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domingo, março 15, 2015

A Gaiola das "Malucas"


Na minha cidade há muita gente, pouco anónima, que gosta de alimentar os animais sem dono que vagueiam pelas ruas.

Um dia destes vi mesmo uma senhora a puxar um carrinho de compras cheio de milho que espalhava em locais certos, para encher a barriga aos pombos, sem se preocupar com as indicações proibitivas da Autarquia (houve uma altura que até tinha um "alimentador de pombos" que distribuía milho especial pelas ruas para estes não se reproduzirem...) ou com as palavras de quem chama a estas aves, "ratos com asas".

A poucas centenas de metros da minha casa, há três mulheres que se revezam na alimentação de gatos vadios e agora uma delas costuma levar uma gaiola metálica e o marido (julgo eu...) anda com uma espécie de camaroeiro a ver se os caça e mete na "armadilha".

Entre outras coisas é um exercício de paciência, até porque os gatos são dos animais mais espertos que encontramos pelas ruas.

A minha filha baptizou aquela coisa como a "gaiola das malucas". Mas ainda nenhum de nós percebeu para que "experiência científica" andam a apanhar gatos. Como conheço uma das mulheres, fiquei de lhe perguntar, para esclarecer a curiosidade cá em casa.

O óleo é de Steven Scott Young.

domingo, janeiro 04, 2015

Um Café com Sabor Diferente


Os cafés continuam a ser lugares únicos, pelo menos aqueles que se tornam "nossos", com o passar dos anos.

Eu tenho um destes espaços, que frequento há mais de vinte anos e que já teve pelo menos quatro gerências diferentes, e claro, dezenas de funcionários. O único que tem resistido a todo este tempo é o Manuel, a quem não preciso de pedir o café...

Apesar das mesas não serem as mesmas, assim como a decoração, as memórias permanecem vivas, de tantas conversas, tantos olhares, tantos sorrisos e também algumas discussões. Um café que se preze, aguenta tudo.

O mais curioso é este lugar também se confundir com um "escritório", ou seja, é um dos meus pontos de encontro para tratar de vários assuntos, inclusive livros que estão na forja e outros projectos culturais.

Também tenho escrito muito neste meu café, especialmente quando estou sozinho. Há sempre ideias a aparecerem do "tudo" que normalmente chamamos "nada"...

Como já não é a primeira vez que falo deste lugar, já devem ter percebido que falo do "Repuxo", na praça Gil Vicente, em Almada, que até já foi inspiração para a capa de um dos meus livros (da autoria de Mário Nery) e de um dos contos...

terça-feira, setembro 23, 2014

A Natureza e a Estupidez Humana


A sabedoria popular gosta de nos dar lições, que recebemos com um sorriso, mas raramente as levamos a sério.

É por isso que só nos lembramos de Santa Bárbara quando chove...

A natureza continua a lançar-nos avisos e nós teimamos em navegar no erro...

Continuamos maia preocupados com o nosso conforto e bem estar que com o equilíbrio ambiental (é cada vez mais notória a seu quase "tonteria"...).

Não é por acaso que em vez de quatro, caminhamos para um tempo de apenas duas estações...

Mal chegámos ao Outono e as chuvas já transformam as ruas em rios de lama. Foi só um sinal...

O óleo é de Diane Garcez de Marcilla.

sábado, setembro 20, 2014

A Nostalgia de Ver o Verão a Fugir


É difícil não sentir alguma nostalgia, ao ver o Verão a escapar-nos assim, quase por entre os dedos, ainda em Setembro.

Pelo menos a temperatura continua agradável e ainda tenho conseguido ir de calções à fisioterapia, mas sei que deve ser por pouco tempo... 

Acho que ainda não nos adaptámos a estes dias que conseguem ser visitados pelas quatro estações em apenas meia dúzia de horas. Além de ser estranho (podemos estar vestidos para o frio e sentirmos o Sol a queimar, ou estarmos vestidos para a calor e levarmos com vários baldes de água, no corpo, quase sem aviso prévio) é estúpido, mas parece que só temos o que merecemos.

O óleo é de Thengis Rioni.

sábado, setembro 06, 2014

O Perfume da Terra Molhada


Hoje está um daqueles dias estranhos, em que chove e faz Sol, deixando no ar aquele cheiro sempre agradável (para mim, claro...), a terra molhada.

Claro que a inalação deste perfume é um privilégio apenas reservado a quem vive no campo ou próximo de uma zona verde, que ainda não esteja completamente "inundada" pelo alcatrão e cimento, os reis e senhores das cidades.

Embora já seja Setembro, como a temperatura está agradável, esta chuva parece ser daquelas episódicas de Agosto, em que os seus pingos estão longe de nos incomodar ou obrigar a abrir o chapéu de chuva.

O óleo é de Federico Pillan.

domingo, fevereiro 16, 2014

O Meu Mar Nunca foi Chão


Quando olho para o Mar que mora dentro de mim, nunca o encontro parado,  quase a querer imitar a lassidão de um rio. 

Sei que a culpa é da minha praia da infância (e de sempre...) a Foz do Arelho, com um mar selvagem diário, povoado de sons e ondas fortes, distantes de qualquer "canto de sereia".

Foi naquela praia atlântica que percebi que o Mar é quase como nós, precisa de espaço para se expandir e para libertar toda a sua raiva.

Nas praias com menos agitação foi muito mais fácil ignorar a sua verdadeira natureza, selvagem, não o levando a sério, nem mesmo nos dias em que se mostrava irritado. Convencimentos de quem se julga "senhor do mundo"...

Alguns "iluminados", mais atrevidos e endinheirados, até foram capazes de construir casas nas praias (com a manha de um dia poderem transformar o areal mais próximo em praia privada...). com a complacência das autoridades, que raramente se  esquecessem de mostrar o seu "preço" num lugar visível.

Até que chegou, não um, mas vários dias  para o "ajuste de contas"...

O óleo é de Daniel Pollera.

domingo, fevereiro 09, 2014

À Procura da Stephanie nas Ondas


Gosto do Mar, vivo, com voz e movimento. Mas isso não quer dizer que goste dele quando se exalta e perde a cabeça, em dias de tempestade como o de hoje.

Sinto que ele fica  desnorteado  e com "cara de poucos amigos", dispensando a minha companhia. Embora goste de fotografia, não descubro grande beleza nestes dias cinzentos, até pela falta de contraste de cores... mas há gostos para tudo.

Ou seja, não andei de todo à procura da Stephanie, mesmo sabendo que se ela aparecesse junto das ondas,  vinha como Deus a colocou no mundo...

O óleo é de Feliks Wygrywalski.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

«Nunca tinhas percebido que se podem coleccionar coisas sem termos de gastar dinheiro?»


Provavelmente foi por eu olhar de uma forma estranha, que a Cristina me interrogou:

«Nunca tinhas percebido que se podem coleccionar coisas sem termos de gastar dinheiro?»

Limitei-me a sorrir...

Não era apenas isso. Estava a olhar e interrogava-me o que levava alguém a coleccionar tantos frascos com tonalidades de areia diferentes. Provavelmente a mesma coisa que um coleccionador de pacotes de açúcar ou de latas de bebida, mas...

Também nunca tinha pensado em frascos de areia como elemento decorativo. E eram, desde que fossem colocados no sitio certo, por alguém com um olhar especial.

Não contei, mas havia ali umas cinquenta cores diferentes.

Aproximei-me para ler os rótulos e vi além da sua origem e também a data de recolha e uma frase alusiva ao local, com alguma poesia. 

Claro, voltei a sorrir, antes que viesse de lá uma nova interrogação.

O óleo é de Kátia Gridneva.

sexta-feira, outubro 18, 2013

A Estação das Chuvas


Dizem que o Inverno está a chegar.

Não sei se vem de avião, de comboio ou de autocarro. Sei apenas que vem (mesmo que não acreditasse na "meteorologia", nem os vidros duplos da sala, silenciam a água a cair, com trovões e tudo...).

Ainda não é o inverno do frio, é apenas o do S. Pedro, com águas a escorrerem das nuvens e a lavarem as ruas, os carros as casas e os desprevenidos, que gostam de trazer o chapéu de chuva por casa.

As cores dos dias vão ser diferentes, é sempre assim...

O óleo é de Óscar Bluemner.

domingo, julho 07, 2013

A Sombra e o Sol


A sombra costuma brincar às escondidas com o Sol e normalmente é agradável de se estar.

A não ser que se veja  invadida por uma destas vagas de calor, que de vez em quando chegam ao nosso país, sopradas pelos camelos do Norte de África.

Só nos resta andar com uma roupa leve, beber bastante água, e claro, não nos esquecermos do chapéu, quando deixarmos a sombra...

O óleo é de Boris Grigoriev.

sábado, junho 29, 2013

Verão sem Inverno


O Verão começou com grande vitalidade, as temperaturas têm-se aproximado dos 40 graus, deixando-nos completamente esbaforidos, tanto nas ruas como em casa (ligar o ar condicionado passou a ser um "luxo"...).

Os "profetas" que quase nos aconselharam a usar "chapéus de chuva" na praia, parece que se enganaram nas previsões, embora ainda estejamos no começo da estação mais descontraída e quente que temos.

Aliás, ainda esta semana davam diminuição de temperatura a partir de quinta-feira e é o que se vê...

Tenho impressão que os meteorologistas utilizam uma "bola de cristal" da mesma marca do Gasparzinho.

O óleo é de Andrew Baines.


quinta-feira, abril 11, 2013

Quando Duas Pessoas São Uma Multidão


Antes de entrar em casa, fiquei a falar alguns minutos com um dos meus vizinhos, que aproveitou a minha "companhia" para chamar a atenção a um "passeador de cães", com bons modos, que a encomenda que o seu bicho de estimação tinha deixado no passeio, era para apanhar.

O homem de trinta e poucos anos olhou para nós meio espantado e sem dizer uma palavra, pegou num saco guardado no bolso e limpou o passeio, seguindo a marcha em silêncio.

Entre as várias graçolas que trocámos,  falámos da possibilidade da existência de um bairro só para pessoas com cães, tendo o meu vizinho acrescentado logo que isso não resolveria a situação, porque os donos gostam sempre de levar os animais a "cagar longe" das suas portas...

Ou seja, se existisse um bairro mais "zoológico", os passeios das suas zonas fronteiriças dariam ares de qualquer coisa como um "campo minado", menos perigoso mas mais cheiroso...

Nestes casos, duas pessoas são quase uma multidão, pois são capazes de dizer coisas, que não diriam se estivessem sós. Até porque as pessoas que passeiam animais, estão longe de ser as mais simpáticas do mundo.

O óleo é de Tyson Grumm.

domingo, abril 07, 2013

A Música das Águas que Sobem e Descem


As barragens continuavam a abrir as comportas e a fazer subir a água dos rios e a formar ilhas, um pouco por todo o lado, deixando algumas povoações quase isoladas.

Como de costume, nem toda a gente ficava triste com esta mudança. 

Numa das aldeias isoladas rente a Santarém havia pelo menos duas pessoas que adoravam esta paragem no tempo: o Inácio que tinha a oportunidade de andar com o seu barco pelas ruas, como se fosse um "gondoleiro" de Veneza e a Margarida, que tocava piano o dia todo, virada para o rio, como se buscasse inspiração nas águas movimentadas...

O óleo é de Ernesto Arrisueno.

terça-feira, março 26, 2013

A Luísa da Concertina


Ela tocava concertina e não acordeon.

Ela parecia estrangeira, não só pela forma como tocava mas também pelo penteado e a roupa que vestia.

Ela quando veio ter connosco a uma das mesas do bar, pediu-me um cigarro que não tinha, num português elegante, quase dos salões. Foi por isso que me levantei e fui pedir um cigarro e um isqueiro ao Xico, que me sorriu.

Ela apresentou-se e disse que era a Luisa, eu retorqui que era o Luís, ela sorriu, provavelmente a pensar que estava a brincar...

Ela, depois de acabar o cigarro e de beber uma água lisa, piscou-me o olho e voltou para a espécie de palco, onde continuou o recital, que me lembrou os passeios que dei à beira do Sena.

O óleo é de Guy Péne du Bois.

sábado, janeiro 12, 2013

Sinais da Poupança


Um dos sinais mais visíveis da poupança dos municípios, é a sujidade das ruas.

Em Almada ainda não se chegou ao ponto deste óleo, mas para lá caminhamos, se não se fizer nada para inverter esta marcha tão pouco dignificante, pois é raro o dia em que não encontro contentores a transbordar, rodeados de sacos, entre outros objectos deitados fora pelas pessoas.

O óleo é de Chester Arnold.

sexta-feira, novembro 02, 2012

Este Ano Parece que Temos Inverno


Este ano parece que temos Inverno.

E não é um Inverno qualquer, até trouxe a estação das chuvas, que tem andado por outras bandas nos últimos tempos.

Eu sei que provavelmente daqui a quase nada, já estamos fartos da água que escorre do céu, de andar de chapéu aberto pelas ruas, a fintar as poças de água.

O óleo é de Diana Garcez de Marcelia.

quarta-feira, outubro 31, 2012

Sandy Abana a Cidade Maior


Sandy, uma daquelas raparigas que vão para todo o lado, mas nunca para o céu, como na canção, abanou as torres de Manhattan e transformou as ruas em autênticos rios.

Ao ver as imagens da tragédia pela televisão, lembrei-me de Lisboa e também desta Margem Esquerda do Tejo. Como resistiriam?

E lá fiz um desenho...

As ruas da Baixa não deviam ficar muito diferentes de Veneza, embora lhe faltasse o encanto das gondolas. Alguns prédios, com a marca pombalina, abraçavam a perigosa Sandy e deitavam-se ao seu ritmo. O mesmo devia acontecer aos velhos armazéns do Ginjal, fazendo jus às placas de aviso de derrocada, colocadas à "séculos" pelo Município e pelos "donos" do porto de Lisboa.

E nada seria como dantes. Em vez de semanas, precisávamos de largos meses para voltar à vida quase normal...

O óleo é de Deborah Beown.

terça-feira, setembro 18, 2012

Verão até ao Inverno


Com todas estas mudanças climáticas, cada vez mais agudizadas, até parece que passámos a ter apenas duas estações, Verão e Inverno. O Outono e a Primavera apenas dão uns ligeiros ares da sua graça. 

E nos últimos anos quem tem conquistado mais espaço  é o Verão. 

Quase que é Verão de Março a Outubro...

Mesmo assim tenho pensado que 2013 é capaz de ser um ano de muita água (sem ironia, sem pensar em políticos...), de barragens a transbordar, e de cheias, para variar.

Talvez até tenha de comprar umas galochas...

O óleo é de Laine Kainaize.

domingo, agosto 12, 2012

O Tudo e o Nada


Das muitas coisas que tenho para agradecer aos meus pais - talvez das mais importantes -, foi não me terem educado numa única direcção, nem me terem escolhido o futuro.

Hoje sinto que fui educado para ser o que quisesse, com toda a liberdade do mundo.

Claro que sei que isso também aconteceu por não ser herdeiro de qualquer consultório, escritório ou empresa.

O óleo é de Margarita Sikorskaia.


sábado, agosto 04, 2012

Uma Outra Revolução


Quase que não se fala da "revolução" higiénica que se fez de Norte a Sul, depois de Abril de 1974. Apesar de não ter chegado a todos os lugares - pelo que de vez em quando se ouve falar na televisão -, mudou completamente o paradigma das famílias menos abastadas.

De vez enquanto surge uma ou outra reportagem sobre as "vilas" (aglomerados de anexos, sem grandes condições de habitabilidade...), especialmente das partes antigas de Lisboa ou Porto, onde ainda existem habitações sem casa de banho. A sanita continua a ser uma pia exterior e os banhos são feitos utilizando o alguidar ou com um duche desmontável (de pendurar...), no interior das casas, mas isso só confirma a regra.

Mas as grandes diferenças verificam-se nas aldeias, onde os seus habitantes mais idosos cresceram sem este "luxo" e agora todos têm  a sua casinha de banho.

Mas se a electricidade e a água canalizada não chegavam à maior parte das aldeias do país, muito menos chegaria o saneamento...

O óleo é de Pierre de Mougins.