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sexta-feira, abril 28, 2017

O Amor Com e Sem Óculos


Não sou muito de contar os meus problemas pessoais. Nunca fui. Feitios...

Mas tenho um ou outro amigo, que não só é capaz de contar a sua vida toda, com ainda dá algum colorido às suas cambalhotas e tropeções, muitas vezes repetidos...

Foi o que aconteceu com um rapaz da minha idade, incapaz de ter uma vida calma e pacata, que entre a frescura e a desilusão de quem tinha acabado de sair do quarto casamento, resolveu culpar quem aparentemente não tem qualquer culpa da "estupidez" humana. Andou para trás e para frente, com a Joaquina, com a Maria, com a Celeste e com mais uma dúzia de moçoilas, com um único objectivo: deitar todas as culpas dos seus fracassos românticos em cima do amor, essa coisa que se sente e que nem sempre se vê com muita nitidez (aqui ele tem razão...).

Foi por isso que, dentro de um sorriso rasgado, me disse que deviam existir óculos capazes de nos curar da cegueira do amor, que nos obrigassem a ver aquilo que mais tarde será a nossa perdição...

Felizmente não é nada que o preocupe e desanime, pois ele já anda no terreno em busca da sua "quinta vida".

(Fotografia de Autor Desconhecido)

Nota: Hoje foi publicado um texto meu no blogue, "Delito de Opinião", uma ficção sobre o mundo do futebol (foi um prazer Pedro)...

terça-feira, abril 11, 2017

A Dúvida está Sempre em Crescimento...

Os anos passam e a dúvida cresce, ao ponto de colocar quase toda uma vida em causa...

Já lhes chamaram muita coisa, até egoístas. Podem ter sido tudo, menos isso... 

A mulher fica com os olhos húmidos quando revive o que sofreu na prisão, na clandestinidade, no exílio... mas sobretudo, por não ter visto o seu filho crescer. O homem afaga-lhe o cabelo, com o carinho de quem nunca deixou de amar.

Sabe que não foi a mãe que devia ter sido. É por isso que percebe a ausência do seu Carlos, que teve de abandonar com menos de um ano e deixar ao cuidado dos pais.

O homem tenta desculpá-los com as incidências da própria vida, com a dificuldade que sempre tiveram em conviver com a injustiça nos locais de trabalho, com as perseguições, o desemprego, e a luta colectiva, que alguém tinha de travar...

Mas a solidão passa o tempo todo a pregar-lhes partidas. Pensam demasiado na vida.

Olham para o país com desconsolo, porque já não sabem se tudo o que sofreram valeu a pena. Não sabem explicar as razões, mas a verdade é que os patrões continuaram, e continuam, a roubar o povo, cada vez com mais descaramento.

Olham para o filho com orgulho por ter conseguido ter uma vida melhor que eles, mas sentem muito, muito, a sua ausência...

(Fotografia de Sena da Silva)

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Um Poema Resgatado de "Outra Vida"...

Não é apenas por ser o dia dos namorados, que publico aqui este poema. É também por estar incluído numa pequena antologia com poemas de amor dos poetas da SCALA ("Corações Cheios de Poesia - poemas de amor dos poetas da scala"), inserida na "Semana do Amor em Almada"  e por ter sido "resgatado" de um caderno com escritos dos anos 1980.

Aquele Amanhecer Único

Olhei-te e recordei
aquele amanhecer único...

Não pregámos olho nessa noite,
andámos de festa em festa,
até os bares fecharem.
Os amigos também foram voando,
quando olhámos um para o outro,
restávamos apenas os dois...

Não sei se bebemos mais que a conta...
muito menos qual era a nossa conta.
Sei apenas que deixámos o carro em qualquer lugar
e fomos esperar a madrugada
à beira da Lagoa...

As coisas que fizemos,
enquanto o dia não clareou...

Depois olhámos abraçados,
aquele amanhecer único...


A fotografia que escolhi não é de nenhum amanhecer, mas é da Lagoa de Óbidos...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, dezembro 22, 2016

O Amor, o Cinema, o Teatro e o Livro...


A peça que escrevi e foi representada durante a 18 ª Mostra de Teatro de Almada, encenada pelo Cénico Incrível Almadense, "O Amor é uma Invenção do Cinema", agora também é um pequeno livro.

Como digo na "nota de autor", decidi finalmente, transformá-la em livro, para que possa chegar a outras pessoas, que não puderam assistir à peça, representada em Almada.

Foi uma experiência especial. Ainda me recordo de assistir a um dos ensaios e ter algumas dúvidas de ter sido o autor do texto (graças à interpretação dos actores, que deram vida às personagens e transformaram o texto que tinha escrito numa outra coisa (melhor)...

sábado, dezembro 10, 2016

Conversas, Amores & Fixações

É normal que as conversas com as pessoas de quem gostamos sejam sempre mais abertas e saborosas, que as outras, com os outros.

Mesmo assim, às vezes somos surpreendidos, por pessoas que conhecemos quase só de vista e que descobrimos que gostam de conversar e de fazer daquelas perguntas que nos parecem inteligentes. Quando digo que parecem inteligentes, faço-o, por normalmente serem coisas que me fazem pensar. E como eu gosto de pensar (vá-se lá saber porquê), acaba por calhar bem...

Mas sim, quando gostamos de um sitio, é mais fácil escrever sobre ele, tirar fotografias ou até pintá-lo. Há algo que nos prende e faz ver beleza onde outros vêm ruína ou descobrir poesia nos objectos mais improváveis...

É também por isso que penso que o conhecimento das coisas anda quase sempre de mão dada com as artes. Embora nem toda a gente acredite nisso, o "acaso" normalmente dá uma trabalheira do caraças...

(Fotografia de Luís Eme - da exposição, "50 Anos - 50 Pontes, do Tejo e de Abril").

segunda-feira, outubro 10, 2016

«Quando a vida amarga, ninguém nos oferece rebuçados...»


Não houve qualquer telefonema, apenas um encontro fortuito depois da inauguração de uma exposição...

Fiz uma visita rápida (gosto sempre de passar depois, para olhar as coisas sem perturbações...) e quando me preparava para me "despedir à francesa", ouvi uma voz a chamar-me. Olhei para trás e descobri uma mulher a caminhar na minha direcção. Era ela mesmo. Deve ter vindo ver se o Tejo ainda estava no mesmo sítio, naquele que era o meu miradouro preferido de Almada...

Depois da dúzia de palavras de circunstância habituais, ela disse que também se ia embora e quis fazer-me companhia... 

Fomos andando e conversando (embora eu fosse praticamente só ouvinte...). Os dramas dos seus últimos meses foram saltando cá para fora, deixando-a mais livre e solta, à medida que caminhávamos, com os olhos a ficarem mais húmidos aqui e ali.

Há um momento em que tive mais dificuldade em esconder o ar surpreso, quando me perguntou se eu ainda a achava uma "gaja gira", dei uma volta sobre ela e disse que sim, com um sorriso. Chamou-me mentiroso (chamam quase sempre para confirmarmos o que dizemos...). Além de confirmar acrescentei mais algumas palavras doces, por perceber que a sua auto-estima precisava de ser puxada para cima.

Antes de nos despedirmos disse-lhe que me podia telefonar sempre que quisesse. Abraçou-me com aperto, apesar do dia ser de Verão. Antes de escapar para o passeio do outro lado da rua ainda vi uma lágrima a escapar do seu rosto que queria sorrir...

Continuei a minha marcha até casa, concluindo o óbvio: «quando a vida amarga, ninguém nos oferece rebuçados...»

(óleo de Rudolf Schlichter)

sexta-feira, setembro 30, 2016

Os Livros não Querem Ficar para Trás...

Ontem falei aqui da importância do cinema nas nossas vidas, e nem de propósito, recebi logo uma lição durante a leitura da "Tenda dos Milagres"...

Jorge Amado ao caracterizar a personagem principal colou um espelho à minha frente, de repente senti-me Baiano: «Archanjo era solicito e gentil, jamais humilde, reverente ou adulador - assim é o povo da Baía. O homem mais pobre da cidade é igual ao mais poderoso magnata, em seu orgulho de homem; e é com certeza, mais civilizado.»

Graças ao meu pai, desde cedo aprendi que não sou mais nem menos que ninguém, quanto muito serei diferente... E nunca gostei de adular e ainda menos de ser bajulado. Quando ao ser solicito e gentil, essa parte herdei da minha mãe...

(Óleo de Steven Christopher Seward)

terça-feira, setembro 13, 2016

Eu, Ela e o Amor


Estava a escrever sobre a cor as formas, quando de repente comecei a inventar poesia, quase estranha. 

Eu estava ali, a escrever e a vê-la, como se estivesse no cinema...


Ela fumava de uma forma galopante,
enquanto dizia:
Não sabia que o amor quando chegava, de rompante,
também era capaz de fugir,
quase sem ter tempo para se despedir.

Apalpava um dos seios, como se lhe doesse, ali.
Depois confessava:
Sabes o que é que penso desta dor?
É uma treta.
Acredito mesmo que seja mais do fugir, sem se deixar ver,
que do amor…

Enquanto arrumava a mala 
quase que filosofava:
O amor pode estar já ali à esquina.
É também por isso que não vou passar por lá.
E também não trouxe moedas para dar ao homem da concertina.


Sei que não faz muito sentido, apesar de rimar... saiu assim...

(Fotografia de Maciek Lesniak)

sexta-feira, setembro 09, 2016

A Amizade é a Melhor Forma de Amor que Existe

As pessoas em vez de invejarem os outros, podiam pelo menos tentar imitá-los, fazerem um esforço para se tornarem melhores pessoas. Claro que não estou a instigar ninguém a passar a ir à missa aos domingos ou a visitar qualquer templo moderno (daqueles que até têm música e dança). 

Estou convencido que bastava fazer um exercício diário ao espelho, exactamente contrário ao que a bruxa da história da bela adormecida fazia. Sei que se olhássemos mais para dentro de nós próprios, aceitávamos melhor os outros.

Tudo isto porque houve alguém que me questionou, porque razão perdia tanto tempo com os "velhos". Não fui capaz de responder com a brutalidade que a pessoa merecia. Apenas disse que a amizade não tinha idade. E não tem mesmo.

Só mais tarde, depois de mais duas ou três conversas circunstanciais - das que revelam quase tudo, se estivermos com atenção -  é que percebi que a pessoa em questão era demasiado solitária e também devia querer sentir a amizade assim, chegar à sexta-feira e sorrir quando pensa no almoço de segunda... nas coisas boas e nos disparates que se dizem, uns aos outros, entre uma e outra garfada do bacalhau com grão, com sorrisos, palavras quase gritadas, e claro, amor. 

Sim, amor. A verdadeira amizade é a melhor forma de amor que existe...

(Fotografia de Richard Avedon)

quarta-feira, agosto 24, 2016

Memórias com Palavras, Imagens e Gente...


A casa continuava lá, mais velha e cansada, mas mesmo assim ele notou o quanto respirava serenidade...

Andou de um lado para o outro, sorriu várias vezes sozinho, enquanto ia descobrindo a arte do pai, onde era possível pintar a diferença.

Por momentos pensou que tinham passado 100 anos e não apenas 15, desde que ele partira.

Fingia que não tinha saudades. Aceitava o destino, por mais errado que isso lhe soasse...

E depois descobriu a harmonia nas pequenas coisas que a mãe continuava a arrumar, mesmo que já ninguém vivesse ali em permanência.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, agosto 18, 2016

Dúvidas e Certezas na Estrada Larga do Amor...


Não sei se há alguma coisa que nos leve a cometer mais erros, que os chamados "males do coração", que tanto gostam de fintar a "razão".

Também não sei se as telenovelas ou as revistas que enrolam e embrulham pessoas semana após semana, têm influência no comportamento quase estranho de algumas mulheres e homens.

Sei apenas que há quem não consiga (nem queira...) escapar das teias tecidas pelas "boas e bons malandros", que passam o tempo a cantarolar  todas as "baladas do bandido" que conhecem. Há quem caia, uma duas três quatro cinco vezes, e continue a suspirar e a encontrar coisas positivas nestas histórias desiguais. 

Quando ouvimos alguém a dizer que nunca foi tão feliz como no tempo em que viveu com o homem que lhe deu cabo da conta bancária e "limpou" a casa de tudo aquilo que tinha valor... há qualquer coisa que não bate certo... por muito que isso me interesse no campo literário...

(Óleo de Marcel Dyf)

quarta-feira, junho 01, 2016

Grande Novidade...

Passei por um espaço de publicidade das culturas e fui quase obrigado a olhar nos dois cartazes com amor. O primeiro por razões óbvias, o segundo pelo lugar comum do título do filme, e também pela imagem, como se o amor entre dois homens fosse uma coisa do próximo século.

Basta passear pela blogosfera para perceber que "o amor é (mesmo) uma coisa estranha" (os outros lugares com redes, só conheço de nome...). 

Há quem escreva com relativa facilidade sobre as suas histórias povoadas de amores impossíveis, fazendo-o muitas vezes quase em forma de "folhetins". Esperam com relativa facilidade pelo quase impossível, embora também possa ser apenas uma "fantasia".

Também tenho escrito bastante (fora do blogue...) sobre a facilidade com que nos desentendemos e como extremamos posições, quase como se homens e mulheres tivessem vindo de planetas diferentes. Até por continuar a pensar que não somos assim tão diferentes.

E nem vou falar dos outros lados do amor, entre o absurdo, o surreal, que visitam algumas conversas decalcadas de jornais e revistas, cujos protagonistas parecem saídos de filmes "noir", embora sejam de carne e osso. São gente capaz de fazer tudo por amor, até matar, porque fingem entender o casamento como algo eterno, como se ensina na missa.

Por onde eu já vou, e apenas porque passei à hora errada  pela publicidade errada.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, maio 01, 2016

A Mãe é Tudo...


Todas as palavras bonitas podem ser utilizadas para falarmos das nossas mães, porque são muito do melhor que somos...

O Zeca canta muito bem, de uma forma simples, o que quase todos sentimos...

[...]
Ó minha mãe minha mãe
Ó minha mãe minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem não tem mãe não tem nada
[...]

(Óleo de Pino)

sexta-feira, abril 29, 2016

«Nunca tenhas medo de ter medo...»

Nunca esqueci as palavras de um dos meus heróis da infância, que ao perceber que havia coisas que me assustavam, como o escuro, me disse: «Nunca tenhas medo de ter medo», ao mesmo tempo que me fazia uma festa no cabelo. E foi ainda mais longe quando acrescentou: «Nunca te esqueças disto, o medo torna-nos mais fortes. Só precisamos de o olhar de frente.»

Foi por isso que nessa noite de Lua Nova, depois do jantar ele me levou a passear de mão dada,  ao mesmo tempo que me contava histórias alegres enquanto furávamos a noite.

Na altura não devo ter percebido completamente o sentido daquelas palavras. Mas acho que foi a partir daí que comecei a perder o medo de ter medo...

(Fotografia de Laura Makabresku)

sábado, abril 02, 2016

A Ironia e o Amor...


Uma das pessoas que melhor escreve sobre o quotidiano é o jornalista Ferreira Fernandes. É um dos poucos cronistas portugueses que leio sempre, porque tem a capacidade de mesmo quando não tem assunto, escrever magistralmente sobre qualquer banalidade. 

Ele hoje escreve no "D. Notícias" sobre o amor, com a sua ironia - é uma das suas melhores armas, embora no nosso país nem toda a gente tenha aprendido o que são "figuras de estilo"...

Transcrevo a parte final da sua crónica, com a devida vénia, em que ele escreve sobre os dois casos da semana, o egípcio que desviou um avião e a inglesa que se atirou ao mar, para apanhar o paquete do seu cruzeiro: 

«Susan, continua admirável. Irei sempre vê-la, a mulher que nadou para intercetar um paquete e resgatar o seu amor. Imagino-a a nadar, no rasto do Marco Polo iluminado pela lua cheia... Inventada a sua história de amor? Não são todas, ou pelo menos as melhores? Quem só a si se expõe tem o direito de tomar um sonífero, à espera que um Montecchio a venha acordar com um beijo. Ou não.»

Só mesmo o Ferreira Fernandes é que nos colocava a pensar que o amor está cheio de razões que a própria razão desconhece. E não pensem que este quase lugar comum é coisa apenas da poesia...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, março 23, 2016

Viagens pela Memória à Mesa...


Hoje fui à minha Cidade Natal almoçar com a minha mãe e o meu irmão.

O passado finta quase sempre o presente e o futuro, através das conversas sobre as pessoas que povoaram a nossa meninice.

Sei que sou quem tem mais dificuldade em arranjar rostos para colar aos nomes que a mãe e o mano vão trazendo para a mesa.

Tenho a desculpa de ter partido aos dezoito anos para a "Cidade Grande" e, embora nunca me tenha afastado demasiado, fui perdendo raízes, fui esquecendo a existência de demasiadas pessoas, que o tempo gosta de "engolir".

Louvo a paciência dos meus filhos que são meros espectadores destas conversas sobre lugares e pessoas, que fazem parte do meu imaginário, de uma Cidade e de um Bairro que já só existem nas nossas memórias...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, março 07, 2016

A Liberdade, Sempre a Liberdade...

Ao ler o conto, "Memória de Camarote" do João Tordo do livro, "Mística em Prosa", sobre o avô do João e o camarote que o assustava no velho Estádio da Luz, lembrei-me da minha infância, da liberdade e também do grande desportivismo que sempre reinou na nossa casa.

Não me recordo do meu pai, da minha mãe ou do meu irmão, sportinguistas, alguma vez terem questionado o meu benfiquismo, muito menos de tentarem que eu me mudasse para o seu clube. Talvez gostassem que eu gostasse desse Benfica vencedor dos anos sessenta do Eusébio, do Coluna, do Cávem (amigo de um dos meus tios), do Simões, do Jaime Graça, e mais tarde do Humberto, do Tony, do Néné... e de tantos craques de boa memória.

Continuo a pensar que fui eu que escolhi ser benfiquista, como escolhi tantas outras coisas pela vida fora. Nunca tive espírito de "carneiro", sempre fui incómodo, por não esconder os meus gostos e desgostos. E começou logo na infância... 

Nem todos conseguiam disfarçar o incómodo de "terem de levar" com um puto que gostava de dizer o que pensava, ao contrário do irmão, mais velho e também mais dócil...

Mas havia alguém que se orgulhava da minha rebeldia... Era apenas, e só, o homem mais livre que conheci, o meu querido pai.

Sinto-me sempre reconfortado quando o recordo. É também por  isso que continuo a gostar de dizer o que penso e a achar a palavra Liberdade, uma das mais bonitas que conheço. 

(Óleo de Theodor Kittelsen)

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Uma Memória Deliciosa


Hoje lembrei-me de ti, ao ver um casal de pequenotes a caminhar na rua, ele a fingir dar-lhe pouca confiança e ela a não parar de o perseguir e de se meter com ele.

Sorri para dentro de mim, ao lembrar-me que também não queria que me desses a mão quando andávamos os dois na rua. Só o podíamos fazer no quintal do nosso prédio. Como se ter uma namorada em tão tenra idade fosse tudo menos um motivo de orgulho...

Foi quando pensei que nós homens e mulheres, andamos por cá há já tantos anos (uns bons milhares...) e ainda não aprendemos a lidar com as nossas diferenças, e a amar com naturalidade...

(Óleo de Dima Dimitriev)

sábado, janeiro 23, 2016

«Eu tinha-te avisado. Ela não era mulher para ti.»


Estava triste e revoltado, quase capaz de esmagar a mão contra a parede,  por não ter coragem para se travar de razões com o sujeito que se pavoneava no bar e que diziam ser amante da sua mulher. Embora fosse um homem cheio de dúvidas, não conseguia acreditar que ela o traísse.

O que não suportava mais eram os olhares de lado daquela gente, capazes de o catalogar como cornudo, nas suas costas, entre sorrisos trocistas.

Aquele que considerava amigo em vez de o ajudar disse-lhe: «Eu tinha-te avisado. Ela não era mulher para ti.»

Virou-lhe as costas sem lhe responder.

Sozinho, questionava-se, «porque razão se tinha apaixonado daquela maneira, que lhe fazia tanto doer?»

Quando chegou a casa começou a fazer as malas, decidido a afastar-se da mulher que amava loucamente, antes que fizesse alguma loucura.

Talvez ainda houvesse alguma esperança para o casamento. Bastava ele conseguir amar a esposa de uma forma normal.

(Óleo de Howard Chandler Christy)

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Um Cartaz Peculiar e Uma Boa Memória


Quando queremos e gostamos de viajar de memória, tudo nos serve.

Uma imagem, um poema, uma crónica ou até uma simples frase apanhada na rua...

Já dei por mim a sorrir com frases com cheiro a antigo, ditas por gente que já viveu muito, que me lembram a minha avó materna, uma grande expressionista e impressionista.

Hoje, ao passar os olhos por este cartaz com o Steve McQuenn, lembrei-me do meu pai, que entre outras coisas foi caçador e gostava de transportar a arma desta maneira, muito à "Texas".

Não sei se o meu pai chegou a conhecer o Steve. Talvez tenha reparado nele num filme ou noutro. Não era tão rebelde como ele, mas amava muito a liberdade, tal como o Steve.

Pensando melhor, de certeza que o meu pai viu pelo menos a "The Great Escape (Grande Evasão)" e gostou da forma como ele escapou, do seu voo de mota, sem duplo, segundo as más e as boas línguas.