -, para de alguma forma tentar deitar abaixo o mito sobre a "desertificação humana lisboeta".

Não é nenhum segredo que a Baixa de Lisboa começou a ficar quase sem habitantes, pelo menos nos últimos vinte anos. Isso explica-se sobretudo pela degradação dos prédios de traça pombalina, que passaram décadas sem sofrer qualquer obra, de beneficiação ou manutenção, por parte dos senhorios, e que com o tempo se transformaram em habitações de "risco" para os seus moradores (que além de descobrirem humidade em tudo o que era sítio, começaram a ver pedaços de tectos a cair, abrindo caminho para os pingos da chuva que manchavam as suas divisões, assim como uma crescente instabilidade nas escadas de madeira, que tinham de subir diariamente...).

Ou seja, foram sobretudo razões de saúde pública que levaram a que uma boa parte das pessoas que viviam na Baixa deixassem as suas casas.

Mas ao contrário da Baixa, os bairros históricos que a rodeiam sempre foram densamente povoados. Já era assim quando Dom Afonso Henriques conquistou Lisboa (nunca faltaram moradores em Alfama, no Bairro Alto, no Castelo ou na Mouraria (para não fugir muito do centro...).

Só com a invasão turística e com a famosa "lei cristas", é que muitas pessoas foram obrigadas a mudar de bairro (a maior parte nascida e criada ali...), porque deixaram de ter condições para pagar as rendas "milionárias", exigidas pelos senhorios...

Quem mora fora de Lisboa muitas vezes tem a ideia de que o Centro Histórico da Cidade estava completamente degradado e abandonado, e que o turismo foi uma "benção", porque contribuiu para a sua recuperação.  Degradado sim, abandonado, não.

Não podemos esquecer as pessoas que davam vida aos bairros, que ainda iam bater à porta da vizinha do lado, para pedir um bocado de sal ou de açúcar... foram forçadas a partir, com os parcos haveres, para Almada, Brandoa, Odivelas ou Moscavide (quem tinha uma "terra" regressou à província)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

O "Contracenso" que é Esta Lisboa


Nunca pensei viver em Lisboa. E nunca coloquei a questão apenas por razões económicas, a minha preocupação maior foi a qualidade de vida.

Claro que falo de uma Capital muito diferente dos nossos dias, estou a recuar até à segunda metade dos anos oitenta do século passado (uma cidade mais feia e degradada, e também com piores meios de transportes...).

Hoje é tudo muito diferente, para melhor, pelo menos aparentemente...

Mas há um problema, que se vai acentuando, cada vez mais. Os residentes fixos são cada vez menos importantes para a economia local (e também nacional...), pelo que muitas das mudanças realizadas (especialmente no coração de Lisboa), são mais direccionadas para os turistas que para os lisboetas.

Não queria falar em "ganância", mas é o que a "febre do dinheiro" mais produz por metro quadrado, desde a mercearia do bairro ao hotel mais chique da Cidade. Infelizmente os políticos estão na mesma diapasão, estão a abrir a cidade, com o objectivo de conseguir receber ainda mais turistas, diariamente, porque isso significa mais receitas... e os residentes só têm duas coisas a fazer: aguentam-se ou mudam de ares (infelizmente é isto que mais tem acontecido, embora nem sempre isso aconteça de forma voluntária...).

É por isso que eu digo, que é um contracenso, esta Lisboa... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

Ler, Ler, Ler...


Num tempo em que se questiona tanto, o uso e abuso do telemóvel, gostei de ver várias pessoas, na tarde de ontem, sentadas nos bancos do jardim do Príncipe Real, deliciadas a lerem os seus livros de papel...


Acho que nem deram por mim a "roubar-lhes" retratos...


E ainda bem. Embora ficasse com alguma curiosidade sobre as histórias que habitavam dentro dos seus livros...

(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)

domingo, fevereiro 02, 2020

A "Cidade para se Visitar" está a Engolir a "Cidade para se Viver"...


Lisboa já deixou há algum tempo, de ser uma "cidade para se viver".

É também por isso que é quase impossível a um lisboeta comum, conseguir alugar uma casa na Capital.

A aposta conjunta de governantes, comerciantes, senhorios, entre outros "artistas", tem sido a sua transformação numa cidade, quase exclusivamente, "para se visitar" (os estrangeiros que compram casa por cá, é com o objectivo de continuarem a fazer turismo, a deliciarem-se com as vistas, sem se integrarem no seu quotidiano, mesmo que isso aconteça quase em permanência).

Já quase que não se houve falar português rente ao Tejo, na Baixa e em alguns bairros históricos (aqueles que têm mais "pedigree"...).

Quando deixarmos de "ser moda" (acho que isso irá acabar por acontecer...), ficaremos com uma Capital completamente descaracterizada e vazia...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, fevereiro 01, 2020

O Silêncio e o Sossego Nocturno da Minha Rua


Espreito a rua deserta, da varanda. 

Descubro algumas luzes acesas no interior das casas dos prédios de frente, mas nem um vulto a cirandar pelas divisões. Provavelmente, estão todos sentados no sofá...

Olho para cima e descubro o céu pintado a várias tonalidades de cinzento, quase a prometer mais água para amanhã.

Quando "regresso" à minha rua, penso no seu sossego diário, especialmente depois de anoitecer. Sei que é este silêncio que faz com que o sábado adormeça mais rápido por aqui, que noutros lugares.

É por isso que me apetece chamar-lhe, "maldita rua". Não tem uma única loja do que quer que seja, muito menos um café ou bar, que deixasse entrar e sair dois ou três bêbados, capazes de partir um copo, dar um grito ou uma gargalhada na rua e conseguir o feito, de prolongar o sábado para dentro do domingo...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, janeiro 31, 2020

Histórias, Jornalismos e Contraditórios...


Hoje estive à conversa com um historiador que desceu até à Idade Média e por lá ficou. Disse ele, que  isso aconteceu muito por culpa de Afonso Henriques e do seu filho Sancho. 

Falámos de algumas lendas - que ele prefere chamar mentiras -, que conseguiram chegar ao século XX, devido aos velhos hábitos de se "decalcarem" ideias e de não se mexer nas "verdades sagradas"...

O tempo é de facto primordial na história, as datas esclarecem tantas coisas... desde a possibilidade de se estar, ou não... (por vezes ainda não se tinha nascido, ou ainda se andava de calções e já "andavam a guerrear"...). E em todas as épocas... Até as estações em que dividimos o ano nos podem dizer algo sobre o que aconteceu em algumas guerras e tragédias.

Das coisas que ele mais gosta é de desmontar "milagres", por muito que isso desencante a Igreja Católica.

Ambos sabemos que não há nada como o contraditório, para conseguirmos chegar mais longe. Em tudo. 

Foi este mesmo contraditório que nos transportou para os nossos dias. Acabámos por ter de falar de algum jornalismo, que pretende ser outra coisa, porque se tiver de escolher, prefere a sensação à verdade.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, janeiro 30, 2020

Apenas Porque Sim...


Fiquei a ver-te partir, preso às tuas últimas palavras.

A espaços, senti que tentaste ensaiar uma despedida, que queria ter qualquer coisa de definitivo. Foi quase como se amanhã, resolvesses partir de viagem para um país longínquo.  

Sei que às vezes fartamos-se uns dos outros. 

Uma vez tinhas-me dito que a bondade excessiva cansa, foi por isso que nunca quis ser muito bonzinho contigo.

Embora seja distraído, senti que te começaste a cansar dos "empurrões" que nos davam. E sobretudo das bocas maldosas que falavam de nós como o "casal maravilha", fingindo ignorar que éramos casados e pais de filhos.

Amanhã vou telefonar-te, apenas porque sim.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, janeiro 28, 2020

O Quase "Vício" da Arte de Rua


Andei a organizar as minhas fotografias de 2019 e reparei que tinha mais de um milhar de fotografias de "Arte de Rua", distantes dos rabiscos. Ou seja, pinturas com alguma qualidade e sentido, que dão quase sempre cor a lugares abandonados ou em ruínas...

Uma boa parte delas (muitas repetidas...) são do Ginjal. Embora se use e abuse dos ""rabiscos", de vez em quanto aparecem umas coisas giras, com a garota desta parede (Fábrica de Braço de Prata).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Este Mundo de Enganos...


Às vezes deixamos-nos enganar, propositadamente, quase sempre por duas razões:  porque não nos apetece chatear e porque ficamos, momentaneamente, quase num estado de "encantamento" pela lata e imaginação do "burlão", ou da "burlona".

Sim, há quem até seja capaz de fazer uma espécie de guião - que podia ser o começo de uma peça teatral -, para conseguir ser mais convincente... E nós ficamos ali a pensar, "desta vez estou quase a ser bem enganado"...

(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)

sábado, janeiro 25, 2020

Um dos Primeiros Sintomas...


Não queria continuar a "bater na mesma tecla", mas quando assistimos a cenas completamente estúpidas, é difícil ficar em silêncio.

Eu já sabia que um dos primeiros sintomas que nos caracterizam como racistas ou nacionalistas (mesmo quando dizemos que "não somos"), é a frase que somos capazes de deixar escapar num momento de maior raiva, ou que fica a "dançar" no nosso pensamento: «Vai mas é para tua terra! (acompanhada normalmente de outras palavras feias).» 

Ouvi-a hoje, antes de almoço, quando dois rapazes com ar de marroquinos (tanto podiam ser do Norte de África como do Oriente...), obrigaram um condutor a parar na passadeira, quando resolveram continuar a atravessar a estrada, ignorando o ar ameaçador do carro. 

O sujeito abriu o vidro e começou a "grunhir" para os rapazes, como se estivesse cheio de razão. Eles felizmente continuaram a marcha sem darem a mínima atenção às provocações. 

Cheguei a pensar que eram capazes de ter a sorte de não saber falar nem perceber português...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, janeiro 24, 2020

Personagens sem Filmes


Não sei se o senhor da charcutaria sabe, que tem um ar cómico, natural, mesmo sem ser daquelas pessoas que passa a vida a sorrir. 

O "festival" começa nas suas feições peculiares (agora deixou crescer bigode, o que ainda o mete mais dentro das comédias construídas com actores de ar sério...), que coladas aos gestos e ao próprio andar (mexe-me ligeiramente mais rápido que o comum dos mortais...), facilmente seria colocado num filme.

Claro que isto é conversa de um simples "observador amador". Ao olhar de um realizador experimentado, o mais provável é senhor não "caber dentro da câmara" e nem sequer ser preciso fazer um "casting".

Pois é, nem sempre vemos a mesma coisa, mesmo que estejamos a olhar para o mesmo palácio... O potencial actor que eu vejo, pode não passar de um bom vendedor de queijo, fiambre e chouriço fatiado...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, janeiro 22, 2020

"Coisas" do Conhecimento das Coisas...


Não deixa de ser curioso, que à medida que vamos conhecendo a "biografia" de algumas pessoas, isso nos vá levando a perder o interesse e a vontade de as conhecer, pessoalmente...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

terça-feira, janeiro 21, 2020

Aprender a Viver a Cores na Sociedade


Nestes tempos em que estão a aumentar alguns "ismos", que não fazem bem nenhum à sociedade, nem a nós próprios, é importante reforçar, que todos nós temos inteligência, mais que suficiente, para saber que a nossa cor de pele é apenas mais uma das várias características físicas, que nos diferenciam uns dos outros.

Se por um lado, os "brancos", continuam a apontar o dedo à "diferença" e a querer deixar vincada a sua "supremacia", por outro, os "pretos", continuam a apostar na vitimização e a gostar de fazer o papel de "coitadinhos" e vitimas da sociedade.

Só quando conseguirmos viver "a cores" (abandonar de vez o "preto e branco"...) e deixarmos de parte os sentimentos de superioridade ou inferioridade, alimentados pela nossa cor de pele - de parte a parte -, daremos mais um passo em frente neste coisa que é viver em comunidade...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

segunda-feira, janeiro 20, 2020

Não Somos Bem Racistas...


Nós não somos "bem" racistas, só não gostamos é muito (perto do nada...) de pretos e de ciganos...

Eu diria que o que somos muito é hipócritas e cínicos.

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

sábado, janeiro 18, 2020

Monumentalidade & Religiosidade


Em parte percebo a quase necessidade de misturar a monumentalidade com a religiosidade, pelo menos no seio da religião católica (isso acontece tanto na arquitectura dos templos como na sua ornamentação artística).

Sempre se usaram as imagens de santos e santas, no interior e no exterior dos santuários e igrejas. Normalmente saem beneficiados pelos artistas, que tentam transmitir aos fiéis uma imagem de beleza, mas também de respeitabilidade, de inocência e temor (especialmente quando elas são Marias...).

Como sou um leigo nestas coisas, não sei muitas coisas, como por exemplo, qual é o significado do uso de animais, aos pés e ao colo destes dois santos, que agora fazem  parte da decoração que rodeia o Cristo-Rei de Almada.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, janeiro 17, 2020

Tempo para Tudo...


Estava na paragem do autocarro que nunca mais chegava, a ver o quadro electrónico a brincar connosco. De repente os três minutos que faltavam passaram a ser sete... Conhecia aqueles "truques" das paragens do metro de Almada, onde se pratica mais do que se deve, a supressão de transportes...

À minha frente havia um cartaz publicitário, também electrónico, que ia passando duas ou três coisas.

A única coisa que me prendeu a atenção foi a série televisiva "lista negra", por me recordar o único rapaz que tinha uma lista dessas (deve ser mais normal do que o que eu penso, pois até os telemóveis têm uma...), onde empurrava para lá a "malta que não interessava".

Naquele meu momento de "enfrentar a lista", sorri por me recordar, que se havia alguém que devia estar em todas as folhas pretas, era ele, ao mesmo tempo que esquecia os atrasos dos transportes públicos, que também devem fazer parte de muitas "listas negras"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, janeiro 16, 2020

Gente Castigada pela Vida Duas Vezes...


Ontem fiz uma coisa que está longe de ser das que mais me agradam, fui a um hospital  público como acompanhante, e onde, naturalmente, permaneci mais de um bom par de horas. Isso deve ter acontecido para sentir na pele que as coisas estão bem piores do que o "quadro que nos tentam pintar" e oferecer...

As pessoas que já estão doentes, são sujeitas a um martírio de horas, desde os tempos de espera, à forma como são tratadas, como se não lhes bastasse a maleita que padecem, ainda têm de ser "castigadas" pela desordem reinante da maior parte dos serviços...

Não sei se foi por estar a observar tudo aquilo que me rodeava, com atenção, que até acabei por não ficar excessivamente impaciente...

Outra coisa que me incomodou foi ver a falta de cuidado dos funcionários para com os doentes com gripe, que estavam por ali, lado a lado com as pessoas saudáveis e com os outros doentes, que não precisavam de "comprar" mais nada no hospital... 

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, janeiro 15, 2020

O Talento Está Lá, Mas...


Embora não seja possível comparar os mundos do futebol e da literatura, penso que se está a colocar "pressão" antes do tempo, em dois jovens talentosos que prometem bastante. Falo de João Félix e de Afonso Reis Cabral.

Claro que o Afonso é um felizardo em relação ao João (esquecendo os milhões de euros do futebol, claro...), porque continua no nosso país, não foi vendido por uma verba obscena ao Atlético Madrid, nem tem de lidar diariamente com a imprensa espanhola, que se nunca deu paz a Cristiano Ronaldo nem a José Mourinho, que eram dos melhores do Mundo, muito mais cobrará a um jovem, que ainda está distante de ser um "fora de série".

Como a literatura é cada vez mais uma coisa de minorias, talvez nem todos saibam que o Afonso é - desde que venceu o Prémio Leya em 2014 - a nossa "coqueluche" do mundo dos livros, pelo menos para os críticos e editores. E ainda não chegou aos trinta anos...

Espero que o João Félix seja suficientemente forte para aguentar toda esta pressão, e que tenha a sorte de ter um treinador para quem o talento seja algo decisivo no futebol (algo que parece não acontecer com Simeone...), como acontece com Guardiola ou Klopp.

Da mesma forma que espero que o Afonso Reis Cabral  escreva os livros que quer escrever e não os livros que querem que ele escreva. Só assim conseguirá ser, num futuro próximo, um escritor de excepção.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)