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terça-feira, agosto 19, 2008

O Brio e o Profissionalismo

Incomodam-me as palavras dos "vicentes mouras" e de outros dirigentes desportivos, que à boa maneira portuguesa, se agarram aos lugares nas federações, associações e clubes como "lapas", onde permanecem décadas, sem conseguirem alterar as mentalidades, a política desportiva, os apoios e até a forma com que se preparam os Jogos Olímpicos e as outras grandes competições.

Falou de brio e profissionalismo. E falou muito bem. E é esse brio e profissionalismo que falta à maior parte dos dirigentes desportivos portugueses, que só se preocupam se está tudo bem, quando é necessário "inventariar" a participação portuguesa, alguns meses antes da partida, composta quase por tantos dirigentes e treinadores como atletas... eles sim, os verdadeiros "turistas" de ocasião.

Há treinadores em Pequim que nem sequer têm responsabilidades técnicas. Todos os portugueses devem ter ouvido as queixas dos dois atletas do remo, que alcançaram um histórico oitavo lugar, mas que não contaram com o apoio do seu técnico durante a competição, porque o lugar na comitiva já estava ocupado pelo responsável federativo...

É preciso de uma vez por todas definir objectivos. Se só querem levar atletas com possibilidades de ganharem medalhas e serem finalistas, tornem os mínimos mais rigorosos. Claro que quando fizerem isso, há modalidades que deixam de estar presentes com atletas, assim como os seus respectivos dirigentes e treinadores.
E esta é a melhor forma de se acabarem os "passeios" aos Jogos, principalmente de muitos dirigentes...
Claro que isso não vai acontecer, porque eles não querem perder esta oportunidade, de quatro em quatro anos, de conhecerem mais mundo e de falarem de brio e profissionalismo, quando lhes colocarem um microfone à frente...

O boneco do António mostra-nos o popular Zé, "Ziguezagueando"...

domingo, agosto 10, 2008

A Incompreensão "Olímpica"...

Telma Monteiro foi a primeira verdadeira candidata lusa a sucumbir na "lotaria" das medalhas...
Espero que os jornais e os jornalistas não a "massacrem", e percebam, que se há alguém triste e desiludido com o nono lugar alcançado, é ela...
Estas histórias de incompreensão desportiva, levam-me sempre a pensar no Fernando Mamede, um dos melhores atletas de sempre do nosso país, que foi inclusive recordista mundial dos 10.000 metros e imbatível durante algum tempo nas principais competições mundiais de atletismo, se ignorarmos os Campeonatos da Europa, do Mundo e Jogos Olímpicos.
Nestas competições acusava de tal forma a responsabilidade da conquista de uma medalha, quase exigida pelos portugueses, que ficava sempre aquém das expectativas, por não aguentar a pressão...
Se Mamede tivesse contado com o acompanhamento psicológico que existe na actualidade, acredito que a sua carreira teria sido diferente.
Quando me lembro das reacção dos jornalistas e de muitos portugueses (até lhe destruíram a loja na Avenida de Roma...), pergunto, como foi possível que um atleta com tanta qualidade e capacidade de trabalho, fosse tão incompreendido, especialmente pela comunicação social, nesses tempos muito pouco especializada e esclarecida em relação a tudo aquilo que era marginal ao futebol no mundo do desporto...
Para Fernando Mamede, para a Telma e para todos aqueles que sonham com medalhas (que eventualmente lhes escaparão, pois só existem três por competição...), o meu abraço de companheirismo e agradecimento, pelo muito que têm feito pelo desporto português.
A fotografia que ilustra este texto é de Fernando Mamede, abraçado ao seu treinador de sempre, Moniz Pereira, uma das poucas pessoas que sempre o compreendeu e tentou proteger, ao longo da sua carreira, depois de ter batido o Recorde do Mundo dos 10.000 m.