Ainda não me assusta, mas já me começa a incomodar, sentir, cada vez mais, que ser livre começa a ser quase sinónimo de "fora da lei", como aconteceu entre 1926 e 1974, esses 48 anos de tão má memória, e que tantos já esqueceram...
Não vou deixar de ser livre, de dizer ou escrever o que penso, apenas porque alguém fica com "azia", ou ainda pior, a "espumar pela boca".
Infelizmente este medo não é apenas da direita, é essencialmente de quem exerce o poder (que também não se resume ao poder político, infelizmente os maus exemplos são seguidos por muito boa gente, com "alma de ditador").
Podia dar como exemplo a cidade onde vivo, Almada, governada desde 1976 pelo PCP (ainda que com siglas diferentes, de APU a CDU), onde tenho sofrido vários tipos de pressões, quase todas encapotadas, que se reflectem sobretudo na falta de apoio a iniciativas da qual faço parte.
Claro que a direita é mais carnívora, especialmente quem pensa pertencer a "castas", que por si próprias lhes dão acesso ao poder (as famílias que não têm feito outra coisa, que não seja viver à nossa custa, há já quase 900 anos...), é por isso que gostam tanto de monarquias, de dinastias, condados e afins.
Quando comecei a escrever nem sequer estava a pensar em Angola, onde as coisas terão forçosamente que mudar, ainda que para isso possam existir vitimas mortais, como podem ser os casos de Albano "Liberdade" ou de Luaty Beirão...
É por tudo isto que quando me perguntam qual é a palavra que gosto mais, digo sempre, LIBERDADE.
O óleo é de Winslow Homer.