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sábado, março 25, 2017

A Magia de Cinco Efabuladoras...

Hoje assisti a uma iniciativa cultural extraordinária, intitulada, "Partilhar um Monte de Histórias", com cinco professoras que estão apostadas no regresso à tradição oral e contaram cada uma delas uma história, do género das que os nossos avós nos contavam à lareira (fui um sortudo, pois o meu avô materno era um excelente contador de histórias...).

Parabéns a todas elas, especialmente à Joaninha Duarte, a dinamizadora do projecto.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, março 02, 2017

«Sim, todas as coisas que escrevemos são autobigráficas, mesmo as que não foram vividas por nós»

Recebi há já algum tempo, um convite raro, para falar sobre o que quisesse, perante uma plateia interessada nas coisas da cultura. Podia falar de livros, do jornalismo, de associativismo ou de outra coisa qualquer. Agradeci a deferência e disse que sim, que iria arranjar um tema que pudesse despertar o interesse das pessoas.

No início estava inclinado para falar sobre jornais e jornalismo, por ser uma coisa que é praticamente inexistente em Almada neste novo milénio. Por saber que teria falar de coisas que não me interessam muito, de apontar dedos e de ser crítico de uma realidade translúcida, que interessa preferencialmente a quem não gosta de "contraditórios", acabei por mudar de ideias.

O associativismo nunca foi sequer hipótese, porque também teria de ser polémico e repetitivo. Por muito que aprecie Gil Vicente, não quero fazer o papel do "diabo", muito menos utilizar algo que foi tão importante na vida dos almadenses, como mera "personagem" de discurso, com mais palha que substancia. 

Inevitavelmente, sobram os livros... A minha experiência de mais de vinte anos,  a marcar presença nos "campeonatos regionais" e na "terceira divisão" da literatura. A Rita deve ter alguma razão, quando diz que sou como aqueles jogadores que dão uns toques com a bola, mas como têm medo de se deslumbrar com a fama, não aceitam as propostas "indecentes" de alguns empresários.

Como tenho escrito um pouco de tudo, sei muito bem onde começa a "inspiração" e acaba a "transpiração" no jogo de palavras.

E também já não consigo discordar de que todas as coisas que escrevemos são autobiográficas, mesmo as que não foram vividas por nós. Pode parecer contraditório, mas não é. Todas as histórias, com e sem dono, quando entram dentro de nós, ficam sempre com "a nossa marca".

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

A Festa das Artes da SCALA


Participo mais uma vez na "Festa das Artes da SCALA", a 23.ª Exposição artística Anual desta Associação Almadense a que pertenço, que apresenta obras de  Artes Decorativas, Escultura, Fotografia, Ilustração e Pintura e vai ser inaugurada amanhã, às 16 horas, na Oficina de Cultura de Almada.

As minhas três fotografias são sobre a Procissão da Senhora do Bom Sucesso de Cacilhas.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, janeiro 12, 2017

A Qualidade de Vida e a Mudança de Hábitos...


Nunca tinha pensado a sério numa das causas da mudança de hábitos das pessoas, que a partir de certa altura passaram a ficar mais tempo em casa e a deixar as ruas mais vazias.

Foi preciso ouvir alguém a recordar a "miséria" em que a maior parte das pessoas viviam nos anos quarenta, cinquenta e sessenta do século passado. E nem visitou os bairros de lata que existiram à volta de Lisboa, até pelo menos aos anos 1980...

Preferiu contar a história da sua vida. Quando casou continuou a viver num quarto alugado, porque as rendas na Capital eram altíssimas. Só quando a mulher ficou grávida do primeiro filho é que começou a fazer contas à cabeça, porque sabia que era demasiado desconfortável se ficassem os três a viverem naquele quarto...

Durante uns tempos andaram a ver casas, de Algés ao Cacém, até que se decidiram por Almada. O valor da renda e a facilidade de se chegar ao centro da cidade, onde ambos trabalhavam, venceram. E nunca se arrependeram de ter vindo para a Margem Sul.

E continuou a fazer o retrato do seu começo de vida em Almada...

Era uma casa com três assoalhadas, pequenas, mas que parecia uma palácio, quando comparada com o quarto onde tinham iniciado a vida a dois. Embora pouco tivesse a ver com a casa onde hoje vivem... Não havia uma sala com sofás e televisão. Nessa altura existia uma coisa chamada "sala de jantar", porque era comum as pessoas reunirem-se à volta da mesa aos fins de semana, com familiares e amigos. Pouca gente tinha dinheiro para ir a restaurantes.

Tudo aquilo para me dizer que a casa estava longe de ser o lugar mais agradável do mundo. Fez-se sócio da Incrível e era lá que passava uma boa parte do tempo, a conversar e a jogar às cartas com os amigos.

Só depois do 25 de Abril é que conseguiu comprar a casa onde vive hoje. E agora sim, sente-se de tal forma confortável, que quase não precisa de sair para a rua. Tem ali tudo...

Embora este estar confortável se deva a outros factores, como a menor mobilidade e também alguma insegurança nas ruas. Fiquei a pensar em coisas que normalmente me passavam ao lado...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 13, 2016

O Poder, Essa "Droga" do Nosso Tempo...


Não é novidade para ninguém, que os outros são sempre o nosso espelho.

Claro que nem sempre pensamos nisso, porque é sempre mais fácil olhar para o lado, ou para cima, que para dentro de nós próprios...

Nestes últimos dias houve um acontecimento que me fez mais uma vez ter medo do poder (que é mesmo uma "droga", daquelas viciantes...). 

Sei que até agora nunca fiquei "agarrado", talvez por ter cuidado com as "doses" que tomo, e também por não precisar do "palco" para me realizar pessoalmente. Gosto muito mais de organizar e de criar coisas para os outros, que de ser a "vedeta" do que quer que seja. Claro que gosto que se lembrem de mim, que elogiem o meu trabalho, mas sem exageros. Sem se entrar na bajulice ou na hipocrisia, tão presentes no nosso tempo.

Espero conseguir "dosear" sempre esta "droga", que deixa tanta gente a fazer figuras tristes...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 30, 2016

«É a Cultura, Estúpido!»


Ainda bem que sou teimoso, caso contrário já tinha deixado de participar há algum tempo activamente na vida cultural de Almada. 

É mesmo a única explicação que encontro para esta "minha continuação",  muitas vezes a "pregar para o deserto", de mais de duas décadas a fazer cultura como activista ou como simples organizador.

Sim, porque quando organizamos qualquer evento ele à partida não se destina apenas a meia-dúzia de pessoas. 

Sei que isso acontece por várias razões. Falta de divulgação? Não. Falta de interesse? Sim.

E em Almada ainda se passa outra coisa: fazem-se demasiadas actividades (a própria Autarquia por vezes organiza mais que uma actividade para o mesmo dia e à mesma hora. Ontem à tarde por exemplo tiveram lugar duas inaugurações de exposições e a um lançamento de livro, à mesma hora, em três lugares diferentes e organizados por três estruturas associativas também diferentes.

Na noite anterior houve um concerto do Sérgio Godinho na Academia Almadense e uma peça de teatro na Incrível. Como calculam foi o teatro que ficou a perder, com apenas oito pessoas a assistirem ao espectáculo...

Gritar ao sete ventos: «É a Cultura, Estúpido!», não resolve nada, nem tira ninguém nos sofás, cada vez mais entregues às telenovelas ou ao futebol (hoje não falo das redes sociais, até porque há quem também chame isso aos "blogues"...).

Só há uma forma der combater este "divórcio" entre as pessoas e a cultura, é a aposta na qualidade e não na quantidade.

Por exemplo, a peça a que assisti ontem na Incrível, "Ainda Existem Flores no Jardim" (escrevi sobre ela no "Casario"), merecia mais que as cerca de três dezenas de pessoas que apareceram no Salão de Festas da Colectividade Almadense, um monólogo que contou com a excelente interpretação de Mara Martins (é ela que ilustra estas palavras).

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 19, 2016

Um Livro por Dia...


Tenho me cruzado  logo pela manhã nas ruas de Almada com um senhor que trás sempre numa das mãos um livro.

Não seria nada de extraordinário, se  eu não tivesse reparado que ele trouxe nos últimos três dias, três livros diferentes.

Eu sei que podem existir mil e uma razões para o facto. Até a utilização do livro como adereço estético, utilizando a cor da capa com o resto da indumentária... mas acho que isso era ir demasiado ao pormenor. Talvez o senhor goste apenas de livros e adore passear com um deles no regaço.

Claro que este episódio me fez lembrar um outro, passado nos anos sessenta do século passado, em que um dos voluntariosos bibliotecários de uma das associações almadenses, embora não fosse grande leitor, fazia questão de sair da biblioteca, sempre com um livro debaixo do braço, por lhe oferecer uma aura de intelectual, que entre outras coisas, lhe aconchegava o ego de simples operário.

(Óleo de Aharon Kahana)

sexta-feira, junho 24, 2016

Uma Exposição Admirável das Escolas

Tem estado patente da Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, uma exposição feita pelos alunos e professores das escolas do concelho de Almada (acho que foi mais das Bibliotecas das escolas, embora não tenha a certeza...), com muita qualidade artística e até informativa.


A minha filha fez parte do Clube de Leitura da sua escola e também participou no projecto "Quantos Queres?", em que a paz, a guerra e os livros foram o tema dominante.

Apesar das dificuldades cada vez maiores em se ser professor no nosso país, noto que que a relação entre as escolas, instituições e população tem melhorado bastante nos últimos anos em Almada.

(Fotografias de Luís Eme)

sábado, maio 07, 2016

O Companheirismo Quase que faz Milagres

Eu sei que há "reboliços" bons. Vozes que mesmo quando falam ao mesmo tempo, em vez de nos irritarem, fazem-nos sorrir.

Enquanto conversam e se mexem de um lado para o outro, eles com chaves de fendas ou de bocas na mão, elas com panos que limpam quase tudo, naquilo que podia parecer uma "opereta", mas com acção de verdade. Sim, falo do trabalho com que "erguem edifícios", de um dia para o outro. 

Chegam ao fim do dia com suor impregnado nas roupas, algumas dores aqui e ali - que falam da desabituação de alguns gestos de operários de quem se foi refinando com o bom que a vida proporcionou -, mas sobretudo com uma alegria imensa estampada nos rostos, de quem foi capaz de fazer muito mais do que poderia pensar. E tudo isto pelo amor que sentem à causa colectiva.

Obrigado Companheiros!

(Óleo de Gail Roberts)

quarta-feira, maio 04, 2016

Agitação versus Criação

No meu caso pessoal, a agitação sempre foi inimiga da criação. Quanto mais a cabeça está liberta, mais me surgem ideias do arco da velha (e da nova) e vontade de criar.

Embora continue a escrever pequenas coisas em papeis, sei que dificilmente terão continuidade amanhã. 

Claro que nada disto acontece por acaso. E vai ser assim até ao final deste mês de Maio (embora tenha uma palestra e uma exposição para organizar, pelo meio...).

Estou numa fase de grande involvência física e psicológica, porque a Associação Cultural a que pertenço (SCALA) tem finalmente um espaço próprio. Depois da realização de pequenas obras, estamos a iniciar a fase de instalação (com tudo o que isso tem de complicado, desde ideias diferentes sobre as pequenas e grandes coisas, até aos imprevistos que surgem sempre...).

Espero que toda esta agitação acalme (pelo menos na segunda quinzena deste mês...), para que volte a ter tempo para mim.

(Fotografia de Lyon de Castro)

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Essa Coisa Chamada Democracia


No decorrer de um trabalho de investigação sobre a cisão de uma colectividade centenária, um dos meus companheiros estava cada vez mais inclinado a dar razão ao homem que tinha batido com a porta,  para posteriormente formar uma outra associação, rival e inimiga, pelo menos nos primeiros anos.

Já tinha esgotado quase todos os argumentos quando lhe lembrei que a democracia se alimentava da vitória das maiorias, por muito que achássemos que estava errada. Não podíamos esquecer que o senhor que se achava certo, foi derrotado pela maioria dos elementos dos Corpos Gerentes. Como não aceitou a derrota, saiu, juntamente com os seus correlegionários. 

A minha última frase bastante elucidativa: «é desta maneira que começam todas as ditaduras...»

Foi um ponto de vista forte que o deixou a pensar e fez descer à Terra, porque ele sabe tão bem como eu que não basta criticarmos as ditaduras e os ditadores, é preciso sim, sabermos viver em Democracia.

O óleo é de René Magritte.

sábado, outubro 24, 2015

A Dificuldade de se Dizer Não...


Embora continue a ter dificuldade em dizer não, quando me pedem apoio para qualquer iniciativa, sei que estou em mudança. Já vivi tempo suficiente para saber quem são as pessoas que só me telefonam para pedir alguma coisa e nunca para me brindarem com uma simples conversa de amizade, nem que seja só para dizer olá.

É por isso que já me vou habituando a inventar desculpas, para não ser completamente desagradável. É a tal história de que, para "cínico cínico e meio", A vida tem essa coisa boa, de nos dar "socos", mas também de nos permitir aprender alguns golpes, de "defesa e ataque".

Normalmente diz-se que os cinquenta anos nos dão a maturidade,  a "experiência de vida". É verdade. Mas também nos dão alguma matreirice, para lidarmos com os muitos "oportunistas" que nos cercam, na tal aprendizagem em que cada vez se vai tornando menos difícil dizer não.

O óleo é de Aka Mattas.

domingo, outubro 18, 2015

O Medo que Toda Esta Gente Tem das Pessoas Livres...


Ainda não me assusta, mas já me começa a incomodar, sentir, cada vez mais, que ser livre começa a ser quase sinónimo de "fora da lei", como aconteceu entre 1926 e 1974, esses 48 anos de tão má memória, e que tantos já esqueceram...

Não vou deixar de ser livre, de dizer ou escrever o que penso, apenas porque alguém fica com "azia", ou ainda pior, a "espumar pela boca".

Infelizmente este medo não é apenas da direita, é essencialmente de quem exerce o poder (que também não se resume ao poder político, infelizmente os maus exemplos são seguidos por muito boa gente, com "alma de ditador").

Podia dar como exemplo a cidade onde vivo, Almada, governada desde 1976 pelo PCP (ainda que com siglas diferentes, de APU a CDU), onde tenho sofrido vários tipos de pressões, quase todas encapotadas, que se reflectem sobretudo na falta de apoio a iniciativas da qual faço parte.

Claro que a direita é mais carnívora, especialmente quem pensa pertencer a "castas", que por si próprias lhes dão acesso ao poder (as famílias que não têm feito outra coisa, que não seja viver à nossa custa, há já quase 900 anos...), é por isso que gostam tanto de monarquias, de dinastias, condados e afins.

Quando comecei a escrever nem sequer estava a pensar em Angola, onde as coisas terão forçosamente que mudar, ainda que para isso possam existir vitimas mortais, como podem ser os casos de Albano "Liberdade" ou de Luaty Beirão...

É por tudo isto que quando me perguntam qual é a palavra que gosto mais, digo sempre, LIBERDADE.

O óleo é de Winslow Homer.

quinta-feira, outubro 01, 2015

Olá Outubro Quente


Hoje senti mais uma vez o que alguém pode fazer, por causa da chamada "dor de corno", também conhecida por "dor de cotovelo".

Eu já me andava a sentir "clandestino" nos últimos dias, só não esperava que neste dia D, entre a tentativa frustrada de fazer o pino e dar cambalhotas, a mentira de perna curta fosse a arma utilizada  para um jeitoso lutar contra o facto de afinal sempre haver gente interessada em aparecer na festa. 

Pois é, parece que algumas vezes a Arte vence o futebol. Quanto mais não seja pelo prazer de estar com os amigos.

Amanhã é outro dia. E eu fiquei ainda mais preparado para enfrentar os medíocres que suam as "estopinhas" para conseguirem andar a gravitar à nossa volta.

Ou seja, Outubro não podia começar melhor.

E cada vez gosto mais dos meus amigos.

O óleo é de Norman Charles Blarney.

sábado, setembro 26, 2015

Salão de Festas da Incrível: um Lugar onde é Possível Ser Feliz


Ao passar por um painel destinado aos cartazes da campanha eleitoral, gostei de ver que o Bloco de Esquerda continua a escolher o Salão de Festas da Incrível Almadense para fazer o seu grande comício na Margem Sul.

Esta minha satisfação não teve nada  que ver com a política, teve sim a ver com o associativismo, ou seja com a minha Incrível. Sei bem o jeito que dá esta receita extra para o equilíbrio das contas da Colectividade mais antiga de Almada...

Depois também fiquei a pensar que o Salão de Festas da Incrível é um lugar de culto para muito boa gente.  Provavelmente também o é para o BE, que além de gostar do lugar, talvez encontre ali algo de especial, e é por isso que volta à nossa "Catedral", de quatro em quatro anos.


Não é nada estranho, Por exemplo os "Moonspelle", a nossa grande banda de rock metálico continua a ter uma relação especial com a Sala e gosta sempre de voltar...

sexta-feira, setembro 18, 2015

Há Dias que Não São Dias (São Mais Pesadelos...)


Há muito que não tinha um dia como o de ontem, que só melhorou quando o sol se começou a ir embora.

Começou a meio da manhã numa reunião em que alguém "roeu a corda" e deixou-me com um dilema que tenho de resolver até segunda. E que provavelmente vai ser resolvido com a desistência, algo que não costuma fazer parte do meu léxico, mas como se trata de um projecto colectivo, é essa a vontade da maior parte das pessoas (apesar de já existir algum investimento pessoal). O mais curioso foi a mudança se ter dado em menos de 24 horas. Antes de ontem aparentemente estava tudo bem e ontem, «não dá, não há tempo, não tenho gente disponível», entre mais desculpas cheias de farrapos.

A única certeza que tenho é que não voltarei a trabalhar com a dita pessoa, no que quer que seja.

Ao final da manhã passei por uma bilheteira para tirar o passe da minha filha do metro de Almada (que têm 25% de desconto no regresso às aulas...). Mostrei o passe e o cartão de cidadão mas disseram-me que era preciso uma fotocópia do cartão de cidadão e um comprovativo da morada. Quando lá voltei com os papeis pedidos a jovem do guichet disse-me que também era preciso uma declaração da escola onde ela andava. Perguntei-lhe porque não disse isso da primeira vez, ainda tentou dizer que me tinha dito, quase a engasgar-se, para depois dizer que se devia ter esquecido...

Mas ainda havia mais aventuras à minha espera. Fui à escola onde ela está matriculada e disseram-me que a declaração só podia ser passada na sede do agrupamento. Mais uma volta ao carrossel e, reparem só, a secretaria da dita escola estava fechada durante a tarde, só abria de manhã no dia seguinte.

Claro que depois de toda esta confusão borrifei-me para a "oferta" dos 25% e comprei o passe ao preço normal.

Há muito tempo que não me lembrava de ter tido um dia assim.  Talvez sejam as "dores" de se ser português. E como eu fujo como o "diabo da cruz" de lugares como finanças, segurança social, centros de saúde ou centros de emprego, sou um pouco "estrangeiro".

O óleo é de Ray Hare.

domingo, junho 28, 2015

As Duas Bandas da Vila


«Uma das boas novidades que descobri, foi que a Vila continuava a ter, não uma, mas duas bandas filarmónicas, ainda por cima centenárias.

Quando falei no assunto ao Nicolau, não se mostrou assim tão entusiasmado, contando que uma delas, a “Democrática” estava a viver uma crise quase agonizante, só mantinha a banda graças a um maestro antigo e falho de ideias, que com meia dúzia de músicos teimosos, ainda se encontravam uma vez por semana, para desenferrujar a língua, os dedos e os instrumentos.

A “Musical”, essa continuava vivinha da silva, regida por um maestro daqueles que se sentem nas nuvens quando estão com a batuta nas mãos e com muitos jovens a aprenderem o solfejo.
Era o mesmo maestro que eu encontrara na rua e depois no salão, com roupas brilhantes e gestos clássicos, que se devia sentir mesmo um verdadeiro artista nos palcos e nos coretos das terras por onde aquele grupo espalha a sua musicalidade.
Foram encontros casuais. O primeiro na rua e o segundo na sua “casa”. Este último aconteceu quando passei na rua da Colectividade e ouvi a banda, quase como na canção e acabei por entrar, curioso, depois de espreitar.

Foi uma agradável surpresa. Sentei-me na plateia do Salão de Festas e por ali fiquei, quase perdido no tempo, encantado com os sons agradáveis que aqueles instrumentos afinados libertavam, nas mãos e nas bocas dos rapazes e das raparigas, cheios de sonhos, com toda a certeza e propriedade.

Ao olhar para os seus uniformes, percebi que esta era a segunda vez que nos cruzávamos. Ouvi-os tocar na primeira vez quase por acidente, quando saíram à rua numa data festiva. Gostei de sentir a alegria que deixaram nas ruas e também de descobrir que a maior parte dos músicos eram jovens.»

A fotografia é de Luís Eme.

domingo, março 29, 2015

Olá Badajoz


Ontem fui até Badajoz numa excursão cultural organizada por uma da Associações Culturais mais representativas de Almada (Imargem), cujo principal objectivo era visitar o Museu Estremenho e Iberoamericano de Arte Contemporânea (na imagem).

Há mais de vinte anos que não passava por aqueles lados (houve realmente muitos desperdícios de dinheiros, mas com as novas autoestradas a Espanha e a Europa ficaram muito mais próximas...) e notei grandes diferenças na Cidade, uma maior preocupação na preservação do património - tal como tem acontecido no nosso país - para mostrá-lo a quem vem de fora e para orgulho dos seus habitantes. 
~
Mas a viagem valeu sobretudo pelo convívio, pelas coisas que dizemos e recebemos uns dos outros, de amigos já conhecidos e de outras pessoas, que praticamente só conhecíamos de vista. 

Aliás, é este o verdadeiro espírito da excursão (antes de nos "aburguesarmos", era a forma mais económica de conhecermos mundo...).

quinta-feira, novembro 13, 2014

O Meu Novo Livro


No próximo sábado, dia 15 de Novembro, vai ser lançado o meu novo livro, "Sport Almada e Figueirinhas, 50 anos de Força de Vontade", que tenta retratar a história deste clube popular de Cacilhas, que comemora em 2014 o seu cinquentenário.

Foi o desafio mais complicado que enfrentei, pela ausência de dados históricos nos arquivos do Clube (as pessoas nem sempre têm noção da importância dos documentos - por muito insignificantes que possam parecer - , como as simples fichas de inscrição dos associados ou da participação em provas desportivas...), que poderiam aclarar algumas dúvidas, como a identidade de todos os sócios fundadores...

Perante estes dilemas, digo que é o livro possível. 

Mesmo assim espero que os "Figueirinhas" se identifiquem com a obra, que será apresentada no sábado pelo escritor almadense, António Policarpo, a partir das 15 horas, na sede do Sport Almada e Figueirinhas.

quarta-feira, setembro 17, 2014

As Mentiras Necessárias e as Outras


Todos mentimos, uns mais que outros, claro. Quem não faz da mentira um "acto de fé", utiliza-a quase sempre para evitar chatices, entre outros males maiores (o que nem sempre se consegue...).

Claro que depois existem os outros, uns fulanos quase profissionais, que sabem que podem mentir à vontade, porque não lhes vai cair dente nenhum. Falámos deles hoje durante o almoço.

Tudo porque um acontecimento histórico saltou para a mesa, cansado de ser deturpado pela acção de dois ou três mentirosos. Senti que era o menos preocupado com o caso, por saber da existência de vários documentos credíveis que desmontavam facilmente a mentira em questão. 

Mas a grande questão, era o porquê desta insistência, sem pés nem cabeça. A única explicação que encontrámos era a tese (falível) de que uma mentira muitas vezes repetida, mais tarde ou mais cedo, pode acabar por se sobrepor à verdade, num país quase "quadrado", como o nosso. 

Já nem nos espanta o silêncio de quem conhece os factos e vai deixando a mentira crescer, muitas vezes apenas para não comprar uma discussão.

Só agora é que reparei que isto poderá parecer conversa de tontos. Perguntarão vocês: «Porque razão não chama os 'bois' pelos nomes?».

Porque isso é o menos importante. O que ganha importância, neste e noutros casos, é a sanha dos mentirosos. A forma decidida como se entregam a mentira. E claro, num outro plano, a cobardia da gente que parece ter medo da verdade...

A ilustração é de Loui Jover.